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sábado, 19 de maio de 2007

como a comida inglesa


Hoje regressei às "Pedras" com framboesa. Estou, pois, em lavagem do tonel, a minha barriga de quarentão que parece não resistir aos meus instintos de esponja.
A noite passada foi pesada e isto de ter amigos solidários que nos acompanham nos copos, isto de emborcar cerveja a metro, isto de ter sempre sede e depender tanto de umas goladas, e os fumos e as gargalhadas e a noite a fugir para detrás do sol, e eu a emborcar, etílico sem sentimentos, irresponsável, bêbado e consistentemente sequioso, isto, dizia eu, tem de acabar um dia.
E hoje estou a águas, portanto. Se bem que a água é qualquer coisa que o meu organismo estranha. Mas tem de ser, de modos que lá mais para a noitinha vou encostar-me no velho sofá, ver os dois filmes da RTP2, vou fumar apenas um cigarro e vou soltar gases livremente. Como um burguês na sua intimidade, vou espraiar o meu fígado e dar-lhe canjinhas e infusões. E amanhã hei-de acordar cheio de sede outra vez.
Sinto-me como a comida inglesa: sem solução. Isto tem de acabar!

sábado, 12 de maio de 2007

terça-feira, 10 de abril de 2007

pesadelos

Hoje não há nada mais saboroso do que uma dose de carapaus assados. De certo, já todos provaram carapau assado, um peixe gordo e rico e omega3. Eu ando necessitado dessas coisas. Um amigo meu apareceu-me há dias com uma fita de papel filme, daquele filme que serve para embalar croissants, muito bem enrolada na barriga. Diz que vira num filme e que assim pode abater a mísera barriguinha de cerveja. Estou céptico, porém. Uma barriga não se abate assim certamente. Porque há tanta coisa a anunciar esse milagre, desde a herbalife, passando por medicamentos milagrosos...como pode uma solução assim tão doméstica resolver tão arreliadora protuberância que tanta gente aflige e descontenta? Estou convencido de que o carapau e a sardinha de lata com azeite virgem, ainda assim, são a melhor fórmula para nos prepararmos para o verão que não tarda e a praia que já apetece. Reduzir a cerveja também ajuda e caminhar será talvez a cereja no cimo do bolo. Caminhar é preciso, já dizia o poeta, e eu estou muito empenhado nisso. Mas o gin com nordic mist, a vodka e o licor beirão com gelo andam a rondar os meus planos. Preciso de tomar medidas urgentes. Sinto-me muito próximo da obesidade mórbida e já sonho com bandas gástricas. E a feijoada? E o leitão? Salvem-me deste pesadelo!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

alinhado

Hoje fui cortar o cabelo. A Elisabete, minha cabeleireira, a única que consegue perceber os meus caracóis, não levou grande tempo a cuidar de mim e não fez qualquer comentário sobre as minhas cãs. Apenas laborou nelas com destreza e sabedoria importada de França, onde se formou como cabeleireira.
Agora posso ir ao almoço de Páscoa sossegado porque a família não vai fazer comentários sobre o meu ar "negligé". Vou até inspirar-me no "My Sweet Lord" para assim poder passar por um delicioso "chocolate Jesus" de metro e setenta e cinco, meia barriga, aspecto quarentão juvenil. Sou bem capaz de vestir um "pullover" laranja, colocar um pouco de gel no cabelo e, se der tempo, ainda recebo o Senhor, que lá na aldeia ainda há o "Compasso", a visita pascal, e provavelmente darei mais uma prova da minha inenarrável condição de anarquista alinhado.

domingo, 1 de abril de 2007

devaneios

praia dourada, viana do casteloO meu safari vodka está glacial, doce de Páscoa. Assim deixo-me estar, ainda mais refém do álcool, se bem que esse terrorista que me sequestra mima-me com magníficas sensações de "ilógico", faz-me sorrir. E deixo-me estar, quieto, quase num tom de felicidade lúcida.

sábado, 24 de março de 2007

testemunhos

Carvalhos. regressei a casa ainda a tempo de assistir à cerimónia de entrega do diploma de valor e excelência ao meu Alex, na escola EB2/3 padre António Luís Moreia, nos Carvalhos. Foi um momento bom. A Organização presenteou-nos com uma palestra levada a cabo pela Drª. Maria Teresa Mendes, Psicóloga e muito experimentada em lidar com o tema do insucesso escolar. Declamou-se Torga, que muito me comoveu, e encenou-se um pequeno excerto do "Principezinho" de St Exupery e que de imediato me fez agendar reler esse magnifico livro nas próximas horas. Depois vieram os aplausos e as honrarias aos alunos que se destacaram no pretérito ano lectivo.
Maria Teresa Mendes abordou o tema da Motivação e discorreu sobre o assunto de forma leve, não obstante ter focalizado os principais tópicos de reflexão sobre essa coisa monstruosa que é o insucesso escolar. De entre várias frases de efectivo interesse para os pais, captei esta: " no primeiro ciclo as crianças aprendem para ler, a partir daí lêem para aprender". Ora aqui está a chave da coisa. Como pai, e se me permite o amigo que me eestá a ler, a solução para combater o insucesso escolar está precisamente aqui: ler, incrementar o interesse dos nossos filhos pela leitura. Para além de todas as coisas que os pais acham que devem proporcionar aos filhos, o incentivo pela leitura deve ser o primeiro de todos os "bens". Inundem a casa de livros, esqueçam as velas decorativas, as casquinhas, os limoges e os belos naperons, povoam a mesa de centro da vossa sala com livros, peguem nos livros quando estão a ver televisão, marquem os livros, levem-nos para a casa de banho, e no vosso quarto, em vez de lindos enfeites, ponham livros na mesinha de cabeceira, com marcadores, mesmo que não tenhais muitos hábitos de leitura. A estratégia tem de ser essa, porque todos sabemos que nos dias de hoje as crianças não têm tempo para ler, nem sequer têm espaço psicológico, de silêncios, para pegar num livro. Mas o vosso exemplo vingará, estou certo. Pensem nisso.

quarta-feira, 21 de março de 2007

regressos

Batalha. De novo nas serras D'Aire e Candeeiros e ansioso por sol. Nos céus as nuvens disfarçam o azul mas eu olho para a Primavera com olhar de vitelo mal morto, quase desmamado, e à espera de ver os campos floridos e a cheirar a ervas doces. Hoje vou tombar na Ti Maria dos Queijos (imagem) onde provarei morcela de arroz antes de me debater com uma deliciosa "lentrisca". E farei negócios do sol, estou certo. Mas ainda trago comigo uma ou duas camisolas interiores que eu bem sei que em Lisboa, por exemplo, isso não se usa. E trago pijama e pantufas e uma embalagem de Mebocaína, o único medicamento que tomo regularmente. Lá mais para diante deixo-me usar as minhas malhas de verão, já muito velhas e coçadas mas muito minhas. Por agora este marujo que vos escreve, aportou a sua velha jangada no velho Oeste. Não temam porque não trago pistolas nem sou de zaragatas. Admito disparar um ou dois olhares se porventura alguém me acossar. De resto, mantenho-me fiel aos meus delírios e prometo acordar cedo, ainda que me deite tarde.

terça-feira, 20 de março de 2007

perdido

Deste mar a espuma branca esbarra na areia e espalha-se livre. O mar que eu sou gosta de ser espuma, de acariciar a areia branca e possuir todos os seus poros. Gosta de ser suave tempestade que se aprecia e se deseja no corpo. Este mar que eu sou perde-se no sonho porque acredita que se esgotou na areia molhada...

segunda-feira, 19 de março de 2007

das minhas vaidades

Lembro perfeitamente o dia em que fui pai pela primeira vez. Não tinha carro e o Jorgito, um tio da minha mulher, levou-nos ao hospital de S. João no Porto. Recém casado, teso e puto, comprei uma kodak de cassete e deixei-me ficar nos corredores do hospital à espera de ser pai. A Catarina deu luta e acabou por cair na balança acusando uns bons três quilos e novecentos e dez gramas, cinquenta e dois centímetros. Era a minha filhinha que acabara de vir para junto de nós. Já no meu colo, beijei-a e senti uma felicidade única, num momento único.
Alguns anos depois veio o Alexandre e as sensações repetiram-se. Hoje a Cat já está na universidade e o Alex vai receber um diploma de honra e excelência em cerimónia a realizar na próxima sexta-feira. Os meus filhos são lindos! eu sinto-me lindo também. Eu sou pai e sou abençoado. Palmas para mim.

sexta-feira, 16 de março de 2007

absinto

Acordei e oiço "Bizarre Love Triangle" dos New Order... "Every time i think of you
I feel shot right through with a bolt of blue"

quinta-feira, 15 de março de 2007

metamorfoses

estou a ficar mamudo. para além da barrigota de cerveja, noto o peito mais arredondado e parece que me nasceram umas mamas grandes que me dão um ar de ninfo desmazelado. nunca me tinha apercebido destas mamas, tão ocupado que ando a olhar para as mamas das moças que arrebitam em dias de calor. tenho que fazer alguma coisa com as minhas mamas. hoje sinto que elas não param de crescer.

quarta-feira, 14 de março de 2007

o seu a seu dono


António Lobo Antunes foi premiado com o Prémio Camões 2007. Justiça para o maior escritor de língua portuguesa vivo, que de entre os que eu conheci em vida só Torga lhe levava a palma.
A primeira vez que ouvi falar em Lobo Antunes foi pela voz de uma professora de filosofia, a Dulcinea , uma gorda estupidamente "coquete" para ser professora, quanto mais professora de filosofia. Uma armante que num ano criticava as pessoas que faziam croché, apelidando-as de doentes mentais, para no ano seguinte fazer os maiores elogios a essa actividade só porque resolvera pegar numas agulhas. Ora essa Dulcínea recomendou-me o "Cú de Judas", porventura na moda à época, e Lobo Antunes ficou-me até hoje.
Já casado, eu lia as crónicas publicadas numa revista dominical do jornal "Público", um portento de escrita ali escarrapachada semanalmente e quase grátis. E depois os outros grandes livros até ao último. Dos que eu li, o que mais gostei foi o "O Manual dos Inquisidores".
Delicioso de ler é também o "Cartas de Guerra" que eu apenas espreitei à boleia da Fnac de Gaia numa manhã de inverno. Mas eu hei-de ter esse livro!
E da Dulcinea, essa gorda que deve estar velha e cheia de tendinites, eu guardo-lhe a única coisa boa que ela me disse.

E depois, para além de todas as coisas, Lobo Antunes é benfiquista, ou seja, não tem defeitos. Não padece dessa disfunção intelectual dos novos escritores portugueses que cegaram demasiado cedo.

terça-feira, 13 de março de 2007

sobrevivências

Hoje sinto uma leve dor de cabeça. Dormi o que dormi, mas não compensei o excesso de cerveja e de fumo. Passei a noite quase toda a jogar poker e estas coisas são cansativas, porque ficamos ali sentados a receber cartas e a apostar fichas desalmadamente com o cigarro enfiado na beiça e o olhar à matador. O poker ensina-nos a levar a vida com outra destreza. As habilidades postas em jogo numa relação pessoal ou profissional cabem todas num simples jogo de poker. O poker deveria ser estudado nas escolas, deveria ser um guia prático de como devemos encarar as pessoas e as suas estratégias de sobrevivência...
O poker ensina-me a sobreviver.

sábado, 10 de março de 2007

vamos morrer todos

"Calma doutor! Calma doutor! Vamos morrer todos!" Uma frase que o Yuri me atirou ontem, quando eu lhe dizia duas ou três coisas mais aceleradas, em circunstâncias próprias de um dia normal de trabalho. O Yuri é um russo que trabalha. Faz tudo para ganhar dinheiro, inclusive aturar toda a merda de patrões que se aproveitam da sua condição precária. Vai ter um passaporte, finalmente. Vai ter "papeis" para poder trabalhar com dignidade. O Yuri gosta de trabalhar e toca baixo e adora rock soviético. Sonha criar uma banda e eu alimento-lhe esse sonho. Prometo-lhe dias gloriosos neste sol ocidental. Que vai actuar no "O meu Mercedes" do Porto e no "Clinic" de Alcobaça. Diz que vou ser o "Manager" da banda, que não conhece ninguém melhor do que eu. E eu fiquei a pensar naquela expressão de descontracção, de aparente descomprometimento com os problemas que afectam um cidadão russo desterrado neste sol. Calma, doutor! Vamos morrer todos! Pois vamos.

quinta-feira, 8 de março de 2007

essa gaja

Eu não sou nada a favor dos dias especiais de qualquer coisa. Mas este dia merece-me um breve comentário. Eu percebo pouco de mulheres, não lhes conheço as manhas e só sei dizer que gosto delas. Sempre gostei. Da mãe, da tia, do borrachinho do sétimo ano, da tesuda do liceu, da professora, da empregada, da puta da estrada e da brasileira do pantera. Mas aquela de quem eu gosto mesmo é a mãe dos meu filhos. A única mulher de quem eu jamais deixarei de gostar, custe o custar, aconteça o que acontecer. Essa sim, conheço bem. É gaja do caraças. Como tantas gajas por aí que são mães a tempo inteiro, trabalham a tempo inteiro, dando ideia de que ainda podiam fazer mais qualquer coisita, como se tudo fosse uma simples história de embalar. Essa gaja, mãe dos meu filhos, é dona do meu pensamento. Quando me ponho a pensar em homenagear a mulher, uma mulher, não consigo encontrar ninguém que lhe faça frente.

quarta-feira, 7 de março de 2007

gordo outra vez

Eu ando a comer de mais. Estas viagens ao sul, atravessadas por longa estadia, fazem-me engordar, se bem que engordar é uma coisa que toda a espécie animal aceita de bom grado, menos nós, porque nós somos diferentes. Nós engordamos porque não sabemos engordar. As outras espécies fazem-no com uma sabedoria genética que impressiona. No meu caso, engordo porque não tenho tempo para emagrecer. Ando nesta azáfama de ganhar dinheiro e despisto-me por esses restaurantes oferecidos, esses casebres que me destratam e que funcionam quase sempre todos os dias e surgem em todos os lugares como cogumelos gigantes com longas chaminés e prósperas caixas registadoras.
Nos últimos dias já me sentei em belos manjares, porque saiba o leitor que na região do Oeste come-se divinalmente bem e bebe-se ainda melhor. E ainda por cima sinto-me cada vez mais apaixonado pelo Touriga Nacional. E quando um homem se apaixona pelo Touriga Nacional, e se não fizer entretanto umas caminhadas valentes ou se não comer ginásio à colherada, é certo que nele se verifica o inútil avantajar do pescoço, o imbecil embolar da barriga, o inchaço ardido das coxas e, pior ainda, fica com nádegas de gaja. Nada contra as nádegas de gaja, mas nas gajas!
Depois os queijos, os enchidos e os fumeiros tocam na mesma orquestra do Touriga e dançam-nos longas valsas de calorias ritmadas em compassos quaternários, para tornar mais longo o suplicio de engordar, e, mais ainda, ganzar-nos o pensamento de tal forma que só ao fim de três semanas e meia é que damos conta de que já quase não conseguimos ver a tringalha a partir de cima. Uma desgraça!

terça-feira, 6 de março de 2007

quinta-feira, 1 de março de 2007

da lua

Cheguei à Batalha ontem pela tardinha. A Batalha continua esplendorosa, e já se percebe nela o arrebitar da Primavera. Nos cheiros, nos pássaros, no sorriso das cachopas, a Primavera floresce fazendo acontecer muitas coisas frescas, inclusive o amor. E as paixões, os calores, e a volúpia de como quem lambe um chupa-chupa e depois fica a saborear morangos com sabor a doce que cola nos lábios brilhantes. Mas eu estava a falar da Batalha, e dos vales e montes que a protegem, das serras dentadas e da lua. Se vissem a lua da Batalha talvez não precisassem mais de ver outra lua. Lua penetrante, que nos espelha os sonhos e nos conta histórias com castelos sem heróis, que esses não percebem nada das coisas da lua. Nós sim. Eu sim, percebo. Porque um dia ela disse-me que a minha vontade de amar, de gostar desalmadamente, é que me faz vê-la tão bela. É que me faz venera-la com sorrisos aos riscos, pensamentos ariscos, como se todas as coisas do mundo fossem belos petiscos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

papiros

De Minde, aprecio o desvio da estrada que nos leva para a grande cidade a sul e, consequentemente, penetrar nas ruelas do velho burgo, quase assustado, um estranho sem dúvida, e logo numa tarde de sol com meia dúzia de pessoas calcorreando os velhos passeios. Depois, entrar naquele café esquisito, cujo nome, por esquisito, não me recordo mas que tem muito jazz nas paredes e muita cultura nas entranhas. Tem Sagres e jornais desportivos, mas nota-se a fervura em lume brando dos cozinhados tertulianos. De Minde sabe-se que fica ali para as serras, a caminho de Alcanena, ou Alcanede que não estou certo, pois sou Marujo de jangada e escrevo sempre em cima do joelho, conforme me palpitam as coisas da alma. E De Minde veio também uma "escritora wildeana", que não conheço de resto, mas a quem espreito diariamente as suas coisinhas, aqui. Paula Capaz vai lançar um livro "O Táxi que me apanhou", editado pela Papiro, uma editora que presumo tem raízes no jornal "Comércio do Porto" e que gosta de surpreender. Tal lançamento está previsto para o próximo dia 2 de Março em Lisboa pelas 21.30 horas, na livraria Bertrand do Centro Comercial Vasco da Gama. Pudesse eu la estar.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

procuro

Procuro.
Preciso de um instante mágico que me cale a dor de ser rascunho de mim mesmo.
Não me entendo! Só me vejo em leves traços e não consigo sair deles.
Quero ser obra acabada, colorida e não pesada, sentida.
Quero ser viagem terminada, tão longe me sinto nesta paragem.
Quero boleia porque perdi minha jangada. Não sei dela.
Os farrapos que me vestem assustam os passantes e nem os gatos vadios, meus amigos, me ajudam mais.
Estou dorido, cansado, mergulhado no meu desenho. Perdido...
Não sei que cor escolher, não sei que traço tomar.
Tenho de continuar.
Tenho de continuar...
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