terça-feira, 8 de fevereiro de 2005
dias gordos
Amanhã é quarta-feira de cinzas. Um tempo que se quer de retiro, de reflexão. Evidentemente que apenas cumprimos o primeiro ideal: comer até fartar. Amanhã continuamos na mesma. Continuamos a comer bem e quanto mais melhor. Enchemos a barriga de palavras que nos entram, casa adentro, e arrotamos felizes e convencidos de que há muita glória.
Amanhã continuaremos convencidos de que não há cinzas, apenas cinzeiros onde depositamos, cinicamente, o lixo da nossa hipócrita existência.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005
Morrer assim, porquê?
De quem não sei.
Ah, se fossemos capazes de cumprir o nosso ideal…
Nota: eu sei muito bem o que é uma viagem para Espanha, para as obras. Eu já experimentei e não fui de avião nem me ocorreu escrever: “ sobrevoando a beira alta”.
domingo, 6 de fevereiro de 2005
da tolerância, da opinião e do silêncio
Aflitos
Os adeptos da bipolarização, socialistas esperançados com a engenharia de obras feitas dos guterristas e os outros, os desiludidos com os seus próprios tiros no pé consomem-nos a alma com trinta e uma teses sobre “como votar bem” e estão, também eles, a viver um desconsolo programático, porque vêem os “periféricos” a trabalhar bem, esforçados, e a aglutinar os seus para o caminho certo nas urnas.
Impressiona-me a quantidade de lições de moral politica que inunda a blogosfera. Repugna-me, de facto, a pequenez emergente da classe de comentadores que parecem teimar em acompanhar o baixíssimo nível dos políticos.
Como dizia eu em cima, há um desespero enorme, suores frios, temores.
Cavaquistas, Guterristas, Fascistas (que os há), uni-vos! O povo já não vai em chantagens!
sábado, 5 de fevereiro de 2005
Não tenham medo!

Vem aí a campanha eleitoral e o ataque aos indecisos. Todos aqueles que defendem os seus interesses, e as politicas que só defendem os seus interesses, votarão na direita. E restam aqueles que têm problemas e que procuram nos políticos e nos governos as melhores respostas. Restam, enfim, os indecisos porque têm sido constantemente enganados. E falam-lhes no “voto útil” e eles perguntam-se onde votar com utilidade. E falam-lhes em mudança e eles perguntam-se o que vai mudar. E falam-lhes em sentido de estado e credibilidade e eles perguntam-se como. Impõe-se, portanto, uma atitude forte e assumida: apelar ao voto na CDU.
Sem medos, sem complexos e com muita convicção eu apelo aos indecisos, aos independentes, que assumam a ruptura com o poder dos “media”, dos bancos e das multinacionais. Mostrem a força do voto traduzida numa ascensão clara dos comunistas na Assembleia da República. Só assim será possível estancar esta terrível onda de irresponsabilidades. Só assim será possível banir esta euforia de ambiciosos. Só assim poderemos contribuir para que o país olhe o futuro com responsabilidade sem nunca se esquecer dos seus, do seu património universal e da sua independência. Assumam-se. Libertem-se! Exerçam um voto que tenha jeito.
Inês Pedrosa no país das maravilhas
Sabia que o Daniel Oliveira escreve no Expresso e pensei ver se ele também não tinha tempo para postar naquele jornal, por via da campanha eleitoral e das viagens e das canseiras. O dinheiro impõe um ritmo muitas vezes mais cruel do que o nosso próprio bio ritmo. Isso é claro!
Estava eu nestas elucubrações quando deparo, na Única, com uma crónica da Bomba I. CHQ (um novo motor de alta cilindrada - um topo de gama!) Já me tinham dito que a CHQ era mesmo uma bomba, mas o retrato da ilustre, que ilustra o artigo, supinou-me aquele sentimento muito próprio de quem espera correspondência, no real, àquilo que imaginara “cá dentro”. Adiante.
Parece que gostou de conhecer Adília Lopes. E ainda bem, porque eu lembro-me bem daqueles programas fantásticos, na dois, de Luis Osório, aquele director da “Capital” que aparece agora nas televisões ainda meio tonto com a conjugação de gravatas e camisas, e onde brilhava aquela mulher de aspecto “Abraço”. Adília Lopes merece a referência. Lembro-me, de memória, de “quem fode, fode. Só fode quem pode”, uma frase forte e ritmada, a merecer trabalho de casa. E não tenho nenhum livro da poetiza. Porque a cultura tem destas coisas: podemos ser cultos através do dinheiro, simplesmente, ou podemos cultivar-nos através da procura de coisas, de retratos esbatidos nos parcos cantos do que nos rodeia. Quem me dera poder chegar a uma livraria e dizer simplesmente: - Olhe, li um poema de Adília Lopes. Por favor queria comprar tudo o que tiver aí desse autor.
Sempre posso fazer outras coisas. Quem pode, pode, afinal.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
Um post verdadeiramente chunga sobre o PSD ( o partido)
A mim, que não sou nem de uns nem de outros, isso dá-me vontade de rir. Muita vontade! Mas também me apetece dizer a todos esses macambúzios do PSD, que andam aí a esfolar o homem, para terem um pingo de vergonha na cara. Viram o partido cair no descrédito e fizeram nada! Viram o cozinhado do poder Santanista e fizeram nada!
Muitos nem ao conselho nacional do partido foram. Demitiram-se disso, é claro.
Depois viram o homem ser eleito em congresso e nada. E continuaram a fazer farinha do mesmo saco. A dizer mal e a comentar. Pegaram em toda a merda que Santana fez. Limparam? Não senhor, cagaram.
E andam aí, empoleirados, a comentar e a dar trunfos ao outro bonito. E a remoer influências de vácuo.
E, ironia das ironias, acolhem o regresso dos guterristas de forma boçal e prazenteira.
Dispensável essa gente, é o que eu digo.
Pobre partido este que tem gente desta, tacanha e vaidosa. Pobre partido este que se vê inundado de ratos de porão à espera de piso seco para roerem os restos.
esconder para esquecer
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005
As faces
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005
o homem Invisível
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu, é o que é.
nada interessa e tudo serve
Já ninguém pensa em propor, em discutir. O melhor caminho é destruir. Fazem palanques luminosos e fingem-se gladiadores. Lutam ferozmente pela atenção. Nada interessa e tudo serve.
a taça
terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
um post sem links em "amigos", "o amigo do amigo", "pobres diabos", "mordomia farisaica", porque voç~e pode bem ser um dos visados
Esta forma de fazer politica é o desespero, o abismo. Mas cuidado porque o povo quer mais. E os amigos do nobre povo andam atentos ao pagode. Não interessa o que se diz, mas sim quem o diz. É a velha história do amigo do amigo. E assim se vão revisitando os pobres diabos, convencidos de que a sua única defesa é ignorar, deixar quieto.
Cumpre-me portanto assinalar o meu aceno de presença. Eu estou presente, e, como eu, muitos mais. Saberemos nós acenar a nossa voz perante a mordomia farisaica que tudo adultera, tudo corrompe?