sábado, 27 de setembro de 2003
Outono
Finalmente do Outono aparecem nuvens e um certo anoitecer que tardava em chegar, parecendo um Verão eternamente longo, a somar ao caso do helicóptero (que titulo mais giro para um caso) que associa a incendios, que associam a Verão...irra que o Estio não mais acaba, não deixando espaço para a chuva, o frio e as castanhas , meu Deus daqui a nada é Natal e a minha roupa de Inverno continua no armário (que nem aqueles gays que teimam em de lá não sairem). De modos que sendo hoje Sábado eu cá apareci a escrever algo, nada de muito substancial. Nem sequer de foro jornalistico (ai esse encontro de bloguistas a tecerem teorias universitárias sobre a blogosfera), nem de outro tipo qualquer. Apenas uma data de coisas sem nexo, mas que saem daqui de uma forma totalmente desbragada e desprovida de interesse qualquer. Enfim eu vou jantar uma sopinha e vou sentar-me ao pé dos meus amigos a torcer pela vitória do Vitória. Eles, os meus amigos, são os campeões. Por isso se o Vitória perder eu sempre posso beber uma cerveja junto de campeões, esses portistas de papo cheio que a todos ganham, seja de que jeito for.
segunda-feira, 22 de setembro de 2003
O Demo que o carregue...
Esta coisa de ser benfiquista e de ter sempre esperança e acreditar tem que acabar um dia. Estamos cansados - eu estou - de assistir sempre à mesma história: ou jogamos mal e somos cilindrados ou jogamos bem e somos roubados ou jogamos assim assim e acabamos sempre por dar, do verbo dar, isto é, definitivamente. Não me consolei ao ler os do "seteazero" porque nem tenho biblioteca nem me apeteceu sair do jogo antes do final. Limitei-me a encarar os portistas do meu café habitual e a tirar cigarros, compulsivamente, daquele maço com gordas letras pretas a pronunciar morte e desgraça e tal. Enfim, começo a semana como todas as semanas: Benfica a perder e o meu semblante de vitelo mal morto a denunciar isso tudo. Portanto tou Food_i_do.
domingo, 21 de setembro de 2003
Dia Benfica
Hoje o Benfica vai às Antas -falta cerca de hora e meia- e apetece desejar uma coisa diferente dos ultimos anos. Sim já passei pelo Nietzsche & Schopenhauer e já aquilatei do excelente optimismo deles. Aprecio muito a escrita deles (eles jamais saberão disso) e, seguindo a teoria deles, ainda não estou a perder dois a zero porque moro em Gaia -logo estou a Sul do Douro- . É óbvio que não estou nada optimista, mas espero sempre alguma surpresa. No mais, olhem: que seja "un bon match". Por mim, vou de cachecol encarnado para o café habitual, sentar-me ao pé dos portistas habituais a beber cervejola e mainada...
Altino Torres
Altino Torres
domingo, 14 de setembro de 2003
Sendo que
Domingo, calor, sossego. Nada para fazer, nada para escrever e cansado de andar a ler as sempre estafadas teorias, ora económicas ora politicas, dos mil e um bloguistas atarefados em escrever. Assumo que vou ao Abrupto não para ler o que diz Pacheco - não me interesa e não concordo nada com o que ele possa escrever- mas sim para apreciar as excelentes imagens que ele aposta naquele sitio. É um caso muito raro em que me permito apreciar tal estética, apesar de ser algo que vem de alguém de quem a ética me afasta, me apela a ignorar. De maneiras que está tudo bem, desde que não consideremos os males do dia a dia, aqueles males originados pelo trabalho, as contas a pagar e os filhos a regressarem à escola com todos os custos que isso importa. Enfim, são maleitas boas porque fazem a vida girar, mas são maleitas na mesma, ainda por cima numa época em que nunca sabemos se iremos ter o dinheiro necessário para pagar as prestações da casa. Trata-se pois de um tempo sem previsão optimista possivel. A menos que se tratem de funcionários publicos que esses recebem sempre a horas boas. Nós os que temos que produzir para receber, os que temos que facturar e cobrar bem cobradinho, andamos num desespero tal, porque enfrentar um banco credor, aturar um fornecedor ainda mais desesparado que nós é obra dura. Tentar sobreviver nesta época, nós os pequenos empresários que tudo investimos no nosso próprio posto de trabalho, que tudo fizemos para dar o tal grito de independencia, temos agora o desconforto e a nostalgia de não termos um patrão, um chefe de departamento ou coisa que o valha, que nos conforte e diga que mesmo estando tudo mal, no fim do mes, o dinheirinho vai ser depositado na continha da Caixa Geral de Depósitos. E assim tudo gira bem, tudo funciona. As contas pagam-se e o sorriso anda sempre de orelha a orelha. Mas nós os que apostaram em empreender, em criar, em produzir, nós dependemos sempre do mercado e das suas nuances. E agora o desabafo só pode ser este: esperar por uma luz, um negóciozito, ou emfrentar o colapso, a falencia e a indispensável mudança. O começar de novo, o renascer das cinzas e tentar esquecer a nossa cria, a nossa empresa que falhou porque há guerras e há bolsas e há finaças e não há nada.
Que dizeis a isto, vós que muito bem falais dos Bushs e dos Talibans? Que se vos afigura dizer em relação a este autentico colapso que se aproxima?
Altino Torres
Que dizeis a isto, vós que muito bem falais dos Bushs e dos Talibans? Que se vos afigura dizer em relação a este autentico colapso que se aproxima?
Altino Torres
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Já me esquecia
...Pois. Como eu sou um gaijo food_i_do, tenho uma proposta decente a fazer-vos. É que eu sou angariador de contratos de Voz Novis, isto é, querem poupar ao telefone? Então vá: Se tens uma empresa ou és um ENI contacta-me. Não consigo mostrar-te como podes emagrecer mas garanto-te que poupas uns trocos em chamadas telefónicas. Vá lá não telefones, escreve. TUNGA.
Altino Torres
Altino Torres
De volta em valsa lenta
Pos é pois é, finalmente estou de volta (finalmente para mim ). Isto de manutenção de blog, embora dum gaijo, tem o que se lhe diga. Não há ninguém para meter textos aqui e também não quero. Este Blog está em mudança de conceito. Deixa de ser uma coisa assim assim, passando a coisa dum gaijo. E portanto a partir de hoje o blog passa a ser ainda mais reles.
De maneiras que vou almoçar. Passem bem e escrevam (afinal 75% dos que andam a ler blogs têm um blog). Ai o caragu.
Altino Torres
De maneiras que vou almoçar. Passem bem e escrevam (afinal 75% dos que andam a ler blogs têm um blog). Ai o caragu.
Altino Torres
quinta-feira, 28 de agosto de 2003
quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Partilhar
Gostaria de partilhar com quem aqui vem o poema que mais me impressionou até hoje:
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passait
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
"Le Pont Mirabeau"
Apollinaire, Alcools (1912)
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passait
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
"Le Pont Mirabeau"
Apollinaire, Alcools (1912)
Um dia que marca
Brouas d'Avintes
Hoje joga o meu Benfica. Sim, o meu sempre adorado clube, o meu Benfica lá de Lisboa, da capital. O meu clube das noites europeias teima em aparecer. Será que hoje vamos ter esses momentos, ironia do destino, revividos na cidade do Porto? Oxalá.
De maneiras que não me apetece falar de nada mais, a não ser deste caso que marca a minha agenda. Bem sei que é, para muitos, um caso menor. Mas a paixão não olha a esses pormenores intelectuais. Gostar do Benfica é mesmo um caso serio nos dias de hoje.
Vou fumar
Hoje joga o meu Benfica. Sim, o meu sempre adorado clube, o meu Benfica lá de Lisboa, da capital. O meu clube das noites europeias teima em aparecer. Será que hoje vamos ter esses momentos, ironia do destino, revividos na cidade do Porto? Oxalá.
De maneiras que não me apetece falar de nada mais, a não ser deste caso que marca a minha agenda. Bem sei que é, para muitos, um caso menor. Mas a paixão não olha a esses pormenores intelectuais. Gostar do Benfica é mesmo um caso serio nos dias de hoje.
Vou fumar
terça-feira, 26 de agosto de 2003
Sabedoria
Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
José Régio
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
José Régio
Rapsódias intelectuais
Passo aqui uma transcrição de uma frase escrita por semelhante intelectual (coelhinhobranco). Aviso que qualquer semelhança com os mil e um "copy/paste" que aprimoram o intelecto de seus autores é pura coincidencia:
"E já que falei no Intermitente vale a pena referir este artigo que ele resumiu à uns tempos"
Ora bem. Só pa referir que essa treta de "eu até sou um grande intelectual e dou mostras disso" é como a velha história do gato escondido com o rabo de fora. Não é?
É.
Vou fumar ( e estou muito contente porque ouvi hoje mais uma noticia que me estimula, cada vez mais, a beber tinto )
"E já que falei no Intermitente vale a pena referir este artigo que ele resumiu à uns tempos"
Ora bem. Só pa referir que essa treta de "eu até sou um grande intelectual e dou mostras disso" é como a velha história do gato escondido com o rabo de fora. Não é?
É.
Vou fumar ( e estou muito contente porque ouvi hoje mais uma noticia que me estimula, cada vez mais, a beber tinto )
segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Sabedorias
...Neste fim de tarde e após ter lido muitos doutos, e outros nem tanto, apeteceu-me escrever esta citação:
Há mais de uma sabedoria, e todas são necessárias no mundo, não é mau que alternem.
Marguerite Yourcenar - " Memórias de Adriano "
Há mais de uma sabedoria, e todas são necessárias no mundo, não é mau que alternem.
Marguerite Yourcenar - " Memórias de Adriano "
Romarias
Ontem na minha terra, Carvalhos, celebrou-se a romaria em honra de S. Bartolomeu. De maneiras que recebemos a família lá em casa, onde foi servido um excelente bacalhau com natas, magnificamente preparado pela minha mulher. Na minha terra há algumas festas e romarias. A maior é a da Nossa Senhora da Saúde que teve o seu ponto alto no dia 15 de Agosto, o feriado de excelência de todos os Verões. E todos os anos estas romarias sucedem-se, onde impera a “feira” naquilo que mais empobrece essa tão antiga forma de mercar. Todo o perímetro da festa fica inundado por vendedores de roupas, quinquilharias e comes e bebes verdadeiramente inimigos da saúde humana. Ele é altifalantes apregoando o melhor preço, ele é cassetes estridentes anunciando os melhores êxitos pimba, enfim, ele é um tal regabofe que dá dor. Depois também temos o lado sacro da coisa, onde se misturam os serviços religiosos da praxe com os pagadores de promessas a oferecerem um sem número de réplicas do corpo humano à padroeira. Vem isto a propósito na medida em que eu tive o distinto prazer de visitar uma outra romaria, em honra a Nossa Senhora da Graça, mas que se realizou no primeiro fim-de-semana de Agosto em plena serra de Montemuro, numa aldeia que já aqui referi e que se chama Gralheira.
A Gralheira é uma aldeia da Beira Alta instalada lá bem no alto da serra de Montemuro, Cinfães, mas que bem podia pertencer a Castro D’Aire. Nessa aldeia há tudo um pouco daquilo que guardamos no nosso imaginário, quando se trata de pensar uma aldeia portuguesa. Também tem progresso e, nestas alturas, está cheiinha de emigrantes, sendo muito notória a presença dos filhos da terra que partiram ora para o Porto ora para Lisboa. Mas o valor daquilo é a teimosia de quem lá fica, de quem lá tem o seu bocado de terra e umas cabeças de gado, em manter o espírito da festa e os seus rituais sacros e também pagãos (porque não?). “ O Durão Barroso pode ter a certeza que não come melhor do que eu. Tomara ele comer destas batatas e destas tronchudas que não sabem o que é adubo ou coisa assim “, dizia-me o “Cinco Estrelinhas” já feliz por tudo e por me ver feliz também. Aqui a feira não existe, o barulho das cassetes piratas não ecoa nos montes e nem sequer há sinais de “carros de choque” e outros divertimentos do género. Na Gralheira ouve-se a banda filarmónica logo pela manhãzinha a passear a aldeia, vai-se à missa matinal e, de seguida, cada família “resgata” um ou dois músicos a quem se dá de comer daquilo que a mesa tem. E os gralheirenses sabem receber como poucos. O cabrito e os enchidos parecem qualquer coisa de exótico, que não existe, por tão mal representados andarem na industrializada urbe deste país. Logo terminado o repasto apetece mesmo ir até ao coreto ver a banda. E que bem se ouve essas modas e marchas que espalham perfume nos montes, alegram as caras coradas daquela gente e embebedam os visitantes, como eu, num certo estado de alma que relaxa, que amorna o espírito e estimula a alma.
Muito mais haveria para contar sobre esta gente. A alma hospitaleira deste povo e o sentido de tradição aliado aos valores da vida e da comunidade. Por mim adianto que recebi muito. E devo dizer que não há nada melhor do que tais romarias sem a mania das grandezas e sempre dotada da melhor das tradições: as pessoas.
A Gralheira é uma aldeia da Beira Alta instalada lá bem no alto da serra de Montemuro, Cinfães, mas que bem podia pertencer a Castro D’Aire. Nessa aldeia há tudo um pouco daquilo que guardamos no nosso imaginário, quando se trata de pensar uma aldeia portuguesa. Também tem progresso e, nestas alturas, está cheiinha de emigrantes, sendo muito notória a presença dos filhos da terra que partiram ora para o Porto ora para Lisboa. Mas o valor daquilo é a teimosia de quem lá fica, de quem lá tem o seu bocado de terra e umas cabeças de gado, em manter o espírito da festa e os seus rituais sacros e também pagãos (porque não?). “ O Durão Barroso pode ter a certeza que não come melhor do que eu. Tomara ele comer destas batatas e destas tronchudas que não sabem o que é adubo ou coisa assim “, dizia-me o “Cinco Estrelinhas” já feliz por tudo e por me ver feliz também. Aqui a feira não existe, o barulho das cassetes piratas não ecoa nos montes e nem sequer há sinais de “carros de choque” e outros divertimentos do género. Na Gralheira ouve-se a banda filarmónica logo pela manhãzinha a passear a aldeia, vai-se à missa matinal e, de seguida, cada família “resgata” um ou dois músicos a quem se dá de comer daquilo que a mesa tem. E os gralheirenses sabem receber como poucos. O cabrito e os enchidos parecem qualquer coisa de exótico, que não existe, por tão mal representados andarem na industrializada urbe deste país. Logo terminado o repasto apetece mesmo ir até ao coreto ver a banda. E que bem se ouve essas modas e marchas que espalham perfume nos montes, alegram as caras coradas daquela gente e embebedam os visitantes, como eu, num certo estado de alma que relaxa, que amorna o espírito e estimula a alma.
Muito mais haveria para contar sobre esta gente. A alma hospitaleira deste povo e o sentido de tradição aliado aos valores da vida e da comunidade. Por mim adianto que recebi muito. E devo dizer que não há nada melhor do que tais romarias sem a mania das grandezas e sempre dotada da melhor das tradições: as pessoas.
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