domingo, 19 de setembro de 2004

de espacio

Domingo. Não se sabe bem se o espanhol vai receber uma carta, informando-o do seu despedimento compulsivo, ao abrigo da lei do “período de experiência”.
E também não se sabe muito bem em que época vivemos, tal a fartura de “conversas em família” que os governantes nos atiram, à noitinha, através das nossas queridas televisões.

Oiço Tom cantar “…i must be insane” e concordo com ele. Não fossem as notas do saxofone sossegarem-me, por certo já andava de colete de forças. Vagueio por aqui e reencontro uma nota de piano, ao ritmo quaternário, “ de espacio”, e proponho-me brindar ao sol que vejo da minha janela. Bom dia.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

visto dali...

Descia a “General Torres”, vidro bem aberto, a saborear a brisa que subia a escarpa. Lá bem ao fundo o casario encavalitado sobre o Douro e salpicado por pequenos quadradinhos brilhantes, tomava conta de todas as minhas emoções. Cor, muita cor. Amarelos ocres, brancos e ligeiros tons de pastel. O Porto, meus senhores, visto dali é único. Não há vista no mundo inteiro mais deslumbrante e viva. Não há. O Porto, meus senhores.

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

apdeites

Recebi um e-mail do João Pedro Graça, que agradeço, reclamando justiça contra o plágio do excelente Apdeites e de tudo aquilo que eles têm desenvolvido sem fins lucrativos, penso eu.

Caro João Pereira, a solução é simples: denuncie os plagiadores, escreva o nome deles e deite fora o eufemismo "concorrencia". Faça-se uma campanha contra essa corja, um boicote. Crie, caro João, um banner qualquer contra essa gente que eu coloco-o aqui no meu blog.

sábado, 11 de setembro de 2004

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

valencia, terça-feira

Subitamente uma mole de agua debateu-se sobre o porto, diluviana. As ninfas olhavam, surpresas, a gente que procurava um abrigo. Eu tirei a camisola manchada de uma mistura de po de ferro com agua e corri. As botas pesadas, nao me detiveram. A agua que caia era forte e quente, de modos que senti um gosto terno. Parei junto ao carro, entrei e liguei a "chofagem" no maximo. O radio tocava uma balada espanhola. Olhei as ninfas e sorri-lhes. Elas nao repararam, sobranceiras: "Hay que ser duro"

domingo, 5 de setembro de 2004


Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazon
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Pa una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la deje
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazon
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley

Mano Negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazon
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Clandestino, Manu Chao

sábado, 4 de setembro de 2004

Acordei cedo e depressa sosseguei. Estava em casa. Por estas bandas o sol é mais brando e muito mais agradável. É o nosso sol, enfim. De modos que dei algumas voltas pelos sítios do costume, revi as caras do costume e facilmente percebi como é bom o reencontro com os nossos cantos e as nossas coisinhas. Segunda-feira voltarei a Valência e enfrentarei, com denodo, aquelas duas ninfas do mediterrâneo, aquelas torres de betão que me inspiram coisas homéricas. Delírios.

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

uma noticia apenas

Em Espanha, durante tres semanas, apenas li uma noticia sobre Portugal: o caso do barco do aborto. E na televisão referem-se a Deco como "el jugador portugués". Vá lá.

tanques de Sagunt, Valencia



E dizia eu, há dias, que este trabalho é duro. E é muito mais duro, não pelo carácter robusto das funções propriamente ditas, mas sim por via da forma perfeitamente “ kusturikiana “ que guarnece as relações laborais entre as chefias e os subordinados (aos amantes de Hegel fazia-lhes bem uma observação cuidada deste tipo de relação senhor/escravo, em pleno terceiro milénio). A hierarquia existe sempre, claro, desde que estejamos perante determinada relação profissional. Mas quando tudo é básico, incluindo o manuseamento das pesadas barras de ferro, não há qualquer tipo de contemplações.“Hay que ser duro” é a expressão mais utilizada durante o dia de trabalho.

E depois existe um factor muito importante nesta dialéctica: o salário. Um cheque mensal cuja cifra suplanta todo o tipo de humilhações ou injustiças. Um cheque quase impossível de obter numa linha de montagem da Yasaky Saltano, ou da Lameirinho. Um cheque destes fala sempre mais alto.


PS: Um dia destes alguém citou Che Guevara, lá na obra: “ A vida só é dura para quem for mole”. Ora anda-me. Sublime intenção, esta, de pegar numa frase tão metafórica e atira-la assim, completamente despojada de sentimento, do cimo de um andaime: tu tens que ser mais duro que o ferro que manuseias, o trabalho só será duro se tu fores mole.

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

regresso

Valencia. Hoje regresso a casa, ao meu lar. E darei inicio, aqui, a um conjunto de textos sobre esta experiencia. Até já.
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