António Lobo Antunes foi premiado com o Prémio Camões 2007. Justiça para o maior escritor de língua portuguesa vivo, que de entre os que eu conheci em vida só Torga lhe levava a palma.
A primeira vez que ouvi falar em Lobo Antunes foi pela voz de uma professora de filosofia, a Dulcinea , uma gorda estupidamente "coquete" para ser professora, quanto mais professora de filosofia. Uma armante que num ano criticava as pessoas que faziam croché, apelidando-as de doentes mentais, para no ano seguinte fazer os maiores elogios a essa actividade só porque resolvera pegar numas agulhas. Ora essa Dulcínea recomendou-me o "Cú de Judas", porventura na moda à época, e Lobo Antunes ficou-me até hoje.
Já casado, eu lia as crónicas publicadas numa revista dominical do jornal "Público", um portento de escrita ali escarrapachada semanalmente e quase grátis. E depois os outros grandes livros até ao último. Dos que eu li, o que mais gostei foi o "O Manual dos Inquisidores".
Delicioso de ler é também o "Cartas de Guerra" que eu apenas espreitei à boleia da Fnac de Gaia numa manhã de inverno. Mas eu hei-de ter esse livro!
E da Dulcinea, essa gorda que deve estar velha e cheia de tendinites, eu guardo-lhe a única coisa boa que ela me disse.
E depois, para além de todas as coisas, Lobo Antunes é benfiquista, ou seja, não tem defeitos. Não padece dessa disfunção intelectual dos novos escritores portugueses que cegaram demasiado cedo.


