Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2011
Um Domingo tranquilo é quando tu acordas cedo, fazes um café e passas uma manteiguinha em duas torradas, enquanto o teu cão fica ali sentado à espera da tua generosidade. Depois, levas o cão lá fora e fazes-lhe as festas habituais no elevador. Voltas a casa e espraias-te num banho demorado e voltas a sair. Num domingo tranquilo, tu começas por ir ao café habitual e encontras os amigos habituais e passas os olhos nos jornais habituais. E falas coisas ligeiras e espaças os diálogos com longas fumaças. Regressas a casa já depois do meio-dia e almoças tranquilamente do que houver. E assim vem a tarde pasmacenta dos domingos tranquilos onde normalmente adormeces no sofá, no momento seguinte ao da escolha do filme para ver ou do livro para ler. Num domingo tranquilo a noite acaba por chegar, bem por cima de tudo aquilo que não fizeste. As horas correm no meio das notícias e ficas com a sensação de que tudo aquilo passou rápido de mais.

Hoje apeteceu-me escrever.

Ontem foi um dia assim-assim e hoje apetece-me escrever. Ontem trabalhei normalmente, hoje também e, no entanto, apetece-me escrever. Ontem fui jogar futebol de sala, à noite, depois entrei em copos e conversei noite dentro. Hoje apetece-me escrever.
 Ontem quis ouvir jazz mas os amigos queriam música dura e eu percebi que  eu posso ouvir jazz sempre que me apetecer mas não tenho de arrastar os outros nesse desejo. E hoje apetece-me escrever. E os dias assim-assim nem sempre dão para ouvir jazz mas dão para muitas coisas. Dão para apetecer escrever mesmo sem ter nada de relevante a dizer. Dão para sentir que dormimos pouco e que, ainda assim, estamos vivos, saudáveis, a envelhecer como quando crescíamos. E se nos der para querer ouvir jazz é porque desejamos, por certo, encontrar respostas singelas a perguntas batidas.Os nossos dias correm com súbita voracidade e nós calamos um pouco. Perenes moços, nós já tivemos tudo e achamos que não temos nada. E perguntamos, ingénuos, ao registo …

irritações

Venho aqui a correr para assentar uma espécie de irritação que me consome um bocadinho. Uma irritação que é quase um preconceito meu, ou quase um assomo de arrogância da minha parte, temo eu. Só admissível nos meus pensamentos auto-recriminatórios porque eu posso me dizer que, afinal de contas, eu percorri. Posso afirmar a mim mesmo que passei horas e horas numa biblioteca, que fui ao teatro, fui ao cinema, à ópera e comprei discos e livros e ouvi muita rádio que falava comigo e me trazia saberes que se me enraizavam e me moldaram os critérios. E que ainda hoje procuro fazer disso tudo.
E, justamente, o que me traz aqui neste momento não sou eu mas sim a tal irritação que eu ando a sentir faz algum tempo. Conhecem Pelléas et Mellissante? L' heure espagnol? Ah, eu conheço, sabiam? Ouvi e gostei muito, conheço as histórias e sei quem foram os autores e descobri nelas outra forma de entender o início do Sec. XX. Sei o que é porque cultivei essas coisas. Conhecem o noc noc noc on the …