sexta-feira, 11 de agosto de 2006

pormaiores

Obikwelu venceu os 200 metros e a televisão destacava um sueco enrolado numa enorme bandeira azul-cueca com uma cruz amarela. Um funcionário de um estabelecimento comercial perguntou-me quem tinha vencido. Estava confuso, não ouvira clamores, nem buzinas, nem bandeiras, nem nada. Depois lá deu para ver um enorme africano, muito elegante e em passo de trote, acenando uma pequena bandeira portuguesa.
O funcionário gostou de saber que Portugal venceu, que estava ali um português que acabara de conquistar uma medalha de ouro. Não tinha a cor de pele da Fernanda Ribeiro, nem o buço, não tinha o cabelo de Carlos Lopes, nem a pança, e não tinha o nariz de Rosa Mota, nem a falta de cu, mas era um português a brilhar com a nossa bandeira. Não é do Marco de Canavezes, não senhor, nem treina cá, nem em Lanzarote, mas é português “carrejão” de bandeira.
É um atleta, foi um trolha, dormiu na esteira, comeu “fungi”, e andou de barco à vela e à deriva. Está cá e é nosso até um dia, até ele querer. Nós não o merecemos, por ventura, porque por doçura achamos-lhe graça e batemos palmas de compaixão, não de paixão. E sem embargo ousamos ignorar que ele já nos deu mais, muita mais do que aquilo que nós julgamos ter-lhe dado.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

carvalhos, uma questão de entradas

Nos últimos dias este blog tem sido visitado por quem procura registos relacionados com Carvalhos e Pedroso. A "Questão dos Carvalhos" pode ser revisitada aqui, aqui e aqui, por exemplo, e é um tema ainda a suscitar bastante interesse. E se desses leitores houver vontade maior, porque não uma contribuição sobre esta controversa questão? Fica a promessa de que se alguma coisa vier eu coloco-a aqui. Para os mais distraídos, o meu e-mail está ali em cima à direita.

i can feel it

dias de calor e fumos e bombeiros. dias de bombas, destruição e muita propaganda. dias de noites longas, cerveja.
2001, odisseia no espaço. Hal, preciso de ti.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

tudo muito rápido

Batalha, duas da madrugada, estava eu a descer a nacional 1, mesmo antes do magnífico Mosteiro e eis que um gato se atravessa na frente do meu carro. Senti a pancada e, mais do que isso, senti logo de seguida que tinha acabado de passar o bicho a ferro.
Fiquei triste, era um gato. Eu acabara de atropelar mortalmente um felino. Eu que sou gato tantas vezes, e tantas vezes me sinto imortal como eles ao ponto de me colocar defronte aos perigos com desprezo felino, na certeza de que sobreviverei, matei um dos meus. Que noite!
No dia seguinte, mais ou menos duas da madrugada, ia eu a subir a estrada Porto de Mós – Fátima, uma estrada cheia de curvas, e de repente um ratinho atravessa a estrada e pára em frente ao farolim direito do meu carro, tudo muito rápido, dá uma volta de 180 graus ficando virado para mim. Senti novamente aquele saltinho, agora mais discreto, da roda direita a estropiar o pobre animal.
O pior é que eu olhei para o rato a correr em círculos e pensei no gato e não consegui evitar aquilo. Acho que eu podia ter feito uma manobra ou qualquer coisa. Mas não. Deixei seguir a roda para cima do pobre animal, quase de forma burocrática. Aquele rato antes de morrer tinha a alma do gato, de certeza. Só que aquela alma não queria andar por aqui e eu devo ter sido o seu libertador.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

preocupações

há por aí quem se preocupe com o "efeito João Miranda". eu ando mais preocupado com o "efeito da ganza" que cada vez bate menos e faz mais dores de cabeça...

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

não quero saber e...

Well, I stand up next to a mountain
And I chop it down with the edge of my hand.


hoje sinto-me um "voodoo chile", e deus sabe bem porquuê. não quero saber das listas dos devedores, não quero saber dos que gostariam que os "assassinos de Gisberta" apanhassem 60 anos de prisão. não quero saber da madeira, nem do Fidel nem do Benfica nem do senhor engenheiro. hoje sinto-me um "voodoo chile" e não quero saber disso para nada. nem vou perder tempo a tentar compreender essa raça de empertigados com estas tontices, nem me preocupa se eles defendem a morte telecomandada e proclamam a justiça do dinheiro e se aborrecem muito porque um pobre cidadão perdeu três mil euros porque o banco não lhe deu, de pronto, oitenta mil euros, que eram dele coitado. não quero saber, sequer, dos outros cidadãos que estavam nessa mesma fila a tentar receber cem euros, e oitenta, e trinta e sete e quatro cêntimos. esses não perderam dinheiro mas vão ficar tesos em dois dias e meio, não obstante os genéricos e as clínicas de fisioterapia comparticipadas. não quero saber dos que se escudam por detrás da couraça da sua putativa e impermeabilíssima privacidade. não quero saber deles para nada. nem dos argutos, nem dos excelsos nem dos padres nem dos arrumadores de carros. hoje sinto-me um "voodoo chile" e amanha pensarei nisso tudo...em calhando.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

colaterais dum raio

Eu não me tenho pronunciado acerca do conflito entre israel e o líbano apenas por impotência. e a minha honestidade não importa muito para o caso, bem sei. mas também manda a mesma honestidade dizer que hoje li num jornal diário que morreram mais de uma trintena de crianças libanesas só no dia de ontem. li aquilo e fiquei calado. dei uma passa no meu cigarro e pensei nos meus filhos.
agora chego aqui e leio um gajo a dizer que aquilo não é um massacre. foda-se meus. aquilo nunca pode ser um massacre. massacre, ao que parece e a avaliar pelo que tenho visto, é bem mais um ataque individual de uma pessoa ou máquina a um blog com milhares de leitores. isso sim, é um verdadeiro massacre que envolveu tanta gente e tanta comunicação social. uma causa dessas é bem mais carecida de defesa. os putos libaneses que se fodam. que bebessem mais coca cola. colaterais dum raio.

finalmente, um post

O Pacheco Pereira nu é belíssimo

E veja também como se verifica a grandeza do professor CAA que mereceu uma resposta pública no excelentíssimo "Gato Fedorento". Tomara eu e muitos como eu semelhante privilégio. Eu confesso: para ter um linkzinho aqui eu dava o cú e cinco tostões...aqui dava só os cinco tostões

breathe me

na sebenta da minha vida encontro muitas folhas rasuradas, e manchadas com tinta, não obstante o emprego do mata-borrão. folhas escritas com cores negras a imitar o arco-íris. desconfiado, eu insisto em apreciar os borrões e as rasuras, a ver se lhes acho outras cores.

sábado, 29 de julho de 2006

my favourite color

"A good man is hard to find
Only strangers sleep in my bed
My favorite words are good-bye
And my favorite color is red"


Mr. Tom Waits

sexta-feira, 28 de julho de 2006

uma questão de números

4 mortos até ao dia 30 de Julho



8 mortos até ao dia 30 de Julho



51 mortos até ao dia 30 de Julho



750 mortos até ao dia 30 de Julho



actualização aqui

terça-feira, 25 de julho de 2006

recibos verdes e segurança social

Claro que o Estado sabe disso. Da existência de inúmeros quadros técnicos especializados, com formação e cursos superiores, que estão vinculados a prestigiadas empresas que, por sua vez, lhes pagam um salário modesto com a categoria de "vinculação aos quadros da empresa" e, a montante, complementam os respectivos salários através da prática dos "Recibos Verdes". Claro que o Estado sabe da Existência de milhares de cidadãos que apenas podem exercer o seu trabalho nestas condições. Obviamente que os cerca de 24% que as empresas têm que pagar à Segurança Social são bem mais pequenos e resulta claro que o funcionário apenas desconta os 11% declarados no seu recibo salarial convencional. E vai daí que o dinheiro não chega! Este sistema não garante o bastante para, por exemplo, se atribuir fabulosas reformas à classe política, como é o caso bem fresco de Manuel Alegre e de tantos outros que vivem do sistema político, que jamais pregaram um prego, jamais souberam o que é uma barra de ferro de 32 polegadas, e que assim, bem podem fazer grandes caçadas, fumar vistosos charutos e passear na Fnac comprando tudo o que é livro e DVD, e plasmas, e casas de campo e...coberturas de piscina.
A classe política, independentemente da sua cor, vê claramente que é necessário sacar mais dinheiro aos contribuintes, mas começa sempre pelo ele mais fraco: o cidadão. As empresas, que não votam neles mas garantem-lhes milhares de votos, podem continuar a praticar o "Recibo Verde" e a escusar-se a pagar melhores "vinte e quatro por cento". O que interessa aqui é sacar melhores "onze por cento" aos cidadãos. Estes sim, estão aí para desafogar as verbas necessárias às reformas douradas, quase sempre superiores a 3000 Euros, Justificadas por se ter feito qualquer coisa ao serviço de uma qualquer empresa pública. Nem que seja por 3 meses ou por tempo nenhum, desde que tenham estado lá, não estando nunca.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

ai a inveja...

estes caralhos, para não dizer outra coisa, lembram-se de cada uma...
Amazing, seus bifes, amazing! Se ele fosse a fucking English player...but not. He is a Portuguese one. Oh my God, the best player for the next 10 years is a young full skilled football player from that small country named Portugal! It seems like sardines, codfish, and English Fuckers!!
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