via Gândavo
segunda-feira, 5 de dezembro de 2005
domingo, 4 de dezembro de 2005
o tigre e o dragão
A verdade é que morrera um gajo que eu não gramava. E de quem ainda não continuo a gostar, apesar das estátuas e dos nomes de praças (na Velásquez, por exemplo) e até de aeroportos (ironia mais cabrona não conheço).
Como tenho um blog e é domingo e os putos estão a ver o Tigre e o Dragão na TVI, lembrei-me de falar disto.
Sempre passaram 25 anos sobre a morte de um homem normal que merecia estar entre nós. Não por ser quem foi mas porque apenas morreu puto e de uma morte puta.
sábado, 3 de dezembro de 2005
verdadeiro elo
Há dias alguém criou um blog chamando-lhe “ Quando Calhário” uma variável de “diário”, “semanário” ou “hebdomadário”, se quiserem. Nada mais honesto. Um blog é mesmo coisa para se actualizar quando calhar. O que não significa que se descure o respeito pelos respectivos leitores. Um leitor de um blog não conta com edição em hora marcada. Ele espera que, quando calhar, o editor dê seguimento aos assuntos que trata, seja coerente e mantenha uma lógica de continuidade voluntária. Muitos bloggers espetam-nos, a nós leitores, com determinadas matérias, fracturantes muitas delas, e, depois, quando editam de novo (o tal quando calhar) ignoram-nas, passam-lhes convenientemente ao lado. Isso é desprezar os seus próprios leitores, os mesmos que os cumprimentam quando celebram datas festivas, os mesmos que os chamam quando se querem ir embora, os mesmos que, no fundo, são a alma de um blog.
Deveria haver mais consciência sobre isso, e, ao contrário de andarem a contabilizar audiências e números de comentários (coisa horrorosa os comentários) os bloggers deveriam ter em conta que, mesmo quando calhar, há sempre alguém a contar com um fio de ligação, um elo, um verdadeiro e sincero elo.
Deveria haver mais consciência sobre isso, e, ao contrário de andarem a contabilizar audiências e números de comentários (coisa horrorosa os comentários) os bloggers deveriam ter em conta que, mesmo quando calhar, há sempre alguém a contar com um fio de ligação, um elo, um verdadeiro e sincero elo.
neste dia que se celebra qualquer coisa
A sociedade é assim. Ninguém quer saber dos deficientes para nada. Incomodam certamente.
Devo dizer que trabalhei com deficientes durante três anos e a percepção que tenho, embora através de uma das centenas de IPSS’s que grassam neste país, é que se estão todos nas tintas para com os deficientes. O estado limita-se a mandar uns cobres para o associativismo. O associativismo é composto, infelizmente, por pais de deficientes que nada os faria olhar para aquele mundo não fora o caso da desgraça lhes ter trazido um deficiente para dentro de casa.
Ninguém quer saber, passa ao lado. Quase não dá frutos e os que dá estão bem guardados nas mãos sujas de muitos directores dessas instituições, cuja actividade principal consiste em arranjar esquemas para receber subsídios e pagar principescos salários aos directores (não é só no futebol, amigos) enquanto os funcionários (docentes e quadros técnicos fora do ministério da educação) são mal tratados, desconsiderados e têm que se arrastar em volta dos compadrios dos senhores directores, esses bostas que só lá estão porque, como disse, tiveram a desgraça à porta e que não têm preparação alguma para lidarem com a problemática da defici~encia. Mas continuam cruelmente a aglutinar meios para a vidinha apenas e só do filhinho deles. O resto, são números, subsídios e mama.
Por isso, neste dia que se celebra qualquer coisa que tem a ver com a deficiência (não vem nos blogs, nem nas televisões) a minha profunda admiração e sentida homenagem para com todos os técnicos deste país que trabalham horas a fio com pessoas deficientes.
Devo dizer que trabalhei com deficientes durante três anos e a percepção que tenho, embora através de uma das centenas de IPSS’s que grassam neste país, é que se estão todos nas tintas para com os deficientes. O estado limita-se a mandar uns cobres para o associativismo. O associativismo é composto, infelizmente, por pais de deficientes que nada os faria olhar para aquele mundo não fora o caso da desgraça lhes ter trazido um deficiente para dentro de casa.
Ninguém quer saber, passa ao lado. Quase não dá frutos e os que dá estão bem guardados nas mãos sujas de muitos directores dessas instituições, cuja actividade principal consiste em arranjar esquemas para receber subsídios e pagar principescos salários aos directores (não é só no futebol, amigos) enquanto os funcionários (docentes e quadros técnicos fora do ministério da educação) são mal tratados, desconsiderados e têm que se arrastar em volta dos compadrios dos senhores directores, esses bostas que só lá estão porque, como disse, tiveram a desgraça à porta e que não têm preparação alguma para lidarem com a problemática da defici~encia. Mas continuam cruelmente a aglutinar meios para a vidinha apenas e só do filhinho deles. O resto, são números, subsídios e mama.
Por isso, neste dia que se celebra qualquer coisa que tem a ver com a deficiência (não vem nos blogs, nem nas televisões) a minha profunda admiração e sentida homenagem para com todos os técnicos deste país que trabalham horas a fio com pessoas deficientes.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
bem vistas as coisas
O staff de Cavaco Silva não anda a dormir. Numa altura em que os candidatos são cada vez mais obrigados a falar, mesmo que nada digam de importante para um debate sério, marcar a grande entrevista para a mesma hora do Porto-Sporting foi uma jogada de mestre. Cavaco pode derrapar à vontade porque os eleitores estão noutra onda.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
a "restauração" V
Um belo dia feriado que levou centenas de portugueses a Espanha, de carteira recheada com o décimo terceiro mês, onde compraram de tudo: joguetes, detergentes, gasolina, tapas, vinos y batatas bravas. Afinal comemoramos o quê?
no profundo
Ouvindo “vintage songs”, Neil Young, Crosby, New Order, Pixies, Led Zepplin, Miles Davis, Mark Lanegan, no meio desta chuvinha insípida, num feriado muito importante da nossa história, da nossa nação (bem sei que isto dos feriados é mais precioso ócio, mantinha estendida sobre as coxas e um ou outro cigarrito nas páginas de uma revista socialyte qualquer - bem sei), e eu com vontade de escrever qualquer coisa mais reivindicativa. Mas oiço agora o belíssimo “since i’ve been loving you” dos Led Zepplin e fico-me por aqui a voar num vintage destes, num zepelim gigante e de sonhos por entre as nuvens da terra e do mar. E vejo o sol, por de entre esta morrinha gelada. Tento chegar-lhe com a mão, ainda que me baste vê-lo para sentir o calor da esperança enquanto a voz, aquela voz aguda e melosa por entre uma guitarra que geme sons de marfim me agita a mente. Submeto-me a uma experiência de quente e frio, sol e chuva, ânsia e temor. Dúvida. Paixão. Querença. Bem querença. Esperança, nem sei. Vivo dias assim e procuro cola-los a um poste sem fios, sem abrigo, sem palavras de amor, sem desenhos de paixão. Um poste desalmadamente frio nesta tarde de Dezembro, de frio, de lástima, de angustia, de medo, de calma, de serenidade. A bateria bate certa e veloz e eu fico pulsando aquele som, vintage, eterno, e o mar ao longe e eu sentado na minha imbecil existência. Na cova da vida. No profundo plástico embalando este gesto.
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