sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

 

Há muitas Lisboas em Lisboa. Há a Lisboa de Camões, há a do Fado, há a dos Saudosistas e a dos Bairristas, há a dos que para lá foram e há a dos que lá se eternizaram, como é o caso de Pessoa…e de Saramago, pois então. E desta vez, nesta visita a Lisboa (sim, gosto de Lisboa, aliás, adoro Lisboa!), andei pela alcáçova da cidade, caminhei nas velhas ruas e calçadas e fui de um salto ver, pela primeira vez, o miradouro de Santa Catarina, no Bairro Alto, com o seu Adamastor altaneiro a olhar o Tejo e a velar a multidão que por ali passa e se queda, mais jovens do que velhos, mais futuro do que passado, mas história ainda assim, mas alma, portugalidade.

E esta visita em particular é-me muito especial, porque queria tanto ver este sítio tão pessoano que veio até mim, não através de uma publicação turística, não pela via de um panfleto qualquer, de uma rúbrica na televisão ou mera recomendação; sim porque esse apelo que me afetou está semeado no “O Ano da Morte de Ricardo Reis” de José Saramago, autêntico guia turístico pessoano de Lisboa e de modos que ao ler este magnífico livro, nasceu em mim o desejo puro de conhecer este e outros lugares nesta cidade tão bela e tão cheia das suas coisas para nosso deleite.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

 Fez ontem quinze dias, andávamos nós a passear por terras do nordeste transmontano onde gastámos um voucher da odisseias, aproveitando assim para conhecer Puebla de Sanábria, em Espanha, que adorámos, e reviver algumas coisas de Bragança, como o seu belo castelo, a Praça da Sé e a velha Casa do Professor, que está fechada, não existe mais, e que tão belas recordações nos deixou por ocasião de um almoço de colegas de curso da minha mulher, e que já vai para aí há uns bons trinta anos. 

Em boa verdade este texto não é para falar deste roteiro em si mesmo mas sim para vos contar umas coisinhas quase sem importância, não fosse eu um tipo de dar importância a esses pequenos relevos que muitas vezes nos passam ao lado .


Coisinhas essas que têm a particularidade de terem sido vivenciadas por nós e que são uma casa de turismo rural e uma casa de petiscos. E das quais só uma semana e meia mais tarde, desta feita numa visita a um cliente em Vimioso, fiquei eu a saber coisas que não consegui saber quando lá estive, em Bragança. 

Parece complicado mas não é. Na verdade, tudo isto só acontece na minha vida  por via da minha veia conversadora. É que eu falo de tudo, sobretudo de coisas que me despertam pequenas prazeres e que depois transformam a conversa num manancial de "a propósitos* que nunca mais acaba.


Ora, estava eu a contar ao senhor R, e à sua simpática senhora, da minha visita ao Nordeste Transmontano, não deixando, claro está, de fazer referência á casa onde pernoitámos, a casa do Soto na aldeia do Milhão, bem perto de Quintanilha.

 - É a casa do Dr. Calado, o escritor, informa-me a senhora professora

Quem nos recebeu foi um tal senhor Fernando, atirei eu.

Ficou-se ali uns momentos sem se saber bem se estávamos a falar da mesma pessoa mas a minha anfitriã tratou de resolver o enigma ausentando-se da sala onde lanchávamos um belo folar de carne feito por ela, umas "lonchas" de bom presunto e um alentejo tinto melhor do que muito bom, para voltar em menos de um minuto com um livro na mão. Era um livro do escritor Fernando Calado. 

O Dr Calado, claro está. 


E eu pego nisto porque afinal de contas eu estava a ser informado que fui recebido na casa do Soto, em Milhão, por um escritor português da nossa língua e que eu desconhecia, pessoa afamada no planalto bragançano, mas que era nada mais nada menos do que um homem simpático, afável, nada dado a tiques de intelectual barato, coisa que, obviamente ele não é. E eu, enquanto trincava mais um pedaço de presunto pensava que aquilo era uma coisa rara e boa de se saber.


Enquanto isto andava ali a entremear a nossa degustação leonesa, veio-me à ideia contar que no tal fim de semana em Bragança também tínhamos ido lanchar a um sitio muito agradável, uma casa de petiscos que se chamava "O Bem Falado" ou a "Taberna do Tio Artur", onde comemos realmente bem, boas alheiras de Bragança, que são as melhores, boa chouriça, uma tigelada de feijoada comida à colher e mais umas coisas para além de bom vinho, e no final até provámos uma bebida, tipo receita à base de cerveja, vinho e açúcar, mas olhem, era mesmo cá uma pinga muito boa e que se chamava "charabanada", vejam bem! Muito boa, a charabanada!

Estava eu ali em Vimioso a lanchar bem e a contar bem, tudo isto no meu estilo que só quem me conhece pode percepcionar e de repente...

- Fechou! 


Eu, o quê?


- É, fechou há dias. o Tio Artur fechou, atirou o senhor R.


Bolas! Não queria acreditar. Então eu tinha estado ali há uma semana, mais coisa menos coisa, e gostei tanto e aquilo fechou?


- É verdade!


E pumbas. Foste passear a Bragança para uma semana depois te achares em  Vimioso a receber notícias fresquinhas das coisas que tu estavas a dar notícia, já para não falar que também ali me confirmaram que a casa do Professor de Bragança encerrou de vez.  O mundo é pequeno, já diz o povo.


Ora, posto isto, estava eu já em viagem para o Porto e lembrou-me de procurar o numero de telefone da "Taberna do Tio Artur" e lá telefonei. Atendeu o marido que me confirmou que a casa tinha realmente fechado e, vai daí, eu pedi para falar com a senhora dele que afinal foi ela que me atendeu e atendeu bem e até me vendeu alheiras que eu trouxe para casa, para mim e para a minha sogra, ai não! 


Então minha senhora, soube agora em Vimioso, veja lá você, confirma-se que realmente fechou a tasca?


- É verdade! sabe, eu ando cansada com isto e como tenho o meu emprego, não tenho vagar para isto, nem eu nem a minha filha, portanto, olhe, fechámos no domingo. Os senhores estiveram cá no sábado e eu era para vos dizer que ia fechar mas nem tive coragem e pensei "é a primeira vez e a última que cá vêm".

E eu atirei, então não há ninguém que queira ficar com o negócio? 

- Haver há mas olhe, eu decidi acabar mesmo, É que está ali o nome do meu pai e, olhe, ele é dos poucos comerciantes cá de Bragança, se não o único, que tem uma rua com o nome dele e eu não quero que um dia alguém venha a estragar o nome do meu pai, por isso resolvi fechar...

Lindo, pensei eu.


Mas olhe, e as alheiras e as chouriças?


- Vamos continuar com esse negócio até ver...


Boa! Então mande para os Carvalhos uma dúzia de alheiras e seis chouriças, 


- Mando sim. Entrego-as no senhor Silva do Restaurante Tira a Rolha!


Maravilha!





segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

 Uma breve comparação entre os resultados do Chega e os da CDU que nos ajuda a perceber como é que o método de hondt, ou seja, o modelo matemático com que se calcula os resultados eleitorais, cria uma disparidade tão acentuada no resultado final, percentagens, Deputados eleitos, etc, quando na verdade as diferenças de votos reais não são assim tão grandes:

NACIONAL: 

CHE: 385.543

CDU. 236.630

PORTO:

CHE: 42.998

CDU: 32.277

GAIA:

CHE: 7.226

CDU: 6.071

PEDROSO:

CHE: 542

CDU: 297

Só uma nota: o Chega não aumentou o numero de eleitores. Teve, aliás, uma queda a nível nacional, comparado com os 496.773 votos que teve nas Presidenciais.

Por outro lado, na minha freguesia há 542 pessoas que contribuíram para a eleição de um tipo como Diogo Pacheco de Amorim. Sabem quem ele é? Vão ver ao wikipedia...

domingo, 30 de janeiro de 2022

Legislativas 2022

 Em jeito de análise, o medo de o Chega alcançar o poder levou a que se votasse em massa no PS.

A culpa disto é de Rui Rio que não soube perceber que o Chega é tóxico, preferindo deixar aberta a porta do entendimento com essa gente. O povo português ainda tem memória e mostrou que não aceita entrar em aventuras.

Os partidos de esquerda, por sua vez, pagaram muito caro a sua aventura de aprendizes de feiticeiro.

Outro grande derrotado: o Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa fez tudo para que houvesse mudança no Governo. Dissolveu a Assembleia da República quando podia tomar outras medidas. Apoiou Rangel, que veio a perder as Diretas partidárias, marcou as eleições para data favorável para a Direita e, Last but not least, no discurso de ontem fez campanha, ainda que enviesada, pela mudança de Governo. Tudo lhe saiu ao contrário.

O triste desta história é que vão deixar a AR deputados sérios e competentes e entra um punhado de proto fascistas racistas e xenófobos. No entanto, tenho para mim que este grupo vai implodir e terá uma vida curta. 

Para finalizar, as sondagens falharam redondamente, faltando saber se de forma dolosa ou não.

Lição a reter: respeite-se a voz do povo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

 Ouvi e gostei:

"A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor"
Jobim/Vinícius

Sim, ouvi esta canção maravilhosa numa lista de reprodução de seu nome "Samba de raiz". Existe samba de raiz , que bom. Pois existe! E é soberbo ouvir as melodias em modo lento, letras maravilhosas que nos falam da Senzala, dos amores e dos malandros. O Samba, de raiz, está tomando conta de mim.


quarta-feira, 24 de novembro de 2021

 Eu e o meu gato estamos aqui a ouvir uma lista de reprodução no spotify: Piano Book Delux. Debussy, Czerny, Chopin, entre outros, animam o fim de dia. E o meu gato parece estar a gostar mais do que eu. O meu gato ganha-me nos gostos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

 "Os jovens de hoje gostam de luxo, são mal comportados e desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a conversar em vez de trabalhar. Não se levantam quando o adulto chega. Contradizem os pais. Apresentam-se em sociedade com enfeites estranhos. Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes. Cruzam as pernas e tiranizam os seus mestres."

Isto é bem o retrato do nosso tempo!

Todavia, este texto é atribuído a Sócrates que viveu há 2400 anos.

Ernesto Campos in Crenças e Malquerenças

terça-feira, 14 de setembro de 2021

 Estava eu a caminhar junto à praia, junto ao nosso mar de Gaia, mar único e apaixonante, e recebo uma mensagem da minha querida mulher:

 "Faleceu o Dr. Ernesto Campos".

O nosso mentor, muito mais da minha mulher do que meu, é certo, muito mais de alguns amigos meus do que meu, mas também meu, muito embora só tenha trabalhado com ele três anos, 

um Sábio deixou-nos, enfim. Um homem grande de saber, de falar e de fazer. Um homem que viveu para a "pedagogia da felicidade", como ele tão bem dizia. Um Professor amigo, um Diretor humano, um amigo raro. Um homem bom por quem eu hoje choro. 

Que o Bom Deus, de quem ele era tão cúmplice, o acolha na sua Bondade.

 Até breve, Dr. Ernesto.


quinta-feira, 19 de agosto de 2021


Da Meia Praia avisto um barco à vela, com ares de caravela, e o meu pensamento é uma vista para o que já foi feito e o que ainda há para fazer. Uma viagem sempre rumo ao desconhecido, mas com a ideia presente de que, com a minha gente, os meus passos serão sempre mais alegrias e menos cansaços, mais sonhos realizados e menos fracassos.

domingo, 11 de julho de 2021

 Com mais presunção de inocência ou menos inocência da presunção, o que é certo é que o boy do PS, de seu nome Vítor Fernandes,  que aparece no olho do furacão da operação #cartaovermelho, estando Vieira, inclusive,  proibido de o contactar, vai presidir um banco que vai gerir parte do PRR.


Ou seja, o dinheiro fresco que vai chegar da UE e às carradas vai ser controlado por gente deste calibre! 


 (Onde há massa para distribuir à farta, há este tipo de gente sempre presente.) 


Desabafo à parte, não seria de esperar que o Governo encostasse este senhor?

Infelizmente, não é provável isso acontecer porque a tal "presunção de inocência" , que é um termo jurídico utilizado nos tribunais e saltou agora para a praça pública de forma muito conveniente apenas para limpar a imagem de ladrões e pedófilos, serve de tampão para a falta de ética e boa conduta na vida pública.


Em resumo, podes roubar à vontade. O que importa é teres bons amigos no poleiro e advogados também com bons amigos no poleiro (um advogado hoje não lhe basta ser bom, pode ser um labrego - e ele há tantos - que desde que tenha os amigos certos a coisa funciona) e assim deixar que a lenta justiça funcione porque enquanto o teu caso não chegar ao tribunal europeu dos direitos do homem, daqui a quinze anos, a tal "presunção de inocência" vai permitir que continues na boa a estourar o dinheiro que roubaste e ai daquele que te chame ladrão que leva logo com a presunção de inocência nas fuças!

sábado, 15 de maio de 2021

Se por acaso nos anos quarenta do século passado, enquanto os nazis andavam entretidos a exterminar judeus, houvesse multicanais de televisão, internet, redes socias, correspondentes noticiosos, especialistas em política internacional a par de serem especialistas em politica nacional, futebol, festivais da canção, etc, certamente que o mundo iria ser confrontado com um tal manancial de informação e contra informação, fake news, opiniões da esquerda, da direita, da santa sé, da sala oval ou do pentágono, e, por outro lado, as pessoas iriam fazer os seus filtros consoante as suas tendências políticas, partilhar as tretas que recebem nos seus smartphones, comentar assertivamente no facebook, indignar-se aqui, tolerar ali e justificar acolá e, no meio disto tudo, estou certo, os nazis continuariam céleres e contentes a exterminar os pobres dos judeus e os pobres dos judeus continuariam impotentes a entregar as suas almas a Deus.
É o que está a acontecer exatamente agora na Faixa de Gaza, onde os judeus exterminam tranquilamente os palestinianos sem que nós, o mundo, consigamos ter uma noção, por singela que seja, daquele que é, nada mais nada menos, um novo geconídeo perpetrado por um povo opressor contra outro povo sem defesa.

quinta-feira, 11 de março de 2021

 Esta coisa dos cabeleireiros continuarem fechados, enfim, nem comento. Mas queixo-me. Sim, porque queixar é diferente de comentar.

Queixo-me porque cumpro. Porque não cortei o meu cabelo, porque não fui a um barbeiro nem recebi nenhum em casa. Queixo-me porque não consigo aceitar que os barbeiros e cabeleireiros continuem encerrados, ora missas!
Queixo-me porque não entendo como é possível eu ser um dos raros exemplos vivos de uma pessoa que está a sofrer as consequências dessa medida catastrófica. Eu e os profissionais do sector, evidentemente.
Mas queixo-me sobretudo, porque todos os dias vejo os ministros e deputados, e o Presidente da República, sempre com ar de pessoa muito bem tosquiada. De aspeto irrepreensível, barbeados com rigor, cortes à inglesa, à escovinha, e até mesmo os "negligés" aparecem com ar de bem aparados, os futebolistas, então, é cada jogo cada corte diferente.
Pois então eu não percebo como é que eu fui perder o comboio dos que, mesmo sem haver cabeleireiros abertos, nos surgem à frente como se em cada esquina houvesse uma barbearia a laborar. Não percebo! Sinceramente não percebo como é que isso é possível, como é que isso está a acontecer bem por debaixo das minhas barbas!
Bem sei que há sempre um elemento prestável nas famílias. O cunhado que tem uma bimby de cortar cabelo, a esposa dedicada que se presta a cortar uns rancos, umas repas, uma prima que tirou um curso profissional de cabeleireira e, às duas por três, dá uns toques na arte da tesoura...
Cos diabos, eu que até tenho amigos no sector, eu devo andar a dormir na forma, de certeza. Toda a gente aperaltada, de cara lavada, com ar de metrosexual e eu com este aspeto javardola, de louco cinquentão. Não entendo. Sinceramente!
A sério. Não percebo bem este fenómeno, ou se calhar percebo. Deve ser igual a tantos outros fenómenos, sempre que impliquem o nacional desenrascanço. Não há cabeleireiros abertos mas toda a gente parece ter o seu cabeleireiro clandestino ali bem à mão de semear.
Fenómeno idêntico a este só me lembro quando houve uma grande crise de bacalhau, era eu um miúdo. Mas toda a gente tinha bacalhau! Essa é que era essa!
Ele aparecia, o fiel amigo... e o barbeiro também. O Barbeiro é como o bacalhau, fiel amigo que nunca nos abandona! Vivam as barbeiras e os barbeiros!
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