O sol voltou à minha cidade
O sol vai ficar por mais uns dias
O sol é o amigo que faltava.
O sol compreende-me
O sol vai embora um dia destes.
O sol
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
terça-feira, 9 de dezembro de 2003
PERCURSOS
Neste mar de feriados onde se gasta o tempo a fingir que temos dinheiro e que vamos abraçar mais um Natal suculento, uma coisa ficou para a história: ontem, no canal 1 e em pleno telejornal, alguém entrevistou alguém, num desses centros comerciais de Lisboa – como é boa Lisboa em tempo de centros comerciais – e esse entrevistado, uma mulher bem vestida acompanhada por uma linda menina, conseguiu, num ápice, atingir o meu ponto “éfe”. Que não, que não sentia a crise “nem sequer há crise, essa coisa é apenas psicológica” e que até vai comprar mais prendas do que tem sido habitual em anos anteriores. De maneiras que fiquei assim para o optimista, até ao segundo imediato, onde surgiram outros “vox populis”, a fazerem-me despertar penosamente daquele êxtase momentâneo. E o feriado passou e cá estamos de volta à realidade, de novo à espera dum outro Natal.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Estrada perdida
É o filme escolhido para um serão no Café Perestroika em Perosinho. Um copo, outro ainda, e um excelente exercicio proposto por David Lynch. Alguém aqui desafia-me para mais um long drink. Qualquer coisa serve, porque aqui no hay banda. O silencio ficou lá fora, a guardar o frio. Aqui, no Perestroika, é tempo de deixar passar o tempo e beber.…
moblog
Tarde cinzenta, alguma chuva. O transito infernal nesta urbe, nesta cidade do Porto onde o Douro traz prata para o mar. Parado na 109, pego o telemovel e sigo directo para o Silencio, onde encontro mais um texto, mais um sabor. Encosto o carro e escrevo, publico. Sem pc, sem monitor. Graças a Deus é sexta feira e eu aqui a blogar, algures, bem perto do mar salgado e a ouvir o Overnite Sensation ( kiss my aura...Dora...MMM) de Zappa.
elogio
Aquela mulher, defronte a um espelho, em casa "estou tão velha e acabada, sinto-me feia e preciso de um elogio". O marido, fitando-a, "estás com uma excelente visão querida".
quinta-feira, 4 de dezembro de 2003
pensamento à solta
Na Blogosfera, pisando este espaço de aprendizagem, e recauchutagem da mente, apalpo sítios onde me deixo ficar encostado como se estivesse numa varanda, virada para uma horta, cheia de coisas boas. Apetece comer letra a letra e, por vezes, guarda-las muito bem fechadas num cofre meio a sério meio a brincar. No entretanto, (como escrevia Júlio Dinis que não é nenhum desses artistas da escrita de quem tanto se fala hoje - mas foi um artista da escrita, todavia); no entretanto, dizia eu, tenho encontrado um certo travo a vaidade, por de entre certos sítios onde encosto a minha, por assim dizer, bicicleta. Encontro esse sabor, ora amargo ora adocicado, à medida do freguês, à medida da sua capacidade em demonstrar que tem um blog às direitas ou de grande carga intelectual ou até de grande simbolismo literário. E essa vaidade cria um efeito de colégio e “cloniza-se “, reproduz-se de tal ordem que muitas das vezes, nem sabemos bem onde estamos e como fomos ali parar.
Depois tem sempre, nesses sítios, aquela estafada listagem colegial do género tu lincas-me a mim e eu, que nem sei se tu és carne ou peixe, linco-te a ti. Apenas porque é bem ter-te referenciado e, como tal, alguém vai notar que eu tenho estilo e pertenço a um restrito e finíssimo grupo de gente altamente qualificada.
Apóstolos há que veneram tudo o que o mestre diz. E o mestre, acoitado de misericordiosa percepção, devolve o carinho como quem afaga um gato, ou uma iguana.
E se pudéssemos falar em redenção, ela existe através do simples e singelo despertar para outros sítios, outros blogs que nos oferecem toda a genuinidade feita em palavra, em verbo e assim permanecemos circulando neste caminho (para bicicletas, insisto) apesar de certos Scanias em busca de um “Paradise” qualquer.
Depois tem sempre, nesses sítios, aquela estafada listagem colegial do género tu lincas-me a mim e eu, que nem sei se tu és carne ou peixe, linco-te a ti. Apenas porque é bem ter-te referenciado e, como tal, alguém vai notar que eu tenho estilo e pertenço a um restrito e finíssimo grupo de gente altamente qualificada.
Apóstolos há que veneram tudo o que o mestre diz. E o mestre, acoitado de misericordiosa percepção, devolve o carinho como quem afaga um gato, ou uma iguana.
E se pudéssemos falar em redenção, ela existe através do simples e singelo despertar para outros sítios, outros blogs que nos oferecem toda a genuinidade feita em palavra, em verbo e assim permanecemos circulando neste caminho (para bicicletas, insisto) apesar de certos Scanias em busca de um “Paradise” qualquer.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2003
Dor. Foi este tema o principio de uma boa conversa nesta tarde fria. E apetece partilhar um poema do Mário, "Ultimo Soneto", porque apetece e nada mais.
"Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?... "
"Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?... "
Novos Estádios. Para quem anda por aí, aos quatro ventos, a esgrimir a beleza do novo estádio do seu clube e mesmo para aqueles que acham uma obra de arte os nossos novos estádios de futebol, vejam as propostas para o Estádio Olimpico de Pequim que irá receber os Jogos em 2008.
Os nossos já parecem ter mais de 20 anos!
Os nossos já parecem ter mais de 20 anos!
The Ocean Doesn't Want Me
The ocean doesn't want me today
But I'll be back tomorrow to play
And the strangles will take me
Down deep in their brine
The mischievous braingels
Down into the endless blue wine
I'll open my head and let out
All of my time.
I'd love to go drowning
And to stay and to stay
But the ocean doesn't want me today
I'll go in up to here
It can't possibly hurt
All they will find is my beer
And my shirt
A rip tide is raging
And the life guard is away
But the ocean doesn't want me today
The ocean doesn't want me today.
(Tom Waits)
The ocean doesn't want me today
But I'll be back tomorrow to play
And the strangles will take me
Down deep in their brine
The mischievous braingels
Down into the endless blue wine
I'll open my head and let out
All of my time.
I'd love to go drowning
And to stay and to stay
But the ocean doesn't want me today
I'll go in up to here
It can't possibly hurt
All they will find is my beer
And my shirt
A rip tide is raging
And the life guard is away
But the ocean doesn't want me today
The ocean doesn't want me today.
(Tom Waits)
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
UMA IDEIA. Pelo que leio nos jornais, este ano haverá cadeirinhas vazias ao lado daqueles cavalheiros que fazem de Pai Natal, nas ruas e nos centros comerciais de Mogiel — uma cidadezinha sensata da Nova Zelândia —, para que as crianças não se sentem nos joelhos do velhinho. Comentando este post do FJV, devo dizer que não concordo nada com estas atitudes altamente mesquinhas e parolas das autoridades políticas, estejam elas em Portugal ou numa Patagónia qualquer. O Pai Natal não deve dar colo às criancinhas? Qual é o mal? Bem sei que o FJV ironiza ao dizer "eu sempre desconfiei dele", mas na verdade eu nem sequer consigo achar piada àquilo. Sendo eu pai e tendo eu dado muito e bom colo aos meus filhos, espero um dia poder ter netos, muitos, a quem possa, um dia também, dar muito desse colinho. Espero, e anseio, não vir a assistir por cá a qualquer tipo de imitação pacóvia destas iniciativas dos antípodas (eu diria: sabe-se que a Nova Zelândia fica no outro lado do mundo mas a porcaria importa-se rapidamente). Espero que não andemos sempre a ver fantasmas onde não há e lembrem-se que o Pai Natal, não sendo uma referencia do meu imaginário Natalício (a minha é e será sempre o Menino Jesus), representa também um conjunto de valores que em nada poderá traumatizar as criancinhas que se acodem do colinho dele. No mais, quem pode ficar traumatizado são os pais devido à forte carga comercial que qualquer Pai Natal, digno desse nome, representa.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2003
Weekend Ending. Em aqui chegado, a esta tarde meia ensolarada, adivinho nada para escrever ou simplesmente calcar (sim, calca-se muito). Por isso escrevo sobre este longo e terno fim de semana onde a luz do cinema se confunde com uma boa bebida, serpenteada em fumo e aromas. Descobri Uma Louise surpreendente e refrescante. De maneiras que nem me apeteceu passar pelos textos dos "Homens Bons" da blogosfera...nem me apeteceu.
Subscrever:
Mensagens (Atom)