segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Morrer assim, porquê?

Isto é uma coisa triste, lamentável. Morrer assim é coisa do diabo. Morre-se assim porque, em primeiro lugar, tem-se que sair de casa, em busca daquilo que não se tem aqui: trabalho razoavelmente bem pago. Em segundo lugar, morre-se assim porque existem as famílias, os fins-de-semana e as viagens suicidas. Gente aos molhos a encher as viaturas que fazem mil e tal kms rumo a espanha e às obras. Gente com pressa de chegar porque tem necessidade de acumular horas. Horas a sete euros e tal – vejam bem. Gente que não tem horas e não descansa, e mete-se à estrada louca, louvando a deus e a não sei quem mais. Gente que morre assim porque o país deles impõe-lhes a mobilização, a contra-relógio. Gente a merecer um olhar.
De quem não sei.

Ah, se fossemos capazes de cumprir o nosso ideal…

Nota: eu sei muito bem o que é uma viagem para Espanha, para as obras. Eu já experimentei e não fui de avião nem me ocorreu escrever: “ sobrevoando a beira alta”.

domingo, 6 de fevereiro de 2005

da tolerância, da opinião e do silêncio

De espantar que alguém tenha escrito isto e horas depois venha defender isto. Caro senhor escritor, o problema da igreja não é pedir. Ela gostaria era de mandar, impedir. E depois alguma coisa havia de se arranjar para o combate ao excesso de frases.

Aflitos

Noto cada vez mais aflição à medida que o dia 20 de Fevereiro se aproxima. Como aguentar mais 15 dias se nada mais há a dizer, apesar de nada ter sido dito?
Os adeptos da bipolarização, socialistas esperançados com a engenharia de obras feitas dos guterristas e os outros, os desiludidos com os seus próprios tiros no pé consomem-nos a alma com trinta e uma teses sobre “como votar bem” e estão, também eles, a viver um desconsolo programático, porque vêem os “periféricos” a trabalhar bem, esforçados, e a aglutinar os seus para o caminho certo nas urnas.

Impressiona-me a quantidade de lições de moral politica que inunda a blogosfera. Repugna-me, de facto, a pequenez emergente da classe de comentadores que parecem teimar em acompanhar o baixíssimo nível dos políticos.
Como dizia eu em cima, há um desespero enorme, suores frios, temores.
Cavaquistas, Guterristas, Fascistas (que os há), uni-vos! O povo já não vai em chantagens!

sábado, 5 de fevereiro de 2005

Não tenham medo!


Vem aí a campanha eleitoral e o ataque aos indecisos. Todos aqueles que defendem os seus interesses, e as politicas que só defendem os seus interesses, votarão na direita. E restam aqueles que têm problemas e que procuram nos políticos e nos governos as melhores respostas. Restam, enfim, os indecisos porque têm sido constantemente enganados. E falam-lhes no “voto útil” e eles perguntam-se onde votar com utilidade. E falam-lhes em mudança e eles perguntam-se o que vai mudar. E falam-lhes em sentido de estado e credibilidade e eles perguntam-se como. Impõe-se, portanto, uma atitude forte e assumida: apelar ao voto na CDU.
Sem medos, sem complexos e com muita convicção eu apelo aos indecisos, aos independentes, que assumam a ruptura com o poder dos “media”, dos bancos e das multinacionais. Mostrem a força do voto traduzida numa ascensão clara dos comunistas na Assembleia da República. Só assim será possível estancar esta terrível onda de irresponsabilidades. Só assim será possível banir esta euforia de ambiciosos. Só assim poderemos contribuir para que o país olhe o futuro com responsabilidade sem nunca se esquecer dos seus, do seu património universal e da sua independência. Assumam-se. Libertem-se! Exerçam um voto que tenha jeito.

Inês Pedrosa no país das maravilhas

Hoje trouxe para casa o “Expresso”, porque me disseram, no quiosque da minha rua, que era grátis. Aceitei a prenda.
Sabia que o Daniel Oliveira escreve no Expresso e pensei ver se ele também não tinha tempo para postar naquele jornal, por via da campanha eleitoral e das viagens e das canseiras. O dinheiro impõe um ritmo muitas vezes mais cruel do que o nosso próprio bio ritmo. Isso é claro!
Estava eu nestas elucubrações quando deparo, na Única, com uma crónica da Bomba I. CHQ (um novo motor de alta cilindrada - um topo de gama!) Já me tinham dito que a CHQ era mesmo uma bomba, mas o retrato da ilustre, que ilustra o artigo, supinou-me aquele sentimento muito próprio de quem espera correspondência, no real, àquilo que imaginara “cá dentro”. Adiante.
Parece que gostou de conhecer Adília Lopes. E ainda bem, porque eu lembro-me bem daqueles programas fantásticos, na dois, de Luis Osório, aquele director da “Capital” que aparece agora nas televisões ainda meio tonto com a conjugação de gravatas e camisas, e onde brilhava aquela mulher de aspecto “Abraço”. Adília Lopes merece a referência. Lembro-me, de memória, de “quem fode, fode. Só fode quem pode”, uma frase forte e ritmada, a merecer trabalho de casa. E não tenho nenhum livro da poetiza. Porque a cultura tem destas coisas: podemos ser cultos através do dinheiro, simplesmente, ou podemos cultivar-nos através da procura de coisas, de retratos esbatidos nos parcos cantos do que nos rodeia. Quem me dera poder chegar a uma livraria e dizer simplesmente: - Olhe, li um poema de Adília Lopes. Por favor queria comprar tudo o que tiver aí desse autor.
Sempre posso fazer outras coisas. Quem pode, pode, afinal.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Um post verdadeiramente chunga sobre o PSD ( o partido)

Hoje vemos o país inteiro a atirar-se a Pedro Santana Lopes. Os de sempre, claro, e quase todos os simpatizantes do PSD. E vemos o líder do PS a debitar retóricas que aprendeu nos artigos de opinião de um considerável número de consagrados do PSD.
A mim, que não sou nem de uns nem de outros, isso dá-me vontade de rir. Muita vontade! Mas também me apetece dizer a todos esses macambúzios do PSD, que andam aí a esfolar o homem, para terem um pingo de vergonha na cara. Viram o partido cair no descrédito e fizeram nada! Viram o cozinhado do poder Santanista e fizeram nada!
Muitos nem ao conselho nacional do partido foram. Demitiram-se disso, é claro.
Depois viram o homem ser eleito em congresso e nada. E continuaram a fazer farinha do mesmo saco. A dizer mal e a comentar. Pegaram em toda a merda que Santana fez. Limparam? Não senhor, cagaram.
E andam aí, empoleirados, a comentar e a dar trunfos ao outro bonito. E a remoer influências de vácuo.
E, ironia das ironias, acolhem o regresso dos guterristas de forma boçal e prazenteira.
Dispensável essa gente, é o que eu digo.
Pobre partido este que tem gente desta, tacanha e vaidosa. Pobre partido este que se vê inundado de ratos de porão à espera de piso seco para roerem os restos.

esconder para esquecer

Também tivemos, a propósito do tal debate, a nossa "masturbaçãozita colectiva da opinião", no abrupto, um blog cada vez mais na berra. Pena é que o seu autor, historiador, tenha feito um artigo no Público, com o nome “Dicionário de Campanha a Três Semanas do Fim ”, onde ignora completamente a CDU. Não sei porquê. Aliás, quase aposto que isso se deve ao ódio histórico que este homem tem pelos comunistas. Fica a qui o meu protesto. A CDU pode não caber no dicionário dele, mas cabe, com certeza que cabe, nos milhares de boletins de voto, e ele, caso vá votar, poderá confirmar isso mesmo.Provavelmente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

As faces

O debate entre "S" e "S" fez-me lembrar um DVD para gravar: É dificil distinguir as duas faces. Recomendo que se coloque uma etiqueta ou, na falta dela, que se recorra a uma caneta de "acetatos".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

o homem Invisível

E se quisermos ser sérios devemos aplaudir o protesto de Manuel Monteiro que anda a ser muito mal tratado nestas eleições.
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu, é o que é.

nada interessa e tudo serve

Faz-me espécie esta cena dos boatos. E logo numa altura de tanta responsabilidade. Um boato parece valer mais do que uma proposta honesta. Tem mais audiência, claro, e representa a seriedade quando discutido com ar grave. Um boato, meu deus, é algo demasiadamente básico para ser levado assim tão a sério. Quantos boatos já ouvi, de tanta gente ilustre, e quanta figura pública não terá sido envolvida em boatos? Brincamos, claro. Só pode ser.

Já ninguém pensa em propor, em discutir. O melhor caminho é destruir. Fazem palanques luminosos e fingem-se gladiadores. Lutam ferozmente pela atenção. Nada interessa e tudo serve.

a taça

As famílias, os pobres, os reformados, os tropas e suas digníssimas esposas, donas de casa, toda a gente. É a eles que me dirijo. Eu, o candidato, dirijo-me aos calceteiros, aos professores e aos médicos. Eu quero dizer-lhes que prometo. E quero dizer-lhes que há o Estaline e o Lenine e a URSS (todos enterrados mas registados - portanto existem). E quero dizer-lhes que sou um homem bom, carinhoso, atento e paternal. Sou afável e jeitoso e tenho muito sentido de estado. Eu sou o candidato, bolas! Eu estou a dar tudo de mim por vós! Eu aumento-vos as pensões, eu reduzo-vos os impostos e faço uma amnistia às multas. Eu prometo. Eu cumpro, bolas! Eu acredito na mãe Europa e aceito que somos europeus de pleno direito e, portanto, eu sou um europeu. Eu quero dizer-vos que tudo vai ser diferente. O mercado vai abrir e a estabilidade funcionará. As empresas precisam de mim. Os bancos sabem do que estou a falar. Eu sou o melhor candidato. Eu venço sempre os debates televisivos. Eu vou ganhar.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

um post sem links em "amigos", "o amigo do amigo", "pobres diabos", "mordomia farisaica", porque voç~e pode bem ser um dos visados

Esta forma de fazer campanha só faz sentido num país como o nosso, povoado de políticos abjectos, a roçar consumadamente o reality show.
Esta forma de fazer politica é o desespero, o abismo. Mas cuidado porque o povo quer mais. E os amigos do nobre povo andam atentos ao pagode. Não interessa o que se diz, mas sim quem o diz. É a velha história do amigo do amigo. E assim se vão revisitando os pobres diabos, convencidos de que a sua única defesa é ignorar, deixar quieto.
Cumpre-me portanto assinalar o meu aceno de presença. Eu estou presente, e, como eu, muitos mais. Saberemos nós acenar a nossa voz perante a mordomia farisaica que tudo adultera, tudo corrompe?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

sem ressentimento

Desta vez ele não vai poder afirmar que foi o treinador que saiu porque tinha uma oportunidade de ouro no país dele. Desta vez já são dois os treinadores que ele despede. E não vem mal nenhum ao mundo por isso. O mal é que ele pretende ser sempre o impoluto, o capaz. Em suma, ele adora ser aquele que nunca erra.
Mas o caso deve ser mesmo grave, dado o Aviz ter falado de futebol numa ocasião como esta. Atípico, muito atípico.
Web Analytics