sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

The Drunken

O man, take care!
What does the deep midnight declare?
"I was asleep—
From the deep dream I woke and swear:
The world is deep,
Deeper than day had been aware.
Deep is its woe;
Joy—deeper yet than agony:
Woe implores: Go!
But all joy wants eternity—
Wants deep, wants deep eternity."

Nietzsche

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

devoluções

Hoje devolvo-me a todas as coisas, deixando-me espalhar pelos materiais como se o meu corpo fosse um estado chumbo derretido. Muito quente, muito fluida, a minha matéria está em estado de devolução às coisas, às formas e aos sentidos. E assim fico com outras formas, mais arredondadas e sem ângulos e arestas vivas. As minhas arestas vivas sangram de um tal desejo de arranhar, de tocar e fazer mexer, e em se devolvendo a outras formas, de arco-íris e flores exóticas, do Índico talvez, de outros mares imensos ou de outras luas argênteas, devolvem-se também ao sonho jamais em mim envelhecido.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

difusões

Como naquele conto de Oscar Wilde também eu desejo por vezes que algumas pessoas que me rodeiam não tivessem coração. Não padecessem nem perecessem e que a sua missão não fosse mais que fazer-me rir e brincar comigo sempre que eu quisesse. Não precisariam de ser bonitas, apenas práticas e muito disponíveis. E como naquele outro conto do mesmo autor, gostaria que uma bruxa de cabelos cor de ouro rubro me oferecesse um punhal com cabo de serpente que eu levaria comigo e numa noite de lua cheia eu pudesse cortar a minha sombra e despedir-me da minha alma. E por certo a minha alma desprender-se-ia de mim sem nada reclamar. Não me visitaria mais e eu, assim, poderia enfim mergulhar no oceano dos meus sonhos e beijar os lábios molhados de uma sereia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

prazeres

Bom, isto não é para se dizer mas acontece que eu sou uma puta e digo tudo, mesmo coisas que não se devem dizer. Este fim-de-semana virei o barco que é uma coisa que eu faço de quando em vez mas já não tinha memória da última.
Virar o barco é uma coisa bárbara. Um tipo fica assim a modos que com muitos calores e de repente apanha-se prostrado sobre uma sanita, o mais kunderiana possível já agora e que me deixe ver as entranhas da terra mais o inferno e as chamas que ardem de um fogo irresistivelmente atraente, e enquanto deita tudo borda fora, a alma inicia o seu único e verdadeiro momento de indispensável reciclagem.
Pronto, foi isso; é isto que me acontece sempre que viro o barco. Fico liso na mente, asseado na compostura e remeto-me sempre para as coisas da alma. Depois faço um Spa de infusões quentes, uma sauna de chá verde e umas bolachinhas maria. E deixo-me ficar muito quieto e talvez compre um livro de contos. Tão bom!..

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

despertares

Hoje despertei entranhado num apetite diferente. Comi bananas e nozes e bebi chá lúcia lima. Desalbardei Coltrane do leitor de CDs e lá voltei eu ao meu velho e grande amigo que me visita tantas vezes nestes dias de chuva. Sussurra-me coisas, este cabrão. Desafia-me a dançar de olhos fechados. E eu danço num balanço torto e deixo-me sorrir como se soubesse onde fica o lugar da felicidade.

domingo, 11 de novembro de 2007

andamos sempre!

Carvalhos já tem uma igreja. Carvalhos, que tem tudo não podendo ter nada, porque está lá tudo menos o mais importante, a independência formal da freguesia de Pedroso, inaugurou ontem o Santuário do Coração de Maria. Um belo recinto espiritual cuja obra nem é da Junta de Pedroso nem é da Diocese do Porto. É uma obra de pessoas que acreditaram ser possível uma obra. Uma obra que mostra finalmente alguma convergência, algum sentido de unidade e orgulho, porque não? E prova que se podem fazer coisas, que já não é necessário esperar por mais uma geração para que haja mudança, para que as pessoas se possam rever num ideal que não é, não senhor, revolucionário, que não serve orgulhos torpes e guerras cegas de poder. Esta nova igreja, que eu vejo da minha janela, pode significar muitas coisas. Para mim, que não sou um caso sério em matéria religiosa, significa um ponto de partida para o caminho da razoabilidade. Um símbolo de visibilidade e autenticidade de uma gente que todos os dias ajuda construir uma identidade própria e irreversível: Os Carvalhos!

sábado, 10 de novembro de 2007

miserável honestidade

O tipo seria hoje um homem bem mais realizado, não fosse a miserável honestidade a sua principal característica. Dizem-lhe as vozes da nobre arte do elogio que essa qualidade é a melhor coisa que um homem pode ter. O tipo sorri e engole miseráveis sulcos de honesta saliva, cujas enzimas parecem trespassar a alma ingénua como se tal virtude pudesse bem ser triturada qual simples bolo de arroz. O tipo sabe o que perdeu, o que perde todos os dias, e entrega-se às mais miseráveis e desonestas das emoções: a nostalgia. Sim, porque o tipo sente. E sente a nostalgia das coisas que não tem, dos momentos que não vive, das almas que não toca por causa dessa miserável honestidade. Dessa coisa colorida que o torna cinzento, como se não houvesse mais cores no mundo...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

de lírios no meu tel visor

Sócrates e Santana na Assembleia da República em dueto do "Ópiparó.." em versão Pimba (prefiro a versão Cantares Alentejanos!). À noitinha os azuis ganham e os vermelhos perdem. Ópiparó!....Ópiparó...Cantares Alentejanos seu Camacho!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

contradições (ou o que é feito da tradição?)

Anda um tipo anos e anos a desejar que o Leixões suba à divisão maior do nosso futebol para, depois, verificar que, afinal, eles não passam de mais um grupelho de vassalos do FCPorto. O Leixões não era assim...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

calabouço

Hoje sinto-me encarcerado. Um dia destes alguém me observou que eu já há muito tempo não escrevo no meu blog. Estava de licença precária, disse eu. Hoje voltei ao calabouço. Está frio aqui!
Miguel de Sousa Tavares acabou de lançar o segundo livro da sua obra literária que eu nunca li e dificilmente irei ler. É que tenho esse direito. O direito de não ler coisas que estão na moda. O direito de recusar. Principalmente recusar uma coisa de um tipo tão incoerente e pouco honesto do ponto de vista intelectual. Provas? Reparem na postura dele contra o anónimo que o denunciou sobre plágio na feitura do livro "Equador" e dos créditos que MST pretendeu dar a um dossier de queixas infundadas e parvas sobre o Benfica, elaborado por meia dúzia de anónimos. Afinal há muita coerência nisto tudo não há?
De papalvo não me tenho eu, graças ao Divino...

Agora deprimente, deprimente...

Completamente contra a corrente massificada da estupidificação associada à corrente mercantilista "Gama Zero" da Portugal Telecom, eu tenho a afirmar que sempre que espreito os sofisticadíssimos Gato Fedorento mal cabidos naqueles colarinhos engravatados como se fosse dia de ir à madrinha, fico com uma enorme saudade daquele DVD que um dia a minha filha trouxe para casa, onde apareciam uns putos com poucos meios e muita piada.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

a cantar as janeiras o ano todo!

O Sporting já tinha manifestado em bom tempo que a prioridade absoluta da SAD leonina é a Liga dos Campeões. Não se equivoquem todavia. Não se trata de ganha-la mas sim de ir até lá, fazer 6 joguitos e ir ao Banco contar o dinheirinho do apuro. Agora é Camacho, El Medroso, que o afirma, copiando o Sporting. Camacho não quer ser campeão. Quer ir á LiGa dos Campeões, provavelmente para lamber as botas aos grandes, como foi o caso na pretérita semana em Milão. Assim, Jesualdo bem pode manter a equipazinha azul de trazer por casa. Fica campeão, os adeptos do Porto, embora o detestem, acabam por tolera-lo, e o presidente continua assim a somar campeonatos sucesivos. O Benfica e o Sporting andam a cantar as janeiras na Europa. Para isso compram bandolins e cavaquinhos, e contentam-se com as dádivas caridosas das poderosas famílias do futebol europeu.
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