sexta-feira, 21 de julho de 2006

e então, vai uma piscina?

De Espanha trouxe boas notícias, como por exemplo a possibilidade de fornecer para qualquer zona do país uma pinscina de 8x4 em aço totalmente equipada por um preço xtraordináriamente convidativo. Porque espera? Contacte-me e diga-me se acha que é chegada a hora para ter uma piscina aí no seu belo jardim.

dezoito anos é...

receber uma proposta de trabalho, tendo emprego, aquele emprego certinho, das nove às cinco, efectivo, e chegar a casa e dizer que gostaria de arriscar. E do outro lado ouvir apenas um “tu vê lá, tu é que sabes. Gostas de correr riscos e eu não, mas eu apoio-te”. E foram tantas a vezes, tantos os riscos corridos, e os desastres também, as más opções, e ela sempre do meu lado, “ deixa lá, tudo se há-de resolver”. E eu sempre a arriscar, sempre com novas ideias, novos projectos… e tantas borradas e ela sempre ao meu lado...

quinta-feira, 20 de julho de 2006

dos silêncios

Alicante. Em trabalho nesta bonita cidade do outro lado da Península, sempre arranjei um tempinho para conhecer a "velha cidade" que é o que há de verdadeiramente interessante nestas cidades de turismo massificado, banhadas de cimento e cores terracota que ofendem o mar calmo e convidativo. As cidades com história têm lá tudo, e os nossos vizinhos são especialistas em preservar e estimar os traços da sua existência. Entretanto há em Alicante uma "Calle Viriato" com uma placa explicativa que dizia, e cito de cor: " Viriato:Montes Hermínios, caudilho lusitano, jovem pastor, liderou a resistência contra a invasão romana..." e mais do que dizia não me lembro bem, mas soube-me bem ler aquilo, porque é de nós, afinal, que eles falam. E nós? continuaremos calados por quanto mais tempo?

Viriato na wikipédia

segunda-feira, 17 de julho de 2006

dezoito anos é...

as moelas no tacho a refogar, e nós dois a discutir qualquer coisa, e o sabor do azedo a ficar doce e os beijos ardentes a rebolarem no chão de alcatifa e o sal e todos os líquidos fervendo. E depois o cheiro, aquele cheiro a queimado que nos fez correr de um salto e, por fim, uma refeição que não era nada de especial e nem deveria ser, não fossem os beijos tão ardentes...

dezoito anos é...

chegar a casa, a mulher na faculdade, mudar a fralda à menina, preparar-lhe um tacho de açorda daquela marmotinha , e ela a comer, sempre a comer sem parar, e eu aflito a ligar à avó e perguntando se podia continuar a dar colheradas de açorda à menina. E ela sempre de boca aberta, e eu aflito...

domingo, 16 de julho de 2006

a maior idade

No próximo domingo, dia 23, irei atingir a maior idade no meu casamento. Dezoito anos partilhados com a minha companheira de sempre. A mulher da minha vida. Isto pode parecer um pouco tonto mas eu arrisco tudo.
Eu sei bem que isto não é nada, não é uma boda de prata nem merece missa nem festa nem convidados especiais. Merece-me a mim e a ela… e aos filhos maravilhosos que este projecto nos trouxe, e, portanto, vou comemorar este aniversário durante uma semana inteirinha.
Por isso estou em retiro nupcial, uma coisa minha em absoluto, mas que tenho gosto em partilha-la com quem quiser embarcar nesta festa.
De um tipo como eu, cheio de contradições e dúvidas, cheio de sonhos e louco por viajar por tudo o que é “sítio”, desesperado com as interrogações da vida, maluco tantas vezes, pode esperar-se tudo. Pode até esperar-se uma coisa destas, uma pieguice, um capricho narcisista de armar em "jubilado" matrimonial ao fim de apenas dezoito anos de casado. Eu corro esse risco e durante a próxima semana vou colocar aqui algumas pinceladas, a cal branca que a tinta está cara, sobre estes dezoito anos a brincar às casinhas.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

o estrangeiro

"Na nossa sociedade, qualquer homem que não chore no funeral de sua mãe, corre o risco de ser sentenciado à morte" albert camus


Zinedine Zidane cometeu um acto impróprio num jogo de futebol e que seria sempre impróprio em qualquer actividade. Tivesse sido numa praia, num passeio, num café ou num restaurante, o acto em si é sempre um acto impróprio. Zidane, argelino, assumiu o facto em si mas não se arrepende. Pediu desculpas à alegada vítima e a todas as outras vítimas, mas não mostrou arrependimento. Zidane é um enorme jogador de futebol, como podia ser um enorme funcionário público ou um grande escritor, e não mostrou arrependimento. A FiFa vem agora ameaçar o homem com a perda do troféu de melhor jogador do torneio, não pelo crime em si mas sim porque Zidane não mostra arrependimento perante os homens e deus (neste caso a Fifa). Zinedine Zidane comporta-se neste filme como o "Estrangeiro" de Albert Camus. A sua liberdade individual leva-o ao cúmulo de recusar a humilhação perante os deuses desta coisa que é o futebol e o espectáculo e as pessoas e o mundo. Zidane, se continuar assim, será sempre um herói. E um estrangeiro também.

UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...

Miguel Torga

terça-feira, 11 de julho de 2006

Play

O jogo da moda.

via Sardanisca

six feet under

O Six Feet Under acabou. Ontem passou na RTP2 o último episódio de uma série terrivelmente fascinante. E teve um final, o que é de saudar, embora haja quem lamente um final daqueles. Eu confesso que me arrepiei. Porque tenho quarenta anos, tenho filhos e tenho a certeza absoluta de que o tempo passa. Sou de sessenta e seis e o Nat era de sessenta e cinco. Morreu aos quarenta, como posso morrer eu também. Os meus filhos durarão até às décadas de oitenta deste novo século, ou noventa, quem sabe. Eu não. Daqui a trinta anos tudo isto é passado. Foi o que disse Nat à sua irmã: “Tudo isto já é passado”. E o futuro o que é? Sete palmos de terra, com sorte.

das causas , ilustres causas...

Caro Luis, a questão da língua portuguesa mantém-se evidentemente. Os principais portais internacionais esquecem-se da nossa língua, a não ser quando têm como alvo o mercado brasileiro, que é enorme.
No que toca à petição, devo dizer-te que nem 30.000 assinaturas foram suficientes para fazer com que alguém olhasse para isto com olhos de ver. O que se passou foi apenas um dedilhar de curiosidade, coisa que a comunicação social faz sempre tão bem, seja com petições seja com burros peregrinos ao estádio da Luz. Nada mais foi feito. A Federação nunca quis saber, os responsáveis governamentais nunca quiseram saber e o site da Fifa lá continua com as suas quatro entraditas, imutável, autista, disfarçando a coisa com este sub-site cheio de novas entradas, incluindo uma em língua portuguesa…
Mas entendo bem a tua iniciativa. Seria preciso muito mais gente a questionar, não só este mas tantos outros portais que continuam a ignorar a língua de Camões.
Sinceramente, caro Luis, não estou a ver-me assim metido noutra. Principalmente porque sinto claramente que fiz a fogueira mas não cozi o pão. Não tenho poderes para tanto, não sou ninguém e ainda bem. Ainda há dias me vi envolvido numa querela com Luis Carmelo porque me achei ignorado quando este prestigiado ensaísta falava sobre Causas e Micro-causas. Ninguém quer saber disto para nada, é o que eu posso concluir. Preferem o ilustre burro a rumar ao estádio da luz. E eu não me tenho nem por ilustre nem por burro...
De qualquer das formas o meu sincero agradecimento pelo teu não esquecimento.
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