sexta-feira, 30 de junho de 2006

Everybody knows this is nowhere

"Hello cowgirl in the sand
Is this place
at your command
Can I stay here
for a while
Can I see your
sweet sweet smile"


Arrumei as coisas e fui até ao centro da cidade beber umas cervejas. Coimbra é uma cidade diferente das demais. E mais diferente fica quando a noite entra fora de horas e as esplanadas ficam repletas de uma população diferente, muito jovem e muito bebedolas. Fiquei ali, a beber e a fumar, em silêncio, muito quieto. Depois levantei-me de um salto, enfiei-me no carro e fui.
Ao chegar a casa, já a entrar na garagem, António Sérgio brindou-me com este "Cowgirl in The Sand". Parei o carro no meu lugar de garagem, subi o volume áudio e deixei-me estar ali a ouvir e a rasgar-me de prazer.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

doi muito

Eu estou com a lolita. Quero ver Portugal na final, independentemente das merdas todas que sufocam o mundo. E não vejo razões para ficar aborrecido com os censores. Eles existem para nos dizer o que está bem e só o que está bem, mas não têm comparação com os adeptos da Selecção de Sub-21 que tinham grandes esperanças no Quaresma e estão hoje preocupadíssimos com as questões do Fair Play e das manhas do Figo. Em todo a caso, um abraço solidário para ambos, que eu bem lhes vejo as dores.

mundi alices

Vi o Portugal-Holanda no ecran gigante do Estádio Municipal Cidade de Coimbra. Ali decorre até ao próximo fim-de-semana a CIC, Feira Comercial e Industrial de Coímbra, cuja organização é da responsabilidade da ACIC.
Ali vi a Lusa a bater-se perante as adversidades de um jogo típico da América do Sul. A malta aguentou-se porque já não estamos em tempo de vitórias morais. Agora é ganhar e esta geração de jogadores joga sempre para vencer. É esse o dado novo que se pode acrescentar ao nosso fado. Vi os rotulados de imprescindíveis a fazer cagada para que os chamados de segunda linha entrassem em jogo para aguentar a vitória. Vi um punhado de rapazes a defender o que havia para defender e não estou nada interessado em ouvir lamentações só porque não teremos o substituto de Rui Costa nem o Costinha contra a Inglaterra. O resto, fair plays e declarações blaterianas, fitas e cartolinas, lesões e expulsões, tudo isso faz parte da história e do jogo. O importante é esta onda de sucesso, é vencer independentemente disso tudo. Com brasileiros ou sem eles, a verdade é que ontem a alma lusitana esteve ali. Até quando...

sexta-feira, 23 de junho de 2006

L Word, the [Lesbian TV Series]

L Word, the [Lesbian TV Series] na RTP2, de segunda a sexta, bem pela noite dentro para que os "certinhos e atinadinhos", aqueles que fodem sempre na posição do missionário, quando fodem, e portanto adormecem cedo, não vejam estes retalhos de mulheres normais, bonitas, inteligentes, cultas e lésbicas. Podem bem ficar impressinados.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

coisas de nada

Um dia era verão e eu estava de férias grandes e a televisão dava os jogos do Mundial 82, os "naranjitos". Eu estava de férias grandes e fui trabalhar para umas obras. O prédio ainda existe e situa-se a menos de 100 metros de minha casa e é onde funciona a Clínica N. Srª da Saúde.
Eu era miúdo e fui trabalhar para as obras porque queria dinheiro. E trabalhei ali quase dois meses e escolhi ser pedreiro, já que detestava andar de colher de trolha na mão a chapar massa e a alisar paredes. Preferia as coisas brutas como acartar pesados carros de mão cheios de argamassa, ou baldes enormes cheios de tralha, pedras e assim. Eu nunca gostei muito de comer frango assado com faca e garfo. Ou como com a mão ou como com a mão. De modos que eu era miúdo e trabalhei nas obras. Depois veio o S. João e eu tinha dinheiro e fui para o Porto gasta-lo. Antes disso fui à rua do Loureiro e comprei roupa. Eu não era muito bom a comprar roupa. Comprei uma camisola vermelha e umas calças azul clarinho, aquele azul cueca da Argentina, e uns sapatos brancos e meias brancas. Ainda tenho uma foto muito catita vestido com essa roupa e muito penteadinho.
Eu era trolha. Mas ganhei dinheiro e comprei roupa e fui ao S. João. Depois deixei de ser trolha e voltei a ficar sem dinheiro e ia para a praia da Granja à boleia ou a pé, enquanto não começava Setembro e a escola. Enquanto ia e vinha apreciava os trolhas e tinha-lhes inveja. Eles não precisavam de cravar tabaco nem de andar à boleia. Fumavam SG Filtro e andavam de XF Zundap de cinco velocidades. A minha única glória era que eu ia para a praia e ficava moreno inteirinho. Eles eram morenos parciais.
Eu era um trolha condenado a não ser trolha. Mas um dia ainda hei-de ser trolha outra vez.

o meu solstício às vezes é maior do que o teu

Assinalar o segundo aniversário do dia em que Pacheco Pereira montou o seu telescópio e disse que a lua estava em D, finíssima!

chocolate

Acabei de acordar. O dia está quente e amanhã é o S.João. Era para ir viajar mas já não vou. Vou tomar um café forte, no café "Cruz de Cristo", e depois vou ler jornais. Não sei se vá trabalhar alguma coisa.

terça-feira, 20 de junho de 2006

mundi alices

O Sr. José chamou-me, quase discretamente, porque queria ajuda numa coisa do telemóvel. Estes homens velhos, já reformados e sábios de tudo, vêem em nós nada mais, nada menos, do que um manual tácito das novas tecnologias. Dão-nos esse crédito como se nós não prestássemos para mais nada. E eu confesso que me sinto bem nesse papel quase pedagógico de técnico especializado nas coisas modernas. Fui sentar-me ao pé dele, na esplanada do café, e deixei-me ficar ali um bocadinho a trocar palpites disto e daquilo. E o futebol veio à baila. O futebol calha sempre em conversa quando estamos sentados numa esplanada a trocar palpites disto e daquilo. Mas hoje o Sr. José tinha uma coisa para me dizer, mas em surdina, não fossem os outros ouvir tamanha heresia:
- Sabe, eu até já tenho dito isto à minha mulher, gosto de ver futebol, mas não sei porquê, não me puxa para gostar da Selecção...nunca gostei da nossa Selecção!

WRECKLESS INTENT

Isto é uma coisa de pai. Um pai como eu que aos quarenta anos depara com um filho de onze a desbundar cenas como Killswitch Engage, Mercy Drive, P.O.D., Saliva, Shadows Fall, Three 6 Mafia e os legendários Motörhead. Isto é um tema! Qualquer coisa que confunde os meus músculos labiais, já que nem sei se deva sorrir ou esboçar uma beiçola de preocupação. Um puto de onze anos, meu filho, a deslocar-se directamente do canal panda para estas merdas, sem passar pela prisão, os D'zrts e essas cenas, é uma coisa que me dá espanto. A minha rapariga, que vai entrar agora na Universidade, já anda a curtir umas cenas catitas, embora ainda não tenha vislumbrado as delícias poéticas do velho Tom, nem as liberdades incondicionais de um Neil Young, mas zarpou bem em coisas de meninas, teve o seu tempo para os imbecis, como é o caso desse rapaz de Stock On Trent ou raio que o parta.
Mas o meu Alex...passar assim para esta batida deixou-me de cara à banda. A este ritmo, quando vierem os anos da "pobre idade" e da tusa e das garinas (falta quase nada) ainda vou ter um metaleiro a entrar-me por casa adentro, cheio de taxas e piercings ou sei lá.... Por agora é assim: nada de melancias dominicais. Nem quaresmas, nem conselhos de água benta. O moço está na dele. Pois…

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Waiting for the sun

Ah, uma borboleta é coisa tamanha. Um simples bater de asas de borboleta pode bem causar uma tempestade. Mas eu quero um bater de asas que não cause tormentas, apenas harmonia, sensualidade, graça e ternura. Um bater de asas assim merece que brindemos a todas as borboletas deste mundo que esvoaçam os céus e pousam nas flores mais bonitas. E a esvoaçar os céus elas apontam-nos o caminho. E é seguindo o seu curso, sem mais para onde olhar, que podemos um dia pousar naquela flor.

terça-feira, 13 de junho de 2006

mundi alices

O substituto, no Milan, do melhor jogador português dos últimos 30 anos salvou o Brasil de uma estreia desastrosa neste Mundial de Futebol. Já todos sabemos que o Brasil tem excelentes jogadores. Aliás essa é a segunda grande obra dos portugueses enquanto andaram a misturar o seu património genético pelos quatro cantos do mundo (a maior de todas foi a criação da mulher brasileira e a pior foi o dirigente desportivo). Mas ter os melhores jogadores não basta, como se viu hoje contra a croácia. Os "croácios" mereciam outra sorte, apesar de não serem nossos irmãos nem falarem a nossa língua, nem dançarem samba, nem exportarem caipirinha e chinelas marca havaianas. Os "croácios" são a evolução do "Boavista" com aquelas camisolas de xadrez vermelho berrante.
Pronto, isto vai mal e é assim: o Brasil ganhou mal, mas vai à final, lá isso vai. A não ser que o Togo lhes saia na rifa.
Além disso, cá no burgo qualquer merda seca fala, à boca cheia, que Portugal também vai à final. Há-de ir sim senhor. Basta que a Nossa Senhora do Caravaggio assim o queira. Mas essa Nossa Senhora não é italiana? Scolari é. Perceberam? Se calhari é. Mas nós sobreviveremos.
Até amanhã. Amanhã é que vai ser cá um destes dias: finalmente a Espanha vai ser falada!
Web Analytics