quarta-feira, 30 de setembro de 2009

quarenta e oito horas


Após as eleições legislativas os portugueses chegaram a ter um país conjunturalmente estável durante quarenta e oito horas! Nesse oásis temporal, ainda tivemos tempo de discutir umas merdas acessórias sobre mais uns despedimentos e de ter pena de um realizador pedófilo condenado e que não tinha fugido para os montes da Cabreira. Ainda tivemos tempo de falar de futebol e de ver meninos dizerem que contra a gripe lavam as mãos. Tivemos quarenta e oito horas de paz. Agora é a guerra. A partir de hoje tudo mudou sem que tivesse havido mudança alguma. Vamos nós também, à semelhança dos petizes, lavar as mãos desta merda de país em que nos tornámos utilizando, talvez, um gel alcoolizado que se beba e que nos faça alienar um bocadinho só desta trampa toda.

imagem daqui

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

voto útil

descomplicando a coisa

Neste momento, e como eleitor CDU, já me é possível fazer a minha interpretação/reflexão sobre os resultados das eleições legislativas de ontem. Naturalmente, e sempre sob uma perspectiva de esquerda, a mim interessa-me realçar o posicionamento da CDU face à nova conjuntura política. De facto, a CDU não ganhou o que esperava ganhar mas também não se pode considerar que estagnou. Ganhou mais votos, e com realce para a conquista de mais votos nas franjas eleitorais mais novas!, e ganhou posicionamento de poder face à impossibilidade do Bloco de Esquerda vir a constituir maioria com o PS. Ou seja, se o PS quiser governar "à esquerda" (a presença dos pesos pesados na campanha assim o indicava) terá sempre que se haver com a CDU, facto que para mim constitui a principal derrota do Bloco. E tal cenário configura um sentimento de dever cumprido para os que votaram na CDU. Não seremos governo, obviamente, mas teremos a nossa voz. Não contivemos o BE mas estancámos a possibilidade de sangria de votos em favor deles. Tem, por isso, a CDU uma nova responsabilidade: não decepcionar pela via da gula do poder quem neles votou. Continuar a exigir uma ruptura de mudança e não desprezar o que conquistou, embora toda a imprensa e sucedâneos continue a ostracizar a verdadeira esquerda portuguesa que somos nós.



Quanto ao crescimento do CDS isso deve-se a duas coisas: populismo do seu líder e desnorte dos tradicionais eleitores PSD, principalmente os eleitores das camadas sociais menos altas que não conseguiram ser coerentes na tentativa de derrubar Sócrates. Falharam essencialmente porque grande parte deles vivem do estado e entendem que face ao discurso de Manuela Ferreira Leite, teriam sempre mais conforto em Portas. O CDS conquistou o seu espaço e merece ser respeitado e tratado como um partido de ruptura. Cabe pois aos seus líderes decidirem se devem ou não respeitar a vontade da maioria do seu eleitorado, os que sempre estiveram com eles.

golpadas

No Fórum TSF um ouvinte pediu um golpe de estado. Eu peço um golpe de rins. Sócrates que trate de se entender com os partidos à sua esquerda porque com Portas na Corte fica aberto o portão para uma governação ainda mais populista e inconsequente.

movie elections

Sócrates- The Good, the bad and the ugly (1966)

CDU- Goodfellas (1990)

Portas- Scarface (1983)

PSD- Star Wars: Episode V: The Empire Strikes Back (1980)

Bloco De Esquerda- Reservoir Dogs (1992)

source pics: Wannahaves

o diabo veste Portas

Por muito que me custe tenho de dar razão a Alberto João Jardim. Portugal endoidou de todo. Que o povo estava zangado com Sócrates (ma non tropo) já se sabia, que o povo não atinava com o espectro da terceira idade em S.Bento era certo, que o povo não se fiava (todo) nos paladinos da moral de encastrar era muito provável, que os velhos comunas não iriam perder deputados, embora poucos ou nenhum ganhassem, era coisa quase certa. Agora forçar Sócrates, caso este queira continuar no poleiro, a uma coligação com o partido-que-era-oposição-mas-pode-ser-governo, esse castigo não lembrava nem ao diabo, mesmo vestido de Portas. Este povo... meu deus!

domingo, 27 de setembro de 2009

o sangue quente que me corre nas veias

Da minha janela vejo um monte de gente, lá ao longe na escola preparatória dos Carvalhos. Vão votar. Entram uns e saem outros e os carros parecem táxis a parar e a arrancar. Também oiço um altifalante a pedir às pessoas para irem ao Intermarché, que lá dão praticamente tudo a preços muito baixos. E vejo também alguns guarda-sois a sombrearem vendedores de pequenas coisas, comes e bebes e assim. O dia está de sol. Está a ser um grande dia. Vou ver os Simpsons.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

oportunidade de ouro:votar

"Os lugares mais quentes do inferno são destinados aos que, em tempo de grandes crises, mantêm-se neutros"
Dante Alighieri

Os portugueses têm, no próximo domingo, uma oportunidade de ouro para que seja feita justiça. Para que se condenem os responsáveis pelo estado miserável em que se encontra o nosso país. Provavelmente essa oportunidade será, mais uma vez, deitada fora. E porquê? Porque neste mês de Setembro a vida parou para os portugueses. As injustiças, os despedimentos, as dificuldades com o acesso ao emprego, as dificuldades para pagar as contas, deram lugar a um rol de discussões estéreis e fúteis sobre escutas que nunca o foram, sobre políticas editoriais, sobre as cores das gravatas dos candidatos, sobre os alaridos mais barulhentos dos políticos. Ou seja, os portugueses correm o risco de, mais uma vez, se deixarem levar pela emoção, pondo de lado as verdadeiras razões que os levaram ao desespero para governarem as suas vidas ao longo destes últimos tantos anos. E correm o risco de votarem mais do mesmo, de oferecerem o poder à mesma espécie de gente que até há bem pouco tempo tanto queriam ver borda fora. É tempo de aproveitar esta oportunidade de ouro e deitar ao lixo este tipo de gentinha comedora que gravita nos partidos de centro-direita. Arrumar com eles com um soco bem dado, de esquerda e de preferência com mão pesada. Uma oportunidade de ouro como esta não deveria, pois, ser desperdiçada. Porque é tempo de mudar!

sobrevoando a malcata

...entretanto o homem já subiu às elites. Carrega Pacheco!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

enjoos de campanha

Ouvir Louçã dá-me náuseas. Manipula, promete o que é fácil mas impossível. Faz contas e atira números para cima da mesa como faz um director comercial. Ataca pessoas e usa a juventude. É a charlatanice da política. E custa-me tanto ver tantos jovens iludidos com este discurso.
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