quarta-feira, 2 de novembro de 2005

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Há dois blogs de coisas: um é de sanitas e o outro é de bibliotecas. O das latrinas acusa-nos o lado “voyeur” que há em nós. As escovinhas-limpa-merda a combinar quase sempre com a tijoleira, as tampinhas decoradas a fazer lembrar os naperons nos toucadores, as tábuas de engomar, o papel higiénico. Uma casa de banho portuguesa, com certeza, ora desleixada, ora muito arrumadinha.
Para que serve mostrar sanitas? Para que serve vê-las? Mas aquilo é um sucesso porque, como disse, há muita vontade de espreitar a casa do vizinho.
Já o outro é mais elevado. Bibliotecas e mais bibliotecas, livros expostos como se fossem sanitas. Bibliotecas famosas ao alcance de poucos, como as sanitas. Nós gostamos muito de ver aquelas bibliotecas porque elas representam a casa de banho que qualquer português gostaria de ter. E no lugar do papel higiénico havia de haver resmas de livros. De preferência estrangeiros, complicados porque o cagar às vezes é lento. Para as mijinhas bastava um livrinho da Condessa de Segur e no caso de uma rapidinha nada melhor do que um livro do karzam, banda desenhada modernista, ou então do saudosíssimo “Pedrinho”.

Ainda não vi retrete camiliana, como a que está na casa de Ceide. Ah, se fossem a Ceide ver como cagava Camilo que, ao que consta, está presente em muitas bibliotecas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

para elas

Há uma imensidão de mulheres a escrever blogs. São tantas, mais de catorze, certamente. Repisam os mesmos temas de sempre, a sacarina, a verga e depiladoras aloe vera, os namorados impotentes, infiéis, meigos e misóginos. Elas têm talento para falar dessas coisas que nos excitam. O sexo pecaminosamente sem pecado, a alma de Vénus, formatado, sem tabus e áspero no sentido mais obsceno, surge como o rei dos assuntos. Por cima, por baixo, anal ou circunstancial, casual ou sistémico, rotineiro, a dois ou mais, tanto faz. O sexo ilude-lhes a imaginação. Arde-lhes nos olhos sem que colírio algum lhes valha. E nós, os machos, os paneleiros e os homofóbicos, os “metro” e os grunhos, lemos aquilo tudo como se fosse uma revelação.
Teimamos em amar essas divas da blogo. Possui-las, por ventura. Ardentemente.
E esquecemos as paredes que nos barram o caminho, porquanto nos soltamos também naqueles sonhos. Realizamos desejos impossíveis e, de vez em quando, deixamos escapar uma erecção. Há pois que homenagear essas mulheres de Espírito solto, ardilosas e provocadoras. Mentirosas muitas vezes, mas doces como o sabor do prazer.

um enigma

Como é que um mudo pede um cigarro a um cego?

pergunta lançada inicialmente aqui.

domingo, 30 de outubro de 2005

elucubrações de um pai à beira dos quarenta

Ontem fui tomar café no bar do restaurante McDonalds do Gaiashoping. Porque é Buondi, custa apenas quarenta e cinco cêntimos (num shoping, vejam bem!), vale sempre a pena perder alguns minutos na mesma fila donde os putos pedem os “Sundaes” e as cotas as meias de leite. À minha frente duas matronas. Bem vestidas, classe média bem paga. Bem podiam ser professoras de carreira, daquelas que têm marido bem posto na vida. Ou podiam ser divorciadas ou viúvas.
De mãos nos bolsos, de puto reguila, eu esforçava-me para lhes tirar uma ou outra palavra que elas iam soltando à medida que esperavam como eu:
- Quantos anos faz afinal? Quarenta e nove ou cinquenta?
- Cinquenta, respondia a outra com um sorriso muito largo a desmascarar as rugas escondidas por detrás da maquilhagem. Mas sou muito feliz com os meus cinquenta anos.
Por momentos fiquei paralisado com o que ouvia e via. Dez anos separavam-me daquele momento. Suei “mentols” de arrepios. Eu estou a entrar nos “quarenta”, e a distância dos trinta foi uma coisa tão rápida mas indolor, mais barriga menos barriga, mais um quilo ou dois, mas sempre a carburar. Os próximos dez anos representam aquele estado artificial? Aquele sorriso plástico e todo um conjunto de manhas e manias para parecer aquilo que já não serei nunca? Dez anos em declínio narcísico, a olhar para os espelhos das montras e a ver-me velho todos os dias? Um susto. Uma agonia.

Já noite dentro, apanhei-me em casa e dei com a minha filha a gravar um concerto do Robbie Williams que passava na televisão. Fiz um “zapping”, porque pai que é pai tem de ter sempre o comando na mão, e dei de caras com o filme “The Doors” que passava no AXN. “Vais levar com isto”, dizia eu para dentro à minha filha. À medida que Jim Morrisson brotava do excelente Val Kilmer e eu via a minha filha de olhos arrebitados a olhar para aquelas cenas, as pilas, o álcool, o LSD, eu extasiava. Eu ali, de 40 anos, a partilhar com a minha filha adolescente e pré-universitária uma coisa de que tanto gosto. E ela a ver, fingindo-se interessada.
Ainda o filme não tinha atingido os anos setenta de Morrisson e ela atira-me:
- Vou para a cama. Olha pela gravação por favor.
Fiquei velho outra vez. Raios partam os Doors e os anos longínquos. Melhor seria ter gramado o concerto do Robbie, as orquestras afinadas, os violinos, os beijinhos ao público.
Fui para a varanda e fiz um cigarro. Afinal, naquele instante o tempo tinha mesmo recuado uma hora.

sábado, 29 de outubro de 2005

uma discussão

José Pimentel Teixeira volta à carga com o tema "lusofonia" que muito me agrada. Um tipo como eu, que não é erudito creiam-me, gosta de aprender umas coisas e vai daí entra nestas discussões. Para tal convido o jpt, e mais quem quiser, a ler este post no mínimo esquisito, (digo eu) que tem muito a ver com o referido tema. Aliás vai para além dos seus limites, atravessando a fronteira em direcção à vizinha Espanha.
Muito me agradaria um comentário, aberto a todos, às questões que ali se ”alevantam” e porque também curiosamente (e só para fechar) aquele post do Esperando um tal Godot faz referência à já mui célebre polémica lançada na revista Carta Capital de que eu tomei conhecimento via o blog A Origem das Espécies.

P.S. Por acaso reparei em não poucas assinaturas de Galegos na celebérrima petição de 27.000 assinaturas. Por acaso os galegos estavam lá.Portugalidades.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

uma citação

"A minha velhice é definitiva mas a sua juventude é provisória"

Bibi Ferreira no "Programa do Jô" dirigindo-se a alguém da plateia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

não, isto não é um post de parabéns

Aproveitando o texto de assinalação dos dois anos de existência do blog Rua da Judiaria, cujo autor eu saúdo pela excelência dos seus textos e pelo contributo que me tem prestado, a mim que sou um subproduto de uma educação cancerosamente católica, tendo-me, por conseguinte, ajudado a conhecer um pouco melhor o mundo judeu, ou parte dele, gostaria de vos chamar a vossa especial atenção para o facto de nesse texto aparecer a palavra “blog” e não “blogue”.
Como sabem, a palavra “blog” surge a partir de “web log” onde se procedeu à simplificação para “blog” (b+log). Que eu saiba, existe lá para sul de Portugal uma corruptela fonética de palavras terminadas nas vogais “a” e “o”. É frequente ouvir-se “Figue” em vez de Figo, “Benfique” em vez de Benfica e “até logue” em vez de até logo, por exemplo. Ora só aqui, nestes caso muito concreto é que surge a palavra “logue” (embora na sua expressão fonética). Portanto quem acha que um “blog” é um “blogue” só pode estar a fazer confusão fonética desta natureza.

Convém que se respeite a origem dos termos introduzidos na nossa linguagem. os brasileiros, tantas vezes criticados, fizeram já um levantamento exaustivo de todo o espólio de novos termos que surgiram com as IT’s. À revelia do acordo ortográfico vigente, bem sei, mas decididamente enquadrado num padrão normativo para a comunicação e expressão oral e escrita, dando sequência à evolução natural da nossa língua.

Das duas uma: adoptemos a normalização deles ou então normalizemos nós também.

Bem sei que isto é uma idiotice, falar destas coisas em maré de discursos cavacais. Perdoem-me pois o desabrido desabafo.

de manifestos para corta-fitas está o mundo cheio

Não faltam por aí comentadores e outros teóricos afinados a proclamar as mais diversas e excelentíssimas reformas para a nação solenemente prometidas por Cavaco e Soares , os moribundos. A verdade é que "ambos estes dois senhores" (a ver se percebem) são candidatos a Presidente da República. Por favor não nos enganem (grito eu): o PR não governa, não faz leis, não é Rei de coroa e tudo. Portanto, valha-nos deus nosso senhor Jesus Cristo, falemos claro, sem demagogias. Para tanto basta um pouco mais de seriedade.

os blogs e a imprensa ou quanto menos se falar deles melhor

O JN também fez uma reportagem sobre a Petição.
Aqui pode ver o resultado da peça. Desta vez refere-se a blogosfera, ainda que timidamente e quase às escondidas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

vamos mas é ao Cabana

O Leixões é um clube especial. Devo dizer que era eu menino de 6 anos e um tio meu levou-me ao Estádio do Mar, numa tarde ensolarada de domingo, ver o Leixões-Setúbal. Adorei aquela experiência, não tanto pelo futebol mas porque passei o jogo a lamber uns gelados muito grandes com sabor a laranja e o meu tio tinha-me dado um daqueles chapéus de papelão, branco, que me fazia parecer um chinês entre milhares. Foi o Leixões, portanto, o meu primeiro grande clube ao vivo, de vermelho, cuja grande parte das suas gentes recusa cair de amores pêlo F.C.Porto. Por conseguinte (esta aprendi com o Padre Marçal), foi com enorme interesse que me sentei no meu velho sofá a ver o grande Leixões contra o meu eterno Benfica.
O jogo foi bom, de resto, mas confesso que já não me lembra o dia em que vira pela última vez um jogo do Benfica narrado e comentado pelos senhores jornalistas da RTP Norte. Oiço-os de quando em vez a debitarem ânsias quixotescas em jogos da Liga dos Campeões que têm como cenário o Vale de Campanhã e cujos protagonistas vestem de azul. Mas esses delírios encaixo eu bem porque raramente vejo. Agora hoje, senhores, aturei-os durante uma hora e meia. E por causa de Ronald Koeman, estava a ver que ainda tinha que levar com eles mais meia hora. Semelhantes facciosos, sempre a comparar quem gritava mais alto (“parece que a claque do leixões está imparável") esquecendo o penalty roubado ao Benfica mal o jogo tinha começado, ignorando a queima de tempo provocada pelas constantes quedas dos jogadores da casa na tentativa da conquista histórica de um prolongamento e vendo faltas onde elas não existiam.
Não sei, aqueles tipos parecem saídos do "Blasfémia" ( sem link) ou então o "Blasfémia" é que foi parido lá numa tertúlia qualquer entre a Taberna do Infante e o Pérola Negra, quem sabe.
De maneiras que estou assim para o contente porque o Benfica ganhou e o Leixões merecia mais. Mas merecia mais porque é uma equipa de atitude e não porque era contra o Benfica. Está a ouvir Sr. Fidalgo? É por estas e por outras que quando me convidam para ir jantar ao Fidalgo, em Espinho, eu digo sempre: vamos mas é ao Cabana. Vice?

uma curiosidade

Ou muito me engano ou o Sociedade Anónima é o Chelsea dos blogs e a Catarina é o Mourinho. Falta conhecer o Abramovich.

um emprego

Ao consultar a minha caixa de correio voltei a apagar, como sempre, o dito correio não desejado (SPAM). Porém, o título de um e-mail chamou-me a atenção: "Candidatura espontânea". Fui ver e era uma recém licenciada de Tomar a mandar ao vento o seu curriculum. A ver se pega, se alguém lhe pega.
Web Analytics