terça-feira, 13 de junho de 2006

mundi alices

O substituto, no Milan, do melhor jogador português dos últimos 30 anos salvou o Brasil de uma estreia desastrosa neste Mundial de Futebol. Já todos sabemos que o Brasil tem excelentes jogadores. Aliás essa é a segunda grande obra dos portugueses enquanto andaram a misturar o seu património genético pelos quatro cantos do mundo (a maior de todas foi a criação da mulher brasileira e a pior foi o dirigente desportivo). Mas ter os melhores jogadores não basta, como se viu hoje contra a croácia. Os "croácios" mereciam outra sorte, apesar de não serem nossos irmãos nem falarem a nossa língua, nem dançarem samba, nem exportarem caipirinha e chinelas marca havaianas. Os "croácios" são a evolução do "Boavista" com aquelas camisolas de xadrez vermelho berrante.
Pronto, isto vai mal e é assim: o Brasil ganhou mal, mas vai à final, lá isso vai. A não ser que o Togo lhes saia na rifa.
Além disso, cá no burgo qualquer merda seca fala, à boca cheia, que Portugal também vai à final. Há-de ir sim senhor. Basta que a Nossa Senhora do Caravaggio assim o queira. Mas essa Nossa Senhora não é italiana? Scolari é. Perceberam? Se calhari é. Mas nós sobreviveremos.
Até amanhã. Amanhã é que vai ser cá um destes dias: finalmente a Espanha vai ser falada!

Miguel Esteves Cardoso ou o outro Mundial de Futebol

"Só que é muito difícil não simpatizar com os italianos, por exemplo. Sabemos que são uma equipa que nos pode causar problemas, mas gostamos deles à mesma. É exactamente o que acontece com a salada de pimentos: sabemos que nos vai fazer mal, mas a malta gosta e, pronto, come."

in O Jogo

mundi alices

Rui Costa foi o melhor jogador da Selecção Nacional nos últimos 30 anos. Foi tão bom, tão bom, que o substitudo dele teve de ser importado do Brasil.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

inconfesse-se

"Há anos que não tenho um orgasmo com o meu marido. Faço sexo por obrigação, para ele se satisfazer. Finalmente decidi andar com alguém que me tirou as dúvidas. Caraças, já pensava que era frígida!"

coisas simples

Faz já mais de mês que tenho andado sem meias. Parece estranho estar aqui a falar disto mas tenho para mim que andar sem meias tem um significado bem mais expressivo do que a simples necessidade de refrescar os pés. Por isso falo disso aqui, sabendo que isso não interessa nada, para que um dia, ao reler as minhas coisas, eu possa ter a percepção de que em determinado dia achei importante contar uma coisa destas. Uma confidência, um assunto banal, daqueles que não geram nada e que simplesmente dizem respeito apenas a quem escreve. Escrevo para mim, portanto.
Sem meias, muito despojados, os meus pés agradecem. No Inverno ficarão felizes por se sentirem agasalhados. Talvez eu fale de cachecóis e roupas de lã, ou de lareiras e sopas quentes. Hoje falo de andar sem meias, mas podia falar de ameias e de sereias e de almas cheias, que aconchegadinha anda a minha alma, apesar dos pés quase nus, em absoluta harmonia com a leveza que me pesa o pensamento.

mundi alices

Em 2004 Rui Manuel Costa decide abandonar a Selecção. Figo também, mas regressa meses depois. Ontem o substituto de Rui Manuel Costa não jogou devido a lesão e Figo substituiu-o, e bem. Digamos que Figo esteve à altura do substituto de Rui Manuel Costa mas o substituto de Figo, nem por isso. Idem para o substituto de Jorge Andrade e para o substituto de Humberto Coelho. Já o substituto de Nuno Gomes lá conseguiu marcar um golo numa fase final, embora tenha falhado a oportunidade de o ter feito aos 15 segundos de jogo. E um aplauso para o substituto de Abramovich, que tem uma coloração do cabelo de fazer inveja ao mais pintado azeiteiro.

sábado, 10 de junho de 2006

quando olho para mim vejo-me inteirinho neste poema

Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.

José Régio

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Pronto, pronto. A malta esmerou-se em "parabenizar" Francisco José Viegas ( sem link para que ele não leia isto). Eu não lhe dou os parabéns porque não tenho autoridade para isso. Sempre achei essa merda de dar os parabéns uma forma doentia de exercermos a nossa mais absoluta mediocridade, mas enfim, deixemos isso para outra maré. O que eu fiquei foi contente, porque o tipo merece. Aliás eu não li o livro e devo dizer que nunca mais hei-de gostar tanto de um escrito desse gajo como um que ele escreveu para o Jornal Expresso, num daqueles guias de viagens e que falava sobre o Alto Alentejo. Foi a coisa mais soberba que esse escritor-blogger-apresentador-portistadesgraçado, me escreveu. A mim, sim. Aposto que ele escreveu aquilo para mim que amo Portalegre, Castelo de Vide, o Marvão, Alter do Chão e o Crato e Aviz ( com z claro). Bom, é tudo. Só para que conste que eu gosto de ver as pessoas de quem gosto por aí, felizes. E é tudo.
sim, porque uma folha de menta cheirosa, suave e fresca, pode muito bem ser pouca coisa. mas não é erva daninha nem flor para a vista. tem cheiro que fica, sabor intenso que resiste e pede mais. uma folha de menta pode não ser grande coisa, pode até secar e amarrotar e ser levada pelo vento, destroçada. mas o aroma fica. e o aroma não vai para longe. e se olharmos bem para esse longe, ela lá está, a folha de menta, muito suave e que nos faz arrepiar e correr e saltar e sorrir e desejar. essa folha de menta perdida é bem capaz de me fazer conseguir sonhar.

spin on my world

Coney Island Baby

Every night she cames
To take me out to dreamland
When I'm with her, I'm the richest
Man in the town

She's a rose, she's the pearl
She's the spin on my world
All the stars make their wishes on her eyes

She's my Coney Island Baby
She's my Coney Island Girl
She's a princess, in a red dress
She's the moon in the mist to me
She's my Coney Island Baby
She's my Coney Island Girl

Mr. Tom Waits

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Scolari Clube de Portugal ou, se quiserem, que se foda o gajo!

Querido diário, hoje regresso a casa e amanhã começa o Mundial de Futebol. Noutros tempos, sempre que havia Mundial o meu país ficava sempre fora e eu era, assim, adepto de uma Selecção Estrangeira. Detestava o Brasil e acho que ainda detesto. Fui adepto da Itália em 82 ( em 78 era menino de 12 anos e gostava do Brasil, obviamente, mas também gostei da Holanda), Fui adepto da Argentina em 86 e 90, fui adepto da Itália em 94 e da França em 98. Em 2002, Portugal esteve lá tal como em 86 mas foi-se, ainda a procissão estava no adro. Tornei-me adepto da Turquia que fez um belo campeonato e tinha feito um grande jogo contra o Brasil. Este ano confesso-me adepto da Itália. Não porque eles sejam bons ou coisa parecida. Apenas porque gosto dos equipamentos e do Micoli, pronto. Quanto a Portugal, que vai lá estar, passa-me ao lado. Ó crime dos crimes! Que o meu filho não leia semelhante heresia! Mas faço questão de tornar público que eu não irei torcer por Portugal. Aliás, pelo SCP, ou seja: Scolari Clube de Portugal. Não e pronto. Viva a Itália, o Irão e todos os que lá estão. Menos os do Filipão. PUM!

de profundis

Oiço o tema “Amélie”, do filme "O Fabuloso Destino de Amélie", e nada tenho para fazer. Estou longe de casa e a cama do hotel está longe da minha vontade.
Não me apetece fazer nada. Podia ir ao “Terreiro” beber cerveja e olhar o castelo de Leiria que, na noite, fica mais bonito, mais castelo. Podia estar num bar qualquer da Batalha a ver pessoas bonitas, a ouvir a música estafada dos bares de gente (porque há poucos bares de não-gente) quase sempre cheios desses seres sorridentemente banais que enxameiam os sítios de se beber, demasiadamente bonitos e muito bem vestidos, perfumados, barbeados, usando cores vivas nas malhas de pouco pano. Mas detenho-me, quieto, quase sonolento a ouvir música. E a fumar. E no entanto podia fazer tantas coisas de que desejaria fazer aqui, se não estivesse aqui, se é que estou aqui.
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