terça-feira, 1 de março de 2005

e depois disto

E depois disto, da bola e das conversas da bola, do fecho e do último copo, apanhar frio. Um frio que me cortava a visão e me fazia notar que tinha orelhas. E depois disto o regresso a casa, cheio de olheiras e com os cabelos sem norte. Depois disto uma cama quente e o vento, lá fora. Depois disto, barba feita, o café, as leituras e os primeiros mil cigarros. Depois disto, um dia que nasce frio e belo, como um deus nórdico.
Depois disto, a luta.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Million Dollar Baby, Million Dollar Clint

Já tinha visto este filme há algum tempo, ainda nem sequer estava em cartaz no nosso país. Uma obra de arte destas só poderia ter a consagração que teve, ontem à noite.
Vão ver. O estaladão que sentirem ficará a remoer-vos na cabeça durante, pelo menos, uma semana.


sábado, 26 de fevereiro de 2005

reflexos

Ando a ler cada vez menos blogs. Não sei se é apenas uma fase de menor interesse ou se encontro menos interesse na blogosfera. A verdade é que me cansa ler os lamirés banais de meia dúzia de intelectuais com a mania da catequização. Um blog, hoje, já não é aquele sítio cheio de provocações originais, apelativas. Pelo contrário, parece-se cada vez mais com um espaço de permuta de hipocrisias e acessos de mediatização.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Duas ou tres notas para um fim-de-semana só

- Os U2 vêm a Portugal no próximo verão. Muito bom! O que não é bom é que os bilhetes estejam a ser vendidos quase exclusivamente aos clientes da FNAC e da BP. Para uma banda que se afirma alter-globalista, é de muito mau tom saber-se que, afinal, também eles se renderam, directa ou indirectamente, ao lado perverso da globalização.

- Clara Ferreira Alves leu hoje, na TSF, um obituário a João Paulo 2. Para ela o homem é já um defunto.

- A reportagem “Nós por cá, Todos Bem” que a TSF passou durante a tarde de hoje é uma pincelada brilhantíssima de um excerto da nossa tragédia como nação. Os recados daquelas mães aos soldados da guerra colonial diziam tudo de nós. Recomendo muito.O programa será repetido no próximo domingo, depois das noticias das 10 horas.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

ouvindo Coltrane

Deu-me para escrever qualquer coisa sobre o andamento pós eleições. Ouvindo Coltrane deu-me para apagar tudo e ficar quieto.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

nós por cá, todos bem

Agora se por acaso fosses todos capazes de vos prostrardes perante a vossa mais ínfima carga de honestidade e vos perguntásseis até que ponto fostes responsáveis pela calamidade processual da Direita, enquanto coisa do poder, agora se pudésseis olhar para dentro do vosso umbigo, não para ele porque o achais belo, de narcisos que sois, e descortinásseis a vossa clamorosa falta de sentido de missão perante a coisa pública, o objecto supremo da politica, por via da vossa natureza de lacrau, da vossa essência instintiva, o suicídio do poder, talvez perceberíeis que em democracia existe algo incomensuravelmente belo e imbatível: a voz de cada um.

a alcofa da direita é uma linha ténue entre o comer e a comida

“Venceu também a CDU, que conseguiu ressuscitar a linha ortodoxa do marxismo para angariar votos. A CDU está num estado de vida vegetativa, mas teima em morrer.”

Mas que fixação, senhores! A CDU está a morrer e consegue, mesmo assim, ressuscitar a linha dura do marxismo, bla bla bla? Teima em morrer, bla bla bla? Que fixação, senhores!

Por mais que insistam, estes senhores não conseguem admitir o óbvio: existe um ideal, uma outra FORMA de acreditar e, por consequência, há gente que percepciona essa outra via e adere. Custa assim tanto aceitar? Foi a linha dura que conquistou votos? Foi a ortodoxia que forçou mais votos? Foram comidas criancinhas desta vez? Estou em pulgas por saber.
A direita está a viver o seu período de nojo, enquanto a esquerda exulta. Toda a esquerda, aliás. Enquanto uns são demitidos e tentam arrumar os cacos da sua desastrada laboração politica, os outros, aparentemente tomados pela vaidade gostosa da vitoria, fazem planos, muitos planos para o longo futuro de poder que os espera.
Eu cá continuo com os meus problemas e não me posso deles esquecer. E bem grandes! Não me posso esquecer que tenho de ser eu, em primeiro lugar, a dar o primeiro passo para combater essa crise. Tenho que acordar cedo e ir em busca da produção. Tenho que racionalizar os meus gastos. Tenho que procurar melhorar cada vez mais as minhas qualidades. Eu tenho muito para fazer! Não posso ficar aqui, comodamente, à espera que alguém faça por mim aquilo que só eu posso e devo fazer.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

por uma questão de "virança"

O meu partido conseguiu eleger dois deputados pelo Porto. Estou por isso muito satisfeito. Noto que muita gente reclama vitória; "virança" é uma nova palavra do já de si rico vocabulário português.
Portas sai, teatral como nunca. Santana insiste na morte lenta e Louçã apoia-se nos votos da malta nova para dizer que é já um grande partido. Sócrates tem agora uma grande responsabilidade: não defraudar os indecisos que lhe deram tantos votos. Oxalá governe bem, sinceramente.


sábado, 19 de fevereiro de 2005

Have You Ever Seen The Rain? (acoustic Remix Cover - by Cassideena )

Someone told me long ago
There's a calm before the storm,
I know!
It's been comin' for sometime.
When it's over so they say
It'll rain on a sunny day,
I know!
Shining down like water!

I wanna know: have you ever seen the rain?
I wanna know: have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day

Yesterday and days before
Sun is cold and rain is hot,
I know!
Been that way for all my time.
Till forever on it goes
Thru the circle fast and slow,
I know
It can't stop I wonder!

I wanna know, have you ever seen the rain?
I wanna know, have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?

YEAHHHHH!

I wanna know, have you ever seen the rain?
I wanna know, have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?



O árbitro Carlos Xistra sabia muito bem que hoje seria um dia de reflexão e, por conseguinte, tinha a certeza absoluta que o favor prestado ontem ao FCP (perdão de uma grande penalidade flagrante frente ao Belenenses) só podia passar despercebido.
Um bom dia. Reflictam bem porque amanhã será um grande dia: eu faço 39 anos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Neste momento oiço Creedence Clearwater Revival. Uma espécie de nostalgia infra-distante domina-me o pensamento. Oiço um corridinho de melodias que me fazem lembrar a meninice, os sound bytes dos altifalantes em dias de festa, lá na aldeia. Ontem passei na minha aldeia. Tudo mudou na minha aldeia. Fica a música para me ajudar a recompor a memória.
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