terça-feira, 19 de outubro de 2004

O meu “boletim meteorológico emocional” aconselha-me a tomar precauções para evitar danos de maior, apesar de forte couraça.
Refúgio quente e calmo, a casa. Música suave e rouca, a amansar o meu espírito. O meu boletim não é digital nem utiliza satélites. Ele apenas fala comigo: “There are a few things I never could believe /A woman when she weeps /A merchant when he swears /A thief who says he'll pay /A lawyer when he cares /A snake when he is sleeping /A drunkard when he prays/ I don't believe you go to heaven /when you're good /Everything goes to hell, anyway...”

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Por fim, recolhi-me num assunto fútil, o futebol, demasiadamente banal e menor. Uma coisa de bárbaros e ignorantes. Afinal, também ele, paradigma da imbecilidade humana. Veja-se o caso de ontem, um simples jogo entre dois rivais que, tendo sido ganho por um deles (podia ter-se dado um empate) logo fez com que uns tais rasteiros, disfarçados de gente sem mácula, se transformassem em “giros fanáticos”, mal amados e sem piada alguma. Um deles até se dignou a escrever quatro posts, quatro, e uma adenda. E, qual esquizofrénico de alto índice patológico, tratou de se armar em S. João Baptista e rebaptizou o arqui-rival de "clube de dona pombinha". Neste particular, que teve piada e eco bastante na fumegante fossa dos tristes, devo reconhecer que estou limitado, por não me ser possível classificar tal desvio freudiano. Coisa para psicanalista experimentado.
Outros ainda foram ao “recycle bin” e publicaram imagens da frágil mas ainda e sempre real ave de rapina, a dona águia, desta vez ridicularizada a preceito para gáudio dos ilustres poios de massa encefálica.
E assim vai a nossa praça, povoada de gente que passa a vida a tentar demonstrar o brilho da virtude e da moral e, por via de um simples jogo de futebol, mostram, afinal, que não passam de uns idiotas. Sim porque a palavra “idiota” vem do grego “idiotos” que significava, à época, pessoa desenquadrada com a sociedade, que não participa na vida pública. É o que são estes nortistas de hoje. Uns enjeitados, carentes de amor e auto estima. A precisarem de tratamento já.

domingo, 17 de outubro de 2004

Podemos afirmar, sem rodeios, que a história se repete sempre que há um jogo de futebol entre o Benfica e o Porto. Claro que o que conta é o resultado e o de hoje serve integralmente os interesses da Liga que fica assim bem mais competitiva. E serve também o lado holigan de muitos intelectuais que, neste caso, remetem a sua inteligentissima condição para segundo plano e preferem saborear mais um roubo monumental.
Viva a nobre condição dos que ganham assim que eu, do alto do meu benfiquismo, lhes estendo uma enorme salva de palmas.

Real Gone - Experimente-o aqui

LOS ANGELES, Oct. 15 /PRNewswire/ -- TOM WAITS, whose new album -- REAL GONE -- was released last week, has garnered some of his best chart debuts in his four decade career, entering the Billboard "Top 200 Chart" at #28 and their "Top Independent Chart" at #1. Meanwhile, REAL GONE is #2 on CMJ's "College Radio Chart."
Elsewhere in the world, Waits is earning the same honors with high entries such as the European chart at #9, Poland at #17, UK at #16 (his record debut in his career) and #1 on the Independent chart, while Real Gone is currently Top 10 in Italy, Sweden, Norway, Belgium, Ireland, Portugal, and the Netherlands.

At the same time, the rave reviews continue to pour in, and the critics agree that this is a landmark album in Waits' already stellar career. As Philadelphia Inquirer critic Tom Moon unambiguously declared on NPR's All Songs Considered, Real Gone is "Unbelievable. It sounds great. I think it's the best thing he's done since Rain Dogs."

In a 4-star review for Paste, Mark Richardson notes that "Waits' lyrics are sharp as ever, packed with memorable phrases and strange-yet-familiar poetic imagery...REAL GONE marks another interesting uptick in Waits' exceptional career."

The reviews are just as glowing overseas, where Mojo calls REAL GONE "a blackened jewel of a record," insisting that "it deserves -- no, needs -- to be heard."

The critical consensus is perhaps summed up best by The Guardian, which simply states, "There is plenty that is remarkable about Real Gone."




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Source: ANTI-

A Ferreirinha ou um enredo “melting pot”


Ando a seguir a excelente série da RTP, “ A ferreirinha”. Excelente porque os actores estão a representar muito melhor e, sendo um filme de época, delicio-me a ver a cadeia da relação do Porto, povoada por populares do século XIX e aquele chão de granito autêntico, belo, a merecer um tratamento histórico condizente com a grandeza da cidade.
Por aí tudo bem. Conhecia já a história de Dona Antónia com especial destaque para a sua fibra excelentemente talhada na dureza do Alto Douro. Ela foi um dos primeiros produtores de vinho daquela região a apostar nos vinhedos do Douro Superior, por exemplo.
Também conheço, ao de leve, a história do Zé do Telhado, de Camilo, obviamente (obrigatório visitar a casa do escritor em Ceide) e de tantas celebridades que vão surgindo na trama escrita por Moita Flores.
Em cada episódio que passa somos confrontados com uma nova figura do Portugal oitocentista. Num deles era o Saldanha, no último já se falava em Pereira de Melo, e, por certo, lá mais para a frente a Ferreirinha passará a vir ao Porto de comboio, estreando a belíssima linha do Douro.

E o rigor histórico? Podemos afirmar, de ciência certa, que Ana Plácido teve uma irmã nora de Dona Antónia? Será que Zé do Telhado salvou mesmo Camilo Castelo Branco, impedindo um assassino de o matar na cadeia da relação?
Estas e outras delícias provocam-me estas e outras questões, por ignorância minha, estou certo. Em todo o caso esta série merece, cá em casa, o título de belo tópico de conversa familiar sobre o "Portugal Oitocentista".

PS: E também me delicio muito com a classe conservadora e retrógrada do burgo portuense (especial destaque para o “seivatrupense” António Reis), mais os seus maquiavelismos políticos e sociais que, já na época, se faziam sentir. Neste particular, não foi só o granito que resistiu.

PS2: E Catarina Furtado revela-se uma excelente actriz. Muito bem.

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

Daniel Sanches, o ministro, veio a publico acenar com perigos múltiplos que põem em causa o Benfica-Porto deste fim-de-semana. Ora eu bem me lembro de ter lido o pronto apoio de Pinto da Costa a Santana-primeiro-ministro, por ocasião da fuga de Durão. E esse tipo de apoios dá nisto: subserviência e pagamento de favores ao papa sempre que este necessita.
Claro que ainda há bom senso nesta republica e não vai ser um ministro, ainda por cima papagaio, que vai contribuir para que o bando das antas continue a comportar-se como um bando de terroristas. Doutro modo, como pode este país almejar organizar eventos de alto risco com tamanha demonstração de caganço provocada por meia dúzia de arruaceiros? Cuspir é uma coisa feia, está claro, agora provocar um gabinete de crise nacional por causa de 2000 bilhetes é coisa nunca vista. Só em Portugal.

o que diz bagão


Hoje, às 13.30, numa televisão ou telefonia perto de si, horário bom para funcionarios públicos, ideal para a classe média ouvir o que diz bagão. O resto são cantigas de amigo.

assunto: OE 2005

é a bola senhores

Luis Filipe Vieira "abre as portas a José Mourinho".

O FCP ameaça não comparecer no clássico.

A claque portista quer ir ao jogo e já comprou centenas de bilhetes. Esperemos que não façam como o Inspector Gadget que desatava a "engolir para fora", por simples engano.

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

"Perante a patente superioridade do candidato democrata, os eleitores norte-americanos serão estúpidos?" Vital Moreira in Causa Nossa.

Esta pergunta surge na sequência de uma conclusão de Vital Moreira a propósito de três debates havidos entre os dois candidatos às presidenciais norte americanas. Raios, estúpido serei eu se ainda não percebi que um tipo, leia-se um eleitor, deve votar conforme se ganhe ou se perca debates. Estúpido serei eu se ainda não percebi que um eleitor não vota num projecto ou numa linha ideológica que defenda ou da qual seja apologista. Estúpido serei eu se ainda não percebi que um eleitor vota, sim, mas em tipos que ganham debates, o mesmo é dizer torneios, concursos ou o raio que o parta.
Neste caso concreto, a realidade americana, não há propriamente uma esquerda e uma direita. Há dois partidos de direita e apenas porque o tio Sam baniu qualquer conceito ou definição que possa situar-se mais à esquerda de Kerry.
Gore Vidal, por exemplo, se vivesse num país realmente livre seria, digamos, um comunista. Mas ali essa palavra não existe a não ser que seja precedida de “morte ao…”.
De maneiras que me espanta também o artigo de hoje de JPP, no Público, sobre a dicotomia esquerda/direita. Estes tipos andam entusiasmados com a escola americana e inglesa. Estes tipos sonham com uma esquerda morta, moribunda. Não percebem que o ciclo da direita fascista, por mais que se maquilhe, de “camaleónica”, não vingará jamais.
E a tendência alter-globalista que se assiste nas gerações mais jovens tem a ver com a necessidade e a bondade destas gerações em banir o “marcialismo” ideológico que tolheu a esquerda dos finais do século XX. Por isoo, essa conversa de treta de chamar ex maoistas e ex trotskistas a quem defende nos dias de hoje uma ideologia anti dereita reacionária está ferida de uma desonestidade intelectual gritante. Tem o mesmo valor das afirmações proferidas nos anos da revolução do tipo "os comunistas comem crianças"
È com espaços públicos como este, do Público, que se preenche mais uma página de propaganda pró-direita, ainda por cima escudada na coincidência de os seus autores andarem armados em salvadores da pátria só porque não gostam nada do antigo coleguinha de turma, coitado, que os comeu de cebolada.
Parece que o governo se prepara para proibir a venda de tabaco a menores de 18 anos, de entre outras leis, com vista a combater o excesso de consumo de produtos que causam vicio e são nocivos à saude, como toda a gente sabe. Temo que estas leis, apesar da sua bondade, não terão aplicação prática porque em Portugal ninguém fiscaliza nada, a não ser a GNR que vigia o largo da feira da minha terra e multa todas as donas de casa que estacionam ali.
Por outro lado, proponho que o estado aumente o preço do tabaco para cinco euros o maço. Só assim os miudos começariam a pensar duas vezes antes de comprarem tabaco. E também suporto a ideia da proibição de fumar em locais publicos.

P.S. Não há nada mais impressionante do que ter ouvido do meu filho de 9 anos: " pai deixa de fumar, olha que não são só os mais velhos que se preocupam com os mais novos. Nós, os mais novos, também nos preocupamos com os mais velhos. E preocupa-me que tu fumes."
Claro que nem todos têm a possibilidade de receber conselhos destes. Às vezes têm mas não ligam.
Será desta que eu vou ligar?
Não há nada mais carismático do que receber um e-mail com uma anedota sobre quatro lombrigas. Meus deus, que inicio de dia mais fascinante!

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

no caso Marcelo qualquer coisa, de entre outras, que me deixa intrigado: o silencio do professor e a decisão de Miguel Sousa Tavares em ficar na TVI. Parece-me que há aqui uma "compensação de neutralizações". Não há?

terça-feira, 12 de outubro de 2004

ontem, para além do celebre comunicado

A rtp 2 retomou a exibição de "Os Sopranos", em exclusivo. Outros mafiosos vão passando, alternadamente, nas outras televisões.A não perder.
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