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A mostrar mensagens de Setembro, 2016
O senhor vá caminhando e quando passar aquela igreja vira na primeira à esquerda e ande mais uns cem metros que aparece logo  uma loja. A esta hora pode ser que ainda esteja aberta.
E lá fui eu andando, até que passei pela igreja e a rua estreita lá estava, quietinha, à minha espera. Caminhei mais uns cem metros e, por fim, avistei o senhor Veiga, que se aprestava a sair da loja, segurando na mão um jarro transparente cheio de vinho branco a embaciar o vidro. Vai fechar? Não, faça o favor de entrar. Pedi que me aviasse uma garrafa de água e uma coca-cola para me abastecer do açúcar que a Labruja me ia exigir. O senhor Veiga, depois de me dar o troco, percebeu o ar de espanto que ainda sobrava na minha cara. Sabe, tenho um compromisso com uma senhora de noventa anos que vive sozinha em casa. Todos os dias por esta hora levo-lhe um jarro de vinho e fico lá um bocadito a conversar com ela e a comer qualquer coisa.
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Tinha saído de casa relativamente cedo, por volta das oito horas da manhã, no primeiro sábado de setembro, carregado com uma mochila às costas que pesava para aí uns bons dez kg, e de modos que me deitei ao caminho e só deixaria de andar quando me achasse em plena Plaza do Obradoiro, em Santiago de Compostela. Ia visitar o Apóstolo Tiago Zebedeu. E assim foi. De tal modo foi que cheguei a Compostela no segundo sábado do mês de setembro. Não fiz diário, não me preocupei com dicas ou segredos. Não levei mapa, apenas segui as setinhas. E fui andando desde a porta da minha casa, passando por umas alminhas ali para as bandas de Perosinho, já em pleno “caminho de Santiago”. Nesse primeiro dia andei muito. Caminhei mais de quarenta quilómetros até ao Mosteiro de Vairão, em Vila do Conde, onde pernoitei. E assim fiz várias etapas do “caminho”. Caminhei, descansei, pernoitei e voltei ao caminho, às pausas, aos episódios esquisitos, às capelas, às catedrais, aos miradouros, ao asfalto e aos cami…