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A mostrar mensagens de Agosto, 2004

novas ou nem tanto

Valencia, Espanha. Nao, nao estou de ferias. Trabalho sim. Profunda cura, terrivel viragem.
Por estes dias, encontro-me em frente ao computador, algures em Valencia. Que contar? Por onde começar? Nao sei bem que lhes diga.
Este navegar é longo e duro. Radical. E mostra-me como é bom viver do outro lado, desse lado. Num gabinete ou escritorio. Ar condicionado, hum, ar condicionado, quem nao tem?
Profunda cura porque aprendo a repensar oportunidades. Terrivel viragem porque ninguem acreiditaria ser possivel um encontro com o trabalho duro, forçado, impiedoso. Ninguem consegue imaginar a sensaçao de um final de dia destes. Nem contado. Nao vale a pena contar. Viver sim. Vivendo aprendo a perceber o outro lado. O lado daqueles que buscam os mesmos euros que lhes dao DVDs, fraldas, perfumes e carros em leasing.O lado de uma outra lua tantas vezes ignorada.
E ponho-me a pensar em todos vós que reclamais melhores salarios, menos horas de trabalho, mais creditos na carreira. Que seria de …

a viagem

A viagem começa hoje. Darei notícias.

eu acho

Eu acho muito bem que se debata a questão da ortografia. Há por aí dezenas de entendidos que colocam muito bem as palavras, direitinhas, afinadas, lindas de ver (quanto mais ler). O pior é o conteúdo, a hipocrisia. O elogio fácil e conveniente. O favor trocado e a puta da mesquinhez que faz desses bem falantes uma cambada de “agiotas do intelecto”.

quarenta euros

Ladino, subi as escadas e dei com um corredor escuro, cheio de portas que escondiam salas com escritórios silenciosos, quase inexistentes. Ao fundo já se via gente e, por isso, era quase certo que a sala 46 só podia ser ali.
- Boa tarde. É para se inscreverem para ir trabalhar no estrangeiro? - Era, pois era.
O casal de namorados, ansiosos, seriam os primeiros a entrar quando a porta se abrisse. O resto do grupo era composto por jovens de aspecto frugal e o cheiro a bafio imperava naquela atmosfera esquiva.
Decidi-me a quebrar o gelo e perguntei:
- Já alguém foi para o estrangeiro trabalhar? - Já, pois já.
Do outro lado da porta ouvia-se uma voz zangada:
- Eu não pago nada. Para isso fico aqui a apanhar sol que o fundo de desemprego que recebo vai dando para remediar.
Percebi o que se passava e avisei o grupo:
- Olhem que só para se inscreverem têm de pagar. E contem aí com cinquenta Euros.
- Pagar? Nem por sombras. Eu venho aqui é para trabalhar, atirou o namorado.
A porta abre, e …


O filme “Carandiru”, brasileiro, bom, levou-me a pensar que um homem pode ser glorioso mesmo no mais cruel dos mundos. Naquela prisão havia de tudo, e cá fora tudo parecia ainda mais deprimente. Assim, a gloria desses homens não tinha nada a ver com a liberdade. Moral da história: que moral?

bom dia

Bom dia. Hoje fui à baixa do Porto e detive-me em frente ao café Imperial. Recuei vinte anos e percebi que a história repete-se. A história da nossa vida anda em eternos retornos. Olhei os vendedores ambulantes que me pareciam os mesmos de há vinte anos. Olhei os autocarros e ouvi o imenso ruido de uma cidade. O que andamos nós aqui a fazer, sós, no meio da multidão?

é de fugir ou não é?

não desatem a construir um país de "Vilas d'Este" - uma coisa colorida mas mal amanhada, mal pintada, que cedo desbota, precocemente se revela fraca, uma chatice sem nome

In blogame mucho

Li ali no Blogame mucho uma referencia à Vila D’ Este. Aquele aglomerado de prédios de muitas cores ( o sujo também lá está, essa cor sem tinta) mesmo à face da auto-estrada, antes de se entrar em Gaia. Também eu comprei lá um T2, numa época em que muitos jovens professores, engenheiros recém casados e outros tipos necessitados de casa própria, acreditaram naquilo.
E o tempo foi passando e as cores foram desbotando e os políticos foram mudando. E pior que os alicerces urbanos, da construção propriamente dita, foram os traços políticos, a régua e esquadro eleitoral, que lhe fizeram, à Vila D’Éste, e aos seus jovens inquilinos. Cruzaram os despejados de General Torres por via da nova estação ferroviária. Meteram lá alguns ciganos, injectaram aquilo que fora comprado e pago a taxas de juro …

vou

Um tipo como eu tem de dizer umas coisas antes de encerrar um ciclo. Podia simplesmente dizer que foi bom e conheci muita gente e aprendi muito. Então pergunta-se: se foi bom, se conheceu muita gente, se aprendeu muito, porquê encerrar um ciclo? É verdade. Não existe justificação coerente, ou no mínimo, perceptível, para uma coisa destas, a não ser a "mudança". E é aqui que eu me quero situar para explicar que vou terminar um ciclo. Um ciclo de equívocos, de lutas. Uma página que se vira na minha viagem por este mundo.
De resto, chegado aqui, já fiz muito, creio. Já chapei massa, já acartei areia nas obras, já lavei copos e até já mudei fraldas a crianças deficientes. Já fui chefe, fui vendedor e empreendedor. Criei uma empresa e falhei. É isso. Falhei porque estou farto deste país miserável que apenas privilegia os amigos e os “certinhos”.
Creio que nesta terra não há lugar para gente como eu que, não sendo nada de especial, tem a particularidade de se apaixonar por coi…