Ontem fui fechar um negócio numa empresa de média dimensão. Apresentei o último preço mas o administrador colocara uma última objecção:
- Olhe parece-me tudo muito bem mas a duração de contrato deveria passar de 24 para 12 meses.
Um homem nestes casos sente que a coisa não pode parar aqui e zás:
- O Sr. engenheiro está-me a dizer para eu telefonar a alguém para me autorizar a alterar o prazo do contrato. Olhe que eu vou telefonar e saiba o Sr. engenheiro que se eu obtiver resposta positiva só saio daqui com o contrato assinado.
-…
- Veja o visor do telefone. Posso ligar?
-...
- Fulano, olha estou aqui reunido na firma tal com o administrador e o assunto é coisa e tal, de modos que quero saber se autorizas.
-Pode ser.
-Pode ser Sr. engenheiro!
-Bom, mas tenho de assinar já?
- Tem, tem, Sr. engenheiro. Alias vai assinar com a minha esferográfica.”
E Zás.
terça-feira, 23 de novembro de 2004
que causa
Há uma coisa que me faz espécie (que lindo termo este!): um tipo decide-se em “parabenizar” tudo o que é blog de referência aniversariante. Ele é parabéns para aqui, votos de continuação de bom trabalho para ali, mais link menos link, e lá está a opção educada e, mais ainda, civilizada, que isto de se ser bom tem muito a ver com paninhos quentes. Acontece que de quando em vez, um tipo deixa escapar qualquer coisa. Salta à evidência a necessidade de reforçar que está a ser sincero naquele ramalhete de odes cibernéticas. E um tipo chega mesmo ao ponto de escrever coisas tão evidentes como “Parabéns. Sinceros”. Um tipo, de tão coiso de ser mesmo sincero, que é o mesmo que “ pá eu dou parabéns porque é de bom-tom e gosto que saibam que eu sei que há existências e eu leio e coisa e tal, mas contigo é diferente pá! É sincero, ouviste? Eu gosto mesmo de ti e quero que saibas isso, pá. Temos uma relação pela frente! Nunca te esqueças que eu existo”, ou seja, acaba sempre por mostrar o quanto hipócrita deve ter sido sempre que “parabenizou” os outros, sem ter escrito que o fez com sinceridade. Fui sincero?
tá lá?
Tou, sôtôr? É fulano, da administração do “food-i-do”! Tá bom?
Era para lhe dizer que adorava que o senhor doutor organizasse um almoço aí para os lados de Vila Real. Estou cansado de jantaradas em Gaia, Lisboa e Beja (os três principais pólos intelectuais do país, a seguir a Vila Real claro). Podia ser na Régua sabe? A malta ia de comboio do Porto até à Régua. Estou certo que o sôtôr conhece um tasco qualquer, disposto a servir uma posta ou um naco de carne de cerdo suculenta e vinho. Que me diz?
Fico a aguardar as suas prezadas notícias e olhe que não vão faltar celebridades!
Era para lhe dizer que adorava que o senhor doutor organizasse um almoço aí para os lados de Vila Real. Estou cansado de jantaradas em Gaia, Lisboa e Beja (os três principais pólos intelectuais do país, a seguir a Vila Real claro). Podia ser na Régua sabe? A malta ia de comboio do Porto até à Régua. Estou certo que o sôtôr conhece um tasco qualquer, disposto a servir uma posta ou um naco de carne de cerdo suculenta e vinho. Que me diz?
Fico a aguardar as suas prezadas notícias e olhe que não vão faltar celebridades!
segunda-feira, 22 de novembro de 2004
Hoje deito “gershwin” no meu blog e demonstro um momento de grande sensibilidade. Oiço as teclas a baterem e a rodopiarem e elevo-me com elas, de júbilo. Hoje sinto, hoje permaneço insustentavelmente flutuante. Pensam que minto ou finjo?
Enganam-se! Hoje eu sinto.
Um homem normal, que é o que eu sou, tem dias assim. Um homem perfeitamente normal, aluado quase sempre, deixa-se surpreender por momentos destes. Cuidam que não? E tem-se imortal e grande e tudo o mais.
Ah! Que bom!
Êxtase assim, meu deus, dai-mo todos os dias. O trigo da minha alma, o alimento da minha existência.
É!
É o meu filho que me põe assim, meus senhores. É chegar a casa e ter disto, filhos que nos esperam todos os dias e, sem querer, nos fazem engrandecer. Que coisa! Que coisa!
Eu era capaz de vos contar mais, mas ele não ia gostar. Não ia não senhor. E eu não conto e pronto.
Tentei apenas dizer-vos um sentimento.
Boa noite.
Enganam-se! Hoje eu sinto.
Um homem normal, que é o que eu sou, tem dias assim. Um homem perfeitamente normal, aluado quase sempre, deixa-se surpreender por momentos destes. Cuidam que não? E tem-se imortal e grande e tudo o mais.
Ah! Que bom!
Êxtase assim, meu deus, dai-mo todos os dias. O trigo da minha alma, o alimento da minha existência.
É!
É o meu filho que me põe assim, meus senhores. É chegar a casa e ter disto, filhos que nos esperam todos os dias e, sem querer, nos fazem engrandecer. Que coisa! Que coisa!
Eu era capaz de vos contar mais, mas ele não ia gostar. Não ia não senhor. E eu não conto e pronto.
Tentei apenas dizer-vos um sentimento.
Boa noite.
e ele a dar-lhe
Toda a gente sabe o que é o centralismo democrático dos comunistas e toda a gente adora criticar aquela coisa burlesca dos vermelhos. Eu também não gosto nada daquela forma de funcionar no partido que mais vezes levou o meu voto.
A ironia disto tudo é que no PCP, hoje por hoje, vamos vendo alguns fogachos de discussão e perenes tentativas de mudança, o que não é pouco. Por outro lado, assistimos bem recentemente a um congresso do partido dominante, onde a democracia foi "viola em enterro" e os principais opositores ao regimen foram viola, concertina e rabecão, actuando bem fora do pavilhão municipal de Barcelos. Por ultimo, "last but not the least", António Capucho parece confirmar o óbvio: "nos congressos partidarios não se exerce democracia nenhuma". Ó homem, cale-se lá!!!
A ironia disto tudo é que no PCP, hoje por hoje, vamos vendo alguns fogachos de discussão e perenes tentativas de mudança, o que não é pouco. Por outro lado, assistimos bem recentemente a um congresso do partido dominante, onde a democracia foi "viola em enterro" e os principais opositores ao regimen foram viola, concertina e rabecão, actuando bem fora do pavilhão municipal de Barcelos. Por ultimo, "last but not the least", António Capucho parece confirmar o óbvio: "nos congressos partidarios não se exerce democracia nenhuma". Ó homem, cale-se lá!!!
ainda o referendo
Parece que anda meio mundo preocupado com a pergunta do referendo e com o tratamento indigno que é dado ao povo, ao sempre ignorado ignorante povo.
Eu gostava de colocar a questão ao contrário, ou seja, a malta ia ao referendo e recebia um boletim onde apareciam duas pequenas palavras: sim e não. Ora a malta depois escrevia uma frase para cada resposta. E assim aferia-se das capacidades gramaticais, e outras que tais, dos portugueses em contraponto com as capacidades interpretativas dos tipos do bloco central.
Eu gostava de colocar a questão ao contrário, ou seja, a malta ia ao referendo e recebia um boletim onde apareciam duas pequenas palavras: sim e não. Ora a malta depois escrevia uma frase para cada resposta. E assim aferia-se das capacidades gramaticais, e outras que tais, dos portugueses em contraponto com as capacidades interpretativas dos tipos do bloco central.
domingo, 21 de novembro de 2004
e é isto
E passei eu o resto da tarde de hoje a tentar perceber se o Daniel Oliveira que aparece no “eixo do mal” é o mesmo que assina toda aquela vivacidade no Barnabé.
E lá fui eu para o café do costume ver se seria desta que o meu Benfica passaria os “cabeçudos”. Nada disso. O Trapatoni só ainda não foi recambiado para Itália porque o Porto está a fazer uma péssima campanha. Caso contrário já levava oito pontos de avanço, oito.
Honra seja feita ao Rio Ave que mostrou muito bom futebol e muita coragem Oxalá o consiga e queira fazer quando defrontar o excelente Futebol Clube do Porto (escrevi isto tudo por extenso porque dá graça ao texto).
E lá fui eu para o café do costume ver se seria desta que o meu Benfica passaria os “cabeçudos”. Nada disso. O Trapatoni só ainda não foi recambiado para Itália porque o Porto está a fazer uma péssima campanha. Caso contrário já levava oito pontos de avanço, oito.
Honra seja feita ao Rio Ave que mostrou muito bom futebol e muita coragem Oxalá o consiga e queira fazer quando defrontar o excelente Futebol Clube do Porto (escrevi isto tudo por extenso porque dá graça ao texto).
1 em cada 5 bloggers escreve coisas interessantes, o que dá a bonita média de 20%, tenho a certeza.
“Eia pai é o pau”. Esta foi a primeira frase que o meu filho aprendeu a ler na escola. Aprendeu-a mas não a aceitou muito bem porque achava que nenhum filho deste mundo teria o mínimo interesse em dizer semelhante coisa ao pai. Ainda por cima com um enfático “eia”.
Coisa de mestres-escola, já se vê. Estão ali duas consoantes, repetidas, no meio das cinco vogais. Fica fácil assim.
Não se metam, pois, por aí a escrever ”eias-pai-é-o-pau”. Façam o favor de escrever coisa que valha a pena ser lida.
Coisa de mestres-escola, já se vê. Estão ali duas consoantes, repetidas, no meio das cinco vogais. Fica fácil assim.
Não se metam, pois, por aí a escrever ”eias-pai-é-o-pau”. Façam o favor de escrever coisa que valha a pena ser lida.
sexta-feira, 19 de novembro de 2004
fodeibos
Andava eu entretido a ler blogs e já estava a adorar este post do FJV (estibestes benhe páz) quando li “estou grávida”. Lindo mesmo! Depois vi que a lolita voltou e o Orlando continua a malhar em tudo o que é rabêta. Apanhei mais uma comichão ao ler o “pungente” Barnabé, claro! Sempre mais do mesmo, rapazes, foda-se!!! E passei pela 100nada que continua sem inspiração alguma e vê-se numa carga de trabalhos para dar sustento à clientela. Raios mulher, a fama obnubila-te o génio que há em ti.
E depois ainda me passou pela cabeça escrever qualquer coisa sobre o referendo de que se fala. Caguei! Por mim o melhor que podia acontecer era haver mesmo referendo e que ganhasse o “não”. Passaríamos a ter um referendo “playstation” que é como quem diz: votas “não” mas isso não vale porque o referendo deixa de ter credibilidade.
Claro que este post está uma merda mas isto é mesmo assim. Um tipo não tem que ser certinho toda a vez que bloga, que eu fiz hoje mesmo uma massa com castanhas e bebi uma murganheira fresca e fiquei um pouco zonzo.
Estou “tresloucado da caixa córnea” e ainda “aquerdito” que o Benfica vai ser campeão. Pois claro.
Ademais ainda não li o resto dos blogs diários (abrupto incluído – sem link) e nem sei se estacione nos sítios mais românticos e outros becos de poesia a granel. Veremos.
Entretanto a minha filha está mortinha por ligar o “msn”. Tenho pois que me apressar.
Olhem, fiquem bem.“Fodeibos”.
E depois ainda me passou pela cabeça escrever qualquer coisa sobre o referendo de que se fala. Caguei! Por mim o melhor que podia acontecer era haver mesmo referendo e que ganhasse o “não”. Passaríamos a ter um referendo “playstation” que é como quem diz: votas “não” mas isso não vale porque o referendo deixa de ter credibilidade.
Claro que este post está uma merda mas isto é mesmo assim. Um tipo não tem que ser certinho toda a vez que bloga, que eu fiz hoje mesmo uma massa com castanhas e bebi uma murganheira fresca e fiquei um pouco zonzo.
Estou “tresloucado da caixa córnea” e ainda “aquerdito” que o Benfica vai ser campeão. Pois claro.
Ademais ainda não li o resto dos blogs diários (abrupto incluído – sem link) e nem sei se estacione nos sítios mais românticos e outros becos de poesia a granel. Veremos.
Entretanto a minha filha está mortinha por ligar o “msn”. Tenho pois que me apressar.
Olhem, fiquem bem.“Fodeibos”.
quinta-feira, 18 de novembro de 2004
cuidado
Tu que és pai, gostas de levar o teu filho ao parque, és um tipo metrosexual. Tem cuidado porque tu podes passar por um breve momento de desconcentração.
acerca de crianças
Se nos detivermos à volta da problemática das instituições de acolhimento de menores certamente que, sendo nós tão sensíveis a estas causas, identificaremos inúmeras situações com as quais não estamos de acordo. É o caso da Casa do Gaiato, essa instituição de “brend name” instituído, tal como a Cerci é já uma marca de sucesso no caso da deficiência mental (o assunto “Cerci” fica para outra oportunidade).
Eu defendo, declaradamente, que uma criança que sofre já, de forma perfeitamente cruel, a mais penosa das desgraças humanas que é a ruptura com a célula principal da sua construção como ser humano (a família), jamais deveria ser colocada em ambientes alternativos (a Casa do Gaiato, por exemplo) onde, para além de tudo, ela tenha que lavar a loiça, ir para o campo, pintar as paredes e chapar massa, de entre outras coisas que nunca por nunca elas fariam sistematicamente se tivessem tido “outra sorte” na família.
Ora a Casa do Gaiato obriga a este tipo de vida às crianças que acolhe. Outras casas também o fazem, evidentemente. Isso pode não ser considerado como “ maus-tratos” numa perspectiva de senso comum. Mas são “maus-tratos” sim porque é urgente que na mente das pessoas passe a residir que o conceito de “maus-tratos” vá muito além das meras práticas de violência física, sevícias e outras situações mais complexas. Maus-tratos é, essencialmente e quando estamos a falar de crianças, privar essas mesmas crianças de um conjunto de vida, de quotidiano o mais próximo possível do conceito de “ pedagogia da felicidade”. Essas crianças carregam nos ombros o jugo da separação da família. Têm culpa? Porque raio de carga moral se impõe a uma criança separada da família a hercúlea missão de pagar o seu sustento com o seu corpo?
Meus senhores, eu bem sei que a Segurança Social tem técnicos válidos e percebo onde eles querem chegar. O problema está nas mentalidades. Repensem o vosso conceito de “maus-tratos” (se quiserem estendam-no para outros domínios). A forma como olhamos uma criança, a compaixão compulsiva que empregamos para com uma criança destroçada pode ser um acto declaradamente impregnado de maus-tratos.
Eu defendo, declaradamente, que uma criança que sofre já, de forma perfeitamente cruel, a mais penosa das desgraças humanas que é a ruptura com a célula principal da sua construção como ser humano (a família), jamais deveria ser colocada em ambientes alternativos (a Casa do Gaiato, por exemplo) onde, para além de tudo, ela tenha que lavar a loiça, ir para o campo, pintar as paredes e chapar massa, de entre outras coisas que nunca por nunca elas fariam sistematicamente se tivessem tido “outra sorte” na família.
Ora a Casa do Gaiato obriga a este tipo de vida às crianças que acolhe. Outras casas também o fazem, evidentemente. Isso pode não ser considerado como “ maus-tratos” numa perspectiva de senso comum. Mas são “maus-tratos” sim porque é urgente que na mente das pessoas passe a residir que o conceito de “maus-tratos” vá muito além das meras práticas de violência física, sevícias e outras situações mais complexas. Maus-tratos é, essencialmente e quando estamos a falar de crianças, privar essas mesmas crianças de um conjunto de vida, de quotidiano o mais próximo possível do conceito de “ pedagogia da felicidade”. Essas crianças carregam nos ombros o jugo da separação da família. Têm culpa? Porque raio de carga moral se impõe a uma criança separada da família a hercúlea missão de pagar o seu sustento com o seu corpo?
Meus senhores, eu bem sei que a Segurança Social tem técnicos válidos e percebo onde eles querem chegar. O problema está nas mentalidades. Repensem o vosso conceito de “maus-tratos” (se quiserem estendam-no para outros domínios). A forma como olhamos uma criança, a compaixão compulsiva que empregamos para com uma criança destroçada pode ser um acto declaradamente impregnado de maus-tratos.
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