terça-feira, 22 de agosto de 2006

futebol

Vai começar o Campeonato da Primeira Divisão. O Sporting continuará a ser treinado por Paulo Bento, um génio e a maior referência do clube após Peseiro, o Porto foi buscar um treinador que há-de ser seguramente melhor do que Co Adrianse embora seja sempre pior do que Rui Barros, outro génio, e o Benfica tem finalmente "O" Engenheiro, que nunca será melhor do que Artur Jorge nem pior do que Jesualdo.

Em todo o caso, recomendo que o próximo título de Campeão Nacional seja atribuído ao que, dos três, tiver melhor prestação na Champions League.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

a luz

Milhares de cidadãos, pretos, indiferenciados e desesperados, vivem em condições mais do que sub-humanas, enclausurados entre as praias do Norte de África e o mar, por onde vislumbram uma remota possibilidade de voarem para a luz. Uma luz que os atrai para uma nova vida, desta feita eivada de segregação, indiferença e racismo e clamorosamente iluminada pelos Euros e os empregos mais reles. Mais de 100 mil criaturas à espera. Da Líbia e de outros países africanos, uns mais democráticos do que outros, mas todos eles clamorosamente explorados pelas potências do lado de cá. Outrora, eles também esperavam, à força, pelas galeras que os levavam para o Novo Mundo. Hoje ninguém os quer, nem como escravos.
Entretanto, um dia destes alguém fez eco de um apelo feito pelo Presidente dos Estados Unidos da América aos médicos cubanos que rumavam para a Venezuela. Que viessem para os EUA. Os EUA acolhiam-nos em nome da Liberdade e da Democracia. Os outros, os que apenas dançam e cantam e transpiram que nem camelos, esses não. Esses que morram nas barcas dos seus próprios infernos. E em África não há médicos nem quadros superiores como há em Cuba. Em África há apenas cacos que sobreviveram ao colonialismo e às guerras do pós-descolonizações, subtilmente, umas vezes ou descaradamente na maior parte delas, apoiadas pelos bastiões dos direitos humanos e das liberdades.
Perguntem a um preto que dorme numa esteira às portas da Europa e come fungi, e não tem água potável, se ele gostaria de ter um blog. Perguntem-lhe se ele está desesperado por ir ver um concerto dos Rolling Stones. Perguntem-lhe se ele quer um Plasma.
Entretanto ele pede-vos pouco. Pede-vos uma oportunidade para melhorar as suas condições básicas de vida. Pede uma esperança e promete apenas humildade, servidão e persistência. Os blogs e os concertos e os plasmas podem esperar. Ele pedirá médicos, professores, ensino, saúde, trabalho e justiça. A Liberdade dele não se define na nossa. Ele quer o que nós desperdiçamos e açambarcamos: PÃO. E é precisamente o “pão”, aquilo que nós constantemente lhes negamos e negámos sempre. Somos, incrivelmente, uma sociedade superior!

domingo, 20 de agosto de 2006

Carvalhos e o Mapa da Administração Pública Local

Li ontem no JN uma carta de um leitor que falava sobre a Vila dos Carvalhos. À medida que eu ia lendo os desabafos daquele meu vizinho, mais consciente ficava de que esta localidade bem precisada está de se separar das garras administrativas locais, personalizadas na Junta de Freguesia de Pedroso.
Quem leu a referida carta só pode ter concluído que Carvalhos está mal. Através dela, o meu concidadão atira-se aos drogados e aos arrumadores de carros e pede ajuda ao governo e à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, omitindo deliberadamente a Junta de Freguesia de Pedroso porque sabe que dali não vem nada. Fala das opções injustas sobre dinheiros gastos no Estádio Dr. Jorge Sampaio, mais um elefante branco que serve os Dragões Sandinenses e um ou outro jogo da Selecção Nacional sub qualquer coisa, e lamenta o esquecimento do Clube Hóquei dos Carvalhos e do Centro de Saúde que é de facto uma coisa terceiromundista, bem como adverte para a catástrofe ambiental que grassa nas matas que contornam a Srªda Saúde.
Mas não aponta o dedo ao responsável. E também não precisava. Afinal, já todos sabem bem quem é o responsável: o Presidente da Junta de Fregusia de Pedroso.
Entretanto, Carvalhos continua no mapa das pessoas, das escolas, é centro de vida quotidiana em todas as vertentes, todas, e continua subjugado à freguesia de Pedroso e aos caprichos do déspota Tavares.
E assim muitos desabafos, como o da carta de ontem ao JN, ficam-se apenas pelo “boca a boca” das pessoas, e o Jornal dos Carvalhos, um jornal que deveria servir as pessoas em vez de servir as boas famílias da terra, um jornal caricato, sem alma nem chama e quase sem leitores, persiste numa linha editorial saudosista e pacóvia, ignorando estas questões. Aliás esse jornal é propriedade da ACIC, uma putativa associação cívica dos Carvalhos, formada por carvalhenses desiludidos e apagados na sombra das políticas divisionistas que minam a cintura metropolitana do Grande Porto.
Entretanto, a malta jovem anda distraída com os festivais de Verão, as minis e as Férias e o Governo estará já a trabalhar na criação de novas Freguesias. E eu pergunto se há gente realmente interessada em colocar Carvalhos no mapa da Administração Pública Local. Eu pergunto se ainda não é tarde. Porque desta janela eu vejo apenas o fogo do marasmo que arde muito mais para além dos montes durienses que vislumbro.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

um Fidel é pouco!

A liberdade, essa palavra bonita...na América a liberdade não é bem a liberdade de que todos nós aqui falamos. Bastaria ter lá estado na era Clinton e ir lá agora para ver bem as diferenças. Escutas, e-mails espiados, controle duro sobre as minorias, enfim...uma liberdade baseada em lérias.
Quanto ao dinheiro que entra em Cuba, claro está, é mau. O pessoal preferia ver Cuba arrastada pelo embargo económico que os americanos vêm impondo naquele país. Que morressem de fome e miséria, que se vissem todas as costelas e o fémur e as rótulas bem salientes aos cubanos para que o mundo pudesse assim comprovar a eficácia dessa maravilha que é o embargo económico. Mas não, Fidel organizou-se, tratou de si e dos seus, não há fome não havendo luxos...
E olhem bem para as novas democracias africanas, de cosmética e muito armamento, e holocaustos em potência, que holocausto parece só ter havido um, o que vitimou os amigos dos americanos e dos capitalistas....olhem bem para a liberdade que os povos migrantes usufruem, a de rumar para Norte de África e morrer enclausurados, em porões e sabe-se lá onde mais, à espera de uma oportunidade para encontrarem emprego na bela Europa, cheia de euros e prédios e pontes e cerveja. E eles ali, livres que nem passarinhos, a morrer que nem tordos...olhem bem para os novos ricos da Rússia livre do comunismo e não esqueçam as assimetrias, nem as máfias...olhem bem para o planeta e eu também olho...
E quando olho só me apetece dizer bem alto: um Fidel é pouco!

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

pormaiores

Obikwelu venceu os 200 metros e a televisão destacava um sueco enrolado numa enorme bandeira azul-cueca com uma cruz amarela. Um funcionário de um estabelecimento comercial perguntou-me quem tinha vencido. Estava confuso, não ouvira clamores, nem buzinas, nem bandeiras, nem nada. Depois lá deu para ver um enorme africano, muito elegante e em passo de trote, acenando uma pequena bandeira portuguesa.
O funcionário gostou de saber que Portugal venceu, que estava ali um português que acabara de conquistar uma medalha de ouro. Não tinha a cor de pele da Fernanda Ribeiro, nem o buço, não tinha o cabelo de Carlos Lopes, nem a pança, e não tinha o nariz de Rosa Mota, nem a falta de cu, mas era um português a brilhar com a nossa bandeira. Não é do Marco de Canavezes, não senhor, nem treina cá, nem em Lanzarote, mas é português “carrejão” de bandeira.
É um atleta, foi um trolha, dormiu na esteira, comeu “fungi”, e andou de barco à vela e à deriva. Está cá e é nosso até um dia, até ele querer. Nós não o merecemos, por ventura, porque por doçura achamos-lhe graça e batemos palmas de compaixão, não de paixão. E sem embargo ousamos ignorar que ele já nos deu mais, muita mais do que aquilo que nós julgamos ter-lhe dado.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

carvalhos, uma questão de entradas

Nos últimos dias este blog tem sido visitado por quem procura registos relacionados com Carvalhos e Pedroso. A "Questão dos Carvalhos" pode ser revisitada aqui, aqui e aqui, por exemplo, e é um tema ainda a suscitar bastante interesse. E se desses leitores houver vontade maior, porque não uma contribuição sobre esta controversa questão? Fica a promessa de que se alguma coisa vier eu coloco-a aqui. Para os mais distraídos, o meu e-mail está ali em cima à direita.

i can feel it

dias de calor e fumos e bombeiros. dias de bombas, destruição e muita propaganda. dias de noites longas, cerveja.
2001, odisseia no espaço. Hal, preciso de ti.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

tudo muito rápido

Batalha, duas da madrugada, estava eu a descer a nacional 1, mesmo antes do magnífico Mosteiro e eis que um gato se atravessa na frente do meu carro. Senti a pancada e, mais do que isso, senti logo de seguida que tinha acabado de passar o bicho a ferro.
Fiquei triste, era um gato. Eu acabara de atropelar mortalmente um felino. Eu que sou gato tantas vezes, e tantas vezes me sinto imortal como eles ao ponto de me colocar defronte aos perigos com desprezo felino, na certeza de que sobreviverei, matei um dos meus. Que noite!
No dia seguinte, mais ou menos duas da madrugada, ia eu a subir a estrada Porto de Mós – Fátima, uma estrada cheia de curvas, e de repente um ratinho atravessa a estrada e pára em frente ao farolim direito do meu carro, tudo muito rápido, dá uma volta de 180 graus ficando virado para mim. Senti novamente aquele saltinho, agora mais discreto, da roda direita a estropiar o pobre animal.
O pior é que eu olhei para o rato a correr em círculos e pensei no gato e não consegui evitar aquilo. Acho que eu podia ter feito uma manobra ou qualquer coisa. Mas não. Deixei seguir a roda para cima do pobre animal, quase de forma burocrática. Aquele rato antes de morrer tinha a alma do gato, de certeza. Só que aquela alma não queria andar por aqui e eu devo ter sido o seu libertador.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

preocupações

há por aí quem se preocupe com o "efeito João Miranda". eu ando mais preocupado com o "efeito da ganza" que cada vez bate menos e faz mais dores de cabeça...

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

não quero saber e...

Well, I stand up next to a mountain
And I chop it down with the edge of my hand.


hoje sinto-me um "voodoo chile", e deus sabe bem porquuê. não quero saber das listas dos devedores, não quero saber dos que gostariam que os "assassinos de Gisberta" apanhassem 60 anos de prisão. não quero saber da madeira, nem do Fidel nem do Benfica nem do senhor engenheiro. hoje sinto-me um "voodoo chile" e não quero saber disso para nada. nem vou perder tempo a tentar compreender essa raça de empertigados com estas tontices, nem me preocupa se eles defendem a morte telecomandada e proclamam a justiça do dinheiro e se aborrecem muito porque um pobre cidadão perdeu três mil euros porque o banco não lhe deu, de pronto, oitenta mil euros, que eram dele coitado. não quero saber, sequer, dos outros cidadãos que estavam nessa mesma fila a tentar receber cem euros, e oitenta, e trinta e sete e quatro cêntimos. esses não perderam dinheiro mas vão ficar tesos em dois dias e meio, não obstante os genéricos e as clínicas de fisioterapia comparticipadas. não quero saber dos que se escudam por detrás da couraça da sua putativa e impermeabilíssima privacidade. não quero saber deles para nada. nem dos argutos, nem dos excelsos nem dos padres nem dos arrumadores de carros. hoje sinto-me um "voodoo chile" e amanha pensarei nisso tudo...em calhando.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

colaterais dum raio

Eu não me tenho pronunciado acerca do conflito entre israel e o líbano apenas por impotência. e a minha honestidade não importa muito para o caso, bem sei. mas também manda a mesma honestidade dizer que hoje li num jornal diário que morreram mais de uma trintena de crianças libanesas só no dia de ontem. li aquilo e fiquei calado. dei uma passa no meu cigarro e pensei nos meus filhos.
agora chego aqui e leio um gajo a dizer que aquilo não é um massacre. foda-se meus. aquilo nunca pode ser um massacre. massacre, ao que parece e a avaliar pelo que tenho visto, é bem mais um ataque individual de uma pessoa ou máquina a um blog com milhares de leitores. isso sim, é um verdadeiro massacre que envolveu tanta gente e tanta comunicação social. uma causa dessas é bem mais carecida de defesa. os putos libaneses que se fodam. que bebessem mais coca cola. colaterais dum raio.

finalmente, um post

O Pacheco Pereira nu é belíssimo

E veja também como se verifica a grandeza do professor CAA que mereceu uma resposta pública no excelentíssimo "Gato Fedorento". Tomara eu e muitos como eu semelhante privilégio. Eu confesso: para ter um linkzinho aqui eu dava o cú e cinco tostões...aqui dava só os cinco tostões

breathe me

na sebenta da minha vida encontro muitas folhas rasuradas, e manchadas com tinta, não obstante o emprego do mata-borrão. folhas escritas com cores negras a imitar o arco-íris. desconfiado, eu insisto em apreciar os borrões e as rasuras, a ver se lhes acho outras cores.
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