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sábado, 25 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Hoje o
meu sogro faria oitenta e seis anos. Tenho muitas histórias para contar sobre o
meu sogro. E ele também me contava muitas histórias da vida dele, sobretudo da
Guiné. Falava muito comigo, principalmente às tardinhas, à volta de um copo. E
se eu estivesse três dias sem aparecer, ele virava-se para a filha – O Sôr
Altino? Que é feito dele? E complementava aquela pergunta com uma suposição
qualquer que lhe viesse à cabeça.
O meu
sogro era um homem bonito e quando o conheci gostei logo dele, sempre bem
vestido e com aqueles óculos que o faziam mais parisiense do que o próprio Jean
Paul Sartre.
Do meu
sogro dos passeios com a netinha – Ó vu, já chega de serras!, do meu sogro das
patuscadas, da serenidade a comer (gostava de comer, mas não era guloso. Servia-se
do seu bocado e ficava ali a saborear calmamente com um ar feliz, sobretudo
quando na mesa estava toda a sua prole), do meu amigo sogro falarei um dia, sem
dúvida.
Hoje,
porém, tenho vontade de recordar os encontros com o irmão, o tio Eusébio, quando
este o visitava nas tardes de sábado. Que festa aquilo era! Muitas vezes tive
eu o privilégio de vê-los ali aos dois a falar sobre tudo o que lhes vinha à
cabeça, histórias da mocidade, dos pais, dos irmãos, disto e daquilo, enquanto
por sua vez as cunhadas, do outro lado da mesa, falavam de coisas de cunhadas.
E depois, para celebrarem aqueles momentos, o meu sogro ia buscar uma gaita de
boca pequeníssima e dava-se início ao “Duo Lamonte”, como eles gostavam de
dizer. Um recital de bem cantar modas de sempre, muitas vezes interrompidas por
um copo ou por uma graça ou por qualquer outra coisa menos tristezas.
Muitas
saudades tuas, meu sogro.
quinta-feira, 19 de março de 2026
Hoje, eu sinto-me assim...
É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
quinta-feira, 5 de março de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Antoine de Saint-Exupéry
sábado, 31 de janeiro de 2026
Faz hoje
três anos que sou avô de uma menina maravilhosa. A Margarida está de parabéns,
pois está. E nós, os avós, também. Ser avô é uma dádiva maravilhosa de Deus. E
esta dádiva vem num momento especial da nossa viagem por este mundo. Nessa bênção
nós vemos a nossa odisseia prolongar-se no tempo infinito, e eu sinto-me como
aquela borboleta que atravessa o continente americano de cima a baixo, numa
viagem que é feita por várias gerações de borboletas. Ela sabe que prossegue
uma pequena etapa de uma grande viagem que foi precedida por outras borboletas e que
vai ser continuada por outras, nunca acabando. Ela e eu sabemos o nosso papel
neste ciclo perpétuo de vida.
Hoje é
mais um dia bonito, dia de festejar uma data muito linda e sorrir para a vida,
continuando a abraçá-la, muito mais cheio de vontade de vivê-la.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Este ano que passou foi um ano bom e isso foi bom.
Fomos a Paris ver o nosso filho, revisitar a cidade das cidades, comer raclette e ostras, beber vinho e descobrir Saint Germain de Prés. Andámos por ali no inverno e havemos de lá ir em junho só para ver as folhas das árvores. Dos Champs Élyéees e da Place des Vosges, principalmente.
Fomos a Granada de férias e descobrimos Almuñecar e apaixonamo-nos por aquilo tudo, e vamos voltar lá este ano, pronto.
Também houve perda. Da mãe. Abruptamente.
Muito trabalho houve às carradas. Mas soube bem trabalhar. Muito!
E a Margarida a crescer tanto e tão bem e nós a ver, a amar tanto!
Há quarenta anos andava eu a pensar o que ia ser de mim, sem jeito para nada, sem pouso, sem leito, sem papel fundamental, secundário que fosse. Andava pensativo a imaginar que nunca ia conseguir ter um emprego, que nunca ia conseguir ter uma mulher, um filho, um neto.
Em resumo, andava enganado e só o tempo flamejante e hipersónico me fez ver que todos os medos que tivemos eram sempre o prenúncio das grandes obras que faríamos.
Se fiz obra? Penso que sim, os meus filhos que são complemento de mim, que são mesmo braço dos meus braços, ramos do meu ser, pavios que iluminam os meus medos, tornando-os sempre mais suaves, sorrisos quando choro, acenos quando hesito - vai, Pai!
Fiz obra, sim. Fizemos. 💕

