sexta-feira, 31 de outubro de 2003

Voxx. Li no Publico que a rádio Voxx foi vendida. Espero que não venhamos a assistir a mais uma metamorfose radiofónica do género "best rock" e outras couves. A Voxx não é nada de especial, mas passa musica boa, sem chatear e tem até bons programas falados à moda antiga. Tive uma professora de inglês, nos idos de oitenta, que me dizia: "ouvir rádio é a melhor forma de crescer intelectualmente". A Odete Veludo não podia imaginar que hoje as rádios sobrevivem apenas graças à ditadura das play lists. A Voxx é, para mim, um caso único de qualidade e bom gosto. E nem sequer teve nunca a publicidade da defunta XFM. Não sei se sou uma imensa minoria que ouve Voxx, de modos que temo sinceramente pelo fim desta antena boa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2003

Aldeia.

Jogos, terras , pátrias, muros
Relevos duros , imberbes.
Sonhos trovas e casebres
Minha aldeia, meu quintal.

Manhãs serenas e lavadas,
Uvas brancas, manchadas
Aguarelas do meu jardim

Sentado olhei as pedras
Mirei ervas e veredas
E nada ficou assim...

(Altino Torres, 2000)

terça-feira, 28 de outubro de 2003

Sim eu sei. Andei por aí, por esses blogs, a apreciar o que se diz, do que se fala e como de fala. Apercebo-me de duas coisas distintas: Os cultos e os cultos. Há os cultos que pura e simplesmente se recusam a falar de futebol e há os cultos que se deleitam a desdenhar do Benfica. Para os primeiros o meu simpático desprezo, para os segundos estou-me cagando, que é como quem diz o mesmo que para os primeiros.

Altino Torres

sábado, 25 de outubro de 2003

DITOSA PÁTRIA. Cito aqui o Aviz: "...Vejam, oiçam: a «catedral», as toneladas de cimento, o estado da relva, as bifanas, a marcação do campo, a lama, os transportes alternativos, um vice-presidente a anunciar que toda a gente vai ser revistada (ele mencionou «armas», portugueses!, ele mencionou «armas», que vergonha), o glorioso trajecto da história do clube, os lugares sentados, a falta de estacionamento, os 65.000, o betão, as colunas, as vigas, os acessos, os uruguaios, os futuros lugares de estacionamento, a loja para as bandeiras, os taxistas, o controle UEFA, os vips, os vivas à Nação, a imprensa, os títulos vergonhosos de A Bola.." para dizer a esse homem culto que se chama Francisco José Viegas que o Benfica é mais do que qualquer vitória do Porto, seja ela em Marselha, em Tóquio ou até em Marte contra 22 marcianos. O Benfica é de facto uma imensidão de alma e paixão que nada nem ninguém conseguirá nunca diminuir. E apetece ser menos polido para com o Aviz e afirmar, sem rodeios que se acaso, e por absurdo, todos os benfiquistas rumassem ao estádio do dragão (o Burro inclusive) e dessem uma valente mijadela, certamente todos os portistas morriam afogados. Deixando a etiqueta de lado, usando da boa dialéctica pintocostiana, adaqui apelo ao Viegas: deixe de se meter com o Glorioso e aproveite a brilhante carreira que o FCP tem feito apesar de ninguém estar minimamente interessado se o portista comum anda de burro ou de ferrari.

Altino Torres

sexta-feira, 24 de outubro de 2003

Voxx. Sou ouvinte quase cem por cento "Boxx". Aprecio o gosto e não desgosto do estilo. Muita musica alternativa e algumas experiências sonoras que são autenticas descobertas - para mim entenda-se. Mas hoje a sensação do inesperado foi bestialmente interessante. Já tinha ouvido falar duma lei qualquer que obriga as rádios a passar uma quota obrigatória de musica portuguesa (os jornalistas saberão dar mais pormenores) mas os da "BOXX" foram geniais. Foi um santo dia a ouvir musica portuguesa do melhor. Ouvi com gosto frases cantadas e que estavam na minha memória de infância, tais como: "a igreja estava toda iluminada...", "vamos brindar ao vinho verde que é do meu Portugal", "pulga pulga pulguinha....", Uma da manha hei" e até o sempre grande Serafim Saudade, a lembrar o Tal Canal e fazer lamentar aquilo em que ele, o Herman, se tornou nos dias que correm (o artista, falo apenas do artista). De maneiras que ao chegar a casa fui tentado em partilhar estas sensações.

Altino Torres

quinta-feira, 23 de outubro de 2003

fequepe. Estes "gaijos" ganharam. Ganham sempre e, neste caso concreto, já enjoa. Mas para os franceses foi bem feito, muito bem feito. Aguardemos pela grande jornada intercontinental que o meu Benfica se encarregou de organizar e que vai ser uma loucura de gente. Esperemos um bom Benfica.

Altino Torres

P.S. Já enjoa porque eu não os gramo, ponto.

terça-feira, 21 de outubro de 2003

Fotografia. decidi criar um link onde vou tentar colocar uma foto por dia. Continuo a resistir aos sitios pagos e espero poder partilhar algumas fotos, menos pessoais é certo, mas de certo modo relacionadas comigo e com o mundo que me rodeia (todas elas serão geradas pelo meu telemovel). Esta experiencia não tem prazo de validade.

Altino Torres
Luis Filipe. O caríssimo presidente da Camara Municipal de Vila Nova de Gaia anda em alta. Ele é falado e faz Gaia, essa cidade gaveto do Porto, evidenciar-se no mapa de Portugal como há muito não se via - e ouvia. De modos que já vai no segundo estádio/complexo desportivo por ele mesmo inaugurado e mandado construir. No caso concreto (e que a mim diz respeito) do Complexo Desportivo Jorge Sampaio, em Pedroso (que é como quem diz, nos Carvalhos), há um pormenorzito, muito pequenito, nada importante, (mal comparado com as parangonas acerca das negociações com o Benfica, esse glorioso, para treinar no dito complexo), que me afecta a mim e a muitos habitantes daquela localidade: O staff da Camara tratou, em tempo record, de colocar um tapete de alcatrão novinho em folha em todo o percurso que liga os Carvalhos, isto é, o final da auto estrada, ao Estádio Sampaio. Acontece porém que já lá vão uns valentes dias e nada de reposição das passadeiras para os peões. E acontece também que essa estrada serve o maior aglomerado de escolas por metro quadrado em Portugal. De modos que todas as manhas, eu, pai dedicado, levo o meu petiz à escola e nada de passadeiras. Conclui portanto que uma passadeira municipal, que serve os municipes, é bem menos importante que uma mega passadeira (alcatrão novinho em folha) que ajudou a catapultar mais uma façanha deste grande presidente de camara que é louvado por todo o Portugal.

Nem sei se isto deve ser lido ao jeito de Fernando Pessa ou em modo grande reportagem histórica de José Hermano Saraiva.

Altino Torres
Cobardia. Muito se fala do segredo de justiça e de escutas e, pasme-se, até foram transcritas na televisão algumas dessas alegadas escutas feitas a figuras publicas. O que me espanta é haver gente que se tenha escandalizado por saber ser o Ferro capaz de dizer "estou-me cagando". E indigna-me ter lido aqui na blogosfera e ouvido na outra imprensa tantas criticas a uma frase que só existe porque foi dita em esfera privada, da mesma maneira que qualquer um de nós diria a uma namorada "comia-te toda agora mesmo", sendo que tudo isto é, repito, da esfera privada tornada publica, devassada pelas escutas que não souberam preservar o mais nobre valor ético enquanto seres em comunidade: a privacidade. Por isso acho repugnante e de cobardia extrema todo aquele comentário que possa aproveitar este facto. Nem me vou permitir utilizar o hiper texto ou qualquer referência a quem o possa ter feito. Apenas reforço que vi, ouvi e li muita merda, ora porque se é de direita ora por que se é engraçadinho ora porque se é uma iminência parda da blogosfera.

Altino Torres

domingo, 19 de outubro de 2003

Tromba Rija. Cito de memória as palavras que deixei naquele papel castanho onde me foi pedida uma opinião sobre o restaurante Tromba Rija de Gaia: "Devo dizer-vos, em abono da verdade, que nunca me tinha acontecido estar num restaurante e depois de ter jantado muito bem!, e me apetecer fumar um grande "tarolo", dar-se o caso de o empregado ter trazido, também, tabaco de enrolar e um pacote de mortalhas. É obra!!!"
Cumpre-me acrescentar, e por ser verdade também, que se fumou daquele tabaco e mais alguma substancia entretanto acrescentada. E que bem soube.

Altino Torres

sábado, 18 de outubro de 2003

Sábado. Hoje ainda não li o Expresso, nem vim à net e só agora acesso a alguns blogs para ver o andamento. E como, em andamento, apanhei o texto dos do setezero sobre as eleições do Benfica, cumpre-me comentar que estou de acordo com o que lá se diz e, já agora, adianto que o meu presidente ideal seria o senhor Humberto Coelho (comments?). No mais vou sair com amigos, jantar, beber e dançar e levo a cabeça arejada e não sei nada do que se passa no mundo e nos blogues e nas televisões. Hoje estou, a modos que, um ignorante feliz. Noutros dias estou apenas ignorantemente convencido que estou informado. É bem. Bom final de semana a todos e vrrrruuuuuuuummmmmmm que lá vou eu.

Altino Torres

sexta-feira, 17 de outubro de 2003

Lunch time. Em hora cujo apetite desconstroi a vontade de fumar e o não fumar, não o fazendo nunca mais, empurra para um apetite imensamente maior, que fazer? Em hora cuja leitura de alguns textos neste espaço, onde todos abundam, me transporta para uma compulsiva vontade de fumar e, não o fazendo nunca mais, o apetite vomita-se-me por de entre as gustativas apuradas, que fazer? Em hora debatida pela mais expressiva fundamentação de abundantes temas, e não fumando nunca mais, a fome almoça-nos as ideias, que fazer pois? Talvez comer. É isso, boa ideia.

Altino Torres

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

Bessa. Intervalo. Aqui no estadio não ha golos nem futebol mas estamos ca na mesma, isto é, continuamos Benfica. Se os meus amigos do setezero estiverem a ver o jogo pela TV, o melhor a fazer é ir tomar um copo ou ler um livro (neste momento anunciam que o Benfica venceu ONZE ZERO em futsal...coisa estranha). Vamos ver o que nos aguarda na segunda parte.

Altino Torres
Time. Já tudo se disse sobre o tal artigo que, apenas acompanhado pelo caso Casa Pia, inundou a revista Time. Desta vez merecedor de honras de “capa”, o país parou ontem defronte aos quiosques a comprar a tal revista oriunda do tal país que tudo sabe e tudo vê. Mas eu é que não fiquei nada contente, porquanto sou assinante do dito “pasquim” e, normalmente, todas as terças feiras lá estava ela, a “pasquina”, na minha caixa de correio (ela mesma – não confundir com correio electrónico). E eu a retirar o invólucro transparente e a ver as sempre mesmas capas com o sempre mesmo Bush e a SARS e o Iraque ou a dislexia (muito bom este trabalho ). De maneiras que lia aquilo num abrir e fechar de olhos e, por vezes, deitava-me a adivinhar qual seria o artigo que iria aparecer na revista do Expresso ( e digo-vos que são muitos os artigos do Expresso à boleia da revista Time). Nesta Terça feira porém, já cansado de ver e ouvir, durante o santo dia, tamanha referencia à revista Time, eis que abri a dita “mail box” (que não a electrónica) e nada de revista Time. O meu sagrado ritual dos finais de tarde das terças feiras estava pois comprometido. Ainda para mais num dia em que ela, a “pasquina” trazia Portugal na “la Une”. Fiquei food_i_do, para não dizer outra coisa. Devo reclamar? Que não, nada de enviar cartas para Amsterdam. Apenas deixar que chegue mais um ultimo aviso da fabulosa campanha de renovação da assinatura e pegar o RSF e escrever lá, de forma bem clara: Amuei.

Benfica. Hoje vou ao Bessa Ver o meu Benfica. Bem sei que se fala muito do tal jogo com os de Montevideu. Mas eu cá não posso perder o La Louviere. É coisa pouca mas é o que temos. E eu, como Mourito do Norte, caragu!!, tenho a obrigação de mostrar lucidez e garantir que o Benfica não é passado. É presente, e o presente, meus senhores, é hoje no Bessa para a taça Uefa.

Altino Torres

domingo, 12 de outubro de 2003

Domingo. Estou a postar a partir do meu telemovel (Sony Ericsson P800). Nos Carvalhos, Gaia, continuamos a ter um tempo encoberto com ameaça de chuva. Vou almoçar uns rojões feitos pela minha sogra. Uma maravilha. E vou abrir duas Cave Real tinto, Alentejo de 2001 que recebi da Enoteca. Temo ser boa companhia para os ditos rojões.

Altino Torres.

sábado, 11 de outubro de 2003

Chuva. Para Sábados como este não há nada melhor do que uma boa "navegadela" pela web. Teimo em recomendar este poema (desta vez em texto) porque é um bom poema. Ponto. No mais, continuo sem fumar desde terça-feira, o que tem sido um grande sacrifício mas é por uma boa causa. Fiquei a saber que se anda a discutir a ausência do "Suave" no Português Suave e que se esgrimem variadíssimos pontos de vista sobre fumar ou não. Eu optei por deixar porque cansei de ser parvinho. Só isso. Quem quiser fumar que fume, isso é uma opção pessoal e mais não digo.
Ontem a selecção de sub-21 jogou no novel estádio Jorge Sampaio. Curioso ainda não ter lido ou ouvido qualquer comentário do PR sobre esta coisa de se atribuir nomes de pessoas, ainda vivas, a recém inaugurados equipamentos publicos. Dá a ideia que quanto mais populista a obra, mais altaneiro deve se o nome a dar. Isto tem qualquer coisa de caciquismo. Sabia de uma rua Pinto da Costa, lá para o Marco de Canavezes, e de uma rua Eusébio em Nogueira da Maia, mas desde a ponte de Salazar que não me ocorre tamanha semelhança com o que o Sulista q.b fez aqui nos Carvalhos, bem perto de minha casa. Sim porque, afinal, quem lê Pedroso (a freguesia) fica a saber o mesmo. Convém esclarecer que a tal freguesia fica nos Carvalhos.

Horinha de jantar a bendita sopinha e zarpar ao café do costume, sentar, beber a cerveja do costume (nada de fumo agora) e assistir a un bon match de la National.

Bom weekend

Altino Torres

PS- Quanto ao Prémio Nobel da Paz apenas para dizer que estou contente, muito contente. No mais, quem quiser pormenores que vá aos blogs de orientação jornalistica. Ou então vá aqui só para ver, dum modo diferente, o que sente esta gente.
Poema aqui.

quinta-feira, 9 de outubro de 2003

In a Portuguese Saloon
a fly is a circling around
the room
You'll soon forget the
tune that you play
For that is the part
You throw away
Ah, that is the part
You throw away

Tom Waits

quarta-feira, 8 de outubro de 2003

Frase.... "Agora vou jantar; é uma diligência prosaica mas, como sabe, indispensável à sobrevivência da espécie"
(Celso Cruzeiro, advogado de Paulo Pedroso, em declarações à SIC.)
Fumo. A propósito do novo formato dos avisos nos maços de cigarros, normalizado via União Europeia, tenho a partilhar convosco um certo paradoxo que descobri em mim e que baptizei de "paradoxo do pacote". Passo a explicar: Como sempre fumei (Ventil), já há muito que gramava aqueles discretos avisos de que o tabaco faz mal e coisa e tal. Findo o Verão, eis que aparecem aqueles dizeres todos malucos (mas sérios hein?) sobre grávidas e espermas. Fiquei um tanto incomodado porque o meu "maisnovo", fino como um alho, desatou a ler todos os exemplares de Ventil que apareciam em casa e, claro, preocupou-se muito com o meu vício, a passar já a vintena diária. Mas eu fiquei relutante a assumi, daquela forma burguesa de assumir, que nada ou ninguém me iria impedir de fumar os meus cigarritos. Tal como o "Estrangeiro" de Camus, estava eu, de certa forma, a comandar a minha própria sentença de morte. Aconteceu porém que ontem vi na TV, à hora do almoço, aquela notícia magnífica sobre um tal invólucro que ia, por assim dizer, ocultar os nossos traumas repetidamente anunciados nos maços de cigarros. De maneiras que olhei para o meu cigarro a arder entre dedos. De repente, apercebo-me que o respectivo maço jazia na mesa amarrotado e, escondendo as tais frases lancinantes, parecia gritar: compra outro, anda lá, está na hora de te levantares e sacares dois Euros e dez. Fiz uma pausa enquanto apagava aquele cigarro, olhei a televisão e ouvia, ao longe, um sotaque francês a tentar explicar o óbvio daquele pacote, ou invólucro, ou imbróglio, nem sei. Sei apenas que pronunciei esta frase: Estou farto disto, não fumo mais.

domingo, 5 de outubro de 2003

Pedroso. Da minha janela vejo dois estádios de futebol: o dragão e o Dr. Jorge Sampaio. Tenho, portanto, defronte a meus olhos, tamanha responsabilidade de incitar o "santo" a vigiar a fera. Mas não serão, um e outro, a mesmíssima coisa? Devo rir?, nem sei...

Altino Torres
Domingo. Mais uma vez fui confrontado com um texto no Expresso sobre Blogues. E mais uma vez o Abrupto foi referido. Mas também foi alvo de uma critica, a meu ver muito acertada e que eu remeto para o excelente texto que encontrei no Introito (mais uma vez este portista a dar-me excelentes apontamentos de autenticas referencias da blogosfera lusa). Efectivamente há referências para tudo nesta vida, neste planeta e neste país. E Felizmente há quem saiba reflectir, de mente sã, sobre essa problemática.

Benfica. O meu glorioso SLB jogou bem e ganhou. Isto é, jogou simples e não deu qualquer brinde ao adversário capaz de maior prejuizo. Mas deu brinde na mesma, e eu corri logo para os do Setezero a ver se o optimismo deles deixava de ser tão paradoxalmente pessimista. Para azar meu, eles continuam cepticos e já falam num Benfica frígido. Por mim, prefiro crer muito. Acreditar que um dia o Benfica melhore mesmo. Oremos.

Altino Torres

sexta-feira, 3 de outubro de 2003

Fim de semana. O Niilista Optimista diz que é criticado por prosar pouco e postar muitos cartoons. E é bem que poste cartoons porque a blogosfera portuguesa anda cheia de gente a postar "postas de pescada". Como já aqui afirmei , do Abrupto apenas me interessa as excelentes imagens lá postadas. São, por si só, agradável contradição estética em relação à coerencia ética de quem as posta. Do Aviz aprecio, e muito, a qualidade escrita do seu autor (acresce que dá excelentes dicas de bons e interessantes blogues - foi através dele que conheci os do setezero-). Entendo pois, que a pluralidade é preciosa e quem gosta vai, quem não gosta que vá na mesma.

De maneiras que é fim-de-semana e amanha sou bem capaz de ir ao Cais de Gaia experimentar a versão Douro do leiriense Tromba Rija . Comer bem e à portuguesa, por 25 € apenas, é uma grande postada meus senhores. Porque essa coisa de rodizios e picanhas e outras guaranices já me anda a dar voltas ao estômago faz tempo. E olhar o Douro dali, a magnifica Ribeira do Porto, é qualquer coisa que nem o melhor Pacheco Pereira, em campanha eleitoral, será capaz de descrever.

Altino Torres

quinta-feira, 2 de outubro de 2003

Chuvinha l Ao telefone com um cliente meu, alemão, perguntava-lhe em tom amigável se estava a chover muito no local onde ele se encontrava. Respondeu-me ele com um aforismo verdadeiramente fulminante: "Em Portugal tudo acontece da forma mais surpreendente, se está ON (sol) arde tudo, se está OF (chuva) fica tudo inundado". Fiquei sem palavras, pois.

Chuvinha ll O Viegas também escreve sobre futebol. Já sabia da sua dialética "pintocostiana", discurso muito típico dos portistas (mesmo dos inteligentes), mas fiquei surpreendido por ele ter chamado Professor Pardal a Carlos Queiróz. Espero bem não se tratar daquele estafado preconceito para com aqueles que, sendo formados na Universidade, ocupam os melhores lugares destinados tradicionalmente aos ex-futebolistas e mesmo ex- apanha bolas do Rio Ave. De modos que gostei do discurso claro, conciso e concreto do Professor Queiroz. " Dominámos o jogo todo". Quanto ao mister canário de papo emproado, limito-me a dizer que estou aliviado por o Porto não ter ganho porque, imaginem bem, no caso de uma vitória portista ( não era nada demais porque afinal o FCP já tinha ganho ao mesmo clube, na mesma competição e no mesmo estádio e por 3 a 1) lá tinha eu que me vergar aos mil discursos, e outras couves, dessa parda sumidade futebolistica que, para mim, não passa de um aprendiz de feiticeiro. Mas o Viegas ainda não escorreu qualquer letra a propósito do jogo de ontem. Estarei atento à sua prosa. E aproveito para dizer que aprecio muito todas as outras qualidades do referido e, reforçando, não me esqueço daquele delicioso texto num guia do Expresso numa Primavera qualquer em que ele falava do Alto Alentejo e que me levou a pegar no carro e rumar ao Marvão, Aviz, Etc e tentar, de forma inglória, encontrar aqueles espargos silvestres que ele tão bem homenageou. O que me valeu foi o restaurante Sever e as suas omeletes com o dito legume. A confirmar-se que vai aparecer na RTP1 com o programa que anda a dar na NTV, fico muito contente, e aliviado também porque ali não se fala de canários e outras aves canoras.

Altino Torres
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