sábado, 2 de abril de 2005

20.37


silêncio

Claro que tu nunca irias perceber a cor das minhas emoções. Estás cega de tanto te veres. Olha-me este murmurejo morno, confuso e vê lá se não consegues distinguir uma cor apenas. Ténue, fugaz. É a cor das minhas emoções. Passadiça, brilhando às vezes.
A minha cor transforma-me numa palete de loucura.


imagem tirada aqui.

quinta-feira, 31 de março de 2005

Hoje tive tempo para ler alguma coisa da blogosfera. Não muita. E percebi que, de vez em quando, se faz “psicanálise blogosferica”. Uns porque, de facto demonstram ter sentido critico, outros porque, afinal, experimentam novas sensações e debutam em teses de doutoramento sobre tudo e coisa nenhuma.
Estamos pois perante um caso, a psicanálise blogosferica, para Júlio Machado Vaz comentar no seu excelente Murcon que a elite teima em ignorar, entretida que anda a trocar banalidades, como sempre e desde sempre.

Também recebi o tal vídeo que mostra a agonia a que os animais são condenados por via das suas magnificas peles. Terrível, é um facto. Parece-me simplesmente que estão a perseguir Fátima Lopes, não sei. Conheço pouco da senhora mas acho que a montagem, no tal filme, acusa muito fortemente uma senhora que é só um dos poucos casos de sucesso internacional. Mas aquilo é péssimo, reconheço.

segunda-feira, 28 de março de 2005

ao que parece

Hoje foi um dia duro. Porque há uma crise tão grande e os restaurantes continuam cheios, o casino de Espinho a abarrotar e as estradas municipais completamente congestionadas.
E hoje foi um dia duro.
Há uma crise tão grande, do tamanho daqueles estúpidos invólucros dos ovos de chocolate. Porque um ovo de chocolate merecia mais respeito, deveria estar embalado em papel mais austero. Porque o dinheiro existe. E a crise também.
E hoje não me apetece nada falar nos desfavorecidos. Vivam os lindos ovos de chocolate e as amêndoas da Arcádia.

E também ouvi uma história que falava da última palavra que uma velhinha murmurou antes de falecer: “ Ases”, dissera a moribunda.
Os filhos dirigiram-se ao casino, a conselho de uns amigos, e perguntaram o significado de semelhante coisa. Feitas as apresentações, disseram-lhes que a velha era uma viciada na banca francesa.
Tinha sido feliz a velha e, ao que parece, morrera a sonhar.
Eu um dia vou morrer e quero muito morrer a sonhar.

domingo, 27 de março de 2005

Se eu, um dia, passasse na tua porta e te atirasse um beijo cheio de brilho, tu eras capaz de mo devolver. E se eu, um dia, pegasse no teu beijo e o encaixilhasse entre barras de ouro, ele, por certo, brilharia ainda mais.
Na verdade, esse beijo perdido anda a sonhar com um pôr de sol assim. E um beijo ensolarado é como um refresco numa tarde quente de verão.

[meu deus que piegas]

sábado, 26 de março de 2005

lost highway (reloaded)




Reedito aqui este post de Fevereiro de 2004. Ele tem sido o responsável por muitas entradas a partir do "Altavista". Gente que procura esta música. E procura bem! This is not a lost highway!


Nine Inch Nails - The perfect drug

i got my head but my head is unravelling
cant keep control can't keep track of where it's travelling
i got my heart but my heart's no good
you're the only one that's understood

i come along but i dont know where you're taking me
i shouldn't go but you're wrenching dragging shaking me
turn off the sun pull the stars from the sky
the more i give to you the more i die

and i want you

you are the perfect drug
the perfect drug
the perfect drug
the perfect drug

you make me hard when i'm all soft inside
i see the truth when i'm all stupid-eyed
the arrow goes straight through my heart
without you everything just falls apart

my blood just wants to say hello to you
my fear is warm to get inside of you
my soul is so afraid to realize
how every little bit is left of me

and i want you

you are the perfect drug
the perfect drug
the perfect drug
the perfect drug

take me with you

without you everything just falls apart

it's not as much fun to pick up the pieces

written by Trent Reznor

sexta-feira, 25 de março de 2005

vu (heroin)


weeeeeeeeeeeee

Se um dia todo este ruido terminasse eu ficaria louco. Porque do barulho se constroi a certeza de que existimos. E tantos gritos oiço que nem me importa ouvir o teu. Chuta aí o teu grito, que pode ser de revolta, de amor, de dor ou de outra coisa qualquer.
Gritar faz bem.
Deixemos o silêncio viver a sua utopia. O silêncio acusa-nos, com o dedo em riste. Quem pede o silêncio está claramente a enganar-se. Gritar é, por si só, o orgasmo da nossa existência.

quarta-feira, 23 de março de 2005

ficções

Gervásio descia a rua apressado. Trazia no bolso uma pistola muito bem guardada em papel de embrulho. Parecia uma encomenda postal. E não tinha custado assim tanto dinheiro. Uma pechincha fácil de encontrar, de ter, comprar, possuir. Era o poder, inteirinho!
Olhava a gente que passava e sentia-se grande. Olhar que o mirasse jamais poderia imaginar as razões daquela expressão triunfante. Gervásio tinha uma pistola. Doravante, lá no bairro, a malta vai passar a piar fino e os bófias já sabem o que os espera.
Gervásio acha-se imortal. Percebem? Imortal!

terça-feira, 22 de março de 2005

elas e seus amores

Descia a rua tranquilo e pensava nas andorinhas que resolverão aparecer, não tarda. Pássaros que voltam para os seus amores de verão, que tarefa de amar tem de ser cedo preparada. Pássaros que nos ensinam que o preto é belo e combina com a cor piegas do namoro.
Eu sou dos que vêem romance nas andorinhas. Elas encontram-se e retomam-se cheias de libido e força. Uma força que as faz voar para cá.
E eu a descer a rua ansioso por elas e seus amores.

dias assim

Dias assim, que passam a bulir, fazem-me pensar na melatonina. A melatonina é uma hormona segregada pela glandula pineal. Reduz o stress e retarda o envelhecimento. A melatonina é preciosa. Pois é!

eis o teu rumo (destino:campeão)


foto tirada aqui

domingo, 20 de março de 2005

natureza reles

O início da tarde trouxe-nos a grande notícia de abertura dos telejornais domingueiros: dois polícias assassinados na Amadora. Depois foi ver os repórteres no local e os velhos testemunhos de sempre, a miséria. Depois foi ouvir um polícia a descambar no sistema, nos bandidos. Amanhã iremos ver multidões nos funerais dos pobres polícias.
No meio daquilo tudo eu reparei na arquitectura daquele pardieiro, daquele bar. Facilmente imaginei uma história, a negro, daquilo tudo. Um bar assim, montado numa casita de subúrbios, com marquises feitas a tijolo de sete e vidraças tapadas com cortinados da feira dos tecidos, onde se albergam putas baratas que recebem todo o tipo de gente, policias também, que rapidamente são assimilados pela miséria do negócio fácil. Um bar assim, cheio de ilegalidades existe porque nós somos assim. Não adianta muito ouvir os sociólogos do costume. Bastaria um pouco mais de decência moral no Estado para que atentados destes não existissem. A nossa espécie de povo bom acaba sempre devorada pela sua natureza reles.
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