Há um ano escrevi: "Acordar tarde, ensonado, e zarpar para o trabalho. Momento repetido e gasto por de entre o desmoronar próprio de um ano de crise. Mas isso não importa nada, de todo. Neste dia ultimo afogarei todas as mágoas e frustrações e retomarei a aurora de um novo ano, convencido ainda que é mais belo o nascer do dia."
E foi assim mesmo. A um ano de crise juntou-se outro ainda. Mas as crises acabam sempre por nos fortalecer, rejuvenescem-nos.
Horrível este 2004, deu-me, contudo, novas experiências, excepcionais sensações.
Viver os dias à procura de soluções, persistindo numa forte vontade de fazer, criar, transforma-nos indelevelmente.
Que o novo ano nos traga conforto, alma maior e serenidade. Estamos mais fortes.
Um abraço.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2004
quinta-feira, 30 de dezembro de 2004
no comments
quarta-feira, 29 de dezembro de 2004
sai dessa
Não gosto nada daquele fulano que escreve no Diário de Notícias, ao mesmo tempo que exerce, como part time job, funções de administrador de um certo grupo da nossa comunicação social. Parece que o tipo tem a mania de ser santanista e manda umas postas valentes, azedas e tal e tal. Dizem por aí que ele é um "ressentido" (faz-me confusão esta ideia comezinha de ver ressentimento em tudo o que vai contra). Por mim o tal homem de quem eu não gosto nada tem todo o direito de escrever o que bem entender e de apoiar quem bem lhe apetecer. Ou só vos interessa os que vos idolatram?
tsunami
Confesso que me ausentei um pouco da catarse colectiva que adveio da tragédia no Índico e que vitimou muitos seres humanos. Ando um pouco alheado dos disparos noticiosos e de toda a carga emotiva que isso provoca nas pessoas, e, portanto, pouco vi daquilo que todos viram.
A tragédia é uma enormidade. Condoo-me por isso.
Agora espanta-me verdadeiramente algumas conclusões que vou lendo. Uns atiram-se a Deus, culpando-o por semelhante catástrofe. Já o podiam ter condenado há mais tempo, por absurdo, porque tem havido tantas tragédias no mundo ao longo da história…não acham que é um tanto estúpido essa coisa de interrogar o divino, pedindo-lhe satisfações para algo que é claramente um processo de evolução do planeta?
Outros ainda, viram-se para a psicose do dilúvio, “nostradámicos”, e andam numa correria a divulgar tudo o que hipoteticamente vem a seguir. Até já se fala num asteróide para o ano de 2019. Credo!
Pior, bem pior, é a malta que adora tirar proveito político da coisa. Não concordo nada que se ataque o governo por falhas (que existem sim) na acção de apoio às vitimas. Há até uma senhora socialista que relata a pequenez dos serviços diplomáticos aquando da crise de Timor. Porque será que essa lady não o disse na devida altura? Porque o PS (Partido Socialista) era governo. Mais nada.
Last but not least: então não consta que pelo menos duas super potencias planetárias controlavam a região, monitorizando a respectiva actividade sísmica? Consta-se até que eles previram a catástrofe uma hora antes e não foram capazes de prevenir as autoridades dos países ameaçados. Numa época dominada pelo conceito de “aldeia global” tal falha é que me deixa realmente parvo da alma.
E depois é só reportagens da Tailândia, esse paraíso dos turistas endinheirados do primeiro mundo. Os pobres aparecem nas imagens porque fazem parte da tragédia. Nada mais.
Eu sinto-me mal porque apreendo a pequenez da humanidade nestas coisas. Só isso.
A tragédia é uma enormidade. Condoo-me por isso.
Agora espanta-me verdadeiramente algumas conclusões que vou lendo. Uns atiram-se a Deus, culpando-o por semelhante catástrofe. Já o podiam ter condenado há mais tempo, por absurdo, porque tem havido tantas tragédias no mundo ao longo da história…não acham que é um tanto estúpido essa coisa de interrogar o divino, pedindo-lhe satisfações para algo que é claramente um processo de evolução do planeta?
Outros ainda, viram-se para a psicose do dilúvio, “nostradámicos”, e andam numa correria a divulgar tudo o que hipoteticamente vem a seguir. Até já se fala num asteróide para o ano de 2019. Credo!
Pior, bem pior, é a malta que adora tirar proveito político da coisa. Não concordo nada que se ataque o governo por falhas (que existem sim) na acção de apoio às vitimas. Há até uma senhora socialista que relata a pequenez dos serviços diplomáticos aquando da crise de Timor. Porque será que essa lady não o disse na devida altura? Porque o PS (Partido Socialista) era governo. Mais nada.
Last but not least: então não consta que pelo menos duas super potencias planetárias controlavam a região, monitorizando a respectiva actividade sísmica? Consta-se até que eles previram a catástrofe uma hora antes e não foram capazes de prevenir as autoridades dos países ameaçados. Numa época dominada pelo conceito de “aldeia global” tal falha é que me deixa realmente parvo da alma.
E depois é só reportagens da Tailândia, esse paraíso dos turistas endinheirados do primeiro mundo. Os pobres aparecem nas imagens porque fazem parte da tragédia. Nada mais.
Eu sinto-me mal porque apreendo a pequenez da humanidade nestas coisas. Só isso.
terça-feira, 28 de dezembro de 2004
está bom de ver
O ano da graça de 2004 termina na próxima sexta-feira.
Está bom de ver que o governo continuará em funções, com os seus salários em dia, claro.
Está bom de ver que o desemprego aumentará. E a qualidade de vida seguirá o seu curso, rumo ao desespero das famílias. Muitas famílias.
Abram garrafas de espumante. Brindem a qualquer coisa. Não esqueçam que é festa, e uma festa não faz mal a ninguém.
Para o ano continuem a festa, sem parar. Colem cartazes, vão às feiras ver o povo e beijem-no. Beijem-no muito e languidamente. O povo é como a mãe. Sabe que sois uns impostores, mas, nestas horas, ele acolhe-vos em seus braços magros e comove-se com as vossas carícias.
Está bom de ver que o governo continuará em funções, com os seus salários em dia, claro.
Está bom de ver que o desemprego aumentará. E a qualidade de vida seguirá o seu curso, rumo ao desespero das famílias. Muitas famílias.
Abram garrafas de espumante. Brindem a qualquer coisa. Não esqueçam que é festa, e uma festa não faz mal a ninguém.
Para o ano continuem a festa, sem parar. Colem cartazes, vão às feiras ver o povo e beijem-no. Beijem-no muito e languidamente. O povo é como a mãe. Sabe que sois uns impostores, mas, nestas horas, ele acolhe-vos em seus braços magros e comove-se com as vossas carícias.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2004
domingo, 26 de dezembro de 2004
à espera de Janeiro
As férias de Natal tinham chegado e Joel já sabia o que o esperava. Solidão.
Pausa na escola, interregno nos amigos, regresso àquelas paredes tristes e enormes, que preenchiam os vastos claustros do colégio interno. Não era um colégio normal, era a estrutura do Estado a garantir cama, mesa e roupa lavada a quem, por sortes, por desacertos conjugais e outros males trágico cómicos, ficava a cargo da Pátria, da alcofa que sobrara da antiga “Roda”. Muitos rapazes rumavam a casa, aos seus, porque ainda tinham alguém e viviam, de certo, um Natal como o de toda a gente.
Joel ficava à espera de Janeiro, como quem espera um comboio no pior apeadeiro do mundo. Passava o tempo a dormir e a ver filmes do Fred Astaire e Ginger Rogers, enquanto não vinham as seis da tarde e o jantar. Depois era ler. Ler qualquer coisa que houvesse, que falasse do mundo e doutros mundos.
As noites frias eram passadas a ouvir discos velhos, muito selectos para um puto como o Joel. The Doors, Génesis e Barcklay James Harvest faziam fila para tocarem em primeiro lugar. E lia as letras, o Joel, em sintonia com o que ouvia e sentia. E depois era Máximo Gorky e outras viagens. Paris e os “Boulevards” onde Sartre despertava no moço uma espécie de atracção fatal pelo desassossego.
Na noite de Natal, na véspera do nascimento do menino Deus, Joel vivia a sua “paixão”. Não percebia bem o seu presépio. Olhava em volta e só via pressa nos empregados do estado. Serviam o bacalhau triste e uma fatia de bolo-rei recesso, que já morava na despensa há dias, senão anos. Joel comia e regressava ao quarto, ao seu mundo. Falava com Nietzsche, e punha a tocar o “Pano-cru” de Sérgio Godinho. Do Sérgio daquele tempo, impetuoso e capaz de falar a todos os Joeis deste mundo. E adormecia a pensar em Janeiro.
Nunca mais era Janeiro.
Pausa na escola, interregno nos amigos, regresso àquelas paredes tristes e enormes, que preenchiam os vastos claustros do colégio interno. Não era um colégio normal, era a estrutura do Estado a garantir cama, mesa e roupa lavada a quem, por sortes, por desacertos conjugais e outros males trágico cómicos, ficava a cargo da Pátria, da alcofa que sobrara da antiga “Roda”. Muitos rapazes rumavam a casa, aos seus, porque ainda tinham alguém e viviam, de certo, um Natal como o de toda a gente.
Joel ficava à espera de Janeiro, como quem espera um comboio no pior apeadeiro do mundo. Passava o tempo a dormir e a ver filmes do Fred Astaire e Ginger Rogers, enquanto não vinham as seis da tarde e o jantar. Depois era ler. Ler qualquer coisa que houvesse, que falasse do mundo e doutros mundos.
As noites frias eram passadas a ouvir discos velhos, muito selectos para um puto como o Joel. The Doors, Génesis e Barcklay James Harvest faziam fila para tocarem em primeiro lugar. E lia as letras, o Joel, em sintonia com o que ouvia e sentia. E depois era Máximo Gorky e outras viagens. Paris e os “Boulevards” onde Sartre despertava no moço uma espécie de atracção fatal pelo desassossego.
Na noite de Natal, na véspera do nascimento do menino Deus, Joel vivia a sua “paixão”. Não percebia bem o seu presépio. Olhava em volta e só via pressa nos empregados do estado. Serviam o bacalhau triste e uma fatia de bolo-rei recesso, que já morava na despensa há dias, senão anos. Joel comia e regressava ao quarto, ao seu mundo. Falava com Nietzsche, e punha a tocar o “Pano-cru” de Sérgio Godinho. Do Sérgio daquele tempo, impetuoso e capaz de falar a todos os Joeis deste mundo. E adormecia a pensar em Janeiro.
Nunca mais era Janeiro.
hoje vi um filme [na dois]

IT´S A WONDERFUL LIFE
De Frank Capra e com James Stewart, um dos melhores actores americanos de sempre.
Um filme cujas sinopses falam de Natal e de como tudo é um estado de graça à volta disso. Um filme realizado em 1946 num país em que, à época, ainda era possível o sonho da transformação do mundo através da justiça entre os homens e para os homens. Coisas simples como o direito à habitação e a um preço justo, o direito a uma oportunidade de vida e o estado degradante do capitalismo cego e cruel. Nada de grandes gestas.
Gostei. Porque senti ainda mais coragem para afirmar aquilo em que acredito.
De Frank Capra e com James Stewart, um dos melhores actores americanos de sempre.
Um filme cujas sinopses falam de Natal e de como tudo é um estado de graça à volta disso. Um filme realizado em 1946 num país em que, à época, ainda era possível o sonho da transformação do mundo através da justiça entre os homens e para os homens. Coisas simples como o direito à habitação e a um preço justo, o direito a uma oportunidade de vida e o estado degradante do capitalismo cego e cruel. Nada de grandes gestas.
Gostei. Porque senti ainda mais coragem para afirmar aquilo em que acredito.
sábado, 25 de dezembro de 2004
Um bom dia!
Agora vejo o sol, da minha janela. Nunca quis ver outra coisa. Por vezes a chuva veste-se de uma beleza que atrai e seduz. Mas é o sol que me atravessa a alma e me consola. Um dia de sol.
Um bom dia!
Um bom dia!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2004
festa
Disseram que é Natal. Uma festa dos crentes, um delírio moral. Não escrevi uma única sms, nem enviei qualquer postal festivo.
Tudo isto é panaceia e eu não sou nem o único nem o ultimo a pensar assim.
Babem-se os que acreditam em épocas como esta. Não pensem em mais nada porque pensar, em dias destes, dá para estragar muita festa.
Tudo isto é panaceia e eu não sou nem o único nem o ultimo a pensar assim.
Babem-se os que acreditam em épocas como esta. Não pensem em mais nada porque pensar, em dias destes, dá para estragar muita festa.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
prémios como prendas
Agradecer ao João Tunes a simpatia.
E estas coisas valem o que valem e não carecem de qualquer tipo de explicação. Muito obrigado.
E estas coisas valem o que valem e não carecem de qualquer tipo de explicação. Muito obrigado.
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