sábado, 31 de janeiro de 2004

Protesto

O meu firme protesto por haver "gaijos" que se aproveitam da liberdade de imprensa, do seu próprio nome e de uma coluna num grande jornal para escreverem merdas destas: «Trinta anos depois, temos saudades de Salazar».

sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Perosinho. Louve- se o esforço do Hernani. O green drink era mais vodka. Bateu, isso é que importa. A musica que se ouve é aquela batida do fashion tv, sabe bem. De maneiras que estou a postar a partir do meu Sony Ericsson P800, e este bar de periferia continua permanecendo prologo de uma longa noite de copos indecentemente estimulantes.
Chove na minha cidade. Semana passada comprei o filme, distribuído no “Publico”, de Fernando Trueba, “La belle epoque” que já tinha visto, aliás. Foi com gosto que revi aquele filme premiado com o óscar para o melhor filme estrangeiro nos anos 90. E proponho-me falar dele por via da agora muito falada questão do Iberismo, matéria sensível mas também de alguma relevância. Naquela história simples e pitoresca, passada nos anos 30 em plena guerra civil espanhola (outro tema apaixonante), pude apreciar as semelhanças com a nossa gente. Não deixei de louvar o grande nível cultural que é retratado pelo velho pai, um homem de ideias arejadas e de um modernismo sem mácula. Captei as cores (por acaso o filme foi rodado em Portugal, o que diz muito bem) e registei com deleite aquela citação da “Montanha Mágica” de Tomas Mann. Ao olhar a chuva que cai, passou-me pela ideia, ainda que por breves momentos, como seria este contemplar nostálgico da minha terra se acaso tivesse o nome Ibéria.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Naquela manhã de domingo fazia sol. Já se adivinhava o calor do Verão que não tardava. O parque estava repleto de gente. Gente de trabalho a aproveitar aquele tempo de lazer, de descanso. Eu tinha acabado de comprar uma bola de basquete e preparava-me para a estrear naquelas tabelas novas, mandadas colocar pelo autarca mais paradoxalmente elitista que conheço, o presidente da câmara de Vila Nova de Gaia. Sim senhor, o Senhor Da Pedra de Miramar, dantes um campo sujo de terra batida, antro de cães e barracas de venda livre, estava agora muito asseado e arranjado. Uma coisa que deu brado. Por de entre umas batidas de bola, o meu olhar debateu-se com uma pequena mole de gente, bem vestida, que atravessava o parque. Eram eles, os políticos em campanha. E lá estava o Pacheco. O homem não conseguia disfarçar aquela cara de frete, a olhar a gentalha de fato de treino coçado e os putos de ranholas nas ventas. Mas o homem soube estar à altura. Soube enfrentar a multidão que o olhava com olhar de letras grandes a dizerem : sulista, elitista. Eu fitei-o e disse para comigo: eis um homem de coragem. Nunca o tinha visto mais gordo, apenas o conhecia da televisão e daquele programa da rádio. Alguns artigos de jornal e o livro sobre Cunhal, (o velho Cunhal que eu sempre admirei – um ídolo da minha juventude, enfim ) não eram matéria bastante para que eu pudesse adquirir conhecimento autorizado da pessoa. E na verdade sempre foi um inimigo ideológico, digamos assim. Certo é que eu, que não sou nem jornalista, nem político, nem filiado em partido, tinha aprendido a respeitar aquele “character”. Depois veio o contacto com a blogosfera, os seus textos arrepiadamente facciosos sobre tudo o que havia de rotulável. Depois vieram aquelas ideias subtis sobre a guerra, mais as suas teorias sobre o bem e o mal. Depois aqueles textos sobre atentados, sobre a vida e os seus valores e a necessidade de encontrar os, há muito, identificados culpados e partir para a limpeza do alegado mal que afronta a liberdade e as garantias dos povos, das nações. Tudo treta, dizia eu, tudo da mesma cartilha. E por estes dias veio a mais reles das doenças que acontecem a gente desta: a síndroma do partenon. E de modos que me lembrei que um dia, há não muito tempo, cheguei a nutrir uma certa admiração por este tipo que se atreveu a dizer que o meu luto por um futebolista do meu clube que morreu em campo de forma fulminante, não foi mais do que uma masturbação da dor.






quarta-feira, 28 de janeiro de 2004

Que se passa?

Fui visitar o Mostrengos por sugestão de um ou outro blog. E não percebo certas coisas que aqui são ditas: comparar as imagens da tragédia do malogrado Fehér - e graças à SportTv não tivemos o horror em "formato TVI" – com as imagens dilaceradas de fetos abortados” faz-me grande confusão. Questiono-me: que se passa? Não quero fazer juízos de valor, até porque não conheço a pessoa em questão (pode bem ser um medico que trate essas coisas ou até mesmo um repórter fotográfico do Readers Digest), apenas dizer que uma coisa é bem diferente da outra. A primeira é fruto de um acto isolado, captado durante um espectáculo desportivo, logo objecto de notícia, de reportagem (discutível na forma como é levada ao publico, claro). Já a putativa imagem dilacerada de um feto é coisa própria de quem, sabe-se lá por quê e em que condições, tem de abortar, tem de fazer essa opção individual ou, quando muito, imposta por razões de saúde. Por isso mantenho a questão. Quem quiser que me responda

tu

Não foste capaz. Preferes falar da neve, onde quer que estejas – citas Camus por causa da neve. És um ser superior, por isso não foste capaz. Isso não te disse nada de nada. Não vês futebol, bem sei. Não sabes quem é, de quem se trata e nem queres saber. O teu desprezo brutal por coisas destas coloca-te de costas viradas para a plebe, para os básicos, para o que se comovem, os que não falam grego, os que dizem palavrões, os que nem escrever sabem, os que não viajam, os que nunca viram neve e muito menos a sobrevoaram. Tu não foste capaz. Tu estás acima de tudo, em Marte talvez. Tu nunca te deixarias ceder à condição perene dos simples. Tu jamais poderias gastar um único gesto com coisas destas. Tu és diferente, absoluto, magnânime. Tu bradas o que queres, tu mostras o erudito que há em ti. Tu permaneces olhando as águas do lago e contemplando-te belo, inteligentíssimo, jamais te acharás noutra condição. Tu sobes, voas, emanas cultura, sapiência. Tu és um orgasmo inutilmente indolor.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

Magiar

Braga, 2002. O Moreirense tinha acabado de virar o resultado negativo, eu estava lá, naquele estádio com o meu filho a ver o Benfica. Tu, Miki, saltaste num ápice e, com um movimento subtil, anichaste a bola na baliza do adversário. Era o 3-2 final. Havias de ver a cara do Alexandre, aquela expressão de glória num rosto pequenito e ainda aflito pelo esforço de quem tudo espera de tipos como tu, Miki.

Porto, 2003. Estádio do Bessa num jogo para a taça UEFA. Eu estava lá e tu alinhaste de início. Digo-te MIki, não dê mais um passo se isto não é verdade, tu foste o melhor dos vermelhos. Aquele golo, ali mesmo ao pé de mim, foi um gosto que preservo, que vivi e viverei.

Ao ver-te no campo ninguém poderia achar que eras ainda um puto de 24 anos. Ao ver-te nas coisas da vida, na tua luta, nas tuas convicções, na forma inédita e arrojada com que levaste avante as tuas convicções, ninguém poderia imaginar que estavas na flor da idade. Por isso Miki, este benfiquista do Porto, ferrenho e orgulhoso mouro, te manda um abraço terno, duradouro, esperando que os que hão de vir saibam aprender com o teu indelével percurso no depauperado futebol português.

Na sexta feira, 23, os meus queridos amigos colocaram este post. Não consigo deixar de pensar nisso.

domingo, 25 de janeiro de 2004

"Nenhuma destas coisas é verdade, a não ser excepcionalmente". Esta frase, conforme se pode ver, foi retirada de um post de JPP sobre este artigo. Impressiona-me a celeridade com que gente como esta se apressa a desmentir artigos destes. Principalmente através de um post metido entre um apreciável, porque util e relevante, estudo sobre Camus. O que vai na mente desta gente que os leva a resvalarem assim tanto? Ainda por cima tratando-se de gente com evidentes responsabilidades públicas. Ainda por cima quando se reconhece, no próprio post, que houve pelo menos um ou outro caso e, ainda assim, se desmente tão despudoradamente.



sábado, 24 de janeiro de 2004

Intrigante. Li no Expresso um apelo de José Manuel de Mello: “juntemo-nos a Espanha”. E li também o “choque violento” de A. J. Saraiva (neste caso sou forçado a concordar com o Barnabé - só ele próprio deve acreditar nas suas teorias): “hesitamos sobre se valerá a pena o país continuar a existir”. Falta a pergunta: E os Espanhóis aceitam-nos?.

Ingenuidade.No mesmo jornal João Pereira Coutinho fala de uma ou duas teses sobre sexualidade. Não querendo colocar em causa os doutos autores, JPC resvalou para a estafada batida na mulher, pobre submissa. Alguém acredita que o homem seja, nos dias de hoje, o grande predador doutros tempos? Eu não.

Ary dos Santos. A minha formação/geração/condição/ impede-me de comentar o que escreveu o mesmo JPC sobre aquele escritor. Se atendermos ao facto de nos E. U. haver cursos universitários sobre Dylan (se calhar porque ele não viveu a grande depressão mas serviu-se desses traços históricos para assentar a sua obra escrita, ao contrário do Ary, coitado, que viveu a revolução e infelizmente, quase não a ultrapassou) e se atendermos ao facto indesmentivel que em Portugal os manuais escolares apresentam textos sobre o regulamento do Big Brother, então eu tenho que concordar com todos aqueles que colocam duvidas sobre a qualidade da obra escrita deste autor português.

Contradição. Jô Soares anda por cá e vai ao CCB apresentar o seu espectáculo. O patrocinador é a Compal. Alguém se esqueceu da Compal Light.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Llorando

Este tema de Rebekah Del Rio é qualquer coisa de fenomenal. Certamente já saborearam aquele momento no Molholland Drive de Lynch. Será possível esquecer aquela cena esplendorosamente surpreendente e envolta em paz?, incomodativa? Esta voz que espero possam escutar ao ler isto, transporta-me para longe daqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2004

Imagens

A questão que o Terras do Nunca levanta sobre as imagens nos blogs é, quanto a mim, muito interessante. Devo dizer que concordo na generalidade com o que ele escreve. Contudo também é verdade que há blogs que valem pelas imagens. Elas por vezes conseguem dizer mais que mil palavras (desculpem esta expressão tão datada). Estou a imaginar, por exemplo, o que seria do Abrupto sem aquelas belíssimas imagens que ele lá coloca, graças à sua capacidade e bom gosto, aliados a uma sede de pedantismo inigualável por estes lados. Já o Barnabé utiliza as imagens de forma perfeitamente narcisista, o que diz bem com os seus autores (ainda não percebi bem se é legal aquela exposição publica de imagens consagradas mas violentamente carimbadas com tal chancela, a armar em vendedores de uma sementeira qualquer, tipo “ Alípio Dias”). Do Silencio capto com muito gosto as fotos que acompanham os excelentes excertos literários lá colocados. Fiquei um tanto desiludido com a derivação para a imagem do Aviz – acho, aliás, que esse blog perdeu muito em conteúdo em favor de uma certa estética do tipo “piling”. Ao Fumaças deu-lhe, certamente por falta de assunto, para postar fotos do Zoo de Lisboa, o que até nem é mau, comparando com aqueles estafados” copy pasts” dos catálogos de charutos que inundam a web.

Em género de conclusão, eu não utilizo imagens porque também defendo que o verbo é mais importante, mas também porque não estou disposto a pagar e não me apetece colocar imagens on-line. Dá muito trabalho e não merece a pena. Digamos que prefiro essas agradáveis surpresas que vou encontrando nos blogs que regularmente visito.

P.S. A foto que mais me impressionou na blogosfera foi a daquela mulher no colo de um pianista.

terça-feira, 20 de janeiro de 2004

Ó Frederico, o Eusébio já arrumou as botas, o Mozer anda a comentar na Sport TV, esse "telepasquim", o Viegas já nem fala de futebol, tal a capacidade ganhadora do seu "puarto" ( deve ter passado o seu já de si parco tempo livre a votar no site da Uefa) e tu andas a falar em arrumar as botas? Tu nem sonhes!!! Nem sonhes.

Late Morning Post

“Olhameste”!! Não tem nada que escrever, detesta andar a cronicar os tablóides e os pasquins e, vai daí, há que inventar qualquer coisa para dar de comer ao food-i-do.
Raio de blog este que não consegue trazer um assunto raro, brilhante ou polémico até. Que fazer? A esta hora da manhã já todo o mundo se desembaraçou do trânsito e os "peões do Mexia" (ver Grande Reportagem) ainda procuram uma confeitaria qualquer (no Porto diz-se confeitaria), a ver se tomam um pingo ou um cimbalino apressado.

De modos que já tenho os dedos esquerdos a tresandar “bentil” (não consigo deixar de fumar, raio de fraqueza) e já dei uma voltinha pelos blogs que visito e nada de maior, tirando os temas correntes, do aborto ao futebol, passando pelos “românticos” e pelos aspirantes a jornalistas. Este post já vem tarde, é claro, e manda a minha natureza antes quebrar que torcer. Achei por isso conveniente desempenhar o papel do “ lone blogboy”, uma espécie de vaqueiro sem rezes, mas mui caprichosamente equipado com chapéu de abas largas e um laço catita ao pescoço.

Solitário e cavaleiro, não encontro moinho decente nem tenho espada afiada. Estou mole, sem atalho ou tertúlia e prostro-me perante o monitor à espera do por do sol, a ver se melhores tons me inspiram ou folhas caídas me despertam para outro espaço. Um espaço onde eu exista e possa penetrar num espelho mágico qualquer, em busca de incógnitas maravilhas.



Web Analytics