segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

conversas no café

- Seria extraordinário se acaso fosses capaz de deixar tudo para trás! Seria uma prova de loucura, ou nem tanto! De amor, talvez. Embora a palavra amor esteja tão gasta, tão repetida…
- Acho que não. Eu, se deixasse tudo para trás, seria como se tivesse resolvido optar, simplesmente, por deixar tudo para trás. Não penso, portanto, que isso fosse uma loucura. Nem uma prova de amor. Seria apenas uma opção. Sempre uma opção…
- Isso parece-me, e vais desculpar-me, uma forma muito artística de contornares o problema. Ninguém deixa tudo para trás apenas por simples opção. Tem de haver algo que motive uma pessoa a dar esse passo.
- Concordo. No meu caso, por exemplo, não encontro maior motivação do que a atracção pelo vazio, pelo desconhecido. Chegar lá, a esse lugar, obriga-me a optar por deixar tudo para trás.

este céu sou eu

domingo, 21 de janeiro de 2007

não há como negar

Eu podia dizer que tudo isto é apenas uma questão de sexo. Escrever setenta teorias sobre "osso no pénis", que é tudo uma questão de vértebras. Mas não. Ainda assim, e apesar de tanta evidência, tanta impressão digital por aí espalhada, e a cheirar a genitais, eu continuo a acreditar que tudo isto não se resume a apenas sexo! Mas também, evidentemente. Também é uma questão de sexo. Sexo mal parado. Mal parido, mal amanhado, infiel, meigo, limpo, bruto ou impreciso, sexo porco, apimentado, sexo desajeitado. Imoral, adúltero, virtual ou caduco. É também uma questão de sexo, sim senhor. Não há como negar, foda-se!

Miguel Torga, 100 anos

O mundo precisa de Torga.

via blog da irene

sábado, 20 de janeiro de 2007

receita única e não comparticipada

Dói-me a cabeça. Uma dor assim, terrível, quase imoral, quase cruel, que me obriga a não querer abrir os olhos, que me impede de olhar para além da minha janela, deveria vir apenas no início da Primavera. Nunca em pleno Janeiro do frio e dos cafezinhos quentes. Valho-me, então, da mistura explosiva de Henry Miller e Davis/Coltrane, servida com água do Vimeiro, para aliviar a minha dor de cabeça. E as minhas angústias.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Jornalista portuguesa desaparecida no Líbano

Através do Tugir, deparo com esta notícia que me parece, no mínimo, um facto a merecer alguns pontos de interrogação. Faço pois minhas as questões levantadas por Luis Novais Tito.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Do Aborto, e porque não vou falar mais disto

Nesta matéria de referendar uma nova lei do Aborto eu sou muito franco e tenho de ser honesto para comigo mesmo: se me chamam para dizer se concordo que uma mulher possa abortar de livre vontade, antes das 10 semanas de vida do filho que está na barriga dela, isto é, até dois meses e meio (!) de gestação, eu digo: não concordo. E ponto final.

Não quero saber de mais nada, das liberdades da mulher e dos abortos clandestinos e das parcas condições em que muitas mulheres vão abortar. Não quero saber. Abortar é da consciência de cada um. Eu não quero contribuir para que se legitime essa consciência. Se uma mulher não quer ter um filho apenas porque não, apenas porque ela manda, eu não posso legitimar o direito a que se aniquile uma vida sob pretexto de que a mãe tem o direito de, ou seja, não me estou a ver contribuir para que se autorize uma mulher a pensar durante quase dois meses e meio se quer continuar a deixar que uma vida se desenvolva.
E não me venham com as más condições com que muitos abortos são feitos por serem clandestinos. Más condições para quem? Para a mulher? A criança que vive dentro dela morre na mesma, seja num vão de escada, seja na mais confortável clínica.
O aborto é um processo que envolve dois seres humanos sendo que, à partida, só um está condenado a não viver: a criança. Aliás, e segundo o futuro quadro legal, a essa criança é-lhe retirado o direito de viver apenas por e para mero conforto de quem decide.
Não consigo dizer sim a tal legitimação para que se mate apenas porque não se quer ter mais um filho, seja porque fica caro, seja porque dá chatices, seja até porque esse filho é menino e a mãe queria uma menina. Para que se deite fora uma vida apenas porque não se quer o incomodo de ter de lidar com essa vida.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

james harries

Na rota dos grandes fazedores de canções. descubra-o.

"now I know you are a woman so you won't believe me
when I tell you, you were the most beautiful girl I've ever seen
yeah you with no make-up your coat hemmed with mud
I felt myself instantly falling in love
but you finally clinched it when you flicked your hair dry
and turned around slowly and looked deep into my eyes
your eyes entranced me a deep Spanish brown
in which a grown man could happily drown"

James Harries, "Café del Mar"




dedicado a quem anda a ler Kundera.

domingo, 14 de janeiro de 2007

crónica de um domingo morno


Uma bela tarde, sem dúvida, passada a caminhar pelo longo passadiço que liga a Granja a Espinho. O mar estava mais ou menos calmo e as gaivotas povoavam as rochas da praia e faziam plateia, muito viradas para nós que passeávamos cá em cima, como se estivessem a ver uma corrida ou uma maratona. Do lado nascente passavam comboios vazios de gente e num ritmo descontraído, e ao fundo via-se Espinho das tardes de domingo, cheio de gentes com filhos e netos, pesadas e magras, altas e anafadas. Uma espécie de gente imortal, que se desloca para ali em carros enfeitados com naprons e terços de rezar. Muitos nem chegam a sair do carro. Ficam a dormitar virados para o mar, ou a ler os suplementos do Jornal de Notícias, o verdadeiro ícone literário da maior parte do povo-das-tardes-de-domingo-das-praias-de-Gaia-e-Espinho.
E no percurso inverso, de Espinho para a Granja, as mesmas pessoas e uma quase vontade de dizer "olá como vai", como se estivéssemos em contacto directo com excelentíssimos vizinhos. Jovens casais em ritmo apressado e quase sempre com um filho de colo, passeavam risonhos. Velhos com ar descontraído enchiam excelentes fatos de treino e ofegavam na pressa de se sentirem saudáveis. Raparigas sós ou acompanhadas aos pares, lembrando as antigas romeiras, pareciam procurar namorado no meio das gaivotas. Já não há namorados para estas romeiras. Apenas gajos que se enchem de carros artilhados com música de Tony Carreira ou com rap francês foleiro e que combina com os bonés de pala, os “yós” e os charros mal enrolados.
Uma bela tarde, sem dúvida, esta caminhada no passadiço. E as dunas estão boas, asseadas, e o mar insiste em tirar-nos a areia da praia, desnudando as pedras negras como se elas fossem rés sem pudor, expostas e condenadas.
O mar não se importa porque entende que não castiga. O mar não tem passadiço e desloca-se à toa. E nós ali em cima a passear, como se toda a nossa vida fosse um simples passeio à beira mar.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Nós queremos Sol


Digamos que vamos entrar no verdadeiro primeiro fim-de-semana de 2007. As festas estão definitivamente encerradas, árvores de natal desmontadas, e os saldos rebentam por aí como cogumelos enquanto não chega o dia dos namorados e o carnaval, duas marcas de consumo verdadeiramente institucionalizadas. De modo que, em chegando à terrinha, a noite acende-se no calor dos amigos e da cerveja gelada. Mais a vodka e um ou outro gin, se for caso disso.
"Em Janeiro, salto de Carneiro", dizia a minha avó. Os dias começam a arrebitar e convenhamos que é bom que arrebitem. Estamos preparados para um novo ciclo, à espera da primavera e de arrumar com os pijamas quentes e as botijas de água e as mantinhas de lã. Nós queremos sol. Somos um país que se deprime se não houver sol e calor.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

estes Janeiros

Batalha. É quase meia-noite e eu recolho-me na serra para descansar. O ano começa com serenidade. Vende-se, apesar de tudo.
E nestas horas de sossego quase sossego, olho para a noite e vejo as luzes das casas e das estradas e dos carros que passam com gente, por vezes vazios de mais, e estendo-me numa preguiça boa enquanto fumo um cigarro. Os ruidos da estrada nacional 1 fazem-me companhia e sei que o sol ha-de estar a chegar para que as luzes se apaguem.
É assim que começam todos os Janeiros das nossas vidas. Devagar, tranquilamente, porque tudo se ha-de compor. Tudo pode ser perfeito se contarmos com o solinho que nos aquece e nos alumia.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

coisas boas

coisas boas podem ser, por exemplo, receber um cartão com banda magnética do el corte inglés, como prenda de natal, e correr para esse enorme edificio cheio de coisas bonitas e comprar esta maravilha.

You can never hold back spring
You can be sure that I will never
Stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time

You can never hold back spring
Even though you've lost your way
The world keeps dreaming of spring

So close your eyes
Open you heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby

Remember everything that spring
Can bring
You can never hold back spring
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