sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

carnaval nos Carvalhos

O Jardim Infantil Jumbo, a Escola Primária e o Lar Juvenil surpreenderam-nos com um belo Corso Carnavalesco. Registe-se, contudo, não se ter verificado qualquer manifestação de censura.

assalto ao arranha-céus

Elisa Ferreira vai assaltar a Câmara Municipal do Porto. E tem quase todos os pesos-pesados da invicta a apoia-la. Pudera, tanta é a fome da teta municipal, do subsídio para a canção ranhosa e para o teatro para seis. E o futebol está atento, esperançado que saia finalmente o decreto oficial que entregue definitivamente a Praça da Liberdade aos adeptos portistas e os Paços do Concelho ao "preseidente". Elisa Ferreira tem grandes apoios e o Rui que se cuide. O Porto trauliteiro vai viver uma suculenta página da sua história. O povo certamente não dormirá.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Um gajo lê alguns blogs e na maior parte das vezes pouco apanha. Mas nem sempre. Às vezes encontra coisas, lembretes que nos rasgam os invólucros da memória, das pequenas memórias. Foi isso que me aconteceu ao ler este post que faz uma referência a alguém que em dada altura da minha existência significou qualquer coisa para mim: Ross Pynn. Que gostoso é este lembrete que me leva directamente aos meus tempos de adolescente e a Ross Pynn! Lia-o com tesão, devo dizê-lo. E imaginava-me em Nova Yorque, de sobretudo coçado, e imaginava a Nova Yorque que ainda hoje amo. Sem os hambúrgueres e as pizzas. Coberta de jazz e de "heggs and sausage". Foi este o retrato que me passou este escritor de policiais, aqui e ali deliciosamente aromatizado com um certo erotismo de néons e veludos quentes. Gostava muito destes livros e sempre que podia apanhar um (nas outrora existentes e quase exclusivas bancas de livros da Rua Passos Manuel e da praça D. João IV, ali bem em cima da Tubitek) retirava-me a sonhar com as misteriosas tramas criadas por aquele escritor. Depois, bom, depois foi uma espécie de desilusão carinhosa. Em Pouco tempo acabei por descobrir que o Ross Pynn era afinal um português de nome Roussado Pinto e, pasme-se, era o director do Jornal do Incrível, talvez o primeiro tablóide em Portugal e que, de resto, eu detestava. Senti-me ludibriado e, juro, fiquei de rastos. Mas aqueles tempos foram outros tempos. Hoje posso dizer que a minha paixão precoce por músicos como Tom Waits, Coltrane e Miles Davis, terá sido fecundada a ler Ross Pynn. Lembretes destes caro FJV, são preciosidades que muito poucos podem hoje oferecer-nos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Quem, sendo amado, é pobre ?
Oscar Wilde

Parabéns, meu amor doce!, minha mulher.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

um tipo normal

O tipo gosta de acordar cedo. Lava a cara com água fria e passa um pente finíssimo pelos cabelos, já grisalhos, desenhando um perfeito risco que lhe assenta como em menino em dia da primeira comunhão. Depois do café fraco, dá as suas voltas matinais, trata deste e daquele assuntos regulares, nada de preocupações de maior, e depois ainda tem tempo para ver a Fátima Lopes enquanto a irmã não lhe deita a comida quente na mesa da cozinha. É solteiro e não tem filhos. Tinha feito a vida a trabalhar numa fábrica de pneus em Lyon e voltara a casa com um razoável pé-de-meia. As tardes são sempre as mesmas. Vai à casa de apostas já com o jornal 1x2 no sovaco, regista um boletim de apostas ou compra o 14 para a popular, conforme os dias. Depois ruma ao parque e por lá fica a tarde toda a fazer tempo. Tem sempre conversa e cara alegre. Aquele homenzito de certeza que não sabe o que é uma depressão nervosa. Nem precisa. A vida corria-lhe como corria. A crise, o futebol e o desemprego eram apenas fait-diverts para passar o tempo. Nada de stress nem sequer quando esperava aquele número manhoso que lhe daria um prémio na lotaria. Nada. Apenas o tempo a passar, tranquilo, e o cabelo sempre bem penteado. À tardinha regressa a casa, janta cedo e deita-se a horas, sozinho e virado para o mesmo sítio de anos. Se sonha ninguém sabe porque ele não conta sonhos. Fica-se pelas conversas do dia que lhe esvaziam o tédio e distraem-no da solidão. Não se lhe conhecem namoradas e, portanto, poesias não são para ele. Não sabe o que é isso do euribor porque casa comprou-a a pronto. Não tem créditos nem calotes. Não vai a reuniões de pais nem consta que seja bispo da comunhão. Não bebe nem fuma. Não finge. Vive, Alegre e só. Um dia destes ha-de partir sem deixar rastro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

este rapaz ainda vai ser castigado...

"Ce qui c’est passé c'est que aujourd’hui il n’y a pas de penalty"

Yebda, jogador do SLBenfica.

... leia a crónica do jogo no jornal do Belmiro

PS:"Não concordo, o jogador de azul sente uma ligeira brisa provocada por um braço que se vai retirando e então, qual tronco abatido por um lenhador, cai.
É penalty em qualquer jogo no no estádio do FCP."

InFado Alexandrino (comentando este post insípido, hipócrita e farisaico, como convém àquela malta do blas bla bla fêmeas)

PS2:"Muita tranquilidade. Já estamos habituados a ver a Torre dos Clérigos fazer o pino."

In Mar Salgado

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

bom dia

Hoje eu acordei formalmente mais bem-disposto. Tinha menos sede do que nas manhãs habituais e doía-me a cabeça de uma dor daquelas que se tem quando se acaba a noite a beber e a fumar. Tomei café simples e ainda não fumei tabaco. Já regularizei as vontades e continuo notoriamente mais bem-disposto. Presumo, por experiência de anos, que hoje vou ter um dia tranquilo e com poucas contas para pagar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

disto e daquilo

Há disto tudo, todos os dias. E mais daquilo. E nada nos farta, nada nos mata. Há destas coisas, todos os dias, e nada nos basta. E há os vazios que nos deixam cheios de nada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

transições ou terapia de regressão

Há os fins-de-semana e a semana laboral propriamente dita. E há a transição do fim-de-semana para a semana útil, embora pouco se fale disso, ao invés da transição imediatamente anterior e que se dá por volta da aurora de todas as sextas-feiras. Pois eu ando a notar certas marcas que persistem obliterando a passagem dos domingos para as segundas-feiras. Aos domingos, pela noitinha, vemos o "conta-me como foi" onde, com nostalgia se calhar, é mostrada a vida dos nossos pais, depois arremata-se com o "equador" onde perpassamos ao de leve pelo período pré-republicano e lá nos vem à memória as matérias que estudámos nos tempos de escola e, cos diabos, ficámos com a sensação de que o país viveu qualquer coisa entre um bordel e uma empresa liberal qualquer. Depois, caminha quente e a transição a surgir. De manhãzinha, café com leite e as notícias da manhã a correr. Tirando o futebol, onde tudo permanece imutável, as restantes novidades começam a ser uma espécie rara de fatalidade: despedimentos e falências em catadupa, numa novela inacabável que nos faz esquecer os tempos de Luís Bernardo Valença e nos transporta para os anos 20. É a crise. A Grande Crise do início do Terceiro Milénio e os argumentos. Os argumentos hilariantes daqueles que falam e procuram explicar o fenómeno maldito do colapso financeiro mundial. É o zénite da transição para a semana laboral. Dezenas de sentenças proferidas com propriedade intelectual por sábios insuspeitos. neo-liberais quase todos e funcionários públicos bem pagos e com ADSL e outros mimos. Tipos que falam sem temor, e sem pudor, contra o estado da nação e os males perpetrados por quem nos desgoverna. E de tão cegos tribunos, de barriga cheia ainda por cima, nunca se lhes leu um "ai", nunca se lhes ouviu um "ui". Falam da crise porque falam de tudo.É esta transição que me anda a inquietar; uma transição empobrecida pela falta de um elemento fundamental para a mudança: a Revolta.
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