quarta-feira, 25 de abril de 2018

#32 ūüíü
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem express√Ķes, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as p√°lpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas √°geis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; n√£o digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Régio - Soneto de Amor

quarta-feira, 11 de abril de 2018

√ď Carlos, tu n√£o me ligas a ponta de um corno mas eu insisto em escrever-te. E escrevo-te aqui e daqui porque um dia tu vais ler isto, um dia eu vou ler isto. E vai saber bem.



Como andas?

Olha, eu fui ver Bob Dylan a Lisboa. Imagina tu que andei eu estes anos todos a criar um filho que deu nisto de gostar muito de ouvir o Velho Robert e, assim, l√° resolveu comprar dois bilhetes e “√ď Tinoco, vamos a Lisboa ver Bob Dylan”.
Confesso que gostei, Carlos. Principalmente porque isto tem muito a ver com uma certa tomada de posi√ß√£o no que toca a criar filhos. Tocar as can√ß√Ķes com eles a crescer, som alto de prefer√™ncia, Zappa, Dylan, Doors, Pink Floyd, e eles a crescer e a resmungar. Tom Waits tantas vezes, “Um dia ainda ides acabar por gostar de Tom Waits” e esse dia chegou bem cedo e surpreendente, ou n√£o, porque estes m√ļsicos, estes autores, estes artistas tamb√©m h√£o-de ser ouvidos pelos filhos dos meus filhos, e pelos netos, de t√£o eternos que s√£o. E estando ainda alguns vivos, h√° que ir. H√° que n√£o perder.

E gostei, Carlos. Gostei da viagem que fiz com um filho homem ao meu lado. Das conversas que tivemos, das pausas, das perguntas, das express√Ķes. Depois veio o concerto e o homem √© aquele que tu bem conheces e que j√° viste tocar no Porto, h√° muitos anos, e me disseste que ele √© diferente. Que n√£o quer c√° palminhas e folclore “ol√° Lisboa!”. Nada! O homem est√° em palco, acendem-se as luzes, canta, toca, exprime, enfim, a sua arte que n√£o √© bem a arte de um entertainer, apesar de o ser. √Č uma arte que n√£o √© bem um concerto musical, apesar de o ser. √Č uma arte que vem de um artista raro, muito, muito raro.
E, portanto gostei. Principalmente de ver o meu filho a gostar quase muito mais do que eu e dos outros cotas que encheram o pavilh√£o.

E tu, como andas? Sempre apareces um dia?

Nós que vimos juntos Neil Young, Lou Reed e que já vimos Dylan em momentos diferentes, podemos sonhar ver um dia Tom Waits. Mas para isso seria preciso que tu viesses cá e que ele não acabe por se fartar desta vida. Tenho esperança, enfim, de vos ver aos dois.

Um abraço, Carlos. Um grande abraço.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Quero ver se não morro sem antes conhecer muito bem Manuel António Pina, que nos deixou fez ontem cinco anos. Passar pela sua obra é um arrepio constante. tocá-la, sentir os tons da sua pele, ah que sabor....

TODAS AS PALAVRAS



As que procurei em v√£o,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e n√£o reconheci,
ou desistiram e
partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de √°gua impresente;
as que (lembras-te?) n√£o fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas √ļltimas palavras.


Manuel António Pina

quarta-feira, 8 de março de 2017

Neste dia em que se celebra o #DiaDaMulher e que, por uma vez, n√£o sei bem porque raio se celebra o Dia da Mulher, pois tenho para mim que a mulher est√° no topo da pir√Ęmide evolutiva de todos os seres vivos de que h√° mem√≥ria e n√£o precisa, portanto, de dias especiais de comemora√ß√£o coisa nenhuma, mas enfim, j√° que se instituiu este dia eu, muito humildemente e em homenagem a todas as mulheres, gostaria de partilhar com as minhas amigas e os meus amigos a mem√≥ria desta senhora que para mim simboliza, digamos, a mulher no seu mais sublime estado de capacidade, coragem, amor e vis√£o da humanidade: Dorothy Day.
Pouco conhecida, obviamente, mas que eu insisto em "dar" a conhecer a quem estiver interessado e, ali√°s, relembrar que o Papa Francisco, aquando da sua visita aos EUA e numa sess√£o p√ļblica em que ele homenageou algumas figura her√≥icas da Am√©rica, surpreendentemente referiu o nome desta grande hero√≠na da humanidade.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dorothy_Day


s√°bado, 25 de fevereiro de 2017

Parab√©ns, Carlos. Cheg√°mos √† idade da cacha√ßa, dos sabores fortes e  intensos. E como as melhores aguardentes, saberemos inspirar for√ßa e adstring√™ncia necess√°rias ao andamento perene das nossas vidas. Somos lima-lim√£o suficientemente fresca e suave para poder olhar o que l√° vem ao longe. Porque uma boa aguardente tem de saber chegar a velha, tem de saber guardar o tempo que passa e ganhar o tempo que vem. Um abra√ßo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

“Don´t think twice, it´s all right”

Ol√° Carlos, esse Natal? Espero que tenhas tido um bom Natal. O meu correu dentro da normalidade, correu bem, embora tenha vivido um bocado de nostalgia de quando n√£o tinha o Natal a correr dentro da normalidade, de quando passava essa noite a ouvir Pink Floyd e a tentar perceber a ordem das coisas. Ou a desordem.

Neste Natal, Carlos, recebi um disco de Bob Dylan, prenda da Catarina. “The Essential Bob Dylan”. E lembrei-me mais uma vez de ti, amigo, dos teus discos de vinil, das nossas conversas perdidas no tempo. Num tempo em que √©ramos apanhados pelos momentos do agora e sempre. A vida era aquele momento especial e, olha, continua a ser, se calhar. O “agora” √© uma coisa constante, perdura. Que confus√£o, amigo. S√£o duas da manh√£ e eu estou a ouvir Dylan e lembrei-me de ti. Feliz Natal, Carlos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bob Dylan - 100 Essential Recordings (AudioSonic Music) [Full Album]

Ao meu amigo Carlos Manuel Gon√ßalves Reis. Onde quer que estejas, mereces mais do que todos este Nobel Prize ao grande poeta das can√ß√Ķes de todas as lutas, todas as filosofias, todos os romances e trag√©dias. Um abra√ßo.

"Maybe your friends think I'm just a stranger
My face you'll never see no more
But there is one promise that is given
I'll meet you on God's golden shore"


terça-feira, 27 de setembro de 2016

O senhor v√° caminhando e quando passar aquela igreja vira na primeira √† esquerda e ande mais uns cem metros que aparece logo  uma loja. A esta hora pode ser que ainda esteja aberta.

E l√° fui eu andando, at√© que passei pela igreja e a rua estreita l√° estava, quietinha, √† minha espera. Caminhei mais uns cem metros e, por fim, avistei o senhor Veiga, que se aprestava a sair da loja, segurando na m√£o um jarro transparente cheio de vinho branco a embaciar o vidro. Vai fechar? N√£o, fa√ßa o favor de entrar. Pedi que me aviasse uma garrafa de √°gua e uma coca-cola para me abastecer do a√ß√ļcar que a Labruja me ia exigir. O senhor Veiga, depois de me dar o troco, percebeu o ar de espanto que ainda sobrava na minha cara. Sabe, tenho um compromisso com uma senhora de noventa anos que vive sozinha em casa. Todos os dias por esta hora levo-lhe um jarro de vinho e fico l√° um bocadito a conversar com ela e a comer qualquer coisa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Tinha saído de casa relativamente cedo, por volta das oito horas da manhã, no primeiro sábado de setembro, carregado com uma mochila às costas que pesava para aí uns bons dez kg, e de modos que me deitei ao caminho e só deixaria de andar quando me achasse em plena Plaza do Obradoiro, em Santiago de Compostela. Ia visitar o Apóstolo Tiago Zebedeu. E assim foi.
De tal modo foi que cheguei a Compostela no segundo s√°bado do m√™s de setembro. N√£o fiz di√°rio, n√£o me preocupei com dicas ou segredos. N√£o levei mapa, apenas segui as setinhas. E fui andando desde a porta da minha casa, passando por umas alminhas ali para as bandas de Perosinho, j√° em pleno “caminho de Santiago”.
Nesse primeiro dia andei muito. Caminhei mais de quarenta quil√≥metros at√© ao Mosteiro de Vair√£o, em Vila do Conde, onde pernoitei. E assim fiz v√°rias etapas do “caminho”. Caminhei, descansei, pernoitei e voltei ao caminho, √†s pausas, aos epis√≥dios esquisitos, √†s capelas, √†s catedrais, aos miradouros, ao asfalto e aos caminhos, √†s serras, aos campos, aos montes e aos aceiros. Um caminho perfeito, espiritual, desafiante, abrasivo e relaxante, uma mistura de todos os ingredientes, aqueles que sabeis e aqueles que pensais vir um dia conhecer. Destes, eu n√£o falarei muito, porque vos digo: ide fazer o “caminho” e assim descobrireis o sal que vos falta.
Bom, mas no “caminho”, o caminho de cada um que o faz, acontecem coisas estranhas, m√°gicas ou sei l√° qu√™, e disso eu vos dou garantia porque fiz o “caminho” e sou, portanto, testemunha viva de que “h√° coisas”. E dessas “coisas de que h√°”, que acontecem, que nos afrontam e nos confrontam e que nos colocam perante um outro sentido da vida eu vou contar-vos uma.
Estava eu acabadinho de chegar a Barcelos, portanto findava a segunda jornada de caminhada que compreendia j√° uns bons setenta quil√≥metros, entro no Albergue dos Peregrinos de Barcelos e ap√≥s fazer o registo de peregrino e ter sido encaminhado para o meu s√≠tio onde ia pernoitar, fui confrontado com o meu p√© direito. O meu p√© direito j√° n√£o parecia um p√©. Parecia uma ab√≥bora de t√£o inchado que estava. Bolhas enormes rebentadas por debaixo do p√©, um latejar a amea√ßar infec√ß√£o, um espect√°culo para os outros peregrinos, sempre solid√°rios, t√£o solid√°rios meu Deus, “ent√£o isso est√° mau?” perguntavam-me em ingl√™s. E eu respondia, desanimado, num pobre ingl√™s triste e arruinado “estou bem, vamos ver como vai ser amanh√£”
O amanhã era dali a umas horas, que os peregrinos parecem abelhas, logo pelas primeiras horas da madrugada a arrumar as coisas, lanterninhas acesas para não incomodar quem ainda dormia, ou seja eu, o lesionado, o derrotado pelas bolhas de água, o pobre português que se calhar leva uma vidinha a andar de carro para todo o lado e, está claro, tem uns pezinhos de vidro que não aguentam dois dias a caminhar, e é deixa-lo dormir descansado que quando acordar vai direito ao hospital. Entretanto eu acordo, desvairado, com o pé numa autêntica via-sacra. Não sabia o que fazer. Os outros peregrinos iam saindo e passavam por mim e tentavam dar-me coragem e eu sem reacção, perdido, derrotado. O meu pobre pé desfalecia.
De s√ļbito resolvi agir. Vesti-me, fui √† cozinha e tirei de l√° uma garrafa de √°gua e bebi dois ou tr√™s goles. Tentei enfiar as botas mas sem sucesso. O meu p√© direito quase rebentava. Resolvi ent√£o enfiar as minhas velhinhas asic que j√° tinham feito mais de mil km comigo a correr. O p√© n√£o recusou, embora resmungasse. Os peregrinos saiam e saudavam-me quase em modo de despedida. E eu ali j√° vestido e cal√ßado e a porta do albergue aberta e l√° fora a estrada e a escurid√£o.
Eram para a√≠ umas seis da manh√£ eu aventurei-me a sair, ainda sem saber bem para onde ir. Mas eu queria ir para o “caminho”, raios me partissem. E mal sa√≠ e vi aquela seta amarela a apontar o caminho, o andar cambaleante, muito lento, o c√©u a clarear, deu-me para me dizer “Olha, meu, se n√£o andares depressa andas devagar. Vamos indo e vamos vendo, se isto piorar sempre podes parar”. E depois, Cristo tamb√©m podia desistir e n√£o desistiu. Podia dizer “Pai, estou cansado, d√≥i-me o corpo, vamos parar com isto” e de certezinha absoluta que Deus mandava que todo aquele sofrimento de Jesus a caminho do Calv√°rio terminasse ali mesmo, tal como eu podia terminar ali ou em qualquer momento deste meu calv√°rio o meu sofrimento. De modos que fui caminhando por de entre os primeiros milheirais que surgiam √† medida que ia deixando Barcelos e, tal como Jesus Cristo, estava decidido a ir at√© ao fim.
E assim andei durante dez penosos quil√≥metros, sem deixar de me sentir bem naquele sofrimento, de apreciar as paisagens, de me sentar no primeiro caf√© aberto que encontrei e saborear uma deliciosa meia de leite e comer uma boa sandu√≠che de queijo e fiambre. “Vou preparar-lhe aqui uma bela sandes de queijo e fiambre muito saborosa para a sua caminhada” disse o rapaz que me atendeu e eu recordo isto porque foi verdade e porque foi importante. Foi muito reconfortante, encorajador mesmo, ouvir esta conversa de cortesia. E depois n√£o deixei de me deter perante a majestosa igreja de Abade de Neiva “At√© ao monumento vai ser sempre a subir” e tirei uma fotografia que publiquei no Facebook “Bom dia”.
E assim caminhei durante dez penosos quil√≥metros at√© Tamel, S. Pedro de Fins. Andava eu neste arrast√£o pio, a ser ultrapassado por tudo o que era peregrino, at√© por um casal de portugueses com o Miguel ao colo, catorze meses de idade e j√° a fazer os Caminhos de Santiago e eu que tive de esperar cinquenta anos. E eu l√° ia metendo conversa e as pessoas passavam e eu caminhava agarrado ao meu cajado, ao meu amiguinho fiel que me segurava e me marcava o passo, at√© que numa recta de estrada asfaltada, ladeada por umas moradias de constru√ß√£o recente, cujos passeios generosos se estendiam pela beira da estrada, eu vislumbro dois homens sentados. Dois peregrinos que me olhavam, apreciando aquele pobre desgra√ßado que caminhava cambaleante. “Voc√™ est√° bem?” perguntou-me um deles em portugu√™s com sotaque brasileiro. “Eu estou fodido!”, foi tal e qual a minha resposta, de t√£o aliviado que fiquei por poder falar portugu√™s. √Č que por incr√≠vel que vos possa parecer, este Caminho Portugu√™s de Santiago est√° carregadinho de estrangeiros, de modo que tirando o casal portugu√™s com o beb√©, eu s√≥ falava ingl√™s para tudo o que era peregrino.
 “Eu estou fodido”, disse eu, e repito, s√≥ o facto de eu ter dito aquilo foi j√° um grande al√≠vio, e mais al√≠vio foi quando o tipo me diz “Senta aqui que eu fa√ßo um curativo pra voc√™”. Com tal proposta eu n√£o tinha mesmo nada a perder, como podem imaginar, nem tinha pressa sequer, afinal tinha sa√≠do muito cedo do albergue e naquele tramo estavam a passar os peregrinos que acordaram mais tarde. Sentei-me naquele passeio √† sombra, tirei o chap√©u, tirei a mochila das costas e respirei aliviado. O cara perguntou de onde eu era e eu tamb√©m. “Sou de Bel√©m do Par√°, Amaz√≥nia”. Meu Deus, pensei eu, nem sequer s√£o de S√£o Paulo ou do Rio, s√£o do Brasil profundo, da selva. “Viemos fazer o caminho e come√ß√°mos no Porto mas ficamos em hot√©is porque compensa mais. Queremos chegar e descansar e n√£o estar levando com todas as implica√ß√Ķes dos albergues”. Bem pensado, disse eu.
"Muito prazer, eu me chamo Solano. Tenho aqui um √≥leo muito bom que se usa l√° na amaz√≥nia. √Č de uma √°rvore que se chama copa√≠ba, c√™ conhece?" N√£o. "√Č um cicatrizante muto bom, com muitas propriedades curativas".
 Bem, amigos, perante isto, perante esta revela√ß√£o, esta experi√™ncia em Tamel, S. Pedro de Fins, eu ali prestes a conhecer um processo terap√™utico trazido da terra dos √≠ndios, da amaz√≥nia, fiquei siderado, parvo, maluco, n√£o queria acreditar. Solano, por√©m, fez o que tinha a fazer. Diligentemente limpou o meu p√©, e passou aquele √≥leo uma e duas vezes. Mais uma. E fez-me um penso com um adesivo. E eu comecei logo ali naquele instante a sentir um bem-estar t√£o bom, t√£o bom, t√£o bom e comecei a pensar como √© que isto √© poss√≠vel? Como √© que tinha de me aparecer um peregrino da Amaz√≥nia com √≥leo de copa√≠ba? Porque √© que n√£o estava ali um param√©dico do INEM a peregrinar e carregado de anti inflamat√≥rios e cicatrizantes das nossas farm√°cias? Tinha de ser coisa do Ap√≥stolo, senhores. S√≥ podia ser. De modos que, em me vendo a sentir muito melhor, Solano resolveu achar que era hora de ir andando. Eu fiquei mais um pouco. Antes por√©m, perguntei: √Č cat√≥lico? Sou, pois! Solano viu bem o estado em que eu fiquei com aquela resposta, Percebeu bem a como√ß√£o que se apoderou de mim. E resolveu ir para o caminho.
Uns quil√≥metros √† frente eu ainda o vi sentado numa sombra √† espera que um tal restaurante abrisse. Acen√°mos um ao outro e eu bem vi a alegria dele ao perceber que o meu caminhar j√° era outro, mas eu resolvi seguir o meu caminho porque no caminho √© assim, h√° que seguir o nosso pr√≥prio caminho. De maneiras que nunca mais o vi. Fiz todas as etapas do caminho gra√ßas √†quele √≠ndio “N√£o tire o penso, deixe ele ficar at√© sair por si” e quando cheguei a Compostela ainda o procurei no meio da multid√£o.
“Havemos de chegar a Santiago”. Eu cheguei, amigo Solano. Espero que tu tamb√©m.


PS: E espero que um dia tu possas ler isto porque isto vai ficar aqui à espera que um dia tu me encontres novamente e eu a ti e eu quero que tu saibas que foi graças a ti que eu pude cumprir o meu desejo de fazer o Caminho de Santiago quando fizesse cinquenta anos. Um abraço, Solano.
igreja de abade de neiva

vós que ides passando lembrai-vos dos que estão penando
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