domingo, 22 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
Faz hoje
três anos que sou avô de uma menina maravilhosa. A Margarida está de parabéns,
pois está. E nós, os avós, também. Ser avô é uma dádiva maravilhosa de Deus. E
esta dádiva vem num momento especial da nossa viagem por este mundo. Nessa bênção
nós vemos a nossa odisseia prolongar-se no tempo infinito, e eu sinto-me como
aquela borboleta que atravessa o continente americano de cima a baixo, numa
viagem que é feita por várias gerações de borboletas. Ela sabe que prossegue
uma pequena etapa de uma grande viagem que foi precedida por outras borboletas e que
vai ser continuada por outras, nunca acabando. Ela e eu sabemos o nosso papel
neste ciclo perpétuo de vida.
Hoje é
mais um dia bonito, dia de festejar uma data muito linda e sorrir para a vida,
continuando a abraçá-la, muito mais cheio de vontade de vivê-la.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Este ano que passou foi um ano bom e isso foi bom.
Fomos a Paris ver o nosso filho, revisitar a cidade das cidades, comer raclette e ostras, beber vinho e descobrir Saint Germain de Prés. Andámos por ali no inverno e havemos de lá ir em junho só para ver as folhas das árvores. Dos Champs Élyéees e da Place des Vosges, principalmente.
Fomos a Granada de férias e descobrimos Almuñecar e apaixonamo-nos por aquilo tudo, e vamos voltar lá este ano, pronto.
Também houve perda. Da mãe. Abruptamente.
Muito trabalho houve às carradas. Mas soube bem trabalhar. Muito!
E a Margarida a crescer tanto e tão bem e nós a ver, a amar tanto!
Há quarenta anos andava eu a pensar o que ia ser de mim, sem jeito para nada, sem pouso, sem leito, sem papel fundamental, secundário que fosse. Andava pensativo a imaginar que nunca ia conseguir ter um emprego, que nunca ia conseguir ter uma mulher, um filho, um neto.
Em resumo, andava enganado e só o tempo flamejante e hipersónico me fez ver que todos os medos que tivemos eram sempre o prenúncio das grandes obras que faríamos.
Se fiz obra? Penso que sim, os meus filhos que são complemento de mim, que são mesmo braço dos meus braços, ramos do meu ser, pavios que iluminam os meus medos, tornando-os sempre mais suaves, sorrisos quando choro, acenos quando hesito - vai, Pai!
Fiz obra, sim. Fizemos. 💕
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
A minha avó contava-me histórias e uma delas falava de uma mãe que tinha um bebé no berço e um gato. A mulher saiu para ir à "venda" e quando chegou viu ao pé do berço uma mancha de sangue e o gato. Automaticamente a senhora desferiu um golpe mortal no bicho porque pensou que ele tinha atacado o bebé. Quando se abeirou do berço viu o bebé dormindo sossegado e uma cobra morta ao pé dele...
sábado, 11 de outubro de 2025
Hoje apetece-me partilhar um excerto de poesia de Miguel Torga que é, para mim, o maior escritor português de sempre. Leiam-no bem e apreciem a atualidade que ele tem.
sábado, 13 de setembro de 2025
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres .
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!
Miguel Torga, Diário IV
domingo, 13 de julho de 2025
O que é que foste lá fazer? Fui Apanhar Morangos!
I
Naquele ano, eu e o Carlos
tivemos uma ideia ainda mais arrojada do que a que tivéramos no ano anterior.
No ano anterior deu-nos para ir à boleia até ao Algarve num camião do horto
vizinho da Quinta da Pena, onde o Carlos morava, mas a coisa não tinha de ser
feita por ali, graças a uns ditos e não ditos do motorista e então comprámos
uns passes da CP que tinha uns “dias verdes” com preços muito reduzidos e lá
fomos nós ao Algarve, de comboio e a jogar xadrez, coisa que fizemos durante
toda a aventura no Sul e que, para bem da verdade, eu ganhei por 13 a 12,
renhido, portanto. Essa viagem tem quase nada para contar, se tirarmos as favas
com toucinho da tia Vitorina e uma forte gripe do Carlos, misturados com a
beleza intrínseca das terras algarvias, quer na costa quer na serra - ainda
guardo comigo a impressionante imagem da praia de Monte Gordo quase sem betão.
Um aparte a registar é que nós
tínhamos como primeiro objetivo ir ter com os finalistas do Liceu que estavam
algures em Quarteira. E demos com eles, sim senhor, ali enfiados nuns
apartamentos muito pequenos e cheios de moços e moças meio perdidos e muito
preocupados com o acne e o champô para a caspa. De modos que abalámos dali a
correr e fomos para Nexe, ter com a tia do Carlos, a Dona Vitorina, que nos
recebeu de braços abertos. E daí vieram as favas com chouriça mais saborosas de
toda a minha vida, e um lacrau apanhado sabiamente pelo tio do Carlos que mo
ofereceu colocando-o num frasco cheio de álcool, e que me acompanhou anos a fio
até o ter perdido numa das minhas mudanças por via de ter passado à condição de
nómada entre os 20 e os 22 anos. E, portanto, aquela ideia tinha sido boa, mas
nada a ver com ideia que tivemos nesse ano de 1985.
Ora, eu e o Carlos tínhamos um
belo hábito que consistia em pormo-nos à boleia nos Carvalhos, com direção ao
Porto, mais concretamente à Biblioteca Municipal, em São Lázaro, onde nos
regalávamos a ler, eu Sartre e ele Camus, pelo que me lembra, e depois, no
final da tarde, íamos à pastelaria Abreu no Campo 24 de Agosto enfardar um
gigante pastel mil folhas. E nessas andanças conversávamos muito, ora de
futebol, ora de política, ora de sonhos. O sonho dele era África, o meu era
Paris e se calhar por isso também ele apreciava mais um escritor argelino e eu
um francês de Paris, ora pois.
Um belo dia, ele sai-me com
esta “sabes que no Consulado Britânico há um livro com instruções de como nos
devemos inscrever para ir apanhar morangos para Inglaterra? Podíamos ir lá ver
isso!”. Poder, podíamos, claro que podíamos, mas entre isso e ir para
Inglaterra apanhar morangos ia uma distância muito grande. E então lá fomos nó
ao tal British Council, na Rua do Breiner, uma transversal da Rua de Cedofeita.
Pedimos à senhora funcionária
que nos mostrasse o tal livrinho e fomos tomando notas: Os passos a dar eram
simples: para além do passaporte, tínhamos de ter 80 libras para entrar no UK,
e um “permit” que seria obtido se nós escrevêssemos uma carta aos donos da
quinta de morangos lá longe em “Tunstead” e eles nos respondessem que sim, que
éramos elegíveis para o programa conjunto com o Instituto Britânico, que
consistia em nós darmos mão de obra quase grátis e eles darem-nos a
possibilidade de «viver uma experiência única de aprendizagem da língua
inglesa».
E lá começamos nós a tratar
das coisas para a nossa empreitada.
II
Aquelas andanças deram-se por
meados de fevereiro. Nós os dois, eu e o Carlos, vestindo cada um a sua camisola
de lã grossa em tons de castanho e bege que tínhamos comprado na Ribeira do
Porto numa loja de produtos regionais - pareciam dois irmãos! - com
umas golas grossas, “à camões”, que nos faziam comichão no pescoço e que nos salvavam daquelas manhãs frias de fevereiro, o nosso mês, o dos gatos
e dos peixes, que era o que nós éramos.
E nós os dois a fazer planos.
Nós os dois a dar voltas na escola e à cabeça, duas centelhas no Universo a
fazer equações, a tirar medidas quais carpinteiros de viagens.
Nós os dois.
E dinheiro? Arranja-se,
vamos trabalhar, fazemos qualquer coisa, eu consigo arranjar algum dinheiro a
apanhar pratos do "Tiro aos Pratos" que caem no campo da quinta,
dizia o Carlos muito optimista. E o transporte? Vamos à boleia. De camião TIR,
atirava ele com ainda mais optimismo. Aquele moço tinha remédio para tudo, principalmente daquele remédio que convence o mais cético. Foi sempre assim, o Carlos. Quando falava entusiasmado as veias do pescoço pareciam sair da pele como cabos de eletricidade e quem
o conhece sabe bem que eu não estou a exagerar nem um bocadinho.
Olha, até parecia fácil, dizia eu. Para
cada pergunta uma resposta pronta, para cada barreira, um salto, para cada
parede, uma porta escancarada. Nós estávamos seguros, embriagados até, de que
aquilo se fazia, e pois então, desatámos a organizar as coisas, e de um modo
muito especial, até porque um era existencialista e o outro anarquista
militante, ambos humanistas, sem dúvida. Ai Jesus, o que se falou, o que se teorizou. Tudo estava claro! Nada nos ia parar.
Não pensem, porém, que estão
perante dois putos burgueses com a mania de que tudo aquilo era nestum e
cerelac! Desengane-se quem pensa que lá em casa tudo se resolvia com um simples
“Olhem, pai e mãe, estava a pensar viajar para Inglaterra no verão, para
aprender inglês e preciso de dinheiro” e já estava. Não, amigos. Nós não éramos
definitivamente esse tipo de famílias. Pelo menos eu.
Literalmente, eu não tinha um
tusto! Até porque a mim competia-me sempre ser eu a usar dinheiro para comprar
coisas do género pasta de dentes, por exemplo, sabonete e champô, entre outras
coisas essenciais, como roupa e sapatos, estão a ver? Eu era o gestor dos meus
zero recursos, tenho dúvidas se estão a ver, palavra de honra!
É que ninguém usava dinheiro
por mim! Ninguém comprava coisas para mim! Eu tinha de comprar tudo aquilo que
normalmente as pessoas da minha idade têm em casa e não são eles a comprar. Na
minha casa só havia água e sabão para a higiene. Na minha casa não havia ninguém que dissesse
“olha, precisas de um champô e amaciador para afagar os teus lindos caracóis cor de trigo maduro” ou “vai à despensa e pega no que
quiseres mas não exageres nas doçarias”. Não havia nada disso, nem disso nem pessoas dessas.
Na verdade, não havia nem casa, nem eira, nem beira. Nem ninguém, apenas funcionários e companheiros do mesmo
fado.
É que, talvez vocês não
saibam, eu era um rapaz, digamos, institucionalizado! Uns bons anos antes, ainda antes do "vinte e cinco de abril" e do Carlos Lopes ter ganho a Medalha de Prata em Helsínquia,
eu tinha sido entregue a uma Instituição do Estado porque qualquer coisa estava
a correr mal lá na minha casa da minha aldeia, onde eu tinha uma casa e tinha
gente que ia comprar coisas para mim e que ia dar-me roupa para vestir,
iogurtes, com sorte, e tulicreme, com muita sorte, e que já não estava ali para mim.
Ora bem, eu vivia então num
Colégio onde me era garantido cama, mesa e roupa lavada. Quer dizer, havia
roupa, mas era uma roupa de institucionalizado que ninguém quer, muito menos um
institucionalizado! Portanto a verdadeira roupa era a que se arranjava fora dali,
umas gangas da "lois", usadas, umas sapatilhas "à márcio", isso sim, era todo um
outro nível. Já a mesa era frugal, o essencial, pois claro, mas um jovem
nessas alturas não quer saber se come bife ou não, desde que não tenha fome. E
ninguém tinha fome ali, isso é verdade.
E depois fui crescendo, fiz a comunhão e o padre Reinaldo deu-me uma fotografia onde estávamos todos "Ofereço esta fotografia ao Altino como prémio da Comunhão Solene" e eu ali na fotografia, russinho, coradinho, de mão unidas a rezar. Depois fiz o exame da Quarta Classe e fui para o Ciclo Preparatório, desta feita para a Escola Padre António Luís Moreira, cá fora, ou seja, lá fora, fora da Instituição, com turmas reais de rapazes e raparigas, com professores simpáticos e antipáticos, o professor Tristão, de Francês, homem já maduro da velha guarda, mas muito competente a ensinar e que me deu naquele ano todas as bases necessárias para eu me transformar num craque em francês, para gostar do francês "Robert et Nicole Jouent au Balon avec Patapouf" e ao mesmo tempo para vir a ter, mais à frente, muitas dificuldades com o inglês. E era já um jovenzinho e já tinha os meus pequenos vícios, um cafezinho, uma cerveja com os amigos, uma ida ao cinema, essas coisas. Depois fui para o Liceu, a Secundária que era ali ao lado, onde desfrutei dos tempos mais belos da nossa existência, os tempos do Liceu, das descobertas, das namoradas e dos momentos de convívio, da Vila Faia e dos Jogos Sem Fronteiras, dos vídeo clips, enfim, da Medalha de Ouro do Carlos Lopes, vejam bem esta evolução!
Era já um tempo em que nós podíamos, é verdade, sair e
andar por aí e a cada um competia as suas escolhas e, assim como assim, nem todos escolhiam bem. Um tempo em que descobri José Régio e os Trovante. Um tempo em que eu me sentia bem na vida, pelintra mas feliz.
Ora, tudo isso, que não era pouco, tinha de
ser custeado por mim, a expensas próprias, como se diz, com dinheiro ganho por mim e administrado por mim. De
modos que para realizar fundos eu fazia-me valer de alguns
recursos. Ora dava explicações a uns cachopos dos Carvalhos, ora ia à Feira da Vandoma
do Porto vender umas coisas velhas que ia arranjando lá na instituição. Muitas
vezes já fazia negócios de compra e venda de pequenos bens como roupas e
candeeiros feitos com garrafas ou com pequenos troncos de sobreiro, canecas de
barro que por ali apareciam feitas por outros miúdos nas aulas de “trabalhos
manuais”, enfim, que um institucionalizado é em primeiro lugar um desenrascado.
Depois pode ser outras coisas. E a um desenrascado compete-lhe dar a volta,
encontrar soluções ou inventá-las.
E assim, desta maneira, lá ia eu arranjando dinheiro para ser digno de algumas trivialidades como ir ao “Sala Bebé” ver o Paris Texas, lá ia tendo uns trocos para não fazer figura de pobre indigente ao pé dos amigos e das miúdas, para comprar giletes, desodorizantes, entre tantas outras coisinhas essenciais à nossa primavera.
Eu era feliz assim e ia andando
direito e atinado. Agora, ter dinheiro para uma Expedição a Inglaterra, ainda por cima
ter de arranjar oitenta libras e um passaporte que era caríssimo e um saco cama e uma mochila e roupas de viagem e dinheiro no bolso para as despesas normais e
essenciais de quem viaja, bom, isso era coisa impossível, mas cuja
impossibilidade eu ia dar importância nenhuma porque estava decidido. Estava
completamente vidrado na ideia de ir, de dar esse passo, desse para o que
desse.
terça-feira, 30 de julho de 2024
Este ano, em março, fui a pé até Santiago e só agora é que me apeteceu escrever sobre isso, vejam bem. Tinha prometido ao apóstolo, no verão de 22, que havia de ir vê-lo, a pé, para lhe dar um abraço de gratidão e alegria pela minha netinha que haveria de nascer no início de 23. E nasceu, pois então!
De modos que já em janeiro deste ano, com algum atraso, é certo, eu tinha tomado a decisão "este ano tenho de ir cumprir a minha promessa" e vai daí, o meu rapaz,
padrinho e tio da minha netinha, atirou-me com esta declaração enquanto saía do carro que o
levava ao aeroporto para, mais uma vez nos deixar no ninho vazio, ele e a mana, os nossos passarinhos que cada um ao seu ritmo, um dia, trataram de o abandonar:
- Pai, vou contigo a Santiago.
Volto em março logo a seguir aos meus anos e fazemos o caminho juntos. Sabes porquê?
Eu respondi qualquer coisa próxima de sim, eu sei, vens em meu auxílio, fazes-me companhia, essas coisas.
E Ele:
- Não pai, não é só por isso. É que eu faço 29 anos este ano, e quando eu nasci tu tinhas precisamente 29 anos, estás a ver.…” Bom, aqui a coisa piou fino porque o lado das emoções tomou conta de tudo quanto era eu. Vocês entendem, não entendem? Creio que não valerá de muito estar aqui a descrever lábios trémulos e vozes embargadas. Vocês entendem, não entendem?
Então veio março, veio o meu filho e toca a preparar a
caminhada, desta vez com início a partir de Valença por causa da falta de tempo
útil para caminharmos desde a nossa casa, como eu já tinha feito em 2016.
Da caminhada há sempre coisas interessantes a partilhar, mas
desta vez vou realçar a dificuldade. Ai como foi duro fazer este caminho, embora
sendo metade do que eu fizera há oito anos! Que sacrifício, meu Deus, ainda por
cima numa semana de chuva! Eu gordo, cansado, carregado de mochila às costas, e
ainda por cima a caminhar com chuva e vento e aquele poncho estranho a esvoaçar
e a desprender-se e tira o poncho e volta a pôr o poncho...
Foi, enfim, um sacrifício que fiz com gosto, sempre motivado
pelo meu companheiro jovem de 29 anos “anda, pai, acelera o ritmo”, “continua a
subir e lá em cima não pares, descansas a caminhar na reta, vais ver que é
melhor” E eu bufava. Bufava por fora e por dentro, mas tentava cumprir. Tentava
superar o sofrimento de já não ser tão jovem, de perceber cruamente que a idade
realmente pesa e que o “quem andou não tem para andar” estava ali escarrapachadinho
à minha frente, “vivinho cuma cal” como dizia a minha avó.
Depois foi só apenas uma questão de apreciar momentos,
deliciar-me com a beleza das paisagens galegas, das comidas, do meu rapaz a
liderar-me. E aqui sim, aqui houve sentimento novo. Sentir que era o meu filho
que me liderava. Pensar nas tantas decisões que era sempre eu a tomar e agora
já não. “Vamos por aqui”, “Paramos ali” já não eram sentenças minhas. Eram
pertença do meu menino. Ele estava no comando e eu senti um gosto muito bom e consolador.
Em Santiago, lugar de peregrinação que é sempre de festa
turística, muito pouco dado a grandes momentos espirituais - a não ser no Santíssimo
-, lá fui eu abraçar o meu amiguinho e sorrir para ele por saber que ele me via
feliz e agora avô de uma menina sã e linda. Uma margarida na minha vida que tanto amo e a quem quero poder ver crescer. Ó se quero...
terça-feira, 7 de maio de 2024
A Nona faz hoje 200 anos! Foi no dia sete de maio de 1824 que a humanidade ouviu, pela primeira vez, a mais impactante, contundente e inebriante obra musical jamais composta. Uma obra sublime que eu ouço tantas vezes e tantas vezes. E ouvindo-a rio e choro lágrimas de grandiosidade, como humano frágil que é a minha condição primeira neste universo, neste existir de matéria e alma. E ouvindo-a agora e sempre, sinto uma profunda esperança e vem-me ao pensamento um estar de imortalidade, um crer num ser maior do que nós, e vislumbro um espaço imenso onde viajarei sempre e eternamente. Honra aos grandes, aos maiores mesmo! Porque, sendo grandes, nos fazem grandes também.
segunda-feira, 11 de março de 2024
O que eu retiro das Legislativas 2024:
domingo, 31 de dezembro de 2023
Ano bom este que agora finda! Logo no início, em janeiro,
trouxe-nos a bebé Margarida que me fez avô pela primeira vez. E que bom é ser
avô e poder ver esta menina a crescer…e eu quero tanto viver esses momentos
mágicos, meu Deus como quero!
Ano bom também porque
sobrevivemos, porque fizemos as coisas boas e simples que costumamos fazer e os
nossos filhos, que estão fora, visitaram-nos nas festas e no verão, o que é tão bom!
Ano sereno onde fiz amizades, fui ao “febras”,
fiz piqueniques, fui à Meia Praia, fui campeão. Fiz negócios, perdi outros, zanguei-me,
chorei…li pouco, é certo, mas ouvi muita música, ri bastante, bebi cerveja e comi bem.
E também houve perda. O primo Joca, que foi arrancado abruptamente
deste mundo. O Joca já tinha sido arrancado abruptamente do seu mundo, que era África.
O Joca era um leão de olhar meigo, porém enjaulado desde muito cedo numa terra
estranha para ele e passava os dias a olhar para o sul, sonhando voltar àqueles
prados verdejantes, saborear a brisa quente do Índico e namorar o pôr do sol.
Oxalá ele encontre, agora que partiu, o seu paraíso perdido.
Bom Ano Novo!
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
Se os tais ilustres portuenses fizessem, mas é, uma petição para a C. M. do Porto limpar esta belíssima estátua das cagadelas de pombas, para isso até eu aderia, sem dúvida nenhuma.
Agora, fazerem uma petição para remover esta obra de arte da nossa cidade, ainda por cima alegando causas relacionadas com o pudor e, imagine-se, com a estética, é algo que me deixa profundamente triste.
Só de saber que ainda há bem pouco tempo toda a gente se indignou com aquela cena da professora americana que teve de se demitir por ter mostrado aos seus alunos a estátua de "David", um nu de Miguel Ângelo, demissão essa forçada pelo mesmo tipo de gente retrógrada e prenhe de falsos moralismos, eu pergunto: onde está a coerência? Estes senhores guardiões da moral e dos bons costumes não se enxergam? O Presidente da Câmara não tem a tal independência que tanto apregoa para não se deixar manipular por gente tão tacanha, que, ao que parece, tanto é da Esquerda como da Direita?
Saibam esses senhores bafientos que Camilo Castelo Branco foi dos primeiros homens de letras a colocar o Porto no mapa da cultura. A sua obra passou as nossas fronteiras e inspirou centenas de escritores, c
ineastas e dramaturgos. O seu romance com Ana Plácido é um triunfo daquilo que há de mais belo , como é o caso da "paixão entre um homem e uma mulher". E além disso, o Porto é consabidamente uma cidade de paixão, por isso não se percebe, não se aceita, não se tolera esta desfaçatez.
sexta-feira, 19 de maio de 2023
Hoje é um dia triste para mim. Morreu Andy Rourke, o
grande bass guitar dos The Smiths, 59 anos…pâncreas, maldito cancro!
Hoje já sou avô
e estou a partilhar convosco este dia triste. Hoje sinto-me outra vez the boy
with the thorn in his side, o rapaz com o espinho ao seu lado. Um grande abraço.

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