domingo, 19 de junho de 2005

Não é por nada, mas, por exemplo, esse filme que anda aí nos cinemas, protagonizado por Brad Pitt e por Angelina Jolie é uma produção marcada por grande promoção publicitária. Resultado: vai gerar uma grande afluência de público e, depois, porque o filme é realmente uma bosta de filme, o “boca a boca” vai fazer com que a sua retirada de cena seja realmente muito mais rápida do que os seus promotores gostariam.

sábado, 18 de junho de 2005

retratos

Quando vi para os blogues, pensei que fossem algo diferente .. da tipica mentalidade portuguesa .. Tenho um filho, que já foi espancado duas vezes, e apesar das inumeras queixas, a tribunais, e outros, ninguem fez nada - juizes, etc ..

Montei um blogue, a pensar que ia ter apoio de muitas pessoas . Pensei, isto são pessoas que escrevem, sao diferentes .

Engano meu … é a mesma merda de sempre .- falam de sexo, cozinhados e paneleirices, politica ou melhor, PARTIDOS , e organizam jantares

Linkam entre eles, e pronto .

Grande desilusao
é o povo portugues, no seu pior â mesma


Passei a tarde em casa. A praia esteve apagada de sol e o Alexandre despediu-se de mais um ano (o último por vontade dele) de catequese. No AXN, canal de plástico da tv cabo, passava uma reportagem sobre a Triple Crown do Havai, em Surf. E ali quem desancava era o autóctone Sunny Garcia, se não me enganei no nome. Um moço preto, surfista, a malhar nos de fora, branquinhos mas respeitadores dos preconceitos do anfitrião. Gostei de ver aquela frente nacional a esbofetear tudo e todos: “De onde venho quem olhar para a minha mulher leva porrada”. Boa Sunny!

O silêncio de muitos quanto à manif da Frente Nacional marcada para esta tarde (principamente deste) explica muita coisa. Voltai velhos tempos, estamos à espera.

let's party (who's in charge?)



sexta-feira, 17 de junho de 2005

livro - painéis de s. vicente de fora [aqui]


É claro que um blog pode passar a livro. A ponte existe e basta um pouco de margarina vaqueiro e já está. O problema não é esse. O problema é o critério. Se um dia eu pretendesse publicar um livro jamais seria a partir de um blog.
Para mim escrever um livro é, neste momento, uma empreitada impossível porque não sei escrever um livro. Simples. Escrever um livro tem de ser algo muito especialmente artesanal, talvez uma coisa única que possa dar frutos.
Portanto, eu tenho sido crítico de alguns livros que nascem a partir de blogs, não pelo facto de criticar por criticar mas sim pelo que significa para mim o acto de escrever um livro. Já sei que há imensos livros que jamais foram “escritos”, jamais foram arte. E vendem. Parabéns para os autores pelo dinheiro que ganharam e não pela arte que nunca o foi. É nesse sentido que me atrevo a não comprar, a não ler e a criticar certo tipo de livros. É a visão tranquila de alguém que continua a ver um livro como essência e não como objecto de decoração, fast-food, se quiserem. É, também, ter um certo respeito por tantos artistas que lutam desesperadamente por uma editora, uma porta aberta, que simplesmente não os vêem, não os ouvem.

quinta-feira, 16 de junho de 2005

sangue de gaja


Sinceramente, Francisco, o seu texto de hoje do JN deixou-me de boca aberta. Sim senhor! E logo numa maré de obituários e quejandos, vem o estimado com uma palestra muito interessante sobre gajas a escrever bem em Portugal. Adorei. Principalmente porque sou leitor de quase todos os blogs que refere, se bem que, cá para nós, há um blog que está para a blogosfera como rissol de camarão para casamento: aparece sempre.
Bom, Francisco, de modos que eu decidi que este blog precisa de sangue novo. Sangue de gaja. E portanto, está aberto a inscrições femininas, sendo que o único requisito será ser gaja mesmo e, pronto, se não conseguir chegar aos calcanhares da Rititi, que seja ao menos uma bomba.

quarta-feira, 15 de junho de 2005

O problema da maior parte dos bloggers é que vêem demasiada televisão, ouvem demasiados debates e lêem demasiados artigos de opinião. Muitos já não sabem o que é uma cervejinha geladinha, um cigarro e dois ou três palavrões. Se calhar nunca jogaram à lerpa.


Which Six Feet Under Character Are You?
Keith
You are Keith, boyfriend to David Fisher. You are a
tough cop who doesn't take anyone's shit. And
if you have to shoot them, so be it. You're a
bit of a live-wire when things piss you off,
but you're always there when someone needs you.


via a razão das coisas

terça-feira, 14 de junho de 2005

a piada da semana


via bar da rodoviária

Os “arautos da verdade” insistem e persistem na ideia de que Cunhal queria impor uma ditadura soviética em Portugal. Apesar disso não passar de um famigerado “se”, o facto é que isso vai vingando, tal a força dos “média” e o empenho dos “opinon makers”. Pergunto eu se naquele quadro de guerra-fria entre América e União Soviética de então, não terão sido os americanos e os ingleses, os tais amiguinhos de Mário Soares, que o manipularam (ao Soares) e fizeram sobressair naquela cabecita oca a ideia de que Portugal seria a nova Cuba da Europa, até como forma de mostrarem aos Russos e ao mundo que eles, os capitalistas, estavam a recuperar e a ganhar terreno, tal como o viriam a fazer na Indonésia, travando a autodeterminação de todo um povo- TIMOR -, condenando-o ao jugo imperialista de Jacarta. Tudo isto foram iniciativas Americanas para combater o inimigo URSS, em todas as latitudes. E aqui valerá a pena uma outra equação: Cuba é um estado falido hoje, também graças a eles, aos americanos.
Estou por conseguinte convencido de que a missão de Cunhal foi sempre a de implementar a democracia em Portugal, de esquerda, obviamente. E a prova disso é que ele teve influência brutal no 25 de Novembro ao evitar e desaconselhar uma guerra civil em Portugal. A outra face estava armada (pelos ingleses) e ele poderia facilmente ter acesso a armamento soviético. Não o fez porém. Respeitou, foi tolerante e aceitou os desígnios do povo, apesar de saber que esse mesmo povo já estava contaminado pelo vírus da contra-revolução.
Portanto, Cunhal é, com todo o mérito, uma grande figura da nossa história. Não por ser ditador, que nunca o foi, não por ser um tirano, que nunca o foi, mas sim porque esteve sempre ao lado dos que sofrem, dos oprimidos. Ora senhores, se este homem tinha convicções, tinha lutado por elas, tinha um sonho de liberdade, porque não ter-se batido por tudo isso? Com armas? Não, meus amigos, bateu-se com paz e tranquilidade. Sempre. Lutou sempre, mesmo muito antes do 25 de Abril. Um homem destes merecia outro país. Mas era Portugal que ele amava e que o fazia sonhar.
Caro besugo,
Finalmente falaste sobre Pedro Barbosa. Ele é, para mim, um tipo de tomates, mas legou para a história do futebol a elegância e a forma delicada com que sempre tratou a bola. Há quem tenha tomates para muitas coisas. Uns até têm três, vê lá tu.
Nos dias de hoje pode-se encomendar uma latinha, estás a ver uma latinha do tipo feijão compal?, abre-se e coloca-se à janela e nascem tomates, pequeninos, redondinhos, e vermelhinhos. Mas colhões nem todos têm. De fibra, revestidos de escroto de alcatrão. Resistentes à humidade moral, ao caruncho sacro. Colhões desses duram anos, ultrapassam memórias e, às tantas, porque são de carne, morrem. E fazem-se-lhes loas, homenagens. Não por serem velhos, mas por serem colhões. Os tomatinhos vermelhinhos redondinhos bonitinhos continuam enlatados, protegidos, confortavelmente regados e amaciados e são tão lindos e perfeitos que todos os querem. Nabos.

segunda-feira, 13 de junho de 2005


"O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul."

Amoras, de Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

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