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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

agora

Agora ficou tudo mais calmo. Depois da algazarra, dos ventos secos, murros no estômago como címbalos de dor, tudo ficou mais calmo. Recosto-me na minha cadeira, apoio os braços na cabeça e deixo a minha mente dançar esta melodia pungente, quase tropical. Deixo-me ficar por uns momentos a recordar-me naqueles barulhos. Estou sossegado agora.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

uma bela prenda!

( Se tocares nela, ela dá-te uma prenda)

Muito obrigado maria :)

Pois é. Eu hoje faço muitos anos. Faço quarenta e dois!
Dos tempos longínquos da minha meninice, eu ainda me lembro dos cromos das Vitórias, uns rebuçadinhos amarelados e muito pegajentos, que se fosse agora a Asae já os teria banido, estou certo. Traziam uma figura no lado interior do invólucro. As Vitórias, uma colecção de animais, de quase todos os animais que se conhece, excepto os políticos, e o número 42 era o Bacalhau. Por sinal um dos mais difíceis de encontrar (a par com o cabrito e a cobaia)! Pois eu hoje faço 42 anos! Eu tenho 42 anos! Estou, portanto, na idade do bacalhau. Já fui pescado, devidamente esfaqueado, exposto à cura do sol e ao sabor do sal, enfardado convenientemente e também fui escolhido e levado para casa e demolhado. E comido! Com grelos ou com natas, frito ou cozido, sei lá. Ainda tenho rabo e aspecto de bacalhau crescido, embora miúdo e de espinhas afiadas.
Sou um bacalhau gordo, bem sei. Cada vez mais gordo, raios! Mas existo, o que não é mau.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

foge de mim...(reload)

Há momentos assim, um sol generoso a convidar para um bom par de dias de descanso e descontracção. Mas há momentos de recusa e aversão. Quando tudo nos convida à alegria, por tantas coisas boas que temos, quando os astros se enquadram num movimento lógico, perfeito, quando esta hora assume a cor dos gatos, ela aparece, teimosamente abrupta. Ela não precisa de saber disso para nada. Ela apodera-se de nós como credora aflita. Ela rebola-se no olhar, revela-se no sentir. Ela anda comigo, de mão dada, com algemas. Ela não me larga. Foge de mim tristeza.

Ronde des Princesses

domingo, 6 de janeiro de 2008

yesterday is here ( bom ano...)




If you want money in your pocket
and a top hat on your head
a hot meal on your table
and a blanket on your bed
well today is grey skies
tomorrow is tears
you'll have to wait til yesterday is here
Well I'm going to New York City
and I'm leaving on a train
and if you want to stay behind and
wait til I come back again
well today is grey skies
tomorrow is tears
you'll have to wait til yesterday is here
If you want to go
where the rainbows end
you'll have to say goodbye
all our dreams come true
baby up ahead
and it's out where your memories lie
well the road's out before me
and the moon is shining bright
what I want you to remember
as I disappear tonight
today is grey skies
tomorrow's tears
you'll have to wait til yesterday is here

Mr. Tom

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Core Ingrato

Hoje deu-me para pegar numa colectânea de canções da minha série preferida, "O Sopranos" (porque afinal um anarquista burguês gosta muito de ter destas coisas boas para em certas alturas escutar muito quieto) e redescobri este Core Ingrato de Dominic Chianese (O inefável Júnior Soprano!). Uma Canção Napolitana que espero vos possa deixar um leve sabor a coisa boa:

versão audio mais aproximada

Core ingrata (canción napolitana)

Catarí, Catarí, pecché me dici
sti parole amare;
pecché me parle e 'o core me turmiente,
Catari?
Nun te scurdà ca t'aggio date 'o core,
Catari, nun te scurdà!
Catari, Catari, ché vene a dicere stu parlà
ca me dà spaseme?
Tu nun'nce pienze a stu dulore mio,
tu nun'nce pienze, tu nun te ne cure.
Core, core 'ngrato,
t'aie pigliato 'a vita mia,
tutt'è passato e
nun'nce pienze chiù!

domingo, 16 de dezembro de 2007

reentrares

Relembrando outros tempos, os outros tempos da inocência e da experimentação, de quando houve coisas de entrar cá dentro e permanecer anos fora, dando que pensar agora e sempre, e apetecer procurar de novo, ousar repetir no agora, como se o agora fosse aquele tempo ido, dá-me na alma assinalar aqui um livro que li e do qual não sei nem o título nem quem o escreveu. Deu-mo uma professora de inglês de entre tantos livros que me oferecia num acto mais do que missionário, pois sabia-os bem entregues. Não que fossem guardados, mas sim porque ela estava certa que seriam lidos, deglutidos com o vigor e a alma de um puto sedento por fugir aos dogmas curriculares, às "Sibilas" e aos "Camões", aos "Kants" e aos "Lavoisiers". E eu li esse livro dentro dele, vivi aquele romance na Munique do pós-guerra entre duas pessoas que me fascinaram tanto. Ele era monge, ou frade, ou padre, nem sei, e ela era uma menina que caminhava na cidade. Sei que casaram no final da história e ele foi noivo e padre desse casamento tão grandioso, porque humano e prenhe de religiosidade. Ficou-me na ideia o título do romance: "Uma mulher naquela casa". Não sei se o reinventei, ou se o gravei como quem grava uma cor do arco-íris de entre todas as outras cores.
Sei que gostava tanto de voltar a entrar dentro dele com todas as minhas forças.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

atrevo-me



"He came dancing across the water
Cortez, cortez
What a killer."

Entretanto, ordeno-me que oiça Neil Young. Bom sinal (nesta época do ano não há melhor eucaristia)!
Sinto-me um "Cortez What a Killerrrrr" que precisa de redenção, e no entanto cada rasgo de guitarra surge-me como uma cimitarra que me golpeia as entranhas do pensamento. Rasgos prolongados que me levam à terra do nunca, onde posso dar os passos que não dou e onde vejo as formas que não toco e onde percebo as palavras que não sei.
Depois desta perene oração levanto-me ligeiro e, olhando o "lá fora", vejo o tempo bom, as flores dormentes e os pássaros obreiros. E vejo a tinta da minha alma caiada numa parede lisa e atrevo-me tocá-la em tentativa mordaz de me doer.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

hoje de manhã

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

The Drunken

O man, take care!
What does the deep midnight declare?
"I was asleep—
From the deep dream I woke and swear:
The world is deep,
Deeper than day had been aware.
Deep is its woe;
Joy—deeper yet than agony:
Woe implores: Go!
But all joy wants eternity—
Wants deep, wants deep eternity."

Nietzsche

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

devoluções

Hoje devolvo-me a todas as coisas, deixando-me espalhar pelos materiais como se o meu corpo fosse um estado chumbo derretido. Muito quente, muito fluida, a minha matéria está em estado de devolução às coisas, às formas e aos sentidos. E assim fico com outras formas, mais arredondadas e sem ângulos e arestas vivas. As minhas arestas vivas sangram de um tal desejo de arranhar, de tocar e fazer mexer, e em se devolvendo a outras formas, de arco-íris e flores exóticas, do Índico talvez, de outros mares imensos ou de outras luas argênteas, devolvem-se também ao sonho jamais em mim envelhecido.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

difusões

Como naquele conto de Oscar Wilde também eu desejo por vezes que algumas pessoas que me rodeiam não tivessem coração. Não padecessem nem perecessem e que a sua missão não fosse mais que fazer-me rir e brincar comigo sempre que eu quisesse. Não precisariam de ser bonitas, apenas práticas e muito disponíveis. E como naquele outro conto do mesmo autor, gostaria que uma bruxa de cabelos cor de ouro rubro me oferecesse um punhal com cabo de serpente que eu levaria comigo e numa noite de lua cheia eu pudesse cortar a minha sombra e despedir-me da minha alma. E por certo a minha alma desprender-se-ia de mim sem nada reclamar. Não me visitaria mais e eu, assim, poderia enfim mergulhar no oceano dos meus sonhos e beijar os lábios molhados de uma sereia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

prazeres

Bom, isto não é para se dizer mas acontece que eu sou uma puta e digo tudo, mesmo coisas que não se devem dizer. Este fim-de-semana virei o barco que é uma coisa que eu faço de quando em vez mas já não tinha memória da última.
Virar o barco é uma coisa bárbara. Um tipo fica assim a modos que com muitos calores e de repente apanha-se prostrado sobre uma sanita, o mais kunderiana possível já agora e que me deixe ver as entranhas da terra mais o inferno e as chamas que ardem de um fogo irresistivelmente atraente, e enquanto deita tudo borda fora, a alma inicia o seu único e verdadeiro momento de indispensável reciclagem.
Pronto, foi isso; é isto que me acontece sempre que viro o barco. Fico liso na mente, asseado na compostura e remeto-me sempre para as coisas da alma. Depois faço um Spa de infusões quentes, uma sauna de chá verde e umas bolachinhas maria. E deixo-me ficar muito quieto e talvez compre um livro de contos. Tão bom!..

sábado, 10 de novembro de 2007

miserável honestidade

O tipo seria hoje um homem bem mais realizado, não fosse a miserável honestidade a sua principal característica. Dizem-lhe as vozes da nobre arte do elogio que essa qualidade é a melhor coisa que um homem pode ter. O tipo sorri e engole miseráveis sulcos de honesta saliva, cujas enzimas parecem trespassar a alma ingénua como se tal virtude pudesse bem ser triturada qual simples bolo de arroz. O tipo sabe o que perdeu, o que perde todos os dias, e entrega-se às mais miseráveis e desonestas das emoções: a nostalgia. Sim, porque o tipo sente. E sente a nostalgia das coisas que não tem, dos momentos que não vive, das almas que não toca por causa dessa miserável honestidade. Dessa coisa colorida que o torna cinzento, como se não houvesse mais cores no mundo...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

calabouço

Hoje sinto-me encarcerado. Um dia destes alguém me observou que eu já há muito tempo não escrevo no meu blog. Estava de licença precária, disse eu. Hoje voltei ao calabouço. Está frio aqui!

sábado, 11 de agosto de 2007

invejas

Fui ver os filme "Os Simpsons". Gostei. E saí da sala com uma enorme sensação de inveja do Homer. Os filhos dele nunca crescem...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

de profundis

"Little man
Never hurry, take it slow
Things worth while need time to grow
Little man

Don't look back
There are things that might distract
Move ahead towards your goal
And the answers will unfold"

Tom Waits (orphans)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

dia sexto

De repente é sexta-feira. O tempo das semanas é o mais rápido dos tempos, esfera das rotinas, do tempo de estar sem tempo. De repente é sexta-feira e num instante isto passa rápido. Olho-me ao espelho e noto-me um nariz a envelhecer. Um nariz de sexta-feira que me assinala todo o tempo. O meu tempo reflectido no meu nariz parece esfumar-se em todas as sextas-feiras do mundo.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

conversas filiais

O meu rapaz disse-me, um dia destes, que eu sou como a tecla três do telemóvel. Hello!!!...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

esta morrinha

Hoje apetece-me escrever. Acreditem que há dias em que, de tanta morrinha, a vontade de escrever nem precisa de preliminares. E as palavras caem como morrinha na cabeça de tolo, sem malícia e a cheirar a chuva molhada. Pastelentas e quase inocentes.
E se ligarmos este momento, ao momento mais estúpido e, ao mesmo tempo, mais saboroso da vida de um homem a acordar neste pranto de emoções, neste "emotional weather report", que é o momento em que ficamos prostrados em frente à torradeira, pacientemente à espera que o pão salte, numa exclamação de tão autêntica prontidão, de charme e classe, dependendo muito, neste caso, da coçadela das partes baixas por de entre o pijama "negligé", então esta morrinha vele mesmo a pena, porque se percebe, afinal, que atingimos um carma verdadeiramente "himalaio". Estamos nas nuvens, pois, no momento imediatamente antes do vitorioso salto do pão tostado, daquele instante jamais fotografado, daquela imagem de cheiros e sabores que o cérebro recolhe em amostras pictográficas, que se confundem com o impulso de comer e o outro, o de mijar antes que a torrada salte. Ainda é preciso mijar aquele nico de cerveja da noite anterior, ainda é cedo para a manteiga e o leitinho com café.
Naquele minuto, a nossa vida enche-se de stress. É o minuto mais fundamental e determinante da vida de um homem de quarenta anos.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

de repente voltei a ver bem. deixei de sentir aquele ardor nos olhos e quase dispenso os meus velhos óculos de sol, não fosse a claridade a maior inimiga da minha íris. vejo o tempo cair devagarinho, impagável, e demoro-me nele à espera de um sinal que possa trespassar a névoa que por vezes me ofusca e me confunde o horizonte. o que vai lá, no horizonte. o azimute da minha alma que se esconde estando ali, sempre ali, à espera que eu corra para ele e o agarre com todas as minhas forças. eu vejo-te bem hoje, meu querido azimute. podes esperar por mim, se não te importares? deixa-me tratar duns assuntos que eu vou já...
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