sexta-feira, 8 de abril de 2005
outra Europa
Ontem passei o dia na Grande Lisboa. Como é diferente a Grande Lisboa. Cascais, Mafra, Sintra. Outro tipo de gente, outro tipo de Europa.
quarta-feira, 6 de abril de 2005
terça-feira, 5 de abril de 2005
será sempre meu
"Talvez sexta-feira fique na Granja, a respirar o ar puro da verdade social que ali constantemente circula"
Eça de Queirós, Carta a Oliveira Martins, 1884
Parei junto à praia da Granja, desliguei a telefonia e fiquei ali a ouvir o mar. O mar das praias do Norte faz um barulho que se prolonga e a espuma das ondas, muito branca, transforma-o num gigante bolo de natas.
Fechei os olhos a ouvir o mar, que falava com os pássaros das árvores. Ao longe percebia um comboio apressado, que se intrometia na conversa.
Esta praia foi muito minha. Nela saboreei a água fria e bronzeei-me todos os verões. Namorei todas as miúdas e sonhei que era o menino do mar.
Tantas vezes me detive defronte dele e fingi que lhe dava ordens. E ele obedecia e brincávamos os dois, perdidos no tempo.
Hoje fui vê-lo e fechei os olhos. Ele não me ignorou, e pareceu mais agitado. Será sempre meu, este mar que aporta na Granja.
Eça de Queirós, Carta a Oliveira Martins, 1884
Parei junto à praia da Granja, desliguei a telefonia e fiquei ali a ouvir o mar. O mar das praias do Norte faz um barulho que se prolonga e a espuma das ondas, muito branca, transforma-o num gigante bolo de natas.
Fechei os olhos a ouvir o mar, que falava com os pássaros das árvores. Ao longe percebia um comboio apressado, que se intrometia na conversa.
Esta praia foi muito minha. Nela saboreei a água fria e bronzeei-me todos os verões. Namorei todas as miúdas e sonhei que era o menino do mar.
Tantas vezes me detive defronte dele e fingi que lhe dava ordens. E ele obedecia e brincávamos os dois, perdidos no tempo.
Hoje fui vê-lo e fechei os olhos. Ele não me ignorou, e pareceu mais agitado. Será sempre meu, este mar que aporta na Granja.
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foto retirada daqui
segunda-feira, 4 de abril de 2005
sábado, 2 de abril de 2005
Claro que tu nunca irias perceber a cor das minhas emoções. Estás cega de tanto te veres. Olha-me este murmurejo morno, confuso e vê lá se não consegues distinguir uma cor apenas. Ténue, fugaz. É a cor das minhas emoções. Passadiça, brilhando às vezes.
A minha cor transforma-me numa palete de loucura.
A minha cor transforma-me numa palete de loucura.

imagem tirada aqui.
quinta-feira, 31 de março de 2005
Hoje tive tempo para ler alguma coisa da blogosfera. Não muita. E percebi que, de vez em quando, se faz “psicanálise blogosferica”. Uns porque, de facto demonstram ter sentido critico, outros porque, afinal, experimentam novas sensações e debutam em teses de doutoramento sobre tudo e coisa nenhuma.
Estamos pois perante um caso, a psicanálise blogosferica, para Júlio Machado Vaz comentar no seu excelente Murcon que a elite teima em ignorar, entretida que anda a trocar banalidades, como sempre e desde sempre.
Também recebi o tal vídeo que mostra a agonia a que os animais são condenados por via das suas magnificas peles. Terrível, é um facto. Parece-me simplesmente que estão a perseguir Fátima Lopes, não sei. Conheço pouco da senhora mas acho que a montagem, no tal filme, acusa muito fortemente uma senhora que é só um dos poucos casos de sucesso internacional. Mas aquilo é péssimo, reconheço.
Estamos pois perante um caso, a psicanálise blogosferica, para Júlio Machado Vaz comentar no seu excelente Murcon que a elite teima em ignorar, entretida que anda a trocar banalidades, como sempre e desde sempre.
Também recebi o tal vídeo que mostra a agonia a que os animais são condenados por via das suas magnificas peles. Terrível, é um facto. Parece-me simplesmente que estão a perseguir Fátima Lopes, não sei. Conheço pouco da senhora mas acho que a montagem, no tal filme, acusa muito fortemente uma senhora que é só um dos poucos casos de sucesso internacional. Mas aquilo é péssimo, reconheço.
segunda-feira, 28 de março de 2005
ao que parece
Hoje foi um dia duro. Porque há uma crise tão grande e os restaurantes continuam cheios, o casino de Espinho a abarrotar e as estradas municipais completamente congestionadas.
E hoje foi um dia duro.
Há uma crise tão grande, do tamanho daqueles estúpidos invólucros dos ovos de chocolate. Porque um ovo de chocolate merecia mais respeito, deveria estar embalado em papel mais austero. Porque o dinheiro existe. E a crise também.
E hoje não me apetece nada falar nos desfavorecidos. Vivam os lindos ovos de chocolate e as amêndoas da Arcádia.
E também ouvi uma história que falava da última palavra que uma velhinha murmurou antes de falecer: “ Ases”, dissera a moribunda.
Os filhos dirigiram-se ao casino, a conselho de uns amigos, e perguntaram o significado de semelhante coisa. Feitas as apresentações, disseram-lhes que a velha era uma viciada na banca francesa.
Tinha sido feliz a velha e, ao que parece, morrera a sonhar.
Eu um dia vou morrer e quero muito morrer a sonhar.
E hoje foi um dia duro.
Há uma crise tão grande, do tamanho daqueles estúpidos invólucros dos ovos de chocolate. Porque um ovo de chocolate merecia mais respeito, deveria estar embalado em papel mais austero. Porque o dinheiro existe. E a crise também.
E hoje não me apetece nada falar nos desfavorecidos. Vivam os lindos ovos de chocolate e as amêndoas da Arcádia.
E também ouvi uma história que falava da última palavra que uma velhinha murmurou antes de falecer: “ Ases”, dissera a moribunda.
Os filhos dirigiram-se ao casino, a conselho de uns amigos, e perguntaram o significado de semelhante coisa. Feitas as apresentações, disseram-lhes que a velha era uma viciada na banca francesa.
Tinha sido feliz a velha e, ao que parece, morrera a sonhar.
Eu um dia vou morrer e quero muito morrer a sonhar.
domingo, 27 de março de 2005
Se eu, um dia, passasse na tua porta e te atirasse um beijo cheio de brilho, tu eras capaz de mo devolver. E se eu, um dia, pegasse no teu beijo e o encaixilhasse entre barras de ouro, ele, por certo, brilharia ainda mais.
Na verdade, esse beijo perdido anda a sonhar com um pôr de sol assim. E um beijo ensolarado é como um refresco numa tarde quente de verão.
[meu deus que piegas]
Na verdade, esse beijo perdido anda a sonhar com um pôr de sol assim. E um beijo ensolarado é como um refresco numa tarde quente de verão.
[meu deus que piegas]
sábado, 26 de março de 2005
sexta-feira, 25 de março de 2005
weeeeeeeeeeeee
Se um dia todo este ruido terminasse eu ficaria louco. Porque do barulho se constroi a certeza de que existimos. E tantos gritos oiço que nem me importa ouvir o teu. Chuta aí o teu grito, que pode ser de revolta, de amor, de dor ou de outra coisa qualquer.
Gritar faz bem.
Deixemos o silêncio viver a sua utopia. O silêncio acusa-nos, com o dedo em riste. Quem pede o silêncio está claramente a enganar-se. Gritar é, por si só, o orgasmo da nossa existência.
Gritar faz bem.
Deixemos o silêncio viver a sua utopia. O silêncio acusa-nos, com o dedo em riste. Quem pede o silêncio está claramente a enganar-se. Gritar é, por si só, o orgasmo da nossa existência.
quarta-feira, 23 de março de 2005
ficções
Gervásio descia a rua apressado. Trazia no bolso uma pistola muito bem guardada em papel de embrulho. Parecia uma encomenda postal. E não tinha custado assim tanto dinheiro. Uma pechincha fácil de encontrar, de ter, comprar, possuir. Era o poder, inteirinho!
Olhava a gente que passava e sentia-se grande. Olhar que o mirasse jamais poderia imaginar as razões daquela expressão triunfante. Gervásio tinha uma pistola. Doravante, lá no bairro, a malta vai passar a piar fino e os bófias já sabem o que os espera.
Gervásio acha-se imortal. Percebem? Imortal!
Olhava a gente que passava e sentia-se grande. Olhar que o mirasse jamais poderia imaginar as razões daquela expressão triunfante. Gervásio tinha uma pistola. Doravante, lá no bairro, a malta vai passar a piar fino e os bófias já sabem o que os espera.
Gervásio acha-se imortal. Percebem? Imortal!
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