terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

regressos II

Dia de Carnaval, dia de aniversário. Acordei tarde, quase em cima da hora de almoço. Não porque tivesse ido para a zona, ontem à noite, mas apenas porque me deixei dormir, sonhando com coisas terrenas e com o suicídio de Kurt Cobain. Tinha visto na rtp 2 um doc. sobre Bob kennedy, o irmão do amante de Marylin, um homem que podia ter feito história, e deixei-me adormecer a ver um outro doc., na mesma rtp 2, e sobre Clint Eastwood. Dormi regalado com acréscimos de poesia e romantismo no pensamento. Isto também porque a minha filha estava linda, de diaba vestida, e tinha ido para Ovar, dançar para a tenda, onde ficaria até ás nove horas de hoje.
Já hoje, e depois do banho, e do desprezo pela minha barba de três dias, atirei-me a uma feijoada com focinho de porco e orelheira, bebi um Alentejo tinto e tomei três cafés de enfiada. Amanhã é o início de quarenta dias de Quaresma, de jejuar, de combater o excesso de peso até à Páscoa do pão-de-ló e dos folares. Hoje é terça-feira gorda e ninguém está autorizado a pensar em bandas gástricas. E é assim perdidamente, a ouvir o som do ventilador do meu computador, que me despeço dos quarenta anos redondos. Amanhã só paro nos cinquenta!
E a minha filha acabou agorinha mesmo de acordar do seu soninho e veio aqui dar-me um repenicado beijinho de parabéns. Tão Bom!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

regressos

Vila Nova de Gaia. De regresso a casa, saúdo o frio que me brindou com uma leve dor de garganta. No Norte sofre-se muito da garganta, ou por que se fala de mais ou porque se sente o frio em demasia.
E entretanto amanha, dia 20, é Carnaval. E é o dia do meu aniversário (e de Kurt Cobain que foi mais inteligente do que eu suicidando-se desta merda toda).
O dia em que eu farei quarenta e um anos sem ter culpa alguma disso. E serei sempre inocente de fazer anos enqunto me sentir salvo pelos meus lindos cachos, pelo meu olhar de puto meigo e pelos os meus belos lábios que foram desenhados por um deus do Olimpo, disse-me uma vez certa pessoa. Fazer quarenta e um anos não pode ser o mesmo que andar para trás indo para a frente. Não senhor. Fazer quarenta e um anos pode e deve ser entendido como uma pequena etapa desta eterna juventude que me preenche.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

desta lisboa que eu amo V («Nobody is illegal»)

Lisboa, fim-de-semana. Nesta Lisboa que eu amo há muito por onde escolher quando é sexta-feira à noite. Janta-se descontraído, conversa-se, cai-se no cinema ou no teatro, ou ouve-se música num bar qualquer. Eu escolhi ouvir jazz e fui à procura do Hot Club. E foi boa a minha malha, dado que ainda fui a tempo de assistir a um magnífico concerto dos belgas "Jef Neve Trio". Música colorida com acalmia, ambiente sublime, intimista. Um achado ao alcance de poucos, palavra de honra.
Depois de uma tarde desastrosa, com chuva e frio, uma sexta-feia condenada ao fracasso, afinal salva por um triz. Melhor dizendo, salva por um trio.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

desta lisboa que eu amo IV

Nesta Lisboa que eu amo há o Benfica, o glorioso, e às vezes ganha para aumentar as vendas do “Compensan”. E há os tipos da Emel, essa associação diligente, dona de toda a Lisboa dos estacionamentos. Mas um tipo como eu, vendedor, sabe como faze-las, e em estando alojado num hotel sem parque, condenado pois ao jugo poderoso do “amarelinho”, tratou logo de fazer um “aproach”, um quebra-gelo fatal para o fiscal.
- Qual é o seu carro? O “MB”? Olhe, ponha só uma moedinha para eu não ter problemas que eu faço sempre esta zona.
Obrigado “amarelinho”. Trata-me bem do carro

desta lisboa que eu amo III

Ontem fui jantar à Cervejaria Trindade, no Bairro Alto. Soube-me bem rever os quatro elementos e as quatro estações que decoram aquela nave, magníficos azulejos que permanecem ali, indiferentes a quem entra e sai, sumptuosos. Pena é ficarem também indiferentes relativamente à qualidade do serviço e da comida. À entrada, fui confrontado com um simpático painel que me pedia, em linguagem cuidada, para aguardar que alguém me indicasse mesa. A sala estava semi-vazia porque já era tarde e os empregados vagueavam indiferentes a quem aguardava ser acolhido. Para quem não sabe, eu fui gerente de uma Pizza Hut em 1990 e, nessa altura essa cadeia de restaurantes foi pioneira nesse conceito de acolhimento e garanto-vos que na minha sala nenhum cliente ficava à espera do acolhimento mais de um minuto. Mesmo quando não havia mesa, havia sempre um empregado destacado para fazer o acolhimento, ou então o gerente encarregava-se de o fazer. Pelos vistos o painel de acolhimento da Cervejaria Trindade existe apenas para o “Rush Time”, a hora de ponta, onde há uma imensa fila de clientes. Só para isso, para os disciplinar. Depois foi a comida, um presunto péssimo, devolvido, umas amêijoas salgadíssimas, um bife do lombo frio, com o molho já a coalhar à superfície e umas batatas fritas que rapidamente congelaram na minha mesa.
Mau, muito mau. O que se passa com estes restaurantes tradicionais? O gerente estava perdido a tirar leituras parciais, a ver a facturação, e o staff deambulava pela sala, descontraído, relaxado, e os clientes pareciam nem dar por isso. Pudera! A maioria era constituída por casais de namorados que tinham ido ali comer o menu de S. Valentim e não estavam para mais nada nem ninguém. A bem do amor.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

valentim saudade, valentim aos molhos

do tal valentine, dizem que é amor a rodos e paixões assolapadas, flores vermelhas e algum sexo embrulhado, com aspecto de presente de namorados. mas também é isto. Muito mais.

desta lisboa que eu amo II

Tenho de ir ao B'leza, ali para os lados de Alcântara. Eu, que sou um mão-fria de discoteca, sempre de copo na mão, não sei dançar nem gosto muito de dançar, hei-de ir ao B'leza, ali para os lados de Alcântara. Disseram-me que era uma discoteca de Kizomba, a dança mágica. Do povo, dos pretos lindos e deuses. Corteses, simpáticos, dos bairros, das magias sensuais, dos suores vibrantes. E que não engatam. Não pedem o telefone às meninas brancas que os olham com deleite. Pedem-lhes para dançar apenas, e dançam-nas num profundo êxtase, como se a música e o movimento fossem uma imensa África prenhe de amor à música e à dança, gazelas correndo em rituais de harmonia e força, leões e tigres de garras afiadas que acariciam, que mimam, que tocam sem ferir. Disseram-me, eu não vi. Mas hei-de ver.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

desta Lisboa que eu amo I

É tarde e eu não quero dormir. A carga horária destes dias de exposição e a deslocalização interna alteram-me os "dormires", para não falar do raio da prisão de ventre que é uma coisa terrível, e que "se me dá" sempre que me afasto de Gaia por mais de três dias. É bom que se fale destas coisas, dum tipo andar três dias preso dos intestinos. Por causa da lua, ou da mudança de hábitos, nem sei. O que sei é que sempre que chego a casa, a primeirinha coisa que faço é "apenas e tão só" (adoro esta expressão!) por-me de olho na sanita e restabelecer a minha condição normal de cagão, alibeirando-me, enfim.
De maneiras que estava eu dizendo, ando sem sono e não me dá para ver televisão nem me apetece ler nada, nem um título de jornal (neste caso devido ao meu angustiante benfiquismo) e pronto, dá-me para isto, ler os dois blogs do costume (agora são três) e atirar-me a escrever qualquer coisa, quando muito com a serventia de um dia destes eu desfazer-me em sorrisos meigos, em relendo estes disparates de um vendedor de província em plena capital da nação.
De facto, e em boa verdade, estou um tanto estremunhado do sono, uma vez que me deu para passear de carro pelas avenidas novas de Lisboa, concluindo afinal que isto também tem as suas noites mortas, principalmente quando estamos imbuídos de um verdadeiro espírito de cangalheiro. Mortiços em demasia e sem inspiração relevante para combater esta espécie de tédio dos deslocalizados.
Bom, caros tele-espectadores, como dizia o Engº Sousa Veloso, obrigado a todos e até ao próximo programa ( até que o calaram - oxalá façam o mesmo ao Malato! E breve!).

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

desta lisboa que eu amo (- I)

A Nauticampo está a correr-me bem. Duas vendas, ao fim do segundo dia de "feira", ainda que esganadas. Os queridos visitantes estão cada vez mais sedentos de informação e, por outro lado, renitentes na decisão. Mas um vendedor que é vendedor, não um desses conas que no final do curso encontrou nas vendas a sua tábua de salvação à custa de 500 euros de fixo mais um telemóvel fatela e uma permanente justificação para o merecimento de tais regalias, que eu bem lhes digo para irem trabalhar nas obras ou numa fábrica de cablagens qualquer, dessas que se deslocalizam, como as putas à beira da estrada mais ou menos movimentada...ah, mas dizia eu, que ainda me perco (perco-me sempre, cum carago), um vendedor que é vendedor tem de puxar para o fecho, tem de criar no cliente a perfeita convicção de que é agora ou nunca. E a puta da venda sai, ai se não sai. Esmagada, esmifrada, calcada e prensada... mas venda, gloriosa venda de sabores a caju com cerveja gelada.


E depois, os jantares nas portugálias da cidade. Esta Lisboa está infestada de casas de "fast food", que eu não gosto de caracóis e por isso, por mais que pense, acabo sempre numa portugália qualquer e a comer um bife qualquer com um molho qualquer e umas batatas fritas quaisquer. Foda-se lá para esta lisboa gastronómica. Falta-me a rojoada, a cabidela, o cozido e a sandes de marmelada com queijo. Estou farto, fartíssimo, do queijo saloio e das embalagens de manteiga rançosa. Quero mais. Quero larocas e pataniscas de bacalhau. Quero consumar o êxito da venda numas tripas à moda do Porto e quero brindar com um arroz de sarrabulho ou um leitãozinho da Bairrada.
Por outro lado, estou a ficar cansado dos pequenos-almoços do hotel onde estou. O café sabe a bugalho, o queijo parece ser sempre a mesma fatiagem e os ovos mexidos são para os bifes, não são para mim. Quero meias-de-leite decentes, directas. E café Buondi. Aqui é só Delta, nabeiros do caraças! E chávenas cheias que nem sopas. E no meio disto tudo há a "Emel", uma organização terrorista legalizada que me esturra as moedas sobrantes. Mas destes gajos não falo, porque estou na lista negra deles. E não pago!

Esta Lisboa que eu amo é terrivelmente avassaladora nos costumes, sedutora nas feições e muito cruel nas tradições. Ou comes disto ou então vai lá pra tua terra mais esse teu sotaque tripeiro. Esse "fica aqui à minha beira" que ninguém usa, esse "entom" á moda de lá de cima...
Mas duma coisa eu gosto: o "cala-te lá". O "cala-te lá" alfacinha é único. Quando o oiço tremo de prazer e quando o digo parece que estou a perder a virgindade. O "cala-te lá" é para mim um perfeito quinto orgasmo. Completíssimo.
Ah!, pronto! Isto é só a Nauticampo Em Lisboa, numa semana de Fevereiro, o meu mês, e com vendas que se fazem, entretanto. Viva a minha condição de poeta vendedor. Um bem haja a mim e obrigadinho, sim?

domingo, 11 de fevereiro de 2007

desta lisboa

Lisboa. Enamorei-me por um casaco de couro à venda na Fil a um preço filho da mãe mas, ironias, muito convidativo. Um casaco de couro que não é mais do que um "disfarça misérias", um anti-pneu, alto relevo em conforto e apresentação. O estuporado do casaco de pele de cabra está um primor. Um corte que me atira a barriguinha quarentona para uns bons dez anos mais novo. O preço, esse, pôs-me dez anos mais velho. Da idade do meu estafado casaco de couro castanho e de pele de cabra, com bolso na lapela e com aqueles inúteis apliques na cintura, uns pendentes de merda, autênticos "bilhete de identidade" e "numero de contribuinte" da minha miserável condição de teso e cota.
Queria tanto comprar um casaco de couro novo, elegante, muito minimalista e arrebatador...

sábado, 10 de fevereiro de 2007

arrivals

Cheguei a Lisboa, à cidade. Chove alguma coisa, o que eu detesto em Lisboa, mesmo quando sei que vou passar a maior parte do meu tempo encarcerado na Fil. Mas Lisboa encanta-me sempre, sobretudo fora de horas.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

das crias

Ontem encontrei uma antiga namorada e em conversa de circunstância perguntei-lhe se tinha filhos. "Gatos, tenho gatos", respondeu ela.
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