quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004

A História repete-se

Mario Soares ontem na Sic Notícias (e cito de cor): Filipe ll de Espanha afirmara , à época, ser o legítimo Rei de Portugal por 3 razões distintas: porque era o herdeiro legitimo de D. Sebastião; porque tinha de facto conquistado o território português; porque o tinha comprado aos Nobres de Portugal. Nos dias de hoje "a tropa Nobre" não se poupa a esforços para efectuar um negociozito.




terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

E também há gente capaz de escrever coisas destas. Que graça pah. Estou farto de me rir.

"Eles nunca leram Ary dos Santos. Apenas conhecem o seu número de militante do PCP."

Há gente que se indigna, atenta, sem receio de dizer aquilo que é. Fico contente.



SLB

Abrir o jornal "a bola" e ver aquela foto da bancada com o nome do Fehér desenhado , em perfeita combinação das cores branca e vermelho ( sim, agora já não é necessário escrever "encarnado"), fez com que eu acreditasse cada vez mais em coisas simples como "lembrar".


O Ópio dele

O abrupto acha que os casos de violência ocorridos neste fim-de-semana foram apenas consequência (que ele já tinha previsto, alias) do “ambiente de histeria colectiva incentivado pelo tratamento televisivo da morte do jogador húngaro”. E confessa-se perplexo pela forma como foi tratado um jogo de futebol (Sporting - Porto), que deveria ser uma coisa eivada da maior paz e amizade entre os povos.

Já se sabia que o JPP anda nas nuvens a escrever sobre coisas interessantíssimas - o abrupto prova-o claramente. O que se fica a saber é que a pequenina fatia de histeria colectiva que o atingiu também, foi capaz de o fazer escrever um ou dois “posts” mais condizentes com o que se passa cá entre os terrenos. E porque certamente ele ignora as centenas de famílias confrontadas com a histeria colectiva dos patrões e das multinacionais em despedir sem apelo nem agravo, e porque ele ignora o sentido de descrença do povo em relação ao que há de vir, e porque ele ignora que o povo não está carecido de “ formas antigas de sensibilidade” mas sim de medidas justas e sérias, foi no futebol, esse sub mundo de bárbaros e insensíveis, que ele encontrou a resposta para a mais evidente e trivial histeria colectiva: o desespero por um país constantemente adiado.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

Fevereiro

Fevereiro, o mês dos gatos como dizia a minha avó. O mês que me viu nascer surge envolto em polémicas e revoltadamente frio. O mês que me viu nascer mostra-me, uma vez mais, que nada nem ninguém pode contrariar o vento que passa, o sol que escassa e os dias que crescem devagar. Neste tempo de Inverno não temos motivos para fazer votos de qualquer espécie. É um tempo sem tréguas, sem acalmia. É um tempo de combate.

sábado, 31 de janeiro de 2004

Protesto

O meu firme protesto por haver "gaijos" que se aproveitam da liberdade de imprensa, do seu próprio nome e de uma coluna num grande jornal para escreverem merdas destas: «Trinta anos depois, temos saudades de Salazar».

sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Perosinho. Louve- se o esforço do Hernani. O green drink era mais vodka. Bateu, isso é que importa. A musica que se ouve é aquela batida do fashion tv, sabe bem. De maneiras que estou a postar a partir do meu Sony Ericsson P800, e este bar de periferia continua permanecendo prologo de uma longa noite de copos indecentemente estimulantes.
Chove na minha cidade. Semana passada comprei o filme, distribuído no “Publico”, de Fernando Trueba, “La belle epoque” que já tinha visto, aliás. Foi com gosto que revi aquele filme premiado com o óscar para o melhor filme estrangeiro nos anos 90. E proponho-me falar dele por via da agora muito falada questão do Iberismo, matéria sensível mas também de alguma relevância. Naquela história simples e pitoresca, passada nos anos 30 em plena guerra civil espanhola (outro tema apaixonante), pude apreciar as semelhanças com a nossa gente. Não deixei de louvar o grande nível cultural que é retratado pelo velho pai, um homem de ideias arejadas e de um modernismo sem mácula. Captei as cores (por acaso o filme foi rodado em Portugal, o que diz muito bem) e registei com deleite aquela citação da “Montanha Mágica” de Tomas Mann. Ao olhar a chuva que cai, passou-me pela ideia, ainda que por breves momentos, como seria este contemplar nostálgico da minha terra se acaso tivesse o nome Ibéria.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Naquela manhã de domingo fazia sol. Já se adivinhava o calor do Verão que não tardava. O parque estava repleto de gente. Gente de trabalho a aproveitar aquele tempo de lazer, de descanso. Eu tinha acabado de comprar uma bola de basquete e preparava-me para a estrear naquelas tabelas novas, mandadas colocar pelo autarca mais paradoxalmente elitista que conheço, o presidente da câmara de Vila Nova de Gaia. Sim senhor, o Senhor Da Pedra de Miramar, dantes um campo sujo de terra batida, antro de cães e barracas de venda livre, estava agora muito asseado e arranjado. Uma coisa que deu brado. Por de entre umas batidas de bola, o meu olhar debateu-se com uma pequena mole de gente, bem vestida, que atravessava o parque. Eram eles, os políticos em campanha. E lá estava o Pacheco. O homem não conseguia disfarçar aquela cara de frete, a olhar a gentalha de fato de treino coçado e os putos de ranholas nas ventas. Mas o homem soube estar à altura. Soube enfrentar a multidão que o olhava com olhar de letras grandes a dizerem : sulista, elitista. Eu fitei-o e disse para comigo: eis um homem de coragem. Nunca o tinha visto mais gordo, apenas o conhecia da televisão e daquele programa da rádio. Alguns artigos de jornal e o livro sobre Cunhal, (o velho Cunhal que eu sempre admirei – um ídolo da minha juventude, enfim ) não eram matéria bastante para que eu pudesse adquirir conhecimento autorizado da pessoa. E na verdade sempre foi um inimigo ideológico, digamos assim. Certo é que eu, que não sou nem jornalista, nem político, nem filiado em partido, tinha aprendido a respeitar aquele “character”. Depois veio o contacto com a blogosfera, os seus textos arrepiadamente facciosos sobre tudo o que havia de rotulável. Depois vieram aquelas ideias subtis sobre a guerra, mais as suas teorias sobre o bem e o mal. Depois aqueles textos sobre atentados, sobre a vida e os seus valores e a necessidade de encontrar os, há muito, identificados culpados e partir para a limpeza do alegado mal que afronta a liberdade e as garantias dos povos, das nações. Tudo treta, dizia eu, tudo da mesma cartilha. E por estes dias veio a mais reles das doenças que acontecem a gente desta: a síndroma do partenon. E de modos que me lembrei que um dia, há não muito tempo, cheguei a nutrir uma certa admiração por este tipo que se atreveu a dizer que o meu luto por um futebolista do meu clube que morreu em campo de forma fulminante, não foi mais do que uma masturbação da dor.






quarta-feira, 28 de janeiro de 2004

Que se passa?

Fui visitar o Mostrengos por sugestão de um ou outro blog. E não percebo certas coisas que aqui são ditas: comparar as imagens da tragédia do malogrado Fehér - e graças à SportTv não tivemos o horror em "formato TVI" – com as imagens dilaceradas de fetos abortados” faz-me grande confusão. Questiono-me: que se passa? Não quero fazer juízos de valor, até porque não conheço a pessoa em questão (pode bem ser um medico que trate essas coisas ou até mesmo um repórter fotográfico do Readers Digest), apenas dizer que uma coisa é bem diferente da outra. A primeira é fruto de um acto isolado, captado durante um espectáculo desportivo, logo objecto de notícia, de reportagem (discutível na forma como é levada ao publico, claro). Já a putativa imagem dilacerada de um feto é coisa própria de quem, sabe-se lá por quê e em que condições, tem de abortar, tem de fazer essa opção individual ou, quando muito, imposta por razões de saúde. Por isso mantenho a questão. Quem quiser que me responda

tu

Não foste capaz. Preferes falar da neve, onde quer que estejas – citas Camus por causa da neve. És um ser superior, por isso não foste capaz. Isso não te disse nada de nada. Não vês futebol, bem sei. Não sabes quem é, de quem se trata e nem queres saber. O teu desprezo brutal por coisas destas coloca-te de costas viradas para a plebe, para os básicos, para o que se comovem, os que não falam grego, os que dizem palavrões, os que nem escrever sabem, os que não viajam, os que nunca viram neve e muito menos a sobrevoaram. Tu não foste capaz. Tu estás acima de tudo, em Marte talvez. Tu nunca te deixarias ceder à condição perene dos simples. Tu jamais poderias gastar um único gesto com coisas destas. Tu és diferente, absoluto, magnânime. Tu bradas o que queres, tu mostras o erudito que há em ti. Tu permaneces olhando as águas do lago e contemplando-te belo, inteligentíssimo, jamais te acharás noutra condição. Tu sobes, voas, emanas cultura, sapiência. Tu és um orgasmo inutilmente indolor.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

Magiar

Braga, 2002. O Moreirense tinha acabado de virar o resultado negativo, eu estava lá, naquele estádio com o meu filho a ver o Benfica. Tu, Miki, saltaste num ápice e, com um movimento subtil, anichaste a bola na baliza do adversário. Era o 3-2 final. Havias de ver a cara do Alexandre, aquela expressão de glória num rosto pequenito e ainda aflito pelo esforço de quem tudo espera de tipos como tu, Miki.

Porto, 2003. Estádio do Bessa num jogo para a taça UEFA. Eu estava lá e tu alinhaste de início. Digo-te MIki, não dê mais um passo se isto não é verdade, tu foste o melhor dos vermelhos. Aquele golo, ali mesmo ao pé de mim, foi um gosto que preservo, que vivi e viverei.

Ao ver-te no campo ninguém poderia achar que eras ainda um puto de 24 anos. Ao ver-te nas coisas da vida, na tua luta, nas tuas convicções, na forma inédita e arrojada com que levaste avante as tuas convicções, ninguém poderia imaginar que estavas na flor da idade. Por isso Miki, este benfiquista do Porto, ferrenho e orgulhoso mouro, te manda um abraço terno, duradouro, esperando que os que hão de vir saibam aprender com o teu indelével percurso no depauperado futebol português.

Na sexta feira, 23, os meus queridos amigos colocaram este post. Não consigo deixar de pensar nisso.
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