terça-feira, 14 de junho de 2005

Caro besugo,
Finalmente falaste sobre Pedro Barbosa. Ele é, para mim, um tipo de tomates, mas legou para a história do futebol a elegância e a forma delicada com que sempre tratou a bola. Há quem tenha tomates para muitas coisas. Uns até têm três, vê lá tu.
Nos dias de hoje pode-se encomendar uma latinha, estás a ver uma latinha do tipo feijão compal?, abre-se e coloca-se à janela e nascem tomates, pequeninos, redondinhos, e vermelhinhos. Mas colhões nem todos têm. De fibra, revestidos de escroto de alcatrão. Resistentes à humidade moral, ao caruncho sacro. Colhões desses duram anos, ultrapassam memórias e, às tantas, porque são de carne, morrem. E fazem-se-lhes loas, homenagens. Não por serem velhos, mas por serem colhões. Os tomatinhos vermelhinhos redondinhos bonitinhos continuam enlatados, protegidos, confortavelmente regados e amaciados e são tão lindos e perfeitos que todos os querem. Nabos.

segunda-feira, 13 de junho de 2005


"O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul."

Amoras, de Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

1913-2005



Ó revolucionários chorai,
Não demoreis muito mais tempo,
Porque obituários surgirão,
De penas prenhes de munições.

E vós, gente da beira da estrada,
Tirai as boinas em sentido.
Olhai que ele nunca chorou,
Nunca beijou
Nunca traiu.
Tirai as boinas vermelhas
E acenai.
Ele vai de passagem.

domingo, 12 de junho de 2005

O Murcon apresenta-nos um estudo [esta ciência]que nos informa de que olhar para as mamas é bom para a saúde dos homens (e para as lésbicas, penso eu).Mas olhar para estas pode ser frustrante.

como aprendi a deixar de me preocupar e a amar a bomba


Eu estava quase inclinado a escrever qualquer coisa sobre ao desaparecimento do camarada Vasco Gonçalves. Talvez movido pelo impulso revolucionário que tenho, associado à necessidade de me conter para não ferir susceptibilidades, o melhor mesmo é não o fazer. Vou antes visitar uns tantos sites sobre pornografia, visitar meia dúzia de blogs eróticos e o resto que se foda. Que se fodam esses reaccionários da merda que, de tão bestas e calcinados, já escreveram tudo. Está lá tudo!
Mais logo vou ver aquele filme de Stanley Kubrick, de 1964, que trata da guerra fria e de tudo o que ainda vai nas cabecinhas desses idiotas.

Adenda: Nos extras deste excelente DVD comemorativo dos 40 anos do filme Dr. Strangelove, aparece alguém a contar que Ronald Reagan, logo após tomar posse como presidente dos EU, pediu, ansioso, para lhe mostrarem a Sala de Guerra em Washington, onde lhe disseram que aquela sala nunca existira senão no referido filme de Kubrick. Pois pois.

sábado, 11 de junho de 2005

morreu um dos nossos


Vasco Gonçalves

nem fodem nem deixam foder


SE O REFERENDO ao Tratado Constitucional Europeu em Portugal fosse hoje, tudo poderia acontecer. Numa simulação do referendo realizada esta semana pela Eurosondagem para o EXPRESSO, com voto secreto em urna, o resultado foi um empate técnico: 50,8% dos portugueses disseram «Sim» ao Tratado e 49,2% votaram «Não».
In "Expresso"

sexta-feira, 10 de junho de 2005

O underground de carcavelos


Depois de uma tarde de praia, resolvi rever “Underground” de Emir Kusturica. Viajei para longe, portanto. De modo que só à hora de jantar soube do nosso “underground”, isto é, os lisboetas foram de férias para o Algarve, em massa, e os que não têm massa ficaram-se por Carcavelos. Pior do que ficar em Carcavelos por não se ter massa é ser-se atacado por uma massa de tipos “ground zero da massa”. Assaltados por cerca de 500 meliantes, pretos, dizem, e a mim isso diz nada porque se há segregação e desgraça e desemprego quem paga são as minorias étnicas, e, portanto, é natural que daqueles 500 bandidinhos muitos sejam pretos, os lisboetas apanharam um grande susto. A outra metade que foi para férias deve estar aliviada e a dar graças a deus por não ter ficado naquela “Adega”. O nosso Marko (isto já é analogia com o Underground do Kusturika) deve andar num corre-corre a atrasar as horas. Não vá o desgraçado do povo perceber que afinal não há crise nenhuma e que ele também poderia estar a gozar férias no Algarve bem longe dos gangs. E cheio de massa.

quinta-feira, 9 de junho de 2005

espantos food-i-do's

espanta-me:
- O besugo ainda não ter falado do Pedro Barbosa.
- Ainda não ter visto aquele acolhimento lamechas, graxa e corporativo ao "blog pelo sim" de Marcelo Rebelo de Sousa.
- Os cartoons do Blasfémias ocuparem tanto espaço no blog.
- Essa tendência de fechar o blog porque se vai de férias ( curioso porque muitos encerram definitivamente os seus blogs deixando-os, contudo, disponíveis para serem lidos.
- O CAA ainda não ter elogiado a fabulosa goleada de "quatro a um" imposta ao Benfica, aliás em casa do Benfica, pelo FCP (Juvenis).
- Não haver despedimentos nos blogs colectivos (face à crise de ideias).
- O afixe ter sido ultrapassado em visitas diárias pelo Abrupto. Note-se que o afixe é um blog colectivo, bem escrito (malgré la lagartage!) e já deu livro.
- O Dragoscópio ainda não ter sido publicado em formato livro de bolso europa-américa.
- A lolita ainda não se ter inscrito no almoço de bloggers do próximo dia 25 de Junho, no Porto, aliás, em Gaia.
- O incomensurável ainda não ter revelado a face daquela mamuda.
- O bombainteligente (glup) ainda não ter sido convidado por uma editora, que não "a dela", para converter as fotos das vedetas do cinema que ora acordam assim ora acordam assado em livro esbelto a dez euros e presente em tudo o que é lidl e leclerq.
- O Aviz ainda não se ter dignado escrever uma coisa qualquer sobre a holandalização do nosso futebol (valha-nos São Scolari, o Bandeirinha)
- O jpt ainda não ter respondido claramente por onde é que se há-de ir se, afinal, não há caminho.


As mulheres são especialistas em muitas coisas. Sofisticadas, preferem contar as suas histórias num estilo “crónica feminina” fingindo pouca profundidade escondida na sofisticada ressonância do seu dia a dia. Uma mulher que se diga moderna recusa o histerismo, aprova as matérias fracturantes e lê muitas revistas. Está pois treinada para ler coisinhas sobre tudo e nada que podiam ter acontecido com elas. Ao lerem uma frase do género “ Entrei no autocarro e ele lá estava, cheiroso como sempre. Olhei para o seu traseiro e só me apetecia come-lo” imaginam de forma fértil a possibilidade de terem um flirt com o colega de escritório, também ele bem cheiroso e de bom porte, nada a ver com o pasmonço que dorme com elas, que ressona e se peida continuamente e ainda por cima desarruma a casa como se isso fosse imperativo para que ela ficasse em casa nas tardes de sábado. Ora bem, este tipo de escrita, moderna e universal é um produto que pega bem porque as mulheres, sofisticadas, estão-se nas tintas para as filosofias e outras profundidades literárias. Elas querem voar dali para fora, do casamento merdoso e da rotina cruel. Elas sabem que gostariam muito mais de foder alarvemente, com qualquer um, do que estarem castradas na condenação eterna da fidelidade. Por outro lado, as mulheres não aceitam a pornografia. Isso está já dentro delas, no seu imaginário. Elas preferem adivinhar as virtudes do macho por detrás da farda de trabalho e sonham que ele, também, não desdenharia uma foda ali mesmo, na secretária. Então onde está o problema? Penso que não existe problema. O que temos aqui é apenas a ideia de que tudo poderia ser diferente. Mas nada de complicações. Uma mulher moderna não quer complicações. Prefere a arrumação, a simplicidade e a substância. O resto é apenas casamento.

foto tirada daqui

quarta-feira, 8 de junho de 2005


Afinal sempre é o Koeman, aquele tipo cara de mau que nos ganhou uma Taça dos Clubes Campeões Europeus. Sim, ainda no tempo em que só os clubes campeões participavam naquela prova. Esse Koeman dos petardos, cara feia e bom rapaz. Um Jorge Costa anos oitenta. Claro que o escutei com gosto e percebi-lhe o pragmatismo de quem acaba de entrar num clube campeão e onde ninguém o obrigou a dizer que “vai ser campeão de certeza”. Mas confesso que esperava mais audácia, ou melhor, mais descaramento. Pode ser que esta laranjinha me surpreenda.



Também gostei de ouvir Pedro Barbosa. Sempre apreciei os ditos do Pedro que nunca foram daquelas frases feitas, à futebolista, lugares comuns etc e tal. O Pedro sempre foi assim. Um rapaz coerente, sério, elegante na forma como fala, sem medo, contudo, de dizer as coisas que são para se dizer.



E Portugal lá ganhou, à Benfica, melhor dizendo, à Trapatoni. O Scolari realmente é um gajo de sorte. Aposta numa equipazinha á moda dos seus interesses corporativos. Que os há, meus amigos, que os há! E lá vai conseguindo os seus objectivos. E depois tem ali um naipe de comentadores narradores que fazem lembrar velhos a virem-se sempre que a gaja dá um peido. Mete dó ouvir tanto elogio fácil e fútil sempre que a rapaziada toca na bola. Mas é assim mesmo! Há que exaltar a selecção, se ignorarmos o facto de que eles se dizem jornalistas. Enfim…

Bom, o texto vai longo e a noite vai quente e oiço lá fora uma Zundap a roncar. Raios, esqueci-me de repente que este post é sobre futebol. Da minha janela vejo a serra de Valongo. Arde? Ainda não.

la vache qui ri

Há vinte anos atrás eu fui ao cinema Sala-Bébe ver o “Paris, Texas” de Wim Wenders. Adorei o filme, claro está. A banda sonora, a fotografia e os excelentes planos e textos e a Natasha, claro. Tinha os meus 18 anos, estudava e andava à boleia. Casamento era, para mim, uma projecção. Um telhado que eu via e nem imaginava como chegar lá. Por isso adorei o gajo do filme, a panca dele e o olhar despojado em busca do “eu”, atrofiado no betão armado.
Ontem voltei a ver o filme. Vinte anos depois, casado, pai de filhos e cheio de sentimentos destes, de quem está casado e é pai e, claro está, ainda com aquela alma de viajante perdido. Uma história senhores. Uma história. Deliciosos textos de amor e paixão paternal que me arrebataram, agora, vinte anos depois. Porque sou pai.


terça-feira, 7 de junho de 2005

Depois de um almoço bom tenho sempre vontade de escrever qualquer coisa no meu bloguito. Por vezes surge-me inspiração aceitável, que não agora, e lá me sai qualquer coisa "de dentro da alma". E uma vez aqui, apetece-me falar de "Quim Barreiros". Aquela letra do ténis que é duro e ele vai ajuda-la a enfia-lo tem muito mais sabedoria do que os milhares de livros recém editados e que nascem do mesmo útero: "o pimba"
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