sexta-feira, 9 de abril de 2004

Boa Páscoa

Dizem as notícias que o Algarve encheu de gente, nesta quadra festiva. Sinal de retoma ou um gesto de optimismo? E digo eu que a blogosfera esvaziou, entrou em férias também. Uma boa Páscoa a todos.

quinta-feira, 8 de abril de 2004

Think About You

Conhece esta senhora? Então oiça.

Páscoa ll

O Entrudo mal tinha passado e aquela gaveta velha, por baixo de uma outra que guarda os talheres desirmanados, já estava cheia de cascas de cebola muito castanhas.
- Quanto mais secas mais cor dão aos ovos, dizia a minha avó com toda a ciência que é coisa de avós. Os ovos cozidos eram a preciosidade gastronómica lá de casa, muito bem pintados por caulinas cascas de cebola, muito bem acondicionados na melhor travessa de loiça de Viana, cuidadosamente desembrulhada do traje que vestia desde a última consoada.
Naqueles domingos de Páscoa raramente chovia. O sol parecia sempre mais brilhante e o cheiro a erva-doce, aquele cheiro da erva que era colocada no chão, qual “tapete”, para receber o compasso deixava-me embriagado de contentamento e realização. O dia começava com a visita do meu padrinho. Aquele homem de ar imponente, com o meu nome inteirinho – Altino Torres Ferreira – aparecia lá em casa sempre impecavelmente vestido, mesmo no tempo em que vinha na sua “Sachs V5” de cinco velocidades, a rainha das motorizadas.
- A sua “bença” padrinho. Era a minha senha de acesso. Era o meu passaporte, “username” e “password” que me habilitavam logo a um pacote de amêndoas, grandes e coloridas, e a uma nota de cinquenta escudos. Aquela nota amarelada, e quase sempre novinha, estaria guardada há muito, pensava eu, com destino ao afilhado, ao menino russo e de cara sardenta.
Nota no bolso e meia dúzia de amêndoas na boca, era altura de receber o compasso. Aquela procissão impressionava. Havia sempre gente ilustre a comandar o ritual. Gente que eu via sempre de roupa velha e que entrava agora, na casa da avó, com as melhores roupas, de gravata a combinar e sapatos gastos mas impecavelmente brilhantes. O ritual de beijar o Cristo na cruz fascinava-me. Ajoelhava-me e, cheio de fé, dava um beijo numa cruz muito cromada onde jazia um Cristo de aspecto mágico e expressão melancólica. Depois recebia um santinho que guardava dentro dum livro qualquer.
Sabia eu que nesse dia de festa ia haver regueifa e um assado mais generoso. E os ovos claro.
Fartura para os mais velhos, já que eu andava com o sabor inquinado pelas amêndoas de tal maneira que só tinha boca para uma canja e pouco mais.
Pela tarde a Páscoa ia embora. Era tempo de mudar de roupa e correr para a “bouça do Marques”, e jogar aos índios e “cabóis”. Não que a Páscoa acabasse ali para mim, era apenas uma pausa. A Páscoa propriamente dita recomeçava na segunda-feira, dia maior na minha terra. Dia de ir à feira do Castelo.


quarta-feira, 7 de abril de 2004

Agradecer

Agradecer ao Cravo e Canela, a periapsis e a O Blog do Alex pelo Link.

Dedicatória pascal

Eles andam por essa Europa fora. Dedico este poema/canção ao Fernando e ao Hernani.


Big Joe and Phantom 309

(Written by Tommy Faile song by Tom Waits)


well you see I happened to be back on the east coast
a few years back tryin' to make me a buck
like everybody else, well you know
times get hard and well I got down on my luck
and I got tired of just roamin' and bummin'
around, so I started thumbin' my way
back to my old hometown
you know I made quite a few miles
in the first couple of days, and I
figured I'd be home in a week if my
luck held out this way
but you know it was the third night
I got stranded, it was out at a cold lonely
crossroads, and as the rain came
pouring down, I was hungry, tired
freezin', caught myself a chill, but
it was just about that time that
the lights of an old semi topped the hill
you should of seen me smile when I
heard them air brakes come on, and
I climbed up in that cab where I
knew it'd be warm at the wheel
well at the wheel sat a big man
I'd have to say he must of weighed 210
the way he stuck out a big hand and
said with a grin "Big Joe's the name
and this here rig's called Phantom 309"
well I asked him why he called his
rig such a name, but he just turned to me
and said "Why son don't you know this here
rig'll be puttin' 'em all to shame, why
there ain't a driver on this
or any other line for that matter
that's seen nothin' but the taillights of Big Joe
and Phantom 309"
So we rode and talked the better part of the night
and I told my stories and Joe told his and
I smoked up all his Viceroys as we rolled along
he pushed her ahead with 10 forward gears
man that dashboard was lit like the old
Madam La Rue pinball, a serious semi truck
until almost mysteriously, well it was the
lights of a truck stop that rolled into sight
Joe turned to me and said "I'm sorry son
but I'm afraid this is just as far as you go
You see I kinda gotta be makin' a turn
just up the road a piece," but I'll be
damned if he didn't throw me a dime as he
threw her in low and said "Go on in there
son, and get yourself a hot cup of coffee
on Big Joe"
and when Joe and his rig pulled off into
the night, man in nothing flat they was
clean outa sight
so I walked into the old stop and
ordered me up a cup of mud sayin'
"Big Joe's settin' this dude up" but
it got so deathly quiet in that
place, you could of heard a pin drop
as the waiter's face turned kinda
pale, I said "What's the matter did
I say somethin' wrong?" I kinda
said with 8a half way grin. He said
"No son, you see It'll happen every
now and then. You see every driver in
here knows Big Joe, but let me
tell you what happened just 10 years
ago, yea it was 10 years ago
out there at that cold lonely crossroads
where you flagged Joe down, and
there was a whole bus load of kids
and they were just comin' from school
and they were right in the middle when
Joe topped the hill, and could
have been slaughtered except
Joe turned his wheels, and
he jacknifed, and went
into a skid, and folks around here
say he gave his life to save that bunch
of kids, and out there at that cold
lonely crossroads, well they say it
was the end of the line for
Big Joe and Phantom 309, but it's
funny you know, cause every now and then
yea every now and then, when the
moon's holdin' water, they say old Joe
will stop and give you a ride, and
just like you, some hitchhiker will be
comin' by"
"So here son," he said to me, "get
yourself another cup of coffee, it's on the
house, you see I want you to hang on
to that dime, yea you hang on to that
dime as a kind of souvenir, a
souvenir of Big Joe and Phantom 309"

terça-feira, 6 de abril de 2004

Páscoa

Os meus filhos entraram esta semana em férias escolares. É o prenuncio da Páscoa. Ela aí vem com seus cheiros a flores e erva doce. A Páscoa é um dos acontecimentos que mais memórias me traz. (continua)

segunda-feira, 5 de abril de 2004

Abril Sempre

Esta imagem testemunha o momento em que foi apeada a foto oficial de Salazar, na sede da policia politica, no dia 25 de Abril de 1974. Volvidos 30 anos ainda há muito boa gente à espera de apear a revolução de Abril.

domingo, 4 de abril de 2004

Casório

Da revista “Grande Reportagem” que sai ao sábado com o JN nada de relevante nos surge, tirando um ou outro assunto, acidentalmente interessante, e uma ou outra descoberta de cerveja, à mistura com os estafados artigos sobre charutos e gastronomia que um certo escritor insiste em manter. E deve manter porque lhe pagam, ponto. De maneiras que a figura de cartaz é o Pedro Mexia que nos vai falando profilacticamente das coisas simples da vida. E desta vez atirou-se de unhas e dentes ao casamento. O homem, famoso e de sucesso, não casa. Ele tenta explicar o fracasso mas certo é que o rapazito não arranja maneira de sossegar as tias com o bendito casamento. Fico a torcer que ele arranje uma companheira e se arrume por forma a poder escrever algo sobre uma coisa que finalmente viva, experimente.

sexta-feira, 2 de abril de 2004

Empatia com Pinto da Costa

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Pode abastecer

Estou como o Terras do Nunca, hoje não me apetece blogar. Imaginem uma viagem, num subúrbio qualquer, à procura de um posto de abastecimento de combustível, parar, olhar o preço da gasolina, apontar numa sebenta, e iniciar a marcha até que o testemunho do depósito lhe diga aquilo que não quer ver. Depois é só desejar estar próximo de um “Leclerc” qualquer ou de um “Carrefour” e … “Pode abastecer".

quinta-feira, 1 de abril de 2004

Abril, Abril, Abril

Entrámos no mês mais carismático da história recente da nação. Lembro-me bem de Abril de 74. Era costume dos mais velhos constituírem equipas de futebol, sempre cognominadas de “Benficas” e “Portos” mas com o aparecimento dos novos partidos políticos passámos a ter os “Pê-ésses” contra os “Pê-pê-dês”. Eu adorava desenhar o símbolo do PPD, aquela seta colorida e arrebitada fascinava os meus lápis de cor, por isso o meu lugar era na claque dos “Pê-pê-dês”.
As “manifs” eram o pão-nosso de cada dia e os comícios fascinavam-me, tão intensos eram os testemunhos dos mais velhos, dos que podiam ir ao Porto, à praça, participar na festa, na campanha, na nova rotina semanal. Depois foi o despertar para um mundo novo, a “coca-cola”, as sapatilhas “Sanjo” e a inauguração do Centro Comercial Brasília (creio que foi o primeiro em Portugal) e as escadas rolantes. Que fascínio. Eu, puto dum caraças, crescia na liberdade, andava à “guna” nos autocarros e apanhava boleias nas “quatro éles” e nos “bocas de sapo” que me levavam e traziam dos Carvalhos ao Porto, à cidade livre e apelativa.
Um certo dia o meu pároco deu-me boleia, e a mais uns tantos miúdos, para Arcozelo (ía apanhar grilos num campo muito bom onde hoje mora a igreja nova da “Santa Maria Adelaide”. Ele era um “Á-dê” fervoroso e perguntara-nos de chofre:
- Há aqui “comunistas”?
Eu, de pronto, disse logo que sim. Entornou-se o caldo.
– No meu carro não entram gaijos desses, andor.

Agradecer

Agradecer ao NotinRio, ao 5 minutos, à Pensativa, ao Viva Espanha, ao Perestroika e ao O Café pelo link.
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