terça-feira, 27 de março de 2007

e o Salazar?

E o Salazar? perguntava-me ontem pessoa atenta à nossa vidinha. Respondi com uma pergunta inocente. Que tem o Salazar? Ganhou o concurso dos grandes portugueses, alertou-me o amigo. Não viste? Ah...não vi.
Foda-se! Não vejo nada. Desde que se me partiram os óculos eu ando a ver cada vez menos televisão e acho até que nem vou comprar outros porque assim oiço mais rádio. Se os portugueses gastassem mais tempo a ouvir rádio acho que ficavam menos estúpidos. Já a minha professora de Inglês do nono ano, a professora Odete, me dizia que eu era um miudo inteligente porque ouvia muito a Rádio. Nos tempos pré-"oceano pacífico", esse pastelão de música para quarentões frustrados. Nos tempos do "dois pontos" e o "morrisson hotel" e do "pão com manteiga". No tempo em que o canal público de televisão abria à tardinha e ainda passava o "TV Rural". Agora a malta perde-se nas imbecilidades televisivas. Perde-se com as novelas da teta e com os "espectáculos da realidade". E curiosamente, os especialistas na coisa comentada também sabem daquilo. Eu é que ando aqui a mais. Parti os meus óculos, que me davam um bom ar aliás, e deixei-me de ver televisão. Incluindo futebol, que vejo cada vez menos.
Estou a transformar-me num pária sem remédio. E o Salazar? Consta que via pouco televisão!

domingo, 25 de março de 2007

Oh come with me to the sea

Come with me, my love
To the sea, the sea of love
I wanna tell you how much I love you

Do you remember when we met?
That’s the day I knew you were my pet
I wanna tell you how much I love you

Come with me, my love
To the sea, the sea of love
I wanna tell you how much I love you

sábado, 24 de março de 2007

testemunhos

Carvalhos. regressei a casa ainda a tempo de assistir à cerimónia de entrega do diploma de valor e excelência ao meu Alex, na escola EB2/3 padre António Luís Moreia, nos Carvalhos. Foi um momento bom. A Organização presenteou-nos com uma palestra levada a cabo pela Drª. Maria Teresa Mendes, Psicóloga e muito experimentada em lidar com o tema do insucesso escolar. Declamou-se Torga, que muito me comoveu, e encenou-se um pequeno excerto do "Principezinho" de St Exupery e que de imediato me fez agendar reler esse magnifico livro nas próximas horas. Depois vieram os aplausos e as honrarias aos alunos que se destacaram no pretérito ano lectivo.
Maria Teresa Mendes abordou o tema da Motivação e discorreu sobre o assunto de forma leve, não obstante ter focalizado os principais tópicos de reflexão sobre essa coisa monstruosa que é o insucesso escolar. De entre várias frases de efectivo interesse para os pais, captei esta: " no primeiro ciclo as crianças aprendem para ler, a partir daí lêem para aprender". Ora aqui está a chave da coisa. Como pai, e se me permite o amigo que me eestá a ler, a solução para combater o insucesso escolar está precisamente aqui: ler, incrementar o interesse dos nossos filhos pela leitura. Para além de todas as coisas que os pais acham que devem proporcionar aos filhos, o incentivo pela leitura deve ser o primeiro de todos os "bens". Inundem a casa de livros, esqueçam as velas decorativas, as casquinhas, os limoges e os belos naperons, povoam a mesa de centro da vossa sala com livros, peguem nos livros quando estão a ver televisão, marquem os livros, levem-nos para a casa de banho, e no vosso quarto, em vez de lindos enfeites, ponham livros na mesinha de cabeceira, com marcadores, mesmo que não tenhais muitos hábitos de leitura. A estratégia tem de ser essa, porque todos sabemos que nos dias de hoje as crianças não têm tempo para ler, nem sequer têm espaço psicológico, de silêncios, para pegar num livro. Mas o vosso exemplo vingará, estou certo. Pensem nisso.

quarta-feira, 21 de março de 2007

regressos

Batalha. De novo nas serras D'Aire e Candeeiros e ansioso por sol. Nos céus as nuvens disfarçam o azul mas eu olho para a Primavera com olhar de vitelo mal morto, quase desmamado, e à espera de ver os campos floridos e a cheirar a ervas doces. Hoje vou tombar na Ti Maria dos Queijos (imagem) onde provarei morcela de arroz antes de me debater com uma deliciosa "lentrisca". E farei negócios do sol, estou certo. Mas ainda trago comigo uma ou duas camisolas interiores que eu bem sei que em Lisboa, por exemplo, isso não se usa. E trago pijama e pantufas e uma embalagem de Mebocaína, o único medicamento que tomo regularmente. Lá mais para diante deixo-me usar as minhas malhas de verão, já muito velhas e coçadas mas muito minhas. Por agora este marujo que vos escreve, aportou a sua velha jangada no velho Oeste. Não temam porque não trago pistolas nem sou de zaragatas. Admito disparar um ou dois olhares se porventura alguém me acossar. De resto, mantenho-me fiel aos meus delírios e prometo acordar cedo, ainda que me deite tarde.

terça-feira, 20 de março de 2007

perdido

Deste mar a espuma branca esbarra na areia e espalha-se livre. O mar que eu sou gosta de ser espuma, de acariciar a areia branca e possuir todos os seus poros. Gosta de ser suave tempestade que se aprecia e se deseja no corpo. Este mar que eu sou perde-se no sonho porque acredita que se esgotou na areia molhada...

segunda-feira, 19 de março de 2007

das minhas vaidades

Lembro perfeitamente o dia em que fui pai pela primeira vez. Não tinha carro e o Jorgito, um tio da minha mulher, levou-nos ao hospital de S. João no Porto. Recém casado, teso e puto, comprei uma kodak de cassete e deixei-me ficar nos corredores do hospital à espera de ser pai. A Catarina deu luta e acabou por cair na balança acusando uns bons três quilos e novecentos e dez gramas, cinquenta e dois centímetros. Era a minha filhinha que acabara de vir para junto de nós. Já no meu colo, beijei-a e senti uma felicidade única, num momento único.
Alguns anos depois veio o Alexandre e as sensações repetiram-se. Hoje a Cat já está na universidade e o Alex vai receber um diploma de honra e excelência em cerimónia a realizar na próxima sexta-feira. Os meus filhos são lindos! eu sinto-me lindo também. Eu sou pai e sou abençoado. Palmas para mim.

sexta-feira, 16 de março de 2007

absinto

Acordei e oiço "Bizarre Love Triangle" dos New Order... "Every time i think of you
I feel shot right through with a bolt of blue"

quinta-feira, 15 de março de 2007

metamorfoses

estou a ficar mamudo. para além da barrigota de cerveja, noto o peito mais arredondado e parece que me nasceram umas mamas grandes que me dão um ar de ninfo desmazelado. nunca me tinha apercebido destas mamas, tão ocupado que ando a olhar para as mamas das moças que arrebitam em dias de calor. tenho que fazer alguma coisa com as minhas mamas. hoje sinto que elas não param de crescer.

quarta-feira, 14 de março de 2007

o seu a seu dono


António Lobo Antunes foi premiado com o Prémio Camões 2007. Justiça para o maior escritor de língua portuguesa vivo, que de entre os que eu conheci em vida só Torga lhe levava a palma.
A primeira vez que ouvi falar em Lobo Antunes foi pela voz de uma professora de filosofia, a Dulcinea , uma gorda estupidamente "coquete" para ser professora, quanto mais professora de filosofia. Uma armante que num ano criticava as pessoas que faziam croché, apelidando-as de doentes mentais, para no ano seguinte fazer os maiores elogios a essa actividade só porque resolvera pegar numas agulhas. Ora essa Dulcínea recomendou-me o "Cú de Judas", porventura na moda à época, e Lobo Antunes ficou-me até hoje.
Já casado, eu lia as crónicas publicadas numa revista dominical do jornal "Público", um portento de escrita ali escarrapachada semanalmente e quase grátis. E depois os outros grandes livros até ao último. Dos que eu li, o que mais gostei foi o "O Manual dos Inquisidores".
Delicioso de ler é também o "Cartas de Guerra" que eu apenas espreitei à boleia da Fnac de Gaia numa manhã de inverno. Mas eu hei-de ter esse livro!
E da Dulcinea, essa gorda que deve estar velha e cheia de tendinites, eu guardo-lhe a única coisa boa que ela me disse.

E depois, para além de todas as coisas, Lobo Antunes é benfiquista, ou seja, não tem defeitos. Não padece dessa disfunção intelectual dos novos escritores portugueses que cegaram demasiado cedo.

terça-feira, 13 de março de 2007

sobrevivências

Hoje sinto uma leve dor de cabeça. Dormi o que dormi, mas não compensei o excesso de cerveja e de fumo. Passei a noite quase toda a jogar poker e estas coisas são cansativas, porque ficamos ali sentados a receber cartas e a apostar fichas desalmadamente com o cigarro enfiado na beiça e o olhar à matador. O poker ensina-nos a levar a vida com outra destreza. As habilidades postas em jogo numa relação pessoal ou profissional cabem todas num simples jogo de poker. O poker deveria ser estudado nas escolas, deveria ser um guia prático de como devemos encarar as pessoas e as suas estratégias de sobrevivência...
O poker ensina-me a sobreviver.

segunda-feira, 12 de março de 2007

segunda-feira

Tenho de me levantar. Tenho muito de ir tomar um banho, de me vestir e de emborcar café e fumar, não consigo deixar de fumar, e olhar as pessoas e rir e agitar o meu olhar com fulgor que dá inveja. Tenho de fazer isso tudo como se não fosse possível fazer mais nada. Coço a cabeça violentamente porque me sinto emaranhado. Noto alguns cabelos entre os dedos. Não tenho caspa, já quase não me lembro de ter caspa. Não tenho dessas coisas. Dores de costas, olheiras, tosse, febre, cansaço. Nada disso me afecta. Sou um pavão hoje de manhã.

sábado, 10 de março de 2007

vamos morrer todos

"Calma doutor! Calma doutor! Vamos morrer todos!" Uma frase que o Yuri me atirou ontem, quando eu lhe dizia duas ou três coisas mais aceleradas, em circunstâncias próprias de um dia normal de trabalho. O Yuri é um russo que trabalha. Faz tudo para ganhar dinheiro, inclusive aturar toda a merda de patrões que se aproveitam da sua condição precária. Vai ter um passaporte, finalmente. Vai ter "papeis" para poder trabalhar com dignidade. O Yuri gosta de trabalhar e toca baixo e adora rock soviético. Sonha criar uma banda e eu alimento-lhe esse sonho. Prometo-lhe dias gloriosos neste sol ocidental. Que vai actuar no "O meu Mercedes" do Porto e no "Clinic" de Alcobaça. Diz que vou ser o "Manager" da banda, que não conhece ninguém melhor do que eu. E eu fiquei a pensar naquela expressão de descontracção, de aparente descomprometimento com os problemas que afectam um cidadão russo desterrado neste sol. Calma, doutor! Vamos morrer todos! Pois vamos.

quinta-feira, 8 de março de 2007

essa gaja

Eu não sou nada a favor dos dias especiais de qualquer coisa. Mas este dia merece-me um breve comentário. Eu percebo pouco de mulheres, não lhes conheço as manhas e só sei dizer que gosto delas. Sempre gostei. Da mãe, da tia, do borrachinho do sétimo ano, da tesuda do liceu, da professora, da empregada, da puta da estrada e da brasileira do pantera. Mas aquela de quem eu gosto mesmo é a mãe dos meu filhos. A única mulher de quem eu jamais deixarei de gostar, custe o custar, aconteça o que acontecer. Essa sim, conheço bem. É gaja do caraças. Como tantas gajas por aí que são mães a tempo inteiro, trabalham a tempo inteiro, dando ideia de que ainda podiam fazer mais qualquer coisita, como se tudo fosse uma simples história de embalar. Essa gaja, mãe dos meu filhos, é dona do meu pensamento. Quando me ponho a pensar em homenagear a mulher, uma mulher, não consigo encontrar ninguém que lhe faça frente.
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