Este ano que passou foi um ano bom e isso foi bom.
Fomos a Paris ver o nosso filho, revisitar a cidade das cidades, comer raclette e ostras, beber vinho e descobrir Saint Germain de Prés. Andámos por ali no inverno e havemos de lá ir em junho só para ver as folhas das árvores. Dos Champs Élyéees e da Place des Vosges, principalmente.
Fomos a Granada de férias e descobrimos Almuñecar e apaixonamo-nos por aquilo tudo, e vamos voltar lá este ano, pronto.
Também houve perda. Da mãe. Abruptamente.
Muito trabalho houve às carradas. Mas soube bem trabalhar. Muito!
E a Margarida a crescer tanto e tão bem e nós a ver, a amar tanto!
Há quarenta anos andava eu a pensar o que ia ser de mim, sem jeito para nada, sem pouso, sem leito, sem papel fundamental, secundário que fosse. Andava pensativo a imaginar que nunca ia conseguir ter um emprego, que nunca ia conseguir ter uma mulher, um filho, um neto.
Em resumo, andava enganado e só o tempo flamejante e hipersónico me fez ver que todos os medos que tivemos eram sempre o prenúncio das grandes obras que faríamos.
Se fiz obra? Penso que sim, os meus filhos que são complemento de mim, que são mesmo braço dos meus braços, ramos do meu ser, pavios que iluminam os meus medos, tornando-os sempre mais suaves, sorrisos quando choro, acenos quando hesito - vai, Pai!
Fiz obra, sim. Fizemos. 💕