quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Oi carinho! Tudo bem?

Gajos destes aparecem aqui (blogosfera) mas não deviam. Bem sei que me vão acusar de "mau-feitio", mas o que eu tenho a dizer a tipos destes é muito simples: ando aqui na blogosfera desde Julho de 2003 e nunca vi nenhum blog a tentar vender um prego que fosse.
Para mim está claro: candidato politico que faça um blog nesta altura não passa de um "votoprostituto" ( considerem que não escrevi esta palavra tão vetusta , sim? - é apenas o meu lado "crasso" a funcionar) à procura de clientes.
Ostracismo é o que mereciam, se a blogosfera fosse realmente uma coisa diferente.

atiradores-de-toalha-ao-chão

Em boa verdade entristece-me saber, de ciência quase certa, que o país vai ser entregue aos defuntos guterristas, a uma trupe formada por “atiradores-de-toalha-ao-chão”. E é mais triste, ainda, esta sensação de solidariedade insossa para com o PSD, um partido que soube desperdiçar em tão pouco tempo uma oportunidade quase única de renovar Portugal.

Sinto uma compaixão irónica, coisa esquisita, pelos eleitores do PSD, que andam aflitos sem saber bem o que fazer. Ainda hoje ouvi um militante dizer, à boca cheia, que vai votar na “alternância”. Mas o que é isto?

E depois disto tudo só me apetece dizer:

"O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul."


Amoras, de Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

agradecer

à Lolita por tão simpático comentário ao meu ultimo post. A sério que fiquei envaidecido.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

A incrível experiencia do senhor Hilário Eleitor

Era um homem de trabalho, baixito e de barba teimosamente mal aparada. Vestia roupas de marca própria, da feira de Cerveira, e jogava futebol de salão todas os sábados.
Hilário Eleitor tinha, contudo, um problema de saturação. A mulher servia-lhe sempre a mesma refeição: feijoada com mão de vaca. Hilário comia sem moer, arrotava e, depois, procurava consolo no bagaço da tasca do Manel.
Todos os dias a mesma receita.
Horácio Eleitor estava decidido em experimentar a mudança. De maneiras que um dia resolveu que ia jantar fora. Dispensou o futebol de salão com os amigos e marcou mesa no restaurante mais povoado da vila.
Foi muito bem acolhido pelo chefe de mesa. Era agora um cliente e notava bem a diferença no trato. Tudo era agora diferente e sedutor. Disseram-lhe, porém, que consultasse a lista e escolhesse a melhor alternativa. O melhor prato, a mudança, em suma.
Hilário Eleitor não sabia ler. Olhava em volta e o conflito interior inibira-o. O melhor seria apontar qualquer coisa da lista. A mudança, afinal, estava ali à mão de semear.
O empregado percebeu claramente o pedido e prometeu pouca demora. Hilário pensava, ansioso, na mudança. E a mudança não se fez esperar: feijoada com mão de vaca. Raio de sorte a do Hilário Eleitor! Afinal ia comer mais do mesmo. E comeu e não moeu.
Na mesa ao lado percebeu que os comensais estavam satisfeitos e percebia-lhes a gula. Mas que posta de carne suculenta! Como se chamaria aquilo? Hilário ouviu então o mais velho da mesa solicitar o serviço do empregado e percebeu claramente a palavra “more”. Devia ser o nome daquela mudança. E Hilário pediu “More” ao empregado. E o empregado voltou com mais do mesmo. E Hilário Eleitor comeu e calou.
Não percebia bem tamanha sorte. A mudança estava ali ao lado mas a escolha acabava sempre no mesmo.
Hilário Eleitor foi para casa e disse à mulher que ela era a melhor cozinheira do mundo. Ela abraçou-o e avisou:
- Amanhã é dia de ir votar na mudança.

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Armas, quinquilharias, tecidos, rum

Armas: não adianta perder tempo com debates estafados sobre Porto/Lisboa. Não vão por aí. Isso é ser-se demasiado pacóvio.

Quinquilharias: dizem por aí, à boca cheia aliás, que Sócrates é homossexual e coisa e tal. Pá, eu não gosto nada do tipo, bem sabem. Mas acho mal essa cena de se falar da sexualidade do homem. A mim não me impressionam essas patetices. Cada um exerce a sua sexualidade como bem entender.

Tecidos: Ontem vi na televisão Francisco Louçã e Ana Drago numa missão social, creio. Logo atrás seguia um tipo com ares de “guarda Abel” : Daniel Oliveira.

Rum: Amanhã não esquecer de ver o primeiro dos novos episódios da série “24”.


domingo, 16 de janeiro de 2005

Elucubrações dum gajo fodido, numa tarde de domingo, depois de ter comido uma feijoada com grelos.

Sampaio é cada vez mais um bom filho da mãe. Deu o governo a Santana, enterrando-nos. Vai dar o governo a Sócrates, transladando-nos. E agora, em plena legislatura presidencialista, dá a China aos nossos empresários crucificando a nossa indústria têxtil.

Titã, a lua de Saturno, é o ópio de Pacheco Pereira. O homem apega-se àquilo, ganhando audiências e outra tranquilidade. Assim, bem pode continuar caladinho, como convém aos críticos de Santana, à espera do após 20 do 2 para, aí sim, voltar à carga com o seu “pobre país o nosso”.

Sócrates anda feliz porque tem a vitória no papo. Nem precisa de dizer nada. Tem a banca e o "Expresso" a apoia-lo e até os “blasfemos” já se renderam. Nem o facto de alguém ter considerado Sócrates o Kerry português os anima.

O F.C. Porto não conseguiu ganhar ao último classificado da Superliga e nem um pio na blogosfera de referencia. Longe vão os tempos em que eram pedidas reverências ao glorioso dragão…de papel, digo eu.

Vi o dvd do gato fedorento. Não sendo leitor do respectivo blog e vendo pouca televisão, confesso que fiquei surpreendentemente agradado com o talento daqueles quatro miúdos. Tomara que não se deixem deslumbrar. Nesse caso perderiam toda e qualquer personalidade jurídica…

Adenda: Mantorras "dread"! Emoção, África, delírio!

Eroticalee2 :: Open Your Imagination...

Um blog de fotografia erótica, e não só. A "arte ero" é das coisas mais interessantes, principalmente numa época fértil em propostas porno. Aprecie. Aposto que vai gostar.


Adult Content

sábado, 15 de janeiro de 2005

Frank Zappa on Crossfire (1986)

Você que está desse lado e é bem formado e provavelmente assume-se um liberal à maneira. E deve perceber inglês, por certo. Siga o Link e aprecie esta conversa com Frank Zappa há quase 20 anos. Certamente perceberá que o mundo não anda assim tão depressa como pensamos. As mentalidades continuam retrógradas! Veja! Você tem aí umas eleições e uma campanha que certamente o interessa.
E a mudança? E a mudança?




via Peep Show Stories

ler

Segundo o Público de hoje, a Fnac e a Bertrand venderam, juntas, 5,5 milhões de livros em 2004. Para um país de 10 milhões de habitantes e tendo em consideração apenas este indicador, não percebo porque motivo tanta gente diz que os portugueses não lêem.


Um gostar que não se aprende

Aprender a gostar do Porto” é uma expressão criada pelos de Lisboa. É um sofisma com a mesma textura genética de sofismas como “ No Porto é que se trabalha e em Lisboa gasta-se o dinheiro”. Ora gostar do Porto não se aprende. Ou se gosta, e normalmente gosta-se logo, ou se detesta.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

intensidades

JPP vibrou hoje a grande altura no seu Abrupto.E fez-nos vibrar também. Diga lá se não foi o mesmo que estar num enorme estádio de futebol a gritar "golos" e "uaus" e "ufas" e "zás!, já ganhámos!"

vamos escrever uma história

A ideia não é original. Contudo, fica aqui o desafio: vamos escrever uma história!
Eu começo com uma simples frase e quem quiser acrescenta um parágrafo ou uma frase nos comentários. A ver no que dá. Se é que dá!
Então força!!

Espero muita e boa adesão. Bora lá escrever!!!

"A estrada parecia não mais acabar. Finalmente uma área de serviço onde dar descanso ao carro e comer alguma coisa. Miguel encostou o carro na bomba 1 e atestou o depósito, dirigindo-se de seguida para o "Snack Bar"."

coisas de nada

Mariana esgueirou-se da janela alta, quase gótica, e não viu nada. Pensava no mar cheio de ondas e espuma branca. O mar era o seu sonho e as ondas as suas asas. Voar dali para fora, solta das amarras impostas pela fabrica, a linha de montagem e o barulho horrível dos teares, era um desejo febril que inundava o olhar cansado daquela mulher.
O sol a esconder-se e ela deitada nele a saborear a viagem longa.
O caminho para casa levava-lhe o ocaso, rápido e cruel, escuro, e a janela da camioneta servia de tela para outros filmes.
Nada mais aconteceria naquele fim de tarde de Janeiro. A casa, as lides e as ondas de espuma branca a debruar os lençóis amarrotados.
Mariana deitou-se cedo e nem ligou a televisão. Não viu o outro mar, cheio de fúria e destruidor de todos os sonhos. O seu sonho era outro e nada deste mundo é mais forte do que sonhar.
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