sábado, 23 de julho de 2005

pum

o euromilhões merecia uma visita do comissário europeu para os jogos de azar. está a ser uma seca, como a seca, este euromilhões. nenhum primeiro prémio e, por consequência, mais um jackpot, ou lá o que é. mais uma semana de loucura com as rádios a debitarem banalidades sobre " se eu ganhasse o euromilhões". e os blogs também, que blog decente e de grande audiência tem de falar nestas merdas, de forma jocosa, desprendida, quase a pretender imitar um qualquer "montypeytonismo".
note-se que a malta, para além desta seca do euromilhões, de trinta e tal milhões de euros gastos numa semana em chaves e chavinhas, anda entretida a ver as cenas histéricas do "london, london what did you die for..." , ou coisa, e esquece que são os espanhóis quem nos fodem. fazem explendidos transvazes dos nossos rios, que também são deles, sendo internacionais, não têm problemas de seca no sul, ou se têm não se comparam com os nossos, e a malta a jogar o euromilhões. e os psicólogos e os sociólogos a dar conselhos de como deve um gajo comportar-se no caso de ganhar a dita lotaria.
que se fodam! uma bomba nesta merda é que era bom. foder isto tudo sem dó nem piedade.
"duas torres foi pouco", escreveu um gajo, certo dia. pois foi. deviam explodir com esta merda toda.
até amanhã.
pum: explodi

quinta-feira, 21 de julho de 2005

quarta-feira, 20 de julho de 2005


Nunca li livro algum da série Harry Potter, embora existam cá em casa todos os exemplares editados em português. Nem vou ler, assim como também não conto ler o Código Davinci (já o vi aqui em casa). Os meus filhos são leitores fiéis da saga de J.K.Rowling e foi com excepcional interesse que receberam das minhas mãos a revista Time desta semana, que apresenta uma breve reportagem sobre o tema.
De qualquer forma um livro que vende mais, num fim-de-semana, do que as estreias das super-produções de Hollywood merece óbvio destaque. Porque, apesar de tudo, é um livro, tem um enquadramento narrativo, conta uma ou mais histórias e cativa, pela energia da aventura, quer os jovens quer os mais velhos. Ainda bem que um livro vende assim tanto. Um livro, leram bem.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Hoje havia frango no frigorifico à espera de ser cozinhado. De modo que disse à minha mulher que sossegasse, eu faria o jantar.
Peguei na última revista Grande Reportagem e atirei-me à receita do Francisco José Viegas.
Peitinhos de frango, pimentos, mostarda... tinha disso tudo aqui em casa, de maneiras que abri a revista na dita página e lá me fiz à estrada.
Aqui em casa a malta adora massa. Tudo o que tenha massa escapa, mesmo que não seja lá grande coisa. Cozi esparguete em água e sal e deitei um frango partido em pedacinhos a dourar em azeite. Depois retirei o franguito e acrescentei mais azeite e mostarda ( que não de Dijon- savora mesmo ) e também acrescentei uma colher de sobremesa de mel; e conhaque não tinha. É pá, faltava o conhaque. No problemo: tinha uma garrafa de aguardente vínica muito forte que me fora dada por um amigo que trabalha na Taylors, misturei um pouco de “vino do puorto” e pronto, lá arranjei uma colher de um jogador qualquer que possa substituir o Tomasson. Quem não tem cão caça com gato, né?
E pronto. Deixei encorpar aquilo, sem esquecer os pimentos verdes ( maravilha ) e voltei a colocar o fricassé de frango. Resultou bem, muito bem mesmo.
Decorei o truque e prometo que o utilizarei em muitas outras ocasiões. Com peru, com bifanas, com entrecosto. A mostarda, o mel e a aguardente vínica ( ou melhor, o conhaque) refinam qualquer conduto.
Além disso, devo dizer que durante a minha prestação como cozinheiro também fiz e bebi um favaios-tónic que bem me soube. Não tem nada que saber, basta misturar um favaíto com água tónica e acrescentar muito gelo com uma rodelinha de limão. É português, fresco e sabe muito bem. Experimentem.

sábado, 16 de julho de 2005

Cheguei a Alijó em hora e meia, vindo do Porto. É um lugar pequeno mas muito acolhedor. A Revidouro está bonita, muitos produtos da terra, essencialmente vinhos, fumeiros e azeites...e os meus também. A UTAD montou um stand com internet, donde estou a editar este post.Ao longe oiço os "Zés-Pereiras" a bombar. A festa promete e Rui Veloso é a principal atracção, lá mais para o fim da noite.
O interior é bom. Façam o favor de melhorar as vias de comunicação.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

ela ali estava, sempre presente. colava-se naquela parede, todos os dias, paciente e de olhar lânguido, doce e apelativo, vendedora de sonhos forrados com êxtase e bordados de volúpia. conjugava muito bem a pose com a profissão e obrigava a distrações momentâneas. Punha-se de olhares até que algum moço, mais ou menos maduro, a abeirasse, quase discreto, e a conversa era quase sempre breve e concreta. a conversa fugia daquilo tudo, da magia dos seios, dos sonhos forjados entre o vermelho e o verde do semáforo.
"quanto levas?".
nada de mais, se tomarmos em consideração os dentes brancos e absolutamente certinhos. muito interessante, se levarmos em conta a sua pele clara, macia e cheirosa. quase dado se olharmos de perto o seu decote doce e bom.
a conversa é que reprimia o sonho, dizia eu, porque era um diálogo comercial, de fecho na hora, sem emoção. e que bom deveria ser poder conversar com ela, sem negócio, sem preço, a olhar o rio lá em baixo e a ouvir as gaivotas aldeeiras.
seria possível? haveria vida íntima para além daquela parede, para além daquelas quatro paredes feias e iluminadas com fraca luz? por certo sim, quem sabe. por certo há um história de amor naquele coração que palpita. há, de certeza, alguém que a ouve sem lhe bater, que a mima de gelados como se faz a uma moça qualquer, a uma empregada de balcão ou a uma vendedora da Zara.
estou certo disso enquanto inicio a marcha, porque abriu o sinal e urge chegar a casa. haverá uma casa também. e miudos e compras e telenovelas.
quem sabe. eu acho que sim.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Alguns Bloggers fizeram referência às entrevistas que Judite de Sousa ( a mãe da expressão "Portugalce") fez à irmã de Álvaro Cunhal e a Urbano Tavares Rodrigues. Os anti-comunistas disseram "bla bla bla" e os que se julgam únicos em matéria de "Álvaro Cunhal" disseram "bla bla bla". Eu, por mim, deliciei-me a ouvir o Professor Catedrático e senti-me muito pequenino quando ele confidenciou que aconselhou Álvaro Cunhal a respeito da forma como ele deveria escrever, na necessidade de se introduzir mais elementos pictóricos na narrativa, por exemplo. Julgo que valeu por isso mesmo, por ouvir Urbano Tavares Rodrigues que, um dia talvez, já desaparecido, será evidentemente mais escutado ainda.
Editem-se livros mas é, que aprender já todos sabem.

Ó meu caro Dr. B, desculpe lá o tom formal, mas eu insisto na perspectiva de que só o meu amigo está habilitado a falar do Glorioso e Campeão-Nacional-com-o-pior-plantel-de-todos-os-tempos (sendo que só não teve o pior treinador graças ao Csernai) Sport Lisboa et Benfica, da forma vernácula e acintosa como só o caríssimo sabe. E se quiser (ou se quiserem) um exemplo, ainda me estou a lembrar da "cara de rascunho", o melhor retrato tridimensional de um jogador, alguma vez escrito. Pronto, foi só um exemplo a provar que nem todos são delgados na escrita. Por outro lado, caro lagarto, eu tenho especial dificuldade em zurzir na lagartagem, porque gosto deles. Gosto de vós porque a camisola é sempre bonita, os adeptos perdem com o Benfica mas saem do estádio de braço dado, e a vossa equipa normalmente perde contra o SLB, quando se trata de um jogo decisivo. Portanto não pense o amigo que eu vou descer ao seu nível só porque posso. É preciso sentir.
Ademais, saiba o excelentíssimo descendente do Visconde de Alvalade que eu vou estar presente na Revidouro, sábado e domingo, e, se lhe der jeito, passe por lá para bebermos um tinto "de consumo" e verá que eu não passo de um "enfant timide". Por isso nem pense levar consigo armas de duelo; antes leve boa disposição e curiosidade bastante para tudo saber sobre os magníficos produtos que eu lhe poderei demonstrar. E já sabe: não é para comprar nada. Se bem que eu possa, excepcionalmente, puxar do livro de encomendas, uma vez que Alijó fica pouco perto da nossa mui amada Vila Nova de Gaia.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

caro Dr. B, tu desculpa lá o tom informal, mas olha que eu tenho uma hiperligação do Diário Digital aqui no meu fedidito e, ontem, quando li este artigo pensei logo em ti pá. E também pensei em ti quando vi que o Miguelito não tem razão nenhuma. E também pensei em ti quando vi o João Pereira a pedalar na Suiça. Não sei pá, ainda estou à espera que me digas porque carga de água ganhaste pessonha ao gajo... a não ser que comungues da minha opinião: que o gajo é um vaidoso de merda e não vale a ponta de um chaveiro, acrescentando o facto de que uma recepcionista do Hotel Solverde me confidenciou que ele, o caralho do joão pereira, é mesmo um filho da mãe de um vedetinha petulante... e ainda por cima um meia-leca. Bom, fico por aqui. Já é pensar demais num gajo. Dasse...

terça-feira, 12 de julho de 2005

lembrar



Hoje faria 101 anos se fosse vivo.

XX
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.


Veinte poemas de amor y una
canción desesperada

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Ontem foi dia de S. José do Outeiro (imagem:Josefa de Óbidos "S. José e o Menino"), um lugar com capela, da freguesia onde habito, S. Pedro de Pedroso, em Vila Nova de Gaia. O calor, misturado com o cheiro a mata ardida, influenciou o estado de espírito dos fiéis. De modo que, estando a procissão a iniciar o seu monumental cortejo, logo foi parada devido a uma cena de pancadaria protagonizada por duas famílias desavindas. Muito alarido, algumas murraças e mulherio pelo chão (que nestas coisas as mulheres são muito roliças) e o GNR muito ciente da sua nobre tarefa dizia: " A minha missão é olhar pela procissão. Liguem para o posto e chamem a guarda". A bem da causa fiel que ali levara tanta gente, as famílias recompuseram a postura de bons cristãos e a procissão lá seguiu o seu caminho, e o zeloso guarda a olhar para os anjinhos e as nossas senhoras muito bem acompanhadas pelos escuteiros impecavelmente fardados.
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