"Nunca cantei para tanta gente!", disse o cantor mal pisara o palco, com voz tímida tal era a enchente nas bancadas. Era o ano de estreia do seu álbum "O lado errado da noite", onde surge o grande êxito "Deixa-me rir".
A primeira vez que vi Jorge Palma ao vivo foi por ocasião das comemorações do 10 de junho de 1985, no velhinho Estádio do Bessa.
A última vez que o vi ao vivo foi em 2021, na Serra do Pilar, no mês de julho, ainda a sofrermos as condicionantes da pandemia.
E neste momento de tristeza, de certeza que o grande Jorge Palma nos quer todos a rir. A rir por ainda estarmos por aqui, e também por ele, pela sua vida cheia, por Paris, por Lisboa, pelas canções, os concertos, os amigos, e sobretudo por ser também dele o galarim dos maiores, como Zeca Afonso, José Mário Branco, Fausto, Luís Represas entre outros.
Jorge Palma é uma marca indelével na vida daqueles que, como eu, cresceram nos oitenta, se fizeram homens nos noventa e agora andam por aqui a ver os seus grandes heróis a partir devagarinho, como folhas de outono.

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