domingo, 10 de dezembro de 2006

Orfeu Rebelde

"Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam os rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza."

Miguel Torga (1958)

imagem retirada daqui

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

no Calor da Noite

Francisco José Viegas tem destas coisas. Atirou-se ao jornal “Record”, desmontando o "crime" perpetrado naquela primeira página vermelha e branca e que motivava o SLB a ganhar e, por outro lado, motivava mais ainda os leitores benfiquistas a comprar a referida edição. E tem destas coisas, o Francisco, quando sabe bem, ou deveria saber, o que é um critério editorial nos dias de hoje. E foi mais longe ilustrando a sua indignação com as primeiras páginas dos jornais “A Bola” e “O Jogo”. Percebi bem a manobra, mas não me impressionei porque conheço bem o estilo anti-benfiquista destas queridas figuras públicas simpatizantes do Futebol Clube do Porto. Conheço-lhes os tiques e os complexos e, assim, sou capaz de os compreender sem deixar de me contagiar por um certo estilo pedagógico, e perdoem-me a imodéstia, no sentido de lhes fazer ver, qual missionário consciente, onde está a luz. E aproveito para apelar ao Francisco se viu hoje no jornal “O Jogo” qualquer referência digna de um jornalismo neutro e imparcial relativamente ao caso do “documento histórico” que é o livro de uma tal Carolina Salgado. O jornal “O Record” dá hoje grande destaque aos desabafos da ex-primeira dama do Vale de Campanha. Mas aquilo não é jornalismo. Aquilo é o jornal do Benfica a trabalhar.
Por outro lado, eu cá não me indigno com o jornal “O Jogo” porque sei bem quais os critérios editoriais daquele órgão de informação. E como não gosto, não compro. Nem leio.

2006 (um balanço food-i-do e só isso)

Blog do ano: Um Amor Atrevido

Blogger do ano: Luis Novaes Tito do blog Tugir

Frase do ano: "Preciso de me desenvencilhar do cinismo da escrita, que enfeita a verdade e a dissimula, impondo-nos sentidos contrários." in Um Amor Atrevido

Revelação do ano: Estes Momentos

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

para quem tolera posts longos e não tem nada para fazer...


Neste fim-de-semana longo há boas propostas para o Norte: Florbela Espanca em Matosinhos "protagonizando" dois belos dias de poesia, bons DJ's um pouco por todo o lado da noite portuense e um atractivo encontro com o reggae jamaicano a cheirar a Massive Attack (Horace Handy) no Hard Club de Gaia, sábado à noite. E chuva, muita, e nevoeiro e musiquinha da boa para ouvir em casa ("death cab for cutie" fazem os meus dias de Outono) e dVD's também, que ainda não vi o "Chocolate" nem revi o "Piano", filmes que adquiri no breve interlúdio de ter deixado de comprar o Expresso.
Depois também há futebol para os extremamente aficionados, que eu passei para o WWE desde que vi o Batista levantando a bandeira da Lusitana Pátria (bem sei que ele deve ter feito o mesmo com a bandeira de Castela em Madrid e estou curioso para saber que bandeira será levantada em Barcelona). Mas gostei, levantou-me o ego e senti-me quase um habitante da Roma antiga, a da Age of The Empires, a aplaudir aqueles gladiadores hiper-simpáticos. Ah, e se vissem o meu garoto...o tipinho sabia tudo, de tudo, gritava "hasole", "you sucks" e contava estridentes "one, two, three" e eu ali sentadinho a deleitar-me com tanto entusiasmo.
Este fim-de-semana também nos propõe uma ida à Exponor onde terá lugar um "Stockmarket" para quem quiser comprar roupas de marca a preços a fingir de baratos. É de ir, penso eu.
E Domingo há horas para dormir, e bem.


Depois é a recta final para as "festas", as gloriosas movidas do consumo, a merda das prendas e o enfado dos anúncios da quadra, as mensagens de natal (poupem-me sim?)... Por mim dispensava bem as "festas" mas como não tenho outro remédio sempre recomendo o queijo da serra e o bolo-rei da Dec Mel, uma confeitaria que fica na Rua Marquês Sá da Bandeira, em Gaia, que a do Porto chama-se só Rua Sá da Bandeira e tem a pastelaria Cunha com sua fama a segurar tão fraca qualidade. Recomendo também uma visita à Garrafeira do Tio Pepe na zona industrial do Porto, ali bem ao pé das discotecas chiques, e onde se pode comprar vinho autêntico e bons charutos de fumar apreciada e demoradamente.
E se entretanto muitos jantares acontecerem, sejam eles de amigos, da empresa, da escola ou do sindicato, e se de muito se beber, recomendo o KGB, essa maravilha soviética que ainda não consta no espólio anti-comunista de Pacheco Pereira.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

está quase- wrestling no Pav. Atlântico

Amanhã lá estaremos, eu e o Alex, para ver aqueles armários a desbundar truques e habilidades abrutalhadas. Amanhã teremos um fim de tarde perfeitamente 100% americano: Mcdonalds e Wrestling com fartura. O Alex merece e um pai que é pai tem de estar à altura destas coisas. Nada de moralismos bacocos. Vamos curtir a cena, bem descontraídos. Batista Rules!!!

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

apeteceres

cinco coisas que não me apetece nada fazer:

1 discutir sobre o aborto.
2 votar em blogs e bloggers
3 armar a árvore de natal cá de casa.
4 enviar cartões de boas-festas
5 enviar mensagens de natal

cinco coisas que me apetece e vou fazer:

1 comer uma feijoada.
2 dançar a noite toda.
3 ver o Wrestling Europe Tour no pav. Atlântico.
4 comprar uns jeans.
5 ouvir o Coney Island Baby de Lou Reed.

vertigem

Hoje é um daqueles dias. Raios partam estes dias que nos vêm como comboios rápidos e barulhentos, e quase sempre quando menos esperamos. Hoje é um daqueles dias em que eu posso dizer que estou mal disposto e tudo se resolverá com essa palavra mágica. E então terei carta branca para andar de má cara, para exigir um café realmente curto, para insistir se o bolo de arroz é mesmo de hoje, para não telefonar a ninguém ou para me baralhar a olhar o mar, sem dar conta, como um “as de paus” desinteressado com o triste facto de estar escondido nas mãos do pior jogador do mundo.

sábado, 25 de novembro de 2006

coisas de nada

risível
adjectivo 2 géneros
1. que desperta o riso;
2. ridículo; irrisório; digno de escárnio;
(Do lat. risibìle-, «id.»)
fonte: infopédia

Um tipo como eu, vendedor antes e depois de todas as coisas, tem sempre histórias engraçadas para contar. E hoje aconteceu-me uma cena gira, embora nada transcendente, haveis de ver, de modos que a vou partilhar com os meus estimados leitores para que saibam que nem tudo são maus ossos do ofício.
Ora aconteceu então que eu tinha uma reunião marcada para hoje de manha cedo, nove, nove e um quarto, porque a agenda estava forte. E como entretanto me espalhei em copos na santa véspera, deitando-me tarde, muito tarde, não esqueci, contudo, de programar o despertador do meu telemóvel para as oito e trinta da manhã, sabendo eu que daria perfeitamente para tomar um duche regenerador e tomar um café antes de fazer os cinco minutos de carro que me levariam ao escritório. E assim foi. Pouco passava das nove e quinze e já eu me encontrava no “meeting point”, e enquanto fumava o segundo cigarro do dia resolvi telefonar ao meu cliente num gesto de marcado profissionalismo que é uma coisa adorável nestas primeiras reuniões de negócios. Ora, o meu cliente atende a chamada com ar de alívio e desata a proclamar senhores Altinos por todo o lado com voz de enternecida satisfação. Espantado, perguntei-lhe o que se passava. Disse-me então que tinha tido um problema na véspera e não ia poder estar presente na reunião. E mais me informou que me telefonou por volta das oito horas para que eu não viesse a correr esperando com isso obter a minha penhorada atenção e tolerância. E naquela catadupa exclamativa foi-me informando que ficou muito assustado porque eu atendi a chamada de pronto, às oito horas da matina, desatando a arfar, proclamando suspiros sem pronunciar uma única palavra desta nossa camoniana língua. Terá insistido em vários “alôs” e eu sempre a arfar por meio de longas manobras nasais. Pensou que eu estava agoniando dentro do carro, vítima de um acidente qualquer que iria ser confirmado nos jornais da tarde logo a seguir aos directos da Lourinhã, e onde seriam passados testemunhos da minha prestigiadíssima pessoa. Mas não, afinal o senhor Altino está bem e a reunião vai ter que ser adiada devido às substantivas explicações que, entretanto, delas me deu conhecimento.
No entretanto, eu, ainda meio morto e quase acordado, tentei explicar que se calhar atendi o telefone dormindo, num acto de curiosa raridade e acabei por lhe confidenciar que fui de copos para os bares de Leiria e caí na cama que nem vinha madura. Porém, o meu querido cliente tinha outra versão e jurou a pés juntos que aquilo não fora mais do que um gesto mecânico de um profissional de vendas que mesmo a dormir atende o telefone. E eu rendi-me a tal teoria e nem sequer o contrariei porque o cliente tem sempre razão e, neste caso, aquela razão era-me satisfatoriamente favorável. Com redondos salamaleques nos despedimos, que somos uns queridos, e eu fiquei a olhar para aquelas oito horas da manhã a tentar perceber porque será que eu atendi o telefone a dormir. Num primeiro instante pensei que só podia ser devido ao “ Tónic” desmedido que tomara poucas horas antes. Subitamente, iluminei-me de inspiração e percebi o móbil do crime, a substância de tão inusitado comportamento. É que o homem telefonou-me num dos intervalos de nove minutos que intercalam os repetitivos toques de despertar do meu humilde telemóvel sofisticado, e que me levam sempre a dar um delicioso “OK” no telefone com a esperança de dormir em nove minutos umas boas dez horas mais. Mas pronto, fiquei bem na fotografia, já se vê. Para este meu cliente eu sou um exemplo de profissional perfeito, que até atende o telefone a dormir. Atendo sim senhor. Telefone-me e comprove se é ou não verdade.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Eu também

Obviamente!

Porto de Mós, Vila Forte, assim chamada por Luís Vaz de Camões num dos 10 cantos dos Lusíadas (Canto VIII:"Vês este que, saindo da cilada,/Dá sobre o Rei que cerca a vila forte?”), é uma vila arejada e muito bem ordenada em redor do seu belo castelo altaneiro que se avista ao descr a serra quando se vem de Santarém. O velho casario que circunda o castelo vive bem com as modernas vivendas que preenchem as margens do rio Lena, e assim, podemos dar honesto testemunho de que é possível progredir sem destruir.
O caro leitor sabe que eu resido na área metropolitana do Porto, a grande e sempre orgulhosa urbe nortenha, de boas gentes e bla bla bla. Mas porque será que ali, em cada vila ou cidade, em cada lugar onde há uma autoridade, há sempre um assassino urbanístico, um açougueiro do passado histórico, um construtor civil desesperado por ser recompensado pelas ajudas prestadas aos novos regedores da maculada autoridade local? Complexo, digo eu. Só pode ser uma questão de complexo-de-obra-feita.

transatlanticism- death cab for cutie


The Atlantic was born today and I'll tell you how...
The clouds above opened up and let it out.

I was standing on the surface of a perforated sphere
When the water filled every hole.
And thousands upon thousands made an ocean,
Making islands where no island should go.
Oh no.

Those people were overjoyed; they took to their boats.
I thought it less like a lake and more like a moat.
The rhythm of my footsteps crossing flatlands to your door have been silenced forever more.
The distance is quite simply much too far for me to row
It seems farther than ever before
Oh no.

I need you so much closer


I need you so much closer
So come on, come on

terça-feira, 21 de novembro de 2006

dou-me a esse luxo

Hoje deixo-me levar. Hoje posso bem deixar-me levar. Não me apetece nada dirigir, dar ideias, palpites ou conselhos. Hoje sou um seguidista. Quem vier e me disser: “Faz isto” ou “Opta por aquilo”, eu juro que responderei afirmativamente como se fosse um cão de companhia, disciplinado e muito bem treinado.

Hoje deixo-me levar e sempre quero ver onde é que vou, afinal.

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