Vou agora, se me permitem, discorrer sobre um assunto que já me esta a meter nojo: a mania que os meus conterrâneos têm de andar numa de “ai vêm aí os emigrantes, que horror!” ou “credo, é só “avecs” por todo o lado, não os suporto!”
Os emigrantes, meus amigos, bem os emigrantes, para começar, deviam ter uma estátua em cada aldeia portuguesa. Durante este mês de Agosto não há feirante ou lojista que não esteja grato aos “avecs”. Porque eles, os “emigras”, eles compram tudo, eles enchem os restaurantes, eles ocupam as lojas que não vendem quase nada durante o ano e limpam-lhes o stock, as coisas que nós desdenhamos mas eles adoram. Eles mandam construir casas, grandes casas, enquanto nós, coitados, somos enfiados em apartamentos exíguos, eles até piscinas fazem, grandes garagens, três carros - e pagam a tempo e horas!- e isso é o quê? É economia a andar cá em Portugal graças ao dinheiro deles. E já nem falo das remessas que eles andam a mandar para cá há cinquenta anos. Por isso, meus amigos, respeito, muito respeito pelos emigrantes. Sorriam para eles, agradeçam eles virem cá porque muitos deles são já da terceira geração e quase nem sabem falar a nossa língua. Mas adoram Portugal.
Ainda recentemente isso ficou provado. Sim, porque um filho de emigrante português, nascido e criado em França, a trabalhar em França, a falar francês seria muito natural que jurasse amor ao SEU país, a França. Mas não, o raio dos moços adoram Portugal, amam Portugal e apostaram e apoiaram a “Seleçom” como só eles sabem fazer. Tiveram de levar com o mau perder dos franceses e aguentaram, não renunciaram à pátria amada, porque essa é só uma. E agora, chegam a Portugal, à grande e amada pátria e levam com a cara de nojo dos seus compatriotas, a raiva latente nas redes sociais, o ciúme, o preconceito. Se fosse possível eu queimava todas as “memes” que me aparecem a desdenhar os nossos compatriotas emigrantes por esse mundo fora e que fazem o favor de nos vir visitar. E entristece-me muito, aliás, ver muito boa gente que se arma a defender tudo o que é minoria e bla bla bla e depois vem para as redes sociais armar em “português de primeira estorvado pelos emigrantes” coitados, como se isto, esta parvónia fosse um direito só deles.
Por isso respeito, caro amigo, muito respeito pelos emigrantes. Obrigado.

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