sábado, 19 de maio de 2007

como a comida inglesa


Hoje regressei às "Pedras" com framboesa. Estou, pois, em lavagem do tonel, a minha barriga de quarentão que parece não resistir aos meus instintos de esponja.
A noite passada foi pesada e isto de ter amigos solidários que nos acompanham nos copos, isto de emborcar cerveja a metro, isto de ter sempre sede e depender tanto de umas goladas, e os fumos e as gargalhadas e a noite a fugir para detrás do sol, e eu a emborcar, etílico sem sentimentos, irresponsável, bêbado e consistentemente sequioso, isto, dizia eu, tem de acabar um dia.
E hoje estou a águas, portanto. Se bem que a água é qualquer coisa que o meu organismo estranha. Mas tem de ser, de modos que lá mais para a noitinha vou encostar-me no velho sofá, ver os dois filmes da RTP2, vou fumar apenas um cigarro e vou soltar gases livremente. Como um burguês na sua intimidade, vou espraiar o meu fígado e dar-lhe canjinhas e infusões. E amanhã hei-de acordar cheio de sede outra vez.
Sinto-me como a comida inglesa: sem solução. Isto tem de acabar!

sábado, 12 de maio de 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007

grandiloquências


Gostava muito de ter visto este senhor David Beckham sentado defronte às câmaras de televisão a apelar pelas crianças vítimas dos mais bárbaros massacres e que são mortas aos molhes, sem dó nem piedade. No Darfur, no Iraque ou em qualquer outro sítio do "lado de lá"... Não, não vale a pena. Essas Madeleines não existem, definitivamente.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

iguarias ll

Fiquei triste pela não qualificação do Reino do Butão para a final do, em Inglês, Eurovision Song Contest e, em francês, Concours Eurovision de la Chanson (não sei como se diz isto no Reino do Butão). Mas, bolas, está lá a Servia, a Bielorus, a Slovenia, a Turquia, Moldávia, Macedónia...mas o Butão é que não.

iguarias

Há já algum tempo que eu ando para falar nisto e, pronto, falo agora: o melhor programa magazine/cultural/juvenil/qualquer-coisa dos últimos 20 anos, ou seja, após a extinção do TV Rural, chama-se PICA e passa na RTP2. Pronto, tá dito.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

o velho da morada

Passeando pelas aldeias da Serra d'Aire e Candeeiros, em pleno Parque Natural, dei de caras com este senhor de olhar vigilante, segurando um enorme cajado. É o Velho da Morada , uma lenda. A Morada é um lugar da Aldeia da Barrenta, concelho de Porto de Mós. Disseram-me que este velho foi um espécie de primeiro habitante do lugar, e que se transformou num vigilante protector da povoação. Não encontrei nada na web sobre esta história mas disseram-me que há um emigrante que gosta de registar as histórias e os costumes da terra que o viu nascer e que tem publicados uns escritos sobre o assunto.
Eu gostava de saber ao certo quem foi este português de outros tempos, talvez dos tempos anteriores à Portugalidade.

subway maps



Consulte aqui os mapas dos Metros de todo o mundo. Just in case...

das radios

Batalha. A pior coisa que me pode acontecer de manhã ao sintonizar as rádios de referência portuguesas é aquela espécie de humoristas serôdios que aparecem nos programas da manhã. Um rol de imbecilidades, mau humor, ainda por cima repetitivo, ainda por cima quando já não temos a XFM nem a VOXX. Que saudades!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

novas oporunidades ponto gov ponto pt

Estes tipos do novasoportunidades.gov.pt, conforme se pode ver na publicidade anunciada um pouco por todo o lado, consideram que um profissional da construção civil é um ser diminuído porque não tirou um curso. Consideram que uma funcionária de uma papelaria, é uma Judite qualquer, não a outra que tem um emprego carreirista na RTP. Ou seja, estes tipos acham que um trolha deve ir estudar para depois se inscrever no fundo de desemprego. Acham que as judites todas que trabalham em fábricas e nos supermercados devem tirar um curso superior porque certamente há mais empregos disponíveis para a malta do canudo, como bancários, vendedores de telemóveis ou assistentes comerciais da oriflame. Tudo empregos precários e de curto prazo, bem sabemos...!
Pessoalmente sinto-me ofendido, porque eu sou um trolha, sou um operário fabril e sou um camionista, ou mesmo um simples "lixeiro". Mas sou um profissional digno, trabalho todos os dias com honestidade e sinto-me ofendido quando me representam em grandes cartazes, ridicularizado, marginalizado, como se a minha actividade não tivesse honra nem dignidade. Como se um profissional concreto, de uma actividade concreta fosse o cancro desta sociedade estéril e não produtiva, desta sociedade em que o funcionarismo público e a cunha e o emprego de favor grassam por aí, de cima a baixo, como pulgas em cão vadio.
Qualquer dia, de tantos doutores e engenheiros neste país,não haverá quem nos possa servir um simples café sem este cenário mais ou menos virtual: "senhor doutor, eu queria um café curto se faz favor e já agora diga ali ao doutor que me engraxe os sapatos e peça à menina Judite um maço de tabaco. Desculpe, menina não. Engenheira".

terça-feira, 17 de abril de 2007

de espanha

Alicante. Tive de vir a Espanha e revejo este país com gosto. Em Madrid, obras públicas por todo o lado (aquele túnel impressiona!) e ao atravessar Castilha La Mancha achei-me num sorrio estranho ao ver um comboio rápido atravessar a planície prenhe de ventoinhas eólicas muito alinhadas num estilo certamente quixotesco, romântico e cómico. Mas não trágico. Em Espanha tudo é novo em cada ano que passa e nada parece ser trágico, enviesado, e até a restauração parece identificar-se com este novo desígnio de "nuestros hermanos": simpatia e competência, progresso. E Universidades...
E nós aqui a definhar com tanto orgulho...

domingo, 15 de abril de 2007

é bom

Oba, fui ao cinema! Ontem fui ao cinema ver o "The Departed", de Martin Scorcese e pronto, gostei. Só não gostei de ver o Leonardo Dicaprio a morrer. Nunca o tinha visto morrer, apesar de me terem dito que ele também morre no filme "Titanic", mas esse filme está fora da minha "short list" de filmes vistos ou a ver. Mas pronto, não gosto de ver o rapaz a morrer. É bom actor, mexe-se bem e tem pinta. Gosto muito dele embora isto pareça um post panasca. Também gostei do desempenho do velho Jack que está cada vez melhor. Desde aquele "O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes" que o Jack tem sido sempre um grande artista de cinema. E para que isto não seja ainda mais panasca também gostei muito da Vera Farmiga, uma gaja a rever em próximos filmes. É bom ir ao cinema, não é?

quinta-feira, 12 de abril de 2007

toma lá o meu sudário

Assisti à entrevista do senhor Primeiro-ministro. O homem está um Cristo na Cruz, apenas porque todo o país pretende que ele pague sozinho o pecado original da nossa sociedade: o lambebotismo, o tratamento personalizado de excelentíssima supinação social e a consequente ostentação de títulos rebuscados pelos excelentíssimos cidadãos portugueses. O cidadão José Socrates achava que seria sempre um desgraçado se não tivesse uma licenciatura e esforçou-se para obter um canudo. Fez o que podia ter feito para tal, como fazem milhares de portugueses que se habituaram a ver no canudo a única formula de se afirmarem social e profissionalmente. Agora crucificam o Sócrates que é um grande político, um bom primeiro-ministro e tem um programa para governar.
O Plano Tecnológico, a grande bandeira eleitoral deste político, ficou nos moleskines dos entrevistadores e a "Questão da Ota" foi aflorada muito superficialmente. Isso não era relevante, não tinha "sound bytes" bastantes. E o melhor veio a seguir à entrevista, com os canais televisivos de informação a fazerem desfilar todos os "impolutos virtuosos" necessários para cuspirem no pecador.
Sócrates, toma lá o meu sudário porque eu hoje sinto-me a tua Maria Madalena.
Web Analytics