segunda-feira, 21 de maio de 2007

de repente voltei a ver bem. deixei de sentir aquele ardor nos olhos e quase dispenso os meus velhos óculos de sol, não fosse a claridade a maior inimiga da minha íris. vejo o tempo cair devagarinho, impagável, e demoro-me nele à espera de um sinal que possa trespassar a névoa que por vezes me ofusca e me confunde o horizonte. o que vai lá, no horizonte. o azimute da minha alma que se esconde estando ali, sempre ali, à espera que eu corra para ele e o agarre com todas as minhas forças. eu vejo-te bem hoje, meu querido azimute. podes esperar por mim, se não te importares? deixa-me tratar duns assuntos que eu vou já...

1 comentário:

  1. porra bem mais fixe este texto despretensioso que a merda do blog eroticidades que até tem livro publicado e vende-o por 7euros e meio veja-se só, que seca, parecem us desabafos da minha prima de 14 anos, só que ela tem mais que fazer



    MÃOS MANCHADAS

    Falta de apego
    confortavelmente deitado a apanhar ameixas
    à medida que a matéria vai sendo leccionada,
    mal abre os olhos
    mas ouve tudo o que pensa necessitar,
    enquanto deixa passar ao lado
    cores que podiam ser mais que verdadeiras,
    nem pestaneja,
    escolhe encolher-se na cadeira e deixar-se estar
    nos subtis movimentos que proclama épicos e
    que em sonhos foram revoluções inconformadas,
    na verdade,
    não desafiaram o medo e deixaram-se ficar
    mal sucedidas, ao longe e
    sempre de copo cheio na mão, com
    o tumor a criar bolor pelas palmas manchadas,
    activas na nudez de seu estúdio privativo
    defronte ao computador
    onde se masturba rapidamente e
    agarra, sem o vigor dos dezoito anos,
    os binóculos esverdeados de explorador e
    vê a vida
    a decorrer a seu tempo e ao sol do dia
    pela madeira morta de cerejeira dos móveis oferecidos,
    está totalmente só sem necessidade,
    não experimenta a dor
    porque esconde o ego narcisista que sente que transmite
    e odeia, o passado provoca
    o colapso constante, imutável teimosia instalada
    que receia outro sabor também perene
    a rejeitar anedotas mal barbeadas
    que baloiçam sozinhas utopias de coração fechado,
    nelas será reconhecido pelo movimento brilhantemente orquestrado
    da sua cadeira de baloiço,
    o eterno génio contemporâneo sem esforço
    vincado para todo o sempre
    no montículo de toupeiras remexidas
    dos anais da história universal.
    2003
    in FOTOSINTESE



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