Vais montar um café na esquina? Eu vou montar uma linha de Metro.
É o que mais parece esta coisa do Metro, a sua génese, o que preside à sua construção. Ontem leu-se no JN que a linha amarela já representa um terço dos ocupantes do Metro do Porto. Mas isso foi uma descoberta por tentativa e erro ou já não sabíamos todos que Gaia representa um terço do fluxo de pessoas para a Invicta? Será que alguém pensou: vamos agora estender umas carruagens até Jaca ou Balteiro e pode ser que apareça gente. Ou então fazemos uns buracos até ao Olival e pelo menos os jogadores do Porto deixam de chegar atrasados aos treinos.
Toda a gente sabe que Gaia é o concelho que mais ficou a perder com o traçado do metro, e mais, toda a gente sabe também que a linha amarela, no que toca a Gaia é só para turista comprar vinho do porto na Real Vinícola. Por isso Gaia está fodida e parece que está contente. Gaia sempre foi assim: fodida pelo Porto mas sempre de cara alegre, para não comer mais no focinho.
quarta-feira, 21 de setembro de 2005
masculino singular
Neste momento a minha mulher está ali na sala a ver as “donas de casa desesperadas” que, para quem não sabe, é uma série muito falada nos quadrantes liliputianos da blogosfera beta (e parece que é uma boa série, diga-se), e não lhe passa pela cabeça que eu me estou a sentir um dono de casa desesperado.
terça-feira, 20 de setembro de 2005
Se querem saber eu digo-vos sem a mínima espécie de interesse que não o de dizer por dizer. Fui tomar café e apanhei com um professor do colégio dos Carvalhos que se lembrou, há uns dias para cá, de me abordar.
Se calhar, por vestir uma camisola branca a dizer Brasil e que me fora oferecida pela minha cunhada brasileira, e de usar umas calças “levis” muito coçadas, compradas há mais de dois anos em saldo na feira de Cerveira, o gajo deve pensar que eu devo ser um burguesito de merda, que até esteve de fárias no Brasil, daqueles que lêem Sepúlveda por acharem que fazem parte da elite intelectual que abomina o sexo anal e toma banhos de perfumes caros comprados na Sephorá. Deve pensar que eu, usando uns óculos muito discretos e lendo diariamente três ou quatro jornais (incluindo os desportivos), sou um género de tipo a quem se pode desabafar um ou dois pecados neo-liberais, daqueles que fazem as delicias do blasfémias e quejandos, dizendo-se mal de Lisboa e apelando-se a uma nova politica de regeneração da área metropolitana do Porto mas nunca apresentando soluções ou sequer uma única linha alternativa. E falava das suas histórias da tropa porque um professor de meia-idade, do Norte, tem sempre histórias lindíssimas dos tempos em que fora cadete em Lisboa ou aspirante em Mafra. E zurziu em toda a classe politica do Norte como se estivesse à espera da minha aprovação.
Com bonomia e alguma educação judaico-cristã, eu deitava-lhe um olho, porquanto o outro procurava “o que diz Peseiro” que é um tema muito mais interessante como devem facilmente imaginar.
Estive quase, todavia, para perder a paciência e manda-lo pentear macacos, e corrigir-lhe os preconceitos de assalariado médio a viver numa urbe como é o caso da área metropolitana do Porto. E porque se não tem metro, há que fazer um, se tem um está tudo mal, se o Porto trabalha muito há que de rei que nunca por nunca deveria ser a zona do país onde há mais desemprego e o raio que o parta e eu ali à espera de ler os meus jornais ao preço de um simples café, e já ia em três cigarros e, de repente o gajo levanta-se, arruma as cenas dele e diz-me bom dia, saindo. Tinha de ir dar aulas para o colégio, o desgraçado. Pobres alunos os dele, e os pais dos alunos que pagam balúrdios para meterem os filhotes defronte a semelhante bota quadrada.
Mas que querem, eu sou um tipo meio assim, uns dizem que sou estalinista outros chamam-me pamonha e outras adoram-me, sendo que estas ultimas são cada vez menos, mas que se lixe porque eu tenho quase quarenta anos e ainda tenho alguma pachorra para levar com gajos que me confundem com a espécie deles.
Se calhar, por vestir uma camisola branca a dizer Brasil e que me fora oferecida pela minha cunhada brasileira, e de usar umas calças “levis” muito coçadas, compradas há mais de dois anos em saldo na feira de Cerveira, o gajo deve pensar que eu devo ser um burguesito de merda, que até esteve de fárias no Brasil, daqueles que lêem Sepúlveda por acharem que fazem parte da elite intelectual que abomina o sexo anal e toma banhos de perfumes caros comprados na Sephorá. Deve pensar que eu, usando uns óculos muito discretos e lendo diariamente três ou quatro jornais (incluindo os desportivos), sou um género de tipo a quem se pode desabafar um ou dois pecados neo-liberais, daqueles que fazem as delicias do blasfémias e quejandos, dizendo-se mal de Lisboa e apelando-se a uma nova politica de regeneração da área metropolitana do Porto mas nunca apresentando soluções ou sequer uma única linha alternativa. E falava das suas histórias da tropa porque um professor de meia-idade, do Norte, tem sempre histórias lindíssimas dos tempos em que fora cadete em Lisboa ou aspirante em Mafra. E zurziu em toda a classe politica do Norte como se estivesse à espera da minha aprovação.
Com bonomia e alguma educação judaico-cristã, eu deitava-lhe um olho, porquanto o outro procurava “o que diz Peseiro” que é um tema muito mais interessante como devem facilmente imaginar.
Estive quase, todavia, para perder a paciência e manda-lo pentear macacos, e corrigir-lhe os preconceitos de assalariado médio a viver numa urbe como é o caso da área metropolitana do Porto. E porque se não tem metro, há que fazer um, se tem um está tudo mal, se o Porto trabalha muito há que de rei que nunca por nunca deveria ser a zona do país onde há mais desemprego e o raio que o parta e eu ali à espera de ler os meus jornais ao preço de um simples café, e já ia em três cigarros e, de repente o gajo levanta-se, arruma as cenas dele e diz-me bom dia, saindo. Tinha de ir dar aulas para o colégio, o desgraçado. Pobres alunos os dele, e os pais dos alunos que pagam balúrdios para meterem os filhotes defronte a semelhante bota quadrada.
Mas que querem, eu sou um tipo meio assim, uns dizem que sou estalinista outros chamam-me pamonha e outras adoram-me, sendo que estas ultimas são cada vez menos, mas que se lixe porque eu tenho quase quarenta anos e ainda tenho alguma pachorra para levar com gajos que me confundem com a espécie deles.
caution
Como dizia um amigo meu, “derivado ao facto” de eu ter detectado entradas para o meu blog a partir de buscas do tipo: “ blog ferreira torres”, “avelino ferreira torres”, etc, quero deixar aqui bem expresso, de forma espessa, compressa e sem pressa que jamais me filiei em partido algum, nunca fui candidato a nada, muito menos fui presidente de coisa alguma, e não tenho quintas nem casas de granito. Jamais participei em programas culturais da TVI e nunca fui visto nos campos de futebol aos pontapés em tudo o que me aparecesse pela frente. Portanto, e para que conste, sempre que aqui vier, caro visitante, venha por bem. Advirto-o apenas que o autor destas sofisticadas palavras é um tanto avariado da cabeça e, pelo facto, não é flor que se cheire.
Tenho andado quase sempre bem-humorado, por estes dias, e suponho que seja por causa do regresso às aulas. Apesar de não ter idade escolar e de não ser professor, o que muito me entristece porque não posso fazer manifs e andar sempre mal-humorado e a dizer mal do meu patrão e andar constantemente a congeminar estratégias mágicas para progredir na carreira ou mudar de escola ou arranjar um atestado para ir a Frankfurt ver o salão automóvel…apesar disso tudo, dizia eu, gosto muito do regresso às aulas.
segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Não viram o Herman, esse execrável individuo, que agora entendeu levar ao desespero as pessoas, as simples e desgraçadas “populares”? Não viram aquele bardamerda a brincar com a tragédia pessoal e emocional daquela mulher de S. Tomé, africana, de fracas posses e ali sentada a ver as merdas e o entulho do programa enquanto o louro camelo se divertia, se "vinha" multiplamente, em orgasmos cúmplices com a plateia, fazendo, insisto, aquela mãe penar para depois lhe entregar a filha doente nos braços?
A esticar a emoção, a cagar para as lágrimas da mulher, com um olho nas audiências, na Julia, na tropa, no caralho.
Sinceramente, utilizais cada vez mais a vossa merda mental para um único fim: que reparem em vós.
Merdas. Sois uns merdas cheios de dinheiro que brincam à solidariedade, que abusam dos dramas das pobres almas para prolongardes o vosso coito.
Fodei-vos, desgraçados.
A esticar a emoção, a cagar para as lágrimas da mulher, com um olho nas audiências, na Julia, na tropa, no caralho.
Sinceramente, utilizais cada vez mais a vossa merda mental para um único fim: que reparem em vós.
Merdas. Sois uns merdas cheios de dinheiro que brincam à solidariedade, que abusam dos dramas das pobres almas para prolongardes o vosso coito.
Fodei-vos, desgraçados.
sábado, 17 de setembro de 2005
engordar o tanas
Senhoras e senhores, como bom marido e na ausência de futebol, escolhi este sábado para ficar em casa a ver televisão e a engordar, que é tão só aquilo que os burgueses dos nossos dias sabem fazer. Por isso os carrinhos de compras nos supermercados, por isso as carrinhas Megane Breack, os champôs e as bolachas de chocolate e a cerveja importada. Para espanto meu, um tipo que raramente está em casa a esta hora, um filho da mãe pai de filhos e marido há 17 anos, dou de caras, na Sic com a festa da “Caras”, esse pasquim de panascas, filhos da puta e bandidos milionários, ladrões de colarinho e costureiros a mais para meu gosto. E na tal festa da SIC, essa televisão imperialista, cujo director de informação é irmão de um ministro quase primeiro-ministro, a organização do evento não podia ter feito melhor: levou toda a paneleirada, pedófilos, corruptos, cornudos, bruxos, ex-mulheres de futebolistas, padres e padrecos, azeiteiros e fadistas e ex-mulheres de pilotos de formula um para uma grande festa, onde não podia faltar esse cara de cona velha, o Carlos Castro, muito bem acompanhado de tudo o que é bicha e cujo clímax virá, disseram, com mais um espectáculo musical desse grande director, encenador de voz de cana escanada que dá pelo nome de Felipe Laferia. De maneiras que em verdade vos digo: foda-se lá para os sábados sem futebol, puta que pariu estas noites sem ganza, sem cerveja, sem cartas. Vou fazer uma manifestação na minha varanda contra a tv cabo que só tem canais de rabos e tubarões em alto mar. Engordar o tanas.
Ontem fui ao Via Rápida, a melhor discoteca portuense (para mim, claro).
Eu ando a ir ao Via Rápida quase todas as sextas-feiras. Vou sempre sozinho porque os amigos preferem outras andanças, para além de que os casados andam de cadeado ao pescoço. Deu-lhes para esse tipo de romance.
Por isso aprendi a gostar de ir sozinho ao Porto, ao Meu Mercedes, na Ribeira ( o sítio onde passa a melhor música) e beber uma cerveja para aquecer. Depois, por volta das duas da manhã, rumo à zona industrial e apresento-me na VR, povoadíssima de imberbes e rapariguinhas de peito muito supinado à entrada. O porteiro repara na minha presença quarentona e faz-me sinal. Adoro quando isso acontece porque me sobe o ego, confesso. E as pessoas afastam-se e eu faço a minha procissão de fé, jurando beber apenas dois gins e fumar três cigarros. Lá dentro a sala está sempre cheia e as trintonas são cada vez mais uma raridade. O pior é quando levo com o cheiro a leite das cachopas, muito decotadas e gordas (estão gordas as miúdas portuguesas senhores!) e com as calças a descobrirem o rego do cu muitas vezes sem cu nem coisa nenhuma.
Deixo-me ali ficar e danço e bebo e gosto de me sentir olhado pelas maduras. Imagino sede de sexo e de aventura, lances de amor febril. Noto-as e elas fogem com o olhar, a dizer que a vida é mesmo assim: “galemo-nos uns aos outros porque amanhã é dia de limpeza e domingo temos de ir à missa”.
E pronto, não tenho mais nada para dizer, descontado aquilo que nada disse.
Eu ando a ir ao Via Rápida quase todas as sextas-feiras. Vou sempre sozinho porque os amigos preferem outras andanças, para além de que os casados andam de cadeado ao pescoço. Deu-lhes para esse tipo de romance.
Por isso aprendi a gostar de ir sozinho ao Porto, ao Meu Mercedes, na Ribeira ( o sítio onde passa a melhor música) e beber uma cerveja para aquecer. Depois, por volta das duas da manhã, rumo à zona industrial e apresento-me na VR, povoadíssima de imberbes e rapariguinhas de peito muito supinado à entrada. O porteiro repara na minha presença quarentona e faz-me sinal. Adoro quando isso acontece porque me sobe o ego, confesso. E as pessoas afastam-se e eu faço a minha procissão de fé, jurando beber apenas dois gins e fumar três cigarros. Lá dentro a sala está sempre cheia e as trintonas são cada vez mais uma raridade. O pior é quando levo com o cheiro a leite das cachopas, muito decotadas e gordas (estão gordas as miúdas portuguesas senhores!) e com as calças a descobrirem o rego do cu muitas vezes sem cu nem coisa nenhuma.
Deixo-me ali ficar e danço e bebo e gosto de me sentir olhado pelas maduras. Imagino sede de sexo e de aventura, lances de amor febril. Noto-as e elas fogem com o olhar, a dizer que a vida é mesmo assim: “galemo-nos uns aos outros porque amanhã é dia de limpeza e domingo temos de ir à missa”.
E pronto, não tenho mais nada para dizer, descontado aquilo que nada disse.
sexta-feira, 16 de setembro de 2005
quinta-feira, 15 de setembro de 2005
tenham medo, tenham muito medo
Um grande dinossauro deu uma grande entrevista a um grande órgão de comunicação social. E deu palpites, lá do alto da sua enormidade intelectual, e disse claramente que Cavaco Silva não tem perfil para ser Presidente da República. Um grande homem com grandes apoios (até da CDU, partido em que normalmente voto) e com tudo para triunfar, desde experiência, lucidez e espectro humanista. Estou impressionado com semelhante.
Tenham medo, tenham muito medo, como afirma Francisco José Viegas, no JN de hoje. Este homem é um mister.
Tenham medo, tenham muito medo, como afirma Francisco José Viegas, no JN de hoje. Este homem é um mister.
quarta-feira, 14 de setembro de 2005
terça-feira, 13 de setembro de 2005
Tínhamos de ter uma vítima portuguesa do Katrina. Como tivemos no 11 de Setembro e no Tsunami e num outro qualquer canto do mundo. Estamos sempre lá, somos a TMN do globo: “onde a tragédia está, estamos lá”. Por certo estaremos em Melbourne e em Los Angeles quando a Al-Qaeda se lembrar de passar por lá.
Somos assim, nascemos assim.
Somos assim, nascemos assim.
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