segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Não, não vou por aí.

Eu pertenço a uma geração que começou a dar os primeiros passos na primavera marcelista e aprendeu a ler em plena revolução. Depois, apanhou professores desfasados dos manuais marxistas que lhes impuseram, até que um dia vieram os retornados e os turras. Toda a gente tinha medo dos turras, os pretos que haviam de vir para cá por causa das ex-colónias. Mas eram os retornados que mais a gente temia. Dizia-se que vinham tantos e era preciso dar de comer àquela gente, hordas de bem falantes da nossa língua, brancos bem penteados e com hálito a coca-cola. Uma tribo assim tão conhecedora do mundo novo, experimentada em grandes estradas e outras empreitadas, estava a chegar e a pobre gente do velho império ouvia nas missas o aconchego dos padres. Era preciso pedir ajuda à fé para bem entender esta invasão que nos ia tirar os empregos, o pão, as terras e sabe-se lá mais quê.
E naquele tempo, as televisões eram uma para cada cinco casas, e os jornais eram três ou quatro, e as vendas de vinho e as barbearias eram as redes sociais onde tudo era falado e discutido e o medo e a incerteza andavam errantes, de segunda a domingo, por entre tristonhos telejornais e a rádio renascença que a todos acudia com canções pedidas e saudades em carne viva. Saudades dos nossos portugueses que iam quase todos os dias para a França, a Alemanha e outros sítios lá longe, onde se ganhava dinheiro para um dia voltar e morrer em paz na terra amada, na pátria eterna, em Portugal.

Não, não vou por aí.

Hoje tudo é diferente, menos o medo. E a emigração. A viagem que se faz, que não de comboio e mala de cartão mas sim de avião de baixo custo e i-pod, e a saudade que se canta e o dinheiro que se vai buscar lá fora. A nossa sina. A sina de um povo que desde o dia em que lhe mataram Viriato teve de se pôr a caminho porque daí para cá a europa e o mundo só o quis explorar. Mais nada.
Fomos e viemos, vamos e vimos. Tocamos o mundo, seja onde for, e assim será sempre.
Cá continua a haver de tudo. Desemprego, falência, injustiça, pobreza, miséria. De tudo. E desassossego também. E medo e ignorância.
Espera-se outra vez que os senhores padres nos sosseguem nas missas e lêem-se os jornais todos, centos deles, e ouvem-se as rádios todas e em todas as horas as noticias na televisão e os programas de comentadores e o Facebook. A gigante venda de vinho, a grande barbearia do nosso tempo, o Facebook, onde todos dizem qualquer coisa e onde todos comentam o que é dito, onde fala o burro e zurra o cavalo iliterado e pacóvio. E o medo cresce porque não há sossego nas almas sãs da casta gente. Que trabalha e tem casa para pagar, já sabemos, que tem filhos na escola, que tem a mulher no desemprego e os pais doentes e a reforma é pequena e o país está falido e as festas medievais é que são boas. E os refugiados, esses vilãos terroristas, que vão para onde quiserem, que não venham para cá.

Não, não vou por aí.

Não vou mesmo, garanto. Não vou alinhar com esse medo absurdo, ignorante e hipócrita dos migrantes, hordas de gente a invadir o meu país. Não vou estar de pau na mão à espera dessa gente mal vestida e assustada que disfarça a sua índole maléfica, escondendo terroristas por debaixo das saias. E que ainda por cima é muçulmana! Não vou estender-lhes o dedo culpando-os da minha vida miserável. Dos erros que cometi, dos políticos que elegi e da sociedade mesquinha, egoísta e cruel que ajudei a erguer. 
Não, não vou por aí, Não vou alimentar os burros falantes, os ferrabrases . Vou antes agarrar-me com unhas e dentes à sanidade mental que me resta e me faz pensar nos meus amigos que emigraram, naqueles meus  concidadãos que um dia tiveram de vir para cá e que se adaptaram aos nossos costumes e trabalham e vivem como eu, e finalmente nos que andam por esse mundo à procura de um rumo e podem ter de vir parar aqui e a quem, pela minha parte, juro-vos, hei-de olhar de frente e, na falta de mais alguma coisa, de certeza que lhes darei respeito e admiração, de certeza que lhes darei a minha mão.



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Um tipo abre um jornal online e lê Portugal perde em Alvalade um a zero frente à França e fica a pensar raios partam estes franceses sempre a ganhar-nos jogo após jogo depois um tipo olha mais em baixo e vê de súbito um quadrado com a fotografia genero passe à la minute do presidente do Sporting de Lisboa a dizer a Seleção é composta na sua maioria por jogadores do Sporting e pensa ainda bem que perdemos...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os rivais do Campeão andam a comprar jogadores desterrados e descartados pelos seus atuais clubes e a imprensa cá da terra baba-se a elogiar sem sequer ao menos se perguntar como é que esses rivais sedentos de títulos vão conseguir pagar os altos salários dessas vedetas, enquanto o Benfica procura seguir uma linha coerente e condizente com um clube campeão e estável. Já neste caso a imprensa critica , levando os adeptos de vitórias (e são tantos) ao desespero. 

Assim sendo ,  já nada presta no clube campeão nacional só pq  não ganhou uns joguitos de pré-época.  E para os rivais só elogios. 

Caros rivais, lembrem-se de exigir bom futebol quando for a valer, quando só houver lugar a 3 substituições, quando os estádios estiverem cheios de adeptos a dar colinho, quando os vossos craques começarem a atirar a toalha ao chão, e não venham para  aqui chorar baba e ranho por causa da simples e clara superioridade do Sport Lisboa e Benfica.

Depois, quando for a doer não me venham cá com a teoria do colinho, está bem? Quando for a doer lembrem-se que o Campeão já não está a treinar mas sim a ganhar. 
Ça fait toute la différence!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Há alguma coisa para dizer? Há sempre alguma coisa para dizer, nem que seja uma. Uma coisa. De maneiras que hoje comi duas sandes de fiambre duma assentada. Pronto!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mandaram um portista de Singapura escrever que o Benfica só ganha contra dez, foram buscar um artigo do Colina para acusarem o Benfica de fazer bloqueios (mas nem leram o artigo, senão ficavam era calados), a SporTV inventou uma nova realidade: a descodificação da linguagem perante um cartão e põe um jogador do Setubal a dizer, na imaginação deles, "nem lhe toquei", precisamente num jogo contra o Benfica. Pegaram num relatório que mostra uma esporádica liderança de audiências do Porto Canal, como se isso fosse uma vitória, mesmo sabendo que a BTV tem dois canais por subscrição, ou seja, antes de sintonizar o canal é preciso pagar. Anunciaram aos quatro ventos que o  clube deles fez grande façanha ao atingir os quartos de final da Champions League, gabando-se de tal feito ter sido apenas deles (o de agora e o último há seis anos - claro que se esqueceram do Benfica de 2011/12 que também atingiu tal meta). Fartam-se de chorar por tudo e por nada, por lançamentos laterais e cantos mal assinalados, por "patadas", por expulsões legais dos seus jogadores, por  nomearem para o Benfica sucessivamente árbitros do Porto, por tudo e por nada choramingam. Até desenterraram o Domingos, paciencia, o Kleyton, o Secretário, etc.

 O Benfica, por sua vez, continua sólido na frente, com vantagem cabal e a jogar futebol, enche o seu estádio e sustenta os aflitos com records de assistências nos seus campos. Chega ao cúmulo de pôr, através do seu futebol estonteante,  jornalistas pseudo independentes (este "pseudo" deveria estar atrás do jornalista, bem sei) a proclamar o grande futebol do Benfica e o enorme trabalho do seu treinador, precisamente uma semana depois de terem andado a dizer que o Benfica é levado ao colo. Temos pois um Benfica forte e unido, disposto a ser Campeão e a fazer por isso. Do outro lado temos a reação: os que se afidalgaram desta porra toda nos últimos anos e que agora lhes custa imenso voltar para a caverna da sua existência e os outrora fidalgos que, de arruinados, até já proclamam segundos lugares com o pomposo título de "Vice Campeão".

Ora perante isto, e perante muito mais ridicularias que quem como eu é benfiquista e vive no norte ouve todos os dias nos cafés, barbearias, talhos e mesmo salas de jantar eu pergunto: SOU EU QUE ESTOU COM MEDO?

sábado, 17 de janeiro de 2015

EIS A VERDADE DESPORTIVA Jogo Penafiel- F C Porto: - 8 minutos: Rabiola ganha lance sobre Indi na linha final,não sei se foi na área mas foi empurrado para fora de campo. - 20 minutos: cotovelada de Casemiro amarelo. - Primeiro golo do porto fora do jogo. - Segundo golo do porto fora do jogo a bola está atrás de Martinez pode-se ver pela linha pequena área. - Terceiro golo do porto falta de Jackson que dá cotovelada no pescoço antes do cruzamento. Bola cabeceada por Casemiro contra Oliver; a bola vem de novo para Casemiro que está fora de jogo e fora de campo,centra para Oliver mas beneficia de ressalto em fora de jogo. Conclusão: Não venham praqui falar em andores. Obrigado

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Para todo aquele que vai ou tenciona ter um cãozinho neste Natal, todo aquele Ser Humano que vai adorar a experiência linda e ternurenta de receber um cachorrinho neste Natal, quase todos aqueles que vão certamente receber um Cão de Raça, com "pedigree" e essas coisas todas que elitizam os caninos, sim, talvez para ti também que me estás a ler, tomem todos atenção a uma coisa, aliás a muitas coisas: o Cão é um animal que consegue amar o seu próximo 35 milhões de vezes mais, ou mais, do que um ser humano. O Cão só dá e não quer saber se recebe. Aliás, o Cão se recebe fica feliz e mostra-o, e no dia seguinte não vai reclamar nem fazer uma revolução se nada receber.
O Cão não tem tédio. Isso não existe na sua vida inteira. Ele pode ficar a tarde toda deitado ao pé do Amigo Ser Humano, se essa for a vontade do Amigo Ser Humano, ou pode passar o dia inteiro a brincar, desde que esteja presente, desde que participe. O Cão, caro amigo, não é um brinquedo que se recebe de prenda e de que nos fartamos a seguir. Que se substitui, que se deita fora. O Cão não é uma moda nem um acessório nem tão pouco um animal que se veste com roupas lindas no inverno e se abandona ao frio do esquecimento no verão.
Um cão é um ser que entra na nossa vida e não quer sair jamais. Por isso, caro amigo, se não consegue perceber que "ter" um cão não é posse mas sim partilha, então peça ao Pai Natal ou ao Menino Jesus uma Playstation.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Ah, vcs nem imaginam o gozo que é comemorar nesta cidade um titulo do Benfica. Nem imaginam!
Metemo-nos no carro artilhadinhos de cachecois do Benfica, zarpamos para o Porto (vamos de Gaia) e antes de atravessarmos a ponte eu aviso com voz grave "atenção, vamos entrar em Palermo, toca a descaracterizar e esconder tudo o que são acessórios do Benfica". E assim entramos na bela cidade do Porto que nem seminaristas inocentes. Os cruzamentos são um perigo por causa dos semáforos.
Sente-se a adrenalina. E a cereja é quando vamos numa artéria, uma fila de carros, alguém buzina e cá dentro uma voz "Buzina aí também". A medo lá sai uma apitadela e, de repente, como que por magia surge um turbilhão imenso de buzinadelas. Todos os carros em brado, todos. E as bandeiras e os gritos ao Benfica...um destemor, uma loucura.
 O Benfica na clandestinidade é tão mais saboroso!...
Depois é estacionar o carro num sitio discreto e ir para a Rotunda da Boavista aos saltos. Ver ali a policia a desviar o trânsito, preparada para o que possa acontecer mas sempre com aquela sanha siciliana contra os adeptos encarnados. E todos nós, benfiquistas portuenses, dos mais sofredores, dos mais leais e dos mais invictos, porque jamais nos venceram estes labregos, todos nós, dizia eu, em festa num regozijo destemido. É o Benfica na sua universal pureza, não numa canção de Lisboa mas sim numa imensa Ode ao júbilo e ao amor por um clube e uma causa que jamais alguém no mundo ha-de saber explicar.
No final é o regresso a casa, as mesmas ordens de camuflagem e a volta a ser feita pela praça, os Aliados. E ver em cada pessoa um dragaozito ja sem chama, apagado na sua frustração. E fazer um filme "olha aquele está ali a ver se descobre algum benfiquista e pronto a mandar um SMS ao macaco". E é então que atravessamos a ponte a gritar e a cantar. Vambora pra casa que o Benfica é campeão!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

onde tudo começa é no outono. nas árvores com folhas amarelas de mais, nos ventos agrestes e nos sóis mais raros. é no outono que se fazem os mais secretos planos. não de férias nem de empregos nem de mudança de vida. planos de usar pijamas quentes, calçar meias grossas e beber vinho doce enquanto as castanhas não descem de preço. é no outono que se rivaliza no futebol, ainda todos podem ganhar, e é no outono que os mais organizados começam a comprar coisas para o natal. é no outono que a gente mais se manifesta e é no outono também que se modera mais a linguagem e os modos. é no outono que estamos e é no outono que se começa a beber vinho tinto.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Para os pedrosenses

Este indivíduo que aparece na fotografia que eu captei por ocasião do encerramento da Repartição das Finanças dos Carvalhos, de megafone na mão, encenando reclamar um equipamento que o Governo Central retirou à população do Sul de Concelho, presidente da Junta de Freguesia de Pedroso, já por cá anda há mais de 20 anos e persiste em por aqui andar por muitos mais anos porque o poder calcinado nas teias dos favores, no marasmo do "deixa pra la", no faça-se o que for preciso fazer para que tudo fique na mesma, de tudo se serve para que tipos como este sejam os novos Regedores das Freguesias.

Outrora impostos pelo Poder Central, os Regedores eram os senhores da terra. Os que mandavam. Hoje, porém, a Nossa Democracia, dotada de leis de mão, artimanhas legais e a caça ao voto - vejam o que ele fez há dias quando levou os velhinhos a almoçar em terras de Fátima, passando a jornada a chantagear os nossos seniores que "se não votarem em mim para o ano não vai haver passeio"- não mais faz do que perpetuar no poder esta fauna de caciques, gente de mão, cristalizada no expediente "natural" de fazer vida à custa da Democracia.
A Democracia tem de ser, em primeiro lugar, um instrumento que garanta a rotatividade no poder, que elimine o cargo vitalício. A nossa Democracia, a nossa jovem Democracia, definha nos vícios do antigo regime, na epilepsia do favor, na estalactite do "Capo Regime".

Por isso mesmo, pedrosenses, é hora de dar um coice de mula a gente como esta. É hora de apoiar a renovação, dar lugar a outros, conceder a oportunidade de gente nova, sem vícios, de mostrar outro tipo de capacidade, outra forma de tentar ajudar a comunidade a crescer e a valorizar-se.
 Já que estes dinossaurozinhos de paróquia não se enxergam, não percebem os princípios fundamentais da Democracia, saindo de cena por mão própria, que seja a Democracia, através do acto eleitoral, a correr com eles daqui para fora. Oxalá!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Samuel parou por um momento, tirou o capacete velho e desbotado e coçou a cabeça. Olhou para os céus negros de uma negritude belicosa. Na encosta era fogo alto e gente a correr pelos caminhos. Gritos de mulheres, sirenes, cães ladrando e Samuel ali sentado a olhar o desespero. Da estrada principal, chegava o carro do Director da Protecção Civil, um bólide alemão com motorista, e outro carro, também alemão, chegava quase em simultâneo. Dele saiu o Presidente da Câmara. E mais outro carro, e mais outro homem importante, um Secretário de Estado, talvez. E outro "alta cilindrada" alemão. E um motorista. E as televisões a correr, as rádios, e os jornais a correr.
 E Samuel , coçando a cabeça, de casco na mão, olhava para aquele molhe de gente e veio-lhe à cabeça a lembrança de que lá no quartel quem pagou o frigorífico foi a vaquinha entre todos, a Internet também, e nas horas mortas, se quiseram ver a bola para entreter, tiveram que ser eles a mandar instalar o cabo. Para o serviço, o gasóleo é pouco e os carros, os carros dos Soldados da Paz, estão velhos e avariam-se muitas vezes. E os uniformes são fracos e mortos de velhos, e o fogo é forte. Que forte é o fogo que arde ali fora e que quente é a raiva de Samuel. Que vontade de gritar! Que impotência, que miséria!
 É neste preciso momento que Samuel pensa numa vontade.  Correr desalmadamente, não para investir contra as chamas que a todos ganham, mas correr direitinho àquela corja e investir forte sobre todos eles, o Director, o Presidente e o Secretário. Que sensação tão estranha se apoderou daquele pobre bombeiro. Era fodê-los a todos, esses cabrões. Dizer-lhes duas verdades, que se pusessem na alheta, que dali não levavam nada, nem foto nem imagem nem votos.
 Por um momento viu-se naquele acto heróico e quase iniciou a marcha triunfante dos que sofrem em silêncio as injustiças dos que falam de cima do pedestal, mas as crianças sujas de carvão negro, enfeitadas com as faúlhas que caíam do céu e as mulheres que berravam gritos calados por soluços de uma vida atropelada nas chamas, fizeram-no olhar para trás, e Samuel, que era um deles, correu para a frente do fogo e descarregou naquela parede vermelha toda a sua raiva, e assim esteve até noite dentro a apagar os lumes que lhe iam na alma.
Quando voltou a sentar-se, a tirar o capacete, a coçar o rosto molhado, olhou para o outro lado e já só via o restolho que ficara daquela gente importante. Por certo haviam de parar mais a sul, porque o fogo é procissão do demo.  Melhor assim, que tenham feito boa viagem. E foi aí que se lembrou de ligar para casa, dando notícias, que estava bem e que só queria  estender as pernas um bocado.

sábado, 28 de julho de 2012

Caro Professor,

Ao longo dos tempos, pelo menos desde que existe essa coisa chamada Ensino, houve professores que marcaram de forma indelével os - ou pelo menos um - alunos. Pessoalmente, lembro-me da minha professora de inglês, a Odete Veludo, que também lecionou na Escola Secundária de Carvalhos e que me atirou logo no primeiro dia de aulas do meu décimo ano com um  "o que andas aqui a fazer?".
Eu não passava de um aluno medíocre a inglês, como ela de resto já tinha percebido quando fora minha professora no oitavo ano. E a seguir àquela pergunta irónica e quase maternal passaram-se dois anos de apaixonante vivência com a língua de sua majestade, da qual acabei por me desenvencilhar, e, sobretudo, de um extremo relacionamento franco e sincero entre uma professora devota e um aluno "ingenuo-anarquista", sedento de saber e ao mesmo tempo a viver as escuridões das estrelas, que é uma coisa que poucos hão-de conseguir explicar. Adiante.

E ao longo dos anos, de certeza que houve muitos professores que foram capazes de marcar os pais dos alunos. Ou de um aluno.
O professor, que não duvido tenha e venha a marcar muitos alunos, é um desses profissionais que é capaz, para além da sua dedicação como técnico, de deixar ficar aos pais essa marca de autenticidade e valor. Durante os cinco anos em que foi o professor de inglês do nosso filho, foi capaz de nos marcar. Não interessará muito descriminar aqui os factos e as experiências vividas, os momentos de tensão, de solidariedade, de compreensão e paciência. O que vale, agora que o "nosso" ciclo de relacionamento professor-aluno-pais termina, é dizer obrigado. Obrigado por ser o homem e o profissional que é. E oxalá a sua capacidade de "ser", enquanto professor, possa contribuir para que outros alunos e outros pais percebam que isto dos alunos e das escolas e dos professores  não é apenas uma relação efémera e processual. Não é apenas uma tarefa. É a tarefa perene, A que fica e prevalece. Obrigado professor.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eia, pá, agora somos outra vez muito bons!
Ontem, escrevi no Twitter que Portugal inteiro estava preparado para adular a sua equipa nacional de futebol, caso vencesse, ou para a destruir, caso terminasse a sua participação do Campeonato da Europa de Futebol. Afinal, somos finalmente bons outra vez! E fomos bons, sim senhor. Pelo menos ontem fomos competentes e efectivos e o nosso adónis encheu-nos de orgulho!

Após o jogo, dispensei-me de assistir aos bocejantes debates televisivos portugueses sobre futebol que teimam em não sair daquele registo tão tuga, a ausência de qualquer sentido crítico, e que está na génese do tal  tweet que eu escrevera bem antes do início do jogo . Preferi ver o "Punto Pelota", o programa mais "kitch" sobre as coisas da bola, uma coisa que só vista. Passa em Espanha, com epicentro em Madrid, e versa sobretudo a rivalidade entre Barcelona e Madrid, e, claro, Cristiano Ronaldo. Ali, o nosso CR7 é esmiuçado de uma forma tão meticulosa que dá arrepios.
 Idolatrado por madridistas e triturado por todos os outros, dá-me particular gosto e especial satisfação devorar aquilo tudo até à medula, o madridismo, a xenofobia, a sobranceria, a inveja.
Para terem uma ideia, os tipos ontem gastaram 50 minutos só com o nosso CR7 e isso arrasta para o seio de Espanha toda a nossa portugalidade e uma espécie de vingança histórica de todo um povo contra Castela, onde li, com agradável surpresa, uma galega dizendo "Se Portugal va con Espana yo voy por Portugal". Lindo, não é?

Veja aqui o Punto Pelota de 21/06/2012
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